Apple, Maçãs e Laranjas

Enquanto blogueiro de tecnologia eu entendo a necessidade de pauta. Entendo que há dias em que nada acontece, mas o chicote continua comendo. Também entendo a necessidade de parte da imprensa de tecnologia endeusar a Apple.

Os leitores gostam, é uma forma de personalizar a informação. Microsoft é Ballmer, Apple era Jobs, hoje é Tim Drake Cook, o lado business é traduzido para uma versão onde empresas de bilhões de dólares são vistas quase como indivíduos (há até um fundo de verdade, nos EUA corporações são pessoas).

Só que isso tudo não justifica a criação de factóides. As grandes empresas, sejam elas Apple, Microsoft, Autodesk, Oracle ou LexCorp tem inúmeros méritos em seu currículo. Não há necessidade de inventar. Por isso soou tão mal essa “notícia” que o Engadget e um monte de gente espalhou:

“iOS em 2011 vendeu mais do que 28 anos de Macs”

appleiosgrafico

UAU, NOSSSA, que coisa incrível, o iPhone é fantástico, o iPad é maravilhoso, a Apple derrota até a própria Apple!

Calma, Cocada. Isso lembra aqueles JÊNEOS que disseram que a Apple seria a número 1 em PCs, se o iPad fosse considerado um PC.

Primeiro, número puro por número puro o Symbian vende horrores até hoje, por mais que esteja morto e enterrado.

Segundo, a pergunta: E DAÍ? Qual a lógica de comparar um PC, que começa em US$1000,00 mas historicamente costumava ser bem mais caro com um dispositivo iOS, cujo mais caro custa US$829,00 – o iPad 3G 64GB- e o mais barato –o iPhone 3GS no plano- custa US$0,00?

A absoluta maioria dos iPhones vendidos é com fidelização, isso joga o preço lá embaixo. Um 4S 16GB sai por US$199,00 no plano. São precisos CINCO iPhones para equivaler a um Macbook.

É mais que óbvio que o produto mais barato vai vender mais unidades.

Eu entendo a necessidade de mostrar a Apple como Campeã da Verdade, Justiça e aquela outra coisa, mas queria entender a lógica de precisar apelar para comparação entre produtos absolutamente diferentes.  37 milhões de iPhones vendidos no último trimestre de 2011 não é um número bonito o suficiente? Será que precisaremos compará-lo com a quantidade de mensagens obscenas que a Luciana Vendramini me enviou em 2011, para dar significado a ele?

Espero que não.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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