Games não ajudaram a vender mais livros, diz autor do The Witcher

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Recentemente comentei por aqui sobre o quanto Andrzej Sapkowski lamenta o acordo que fez com a CD Projekt ao licenciar a marca The Witcher para que o estúdio criasse jogos. Naquela ocasião, a impressão que tive foi de que o polonês havia apenas subestimado o poder da mídia, mas em uma nova entrevista o criador do Wiedźmin mostrou que não é nem um pouco grato a suposta fama que os jogos lhe deram e que na verdade tais criações fizeram com que vendesse menos livros.

A crença, amplamente divulgada pela CDPR, de que os jogos me tornaram popular fora da Polônia é completamente falsa. Eu tornei os jogos populares. Todas as minhas traduções no ocidente — incluindo as em inglês — foram publicadas antes do jogo.

 

Eu não nego que o jogo de certa forma pode ter aumentado minhas vendas. […] Enfim, existem mais pessoas que jogaram os games porque leram os livros. Essa é a minha conta, mas não tenho certeza. Nunca fiz um estudo.

O problema é que Sapkowski está equivocado ao dizer que seus livros chegaram ao ocidente antes dos jogos. Enquanto o primeiro livro da saga a aparecer em inglês (The Last Wish) só saiu em 2007, o jogo criado pela CD Projekt foi lançado um ano antes, mas no fundo considero esse erro irrelevante, pois mesmo que fosse o contrário, não acredito que isso seria suficiente para me fazer concordar com a declaração.

Na minha opinião, ao defender essa ideia o autor mostrou que além de ter subestimado a indústria de games ao ceder os direitos para a CD Projekt de maneira equivocada, ele não aprendeu com o erro. Quem parece concordar com isso é Dmitry Glukhovsky, autor do livro Metro (que depois também virou jogo) e que não poupou palavras para criticar a postura de Sapkowski.

Acho que ele está totalmente errado e que é um filho da p*** arrogante. Sem a franquia de games, a série The Witcher poderia nunca alcançar essa base de leitores internacionais que possui. E não é apenas sobre os jogadores, mas a imprensa de games, o burburinho que ela cria e a sensação de que algo grandioso, massivo e impressionante está para sair. Isso mantêm as pessoas fisgadas. Ele poderia continuar como um fenômeno da Europa oriental sem isso, mas talvez nunca chegasse ao ocidente. E o mesmo vale para os meus livros Metro.

Não chega a ser surpresa então sabermos que enquanto Glukhovsky só tenha coisas boas a dizer sobre os games, o Sr. Sapkowski não esconda que só tenha se interessado pela mídia por causa do dinheiro, mesmo defendendo que eles tenham lhe tirado vendas.

Para ser sincero, eu odeio falar isso de uma pessoa, ainda mais de alguém cuja criação eu tanto admiro e que inclusive me ajudou a conhecer um pouco mais da cultura polonesa, mas a partir de hoje não conseguirei deixar de pensar em Andrzej Sapkowski como um sujeito bastante ingrato.

Fonte: Waypoint.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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