O Vídeo da Daniella Cicarelli e o Fim da Privacidade

A Internet e a Blogosfera estão em polvorosa, com o vídeo da Daniella Cicarelli transando com o namorado. Faz sentido, todo mundo tem um componente voyeur muito grande, mesmo quem acha exagerado o hype olharia, se estivesse na praia. Esse componente aliás está tão presente que ela está sendo agredida por um pessoal menos evoluido. De alguém que teve sua intimidade (não privacidade, praia é local público) invadida, devassada, ela se tornou mera atriz, e o diretor, o Paparazzo, é um herói, não um chato que não deixa os outros em paz.

Uma preocupação de muitos defensores dos direitos de privacidade é que ocorram abusos e atitudes totalitárias por parte dos governos, mas a verdade é que na Inglaterra, onde mais de 500 cidades adotaram o uso de câmeras pelos órgãos de segurança, a redução de crimes em áreas monitoradas chega a 75%.

A sensação de segurança faz com que as pessoas não se importem com as câmeras, estão trocando uma privacidade teórica (afinal estão em um local público) por uma segurança real. Mesmo o Brasil já embarcou nessa, São Paulo tem uma excelente central de monitoração, o Rio tem um projeto-piloto específico para o trânsito, aberto aos cidadãos, você pode a qualquer momento acessar o feed de uma das 79 câmeras da CET-RIO.

Entretanto, esse não é o maior problema, os defensores da privacidade gostam de atacar os governos mas esquecem que o Poder emana do Povo, e é o POVO que irá colocar em risco toda e qualquer privacidade. A enorme proliferação de celulares com câmera[bb], WIFI, PDAs, Smartphones, Zunes, iPods e outros gadgets com capacidade de gravar imagens digitais torna qualquer situação pública algo passível de ser monitorado / fotografado / filmado YouTubado.

Quando temos um inimigo claro, no caso o Estado, é simples, mas os inimigos somos nós. Seu vizinho no ônibus irá sacar o celular e tirar uma foto se alguém derrubar uma quentinha com feijão em seu colo. Uma menina enciumada irá fotografar o sujeito que a esnobou traindo a namorada em uma festa. O bandido filmará o policial extorquindo dinheiro e o casal transando na praia, na escada do prédio ou no carro será filmado.

No dia seguinte tudo estará na Internet.

Um dos vídeos mais famosos de Hong-Kong mostrava um sujeito discutindo com um jovem, em um ônibus. A briga foi filmada por um terceiro. Rendeu milhões de visitas, camisetas, cadernos, adesivos e tudo mais que a Indústria de Oportunidade possa pensar. Com certeza o Tio do Ônibus, como ele ficou conhecido, não gostou.

Assim, enquanto a gente se preocupava com as câmeras do Governo invadindo nossa privacidade, não percebemos outra revolução acontecendo à nossa volta. Hoje foi a Cicarelli, amanhã pode ser você.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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