Calma, esse não é um daqueles artigos políticos oportunistas em véspera de eleição, feitos para promover este ou aquele candidato com argumentos duvidosos e repetitivos. Lembre-se, este é um blog de tecnologia (e eu, particularmente, detesto esse tipo de abordagem).
Diversos sites do Governo estão infestados por SPAM e malware. A descoberta foi da empresa de segurança Sucuri Security, que publicou em seu blog com detalhes e, obviamente, aproveitou pra “oferecer ajuda”. Os sites sofreram algum tipo de ataque para que disponibilizassem conteúdo e links para sites que vendem remédio para impotência, em sua maioria. Em alguns deles houve até penalização pelo Google por SPAM e malware.

Não é uma falha, é uma cratera
O interessante nesse caso é a diversidade de sites e órgãos invadidos, o que leva a crer que uma determinada falha explorada está presente em diversos setores, órgãos e empresas do Governo Brasileiro, fazendo com que a exposição seja gigantesca.
Ainda não houve nenhum relato de roubo de dados ou coisa parecida, apenas de injeção de conteúdo (um ataque comum que eu já vi acontecer tanto em falhas de CMS como de servidores).

Resultados de uma busca feita no Google pelo termo "viagra"
O principal objetivo desses ataques é o SPAM, criando-se conteúdo de um determinado produto ou serviço e apontando links para os sites que vendam o tal produto. Isso faz com que o site destino receba “link juice” e apareça melhor em resultados de busca. O resultado é muito eficaz, mas dura pouco, pois os mecanismos de busca descobrem e acabam banindo esses sites, que surgem novamente com outro nome, domínio e servidores diferentes. Um círculo vicioso infinito.
Dificuldade de detecção
Infelizmente, é difícil detectar conteúdo injetado, a menos que seja muito óbvio, mudando a página principal do site, por exemplo. Apenas com monitoramento constante do site, com ferramentas especializadas, é possível identificar e corrigir problemas como esse em curto espaço de tempo, o suficiente para não sofrer penalizações, não indexar conteúdo malicioso, não infectar usuários em caso de malware. A própria Sucir possui um malware scanner (limitado na versão free) que satisfaz para pequenos sites e blogs.
Por conta da dificuldade dessa detecção, os sites infectados estão ainda disponíveis, indexados e alguns bloqueados. Vale fazer um pequeno barulho para alertar o Governo sobre o problema e quem sabe fazer as empresas responsáveis darem um jeito de consertar. Se você tem algum contato, por favor, encaminhe esse texto.
Para saber quais sites estão com problemas, basta uma simples busca no Google por termos como: viagra, tramadol ou cialis e adicionando “inurl:gov.br” na query de busca. Você pode usar isso também para checar se algum site seu ou de sua responsabilidade, possui páginas indexadas com algum termo de SPAM.
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24 de junho de 2010, 13:49
Não me surpreende, a qualidade dos sites políticos brasileiros nunca foi grandes coisa.
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junho 24th, 2010 @ 14:09
@Marcell Almeida,
Sites político é uma coisa, site governamental é outra.
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junho 24th, 2010 @ 14:47
@Rodrigo Santiago,
Bem observado, Rodrigo. O site político representa uma pessoa ou partido, já o governamental é do “povo”, digamos. Representa instituições públicas e deve manter sua segurança em dia, sempre.
Abs
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junho 24th, 2010 @ 19:17
@Marcell Almeida, o e-Gov brasileiro é um dos mais amplos e avançados do mundo, acho injusta a sua colocação. E olha que não tenho nada com isso, só participo desse sistema como usuário.
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24 de junho de 2010, 13:55
Seria isso via os comerciais?
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24 de junho de 2010, 14:16
Um dos fatores que justificam isso são as implantações de aplicativos feitas “de cima pra baixo” que ocorrem nesses órgãos públicos, isso é, na base da canetada. Ou melhor, nesse caso, por email. Trabalhei algum tempo num órgão do governo federal, e lembro que só nos mandavam um pacote dizendo “instalem e usem, prazo até semana que vem para adequação”. Azar o do administrador de redes, do administrador de sistemas, dos programadores, dos designers e etc.
Aí eu, como administrador de sistemas que era, instalava e encontrava duzentos e sessenta e quatro bugs que ocasionavam o funcionamento incorreto da aplicação das mais variadas formas possíveis. Aplicações essas que caíam nos mais simples injections, e sem sequer falar nas senhas de root, de bancos de dados, e outros usuários com (grandes) privilégios administrativos que costumavam vir escritos em arquivos de configuração sem qualquer espécie de criptografia – eu tinha coleção delas.
A correção dos bugs ainda era mais “engraçada” (pra não dizer desanimadora), onde normalmente as correções eram redirecionar o fluxo de erros pro /dev/null ou a “humilde solicitação” que desativássemos o debug do Apache/IIS/PHP/MySQL/Python/etc que os erros desapareceriam. Como se desativar a exibição dos erros fizesse o código ficar bonito…
Isso ainda acontecia no meu departamento comigo como responsável. Vira e mexe ainda me ligavam outros “administradores” de outros estados sem o menor conhecimento teórico/técnico, ao saber que comigo determinada aplicação funcionava, e me pedindo ajuda visto que os donos das canetas também não sabiam resolver os problemas, mas ainda assim estavam cobrando o prazo incessantemente.
Curiosamente, a maioria dessas aplicações eram CMSs, e normalmente bem-vestidos com a capa do software livre.
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junho 24th, 2010 @ 14:45
@luctimm,
Eu tive a sorte de trabalhar numa instituição federal de educação onde quem decidia o que iria ser implementado éramos nós, administradores de rede, de sistemas, pessoal envolvido na coordenação de informática.
Mas, conheci pessoas de outras instituições governamentais que reclamavam da mesma coisa que você, além da burocracia eterna para liberação de verba para fazer o que era realmente necessário.
Abraço
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junho 25th, 2010 @ 7:21
@luctimm, verdade… também já trabalhei com alguns órgãos governamentais.. é exatamente isso que acontece.
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24 de junho de 2010, 15:56
De vez em quando vem um backdoor no conectividade social da caixa.
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junho 24th, 2010 @ 16:06
@Rickd,
Off: Apesar que o tópico não é sobre esse software em específico, deixo a minha opinião:
Os programadores do Conectividade Social deveriam sofrer uma morte lenta e dolorosa. E se algum deles se identificar pra qualquer administrador de redes, isso acontecerá, e provavelmente o corpo não será encontrado. Pois é unaimidade. Não importa se a empresa é grande ou pequena. Se é Squid com Iptables ou ISA Server. Administrador que se prese já perdeu pelo menos uma tarde (alguns levam semanas…) até conseguirem fazer essa p(****) funcionar. E depois dele funcionando, ele SEMPRE dá problema no mês seguinte.
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24 de junho de 2010, 19:24
@Manoel Netto, Sucuri Security é nome tabajara?
Uso com frequencia os sites administrados pelo Ministério da Fazenda (Receita, BACEN, Min Faz, PGFN, etc.) e o site de legislação do Planalto, e NUNCA vi nada de “estranho” neles. Além disso, vários sites de Secretarias de Fazenda (SEFAZ) estaduais e municipais também.
Mas, reconheço que é um universo pequeno dentro do e-Gov.
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24 de junho de 2010, 19:32
Algumas vezes, em uma passada rápida de olhos, li “Dificuldade de detecção” como “Dificuldade de ereção”, o que, considerando o contexto, estaria correto…
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junho 24th, 2010 @ 20:33
@T E Lawrence, Misturar o contexto e fazer piadinhas é mais o estilo do Cardoso, consigo imaginar umas 2 ou 3 curtas que ele soltaria..
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junho 25th, 2010 @ 7:28
@criscmaia, pois é…eu também….
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25 de junho de 2010, 10:11
Que muitas coisas do governo são mal feitas eu já sabia, agora até o TI é desleixado isso é um grande problema
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25 de junho de 2010, 20:38
O que preocupa não é tanto essa questão, apesar de preocupante. O que preocupa mesmo é saber que toda sorte de dados pode estar na mão desses mesmos ”responsáveis”. Se bem que dizem que com os contatos certos você consegue o dado[cpf,rg,ir blablabla] de quem quiser…
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