Especulando o sistema operacional perfeito

Por: em 11/12/09 na(s) categoria(s): Miscelâneas, Software


Chrome OS? Ou Windows? Ou Linux? Ou Mac OS X? Estamos vivenciando uma nova e mais violenta guerra de sistemas operacionais, e assim, temos um bom momento para discutir o que se pode esperar da próxima geração deles. Então, vamos especular?

Muito se fala em cloud computing, mas, na real, acho que o modelo proposto pelo Google no Chrome OS é meio falho caso a empresa queira estendê-lo a outros nichos além do do netbook. Depender da nuvem limita as coisas, e não é esse o caminho natural das coisas; limitação, num ambiente normal (entenda-se usando um desktop/notebook), é regressão. Mas, mesmo assim, alguns aspectos podem ser extraídos do Chrome OS para moldar o sistema operacional perfeito.

Quais? A capacidade de se auto-reparar e a conexão constante à Internet, envolvendo seus dados. O primeiro item é interessante porque evita muitos problemas e dores de cabeça, além de ser uma bela arma contra malware. Detonou o sistema? Reinicie o PC, e ele volta a ficar redondo. Nesse ponto, o uso de programas como se fossem pequenas imagens, tal qual os *.dmg do Mac OS X, pode ser a solução para possibilitar a reparação automática no boot do sistema. Ou seja, reserva-se uma área do HD para programas e arquivos do usuário, e o sistema operacional, ainda presente e rodando localmente, torna-se “independente”, podendo ser restaurado (com velocidade satisfatória) sem incomodar os arquivos e programas do usuário.

Quanto aos dados, haveria um espelho na nuvem, tal qual o pequenino e excelente Dropbox já faz hoje. É ingenuidade temer a hospedagem de arquivos na nuvem. Já deixamos e-mail, documentos, e, lá nos Estados Unidos, até mesmo o telefone celular nas mãos de empresas que, por questão de imagem e confiança, têm esquemas de privacidade e segurança muito robustos. Em outras palavras, na maioria dos casos é bem provável que os dados fiquem mais seguros na nuvem do que em seu PC, este passível de desastres, falhas de hardware, furto e outros intempéries.

Cloud computing vai muito além de hospedagem de arquivos na nuvem, e a Microsoft, com o Office 2010 e o Click-to-Run, mostra bem isso. Essa seria a solução para manter programas constantemente atualizados. Nada de baixar instaladores, ou ser avisado mediante popups que há versões novas dos programas disponíveis. A atualização é feita silenciosa e constantemente, sem transtornos, nem trabalho para o usuário. Com esse sistema para programas, e a auto-recuperação do sistema operacional via boot, a la Chrome OS, as chances de desastres diminuiriam consideravelmente.

Falando em computação nas nuvens, não dá para ignorar a mescla entre offline e online. Nesse ponto, o navegador tem papel fundamental, e creio que o modelo existente hoje deveria ser repensado. O navegador, nesse sistema operacional perfeito, deve ser algo transparente ao usuário. Algo, mais ou menos, como o que a Microsoft tentou fazer com o Windows 9x e o Internet Explorer (podem tacar as pedras :-P ), porém dando ao usuário a liberdade de escolher o engine (motor) preferido: Trident, Presto, Gecko, WebKit… Optaríamos pelo motor, não pelo navegador.

Desse modo, sites seriam realmente transformados em aplicações, como já é possível nativamente no Chrome e via Prism no Firefox. Seria a quebra, em definitivo, da distinção entre aplicação web e local. As que demandam maior processamento, obviamente rodariam na máquina do usuário; coisas mais leves, como visualizadores de arquivos, cliente de e-mail e outros web apps aos quais já estamos acostumados, rodariam na nuvem. O uso da API File, que será apresentada no Firefox 3.6, é outro detalhe que diminui as diferenças entre aplicações locais e web, tornando o uso das últimas mais natural.

Um sistema conectado, mas que tenha capacidade de rodar aplicações e trabalhar fora da Internet, que se recupere sozinho de desastres, e use a web a seu favor, tanto para instalar melhorias automaticamente, quanto para rodar web apps e, muito importante, espelhar todos os arquivos do usuário. Talvez seja um cenário utópico, mas, como pode ser visto através dos links, está bem fundamentado. Acredito que isso seria o sistema operacional perfeito com o que temos a disposição agora e que estará disponível a curto prazo.

E você, o que acha?

  • m_atheus

    A integração com a web tem vários aspectos positivos, como os citados no post, mas um S.O como o chrome tem que ser muito transparente quanto ao gerenciamento dos dados dos usuários.

    Afinal, colocar todos os seus dados nas mãos de grandes corporações pode ser arriscado :D

  • http://ceticismo.net Pryderi

    A questão da nuvem é complicada. Eu já fiquei 1 mês com o merdox surtado. Se os dados estivessem lá em deus me livre, eu não teria como trabalhar.

  • eletrowilson

    Posso estar sendo ingênuo, mas acredito que hoje em dia, com o poder computacional dos processadores disponíveis no mercado, até mesmo um Atom supera o que se pode esperar de processamento na “nuvem”.

    De forma que esse negócio de aplicação na “nuvem” me parece mais questão de modismo de empresa querendo se mostrar como a mais avançada, a mais moderna, a mais isso e aquilo e etc.

    Sei não, posso estar enganado, mas no Brasil onde a maioria nem computador tem. Banda larga com conexão permanente então nem se fala.

    De qualquer modo acho isso muito bacana, pois são coisas assim que trazem inovação e novas tecnologias. Mas por enquanto fico com meu micrinho mesmo.

  • kadu20es

    Realmente eu queria muito e idealizei dia desses (quando estava instalando o OS X no meu Aspire One) uma opção de disco flash com a imagem do Sistema Operacional em sua instalação default, que seria utilizado apenas quando o usuário decidir, ou em caso de falha do sistema, por uma combinação de teclas de atalho na inicialização do computador…assim como fazemos com nossos Nokias quando queremos deixá-lo exatamente como veio de fábrica…

     

    Tá ai…vou patentear!!!

     

    rssrss

     

    Brincando, gallëre :P

  • Gezuz

    (… Detonou o sistema? Reinicie o PC, e ele volta a ficar redondo. Nesse ponto, o uso de programas como se fossem pequenas imagens, tal qual os *.dmg do Mac OS X, pode ser a solução para possibilitar a reparação automática no boot do sistema. Ou seja, reserva-se uma área do HD para programas e arquivos do usuário, e o sistema operacional, ainda presente e rodando localmente, torna-se “independente”, podendo ser restaurado (com velocidade satisfatória) sem incomodar os arquivos e programas do usuário. (…)

    Na minha opinião, acredito que um SO perfeito vai cumprir essas necessidades e mais outras, visando entregar um ambiente estável, seguro e de fácil manutenção ao usuário. Não há desculpas no momento atual de computadores de potência satisfatória, programas não serem projetados pensando em facilidade de uso e confiabilidade.

    Outro adicional é o compartilhamento de rotinas e recursos para os desenvolvedores terem seus aplicativos desenvolvidos de acordo com o sistema. Se o papo atual é web, então o SO deve prover de funcionalidades para facilitar a vida dos desenvolvedores de aplicativos que utilizem desses recursos. Isso também sendo válidos para outras necessidades, como a estabilidade, performance, acessibilidade, entre outras.

    O resto é finalidade para outros programas.

     

  • http://www.zergovermind.co.cc Decapattack

    Tem que ser minúsculo e muito, MUITO Rápido, como o MenuetOS

  • fabianbecker

    “Computação na nuvem” é mais ou menos como táxi ou ônibus: pode ser muito útil em alguns casos, mas praticamente todos querem mesmo é ter um carro próprio, mesmo com as desvantagens inerentes as isso (manutenção, impostos, etc.). Se visitarmos o passado (que neste campo ainda é recente) podemos encontrar um ancestral da cloud computing nos outrora onipresentes mainframes e terminais. Não foi a toa os mainframes foram – em sua grande maioria – aposentados ou relegados a tarefas bem específicas. Outra tentativa de reviver este modelo foi feita com os thin clients, e também sobrevive restrita a alguns nichos específicos. Cloud computing e coisas como o chromiun OS são interessantes, mas nem um pouco revolucionárias, nem mesmo inovadoras. Estamos apenas revisitando um velho tema. Temos necessidade de segurança, estabilidade, etc., mas também temos necessidade de desempenho, personalização e liberdade. Vai ganhar a corrida o sistema que conseguir conciliar da melhor forma estas necessidades um tanto quanto antagônicas. Na verdade não sei se há como ganhar de fato, uma vez que necessidades diferentes demandam soluções diferentes… os nichos existem e provavelmente sempre irão requerer soluções específicas.

  • http://www.i3tecnologia.com.br siljoevsan

    A chave de tudo esta na palavra transparência!

    A “coisa” (aplicação) deve funcionar da melhor forma possível seja on-line ou off-line

    E-mail o ideal deve ser on-line pois é informação que você pode acessar de qualquer lugar

    Ferramentas de programação o melhor é off-line devido a necessidade de recursos de processamento que hoje só uma máquina local pode oferecer

    Eu ainda acredito no híbrido não vai ficar tudo no pc e nem tudo nas nuvens

  • awregan

    “E você, o que acha?”

    Eu acho que você deveria basear pelo menos metade do seu texto em dados e não em achismos. Mas isso é a internet, então divirta-se.

  • http://cognostech.posterous.com/ Ramon E. Ritter

    Fabian,

    Para o usuário doméstico o seu argumento faz todo sentido. Mas para o ambiente corporativo, onde o suporte de TI é caro e funcionário parado por ter feito bobagem na sua máquina tem um custo alto, a filosofia do mainframe é excelente.

    Converse com administradores de rede e a maioria vai concordar que um modelo onde todas as aplicações rodam no browser é o sonho de qualquer um deles.

    Além disso, para a maioria quase absoluta dos funcionários, o uso do computador para atividades empresariais se resume a um editor de textos/planilha e os sistemas da empresa. E isso pode muito bem ir para a nuvem…

  • Leo_Koester

    Além de tudo isso, diria que um SO só alcançará a perfeição tornando-se invisível. Como? Deixando de aparecer ao usuário e sendo um mero caminho entre o sujeito sentado na frente do PC e o objetivo dele (ouvir música, ver um filme, navegar na web, etc…), principalmente os programas. E nesse caminho à perfeição, cada parte do sistema teria que entender para o que está lá; cada uma com suas prioridades.

    Um dos problemas para isso é que, normalmente, os programas que não fazem parte do sistema não sabem mesclar-se ao mesmo. Querer ter identidade única, com nome próprio, sendo executado com a máxima prioridade de carga da CPU, como se fossem a coisa mais importante instalada na máquina. Assim, um sincronizador de bookmarks/favoritos chamado “Multi Max Bookmark Sync Advanced” instalado vai criar atalhos no desktop, menu iniciar, inicialização rápida (quando aplicável), menu contexto e bandeja do sistema, alterar a página inicial do navegador para uma site qualquer, etc, além de executar com prioridade máxima de rede e CPU.

    Exemplos? Distros Linux: tudo tem algum nome obscuroestranho, com um ícone enigmático que só o desenvolver compreende o significado. É, definitivamente, um sistema de desenvolvedores e só. Claro que não é apenas o Linux que tem esse problema.  O modelo de programas do Windows é pra lá de ruim. Instalação é sempre uma sodomia que espalha lixo em todo lugar; isso quando não compromete o sistema inteiro (System Restore, oi?). Temos que conviver com a dll hell, cujo fim foi anunciado a tempos, porém foi gambiarrado recentemente com mais um modelo que trouxe mais dor de cabeça e confusão. E, claro, os programas que se auto denominam (oi, Firefox).

    Enquanto os desenvolvedores não compreenderem o que estão fazendo, essa invisibilidade fica apenas na esperança.

  • S41N7

    Eu acho que você foi um tanto quanto grosseiro sem necessidade…

  • http://bsrsoft.com.br andre_pereira

    Como assim você tem mais pooder computacional com seu desktop em casa do que um datacenter tem para oferecer na nuvem?

    Impossível.

    Sobre modismo, não é o caso. Nuvem é usada por praticidade, segurança, escalabilidade e diminuição de custos. Isso é perfeito para empresas. Simplesmente perfeito.

     

  • http://mugnatto.blogspot.com Marco Mugnatto

    não dá para ignorar a mescla entre offline e online”

     

    É verdade, mas isso durante a transição. Com o tempo ninguém mais vai querer se preocupar com sincronizações, e todos vão querer a colaboratividade em tempo real, ou seja, estar sempre conectado de qualquer jeito será essencial no futuro não tão distante.    

  • Leisses

    “A atualização é feita silenciosa e constantemente, sem transtornos, nem trabalho para o usuário. Com esse sistema para programas, e a auto-recuperação do sistema operacional via boot, a la Chrome OS, as chances de desastres diminuiriam consideravelmente.”

    Não concordo com essa parte. Temos vários exemplos de instalações silenciosas, sem “transtornos”, nem trabalho para o usuário, que causam problemas muito maiores que alguns NEXT NEXT NEXT (embora nem o NEXT NEXT NEXT esteja a salvo).

  • shimatai

    [quote]Nada de baixar instaladores, ou ser avisado mediante popups que há versões novas dos programas disponíveis. A atualização é feita silenciosa e constantemente, sem transtornos, nem trabalho para o usuário.[/quote]

    Mas isso já é feito hoje em dia, pelo menos. Vide Windows Update e Ubuntu. Ambos tem opção para para atualização automática.

    Sobre a auto-recuperação, o BeOS tinha um esquema legal, que espero que seja adotado no Haiku.

    Cloud Computing para fins doméstico no Brasil eu ainda acho improvável, quem sabe daqui há uns 200 anos.

  • http://www.ssdgeek.blogspot.com Pedro Jr

    belo texto!

  • lfesmail

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