Star Trek — quando arte e ciência se encontram

Quando o filme Viagem Fantástica foi lançado a divulgação de que a novelização seria feita por Isaac Asimov foi grande. Era um nome de peso que dava credibilidade à história. Na prática ele foi quase coagido a fazer o livro, e teve que se virar para corrigir a maior parte dos erros científicos. Acabou mais tarde escrevendo seu próprio Viagem Fantástica 2, para compensar o que cometeu no primeiro.

É comum cineastas associarem cientistas a seus filmes, como consultores. Na prática o script sempre fala mais alto, então não adianta ter Kip Thorne em Interestelar, se temos que engolir que enfrentar um fungo é mais difícil que migrar toda uma civilização para outro planeta.

Algumas vezes a parceria dá certo, em The Martian os consultores científicos e o resto da equipe trabalharam em harmonia, mostrando que não é preciso homenzinhos verdes para tornar Marte interessante.

Jornada nas Estrelas, por não ser ficção científica Hard, tem muito mais espaço de manobra, ingressando em campos esotéricos sem perder o pé na realidade. Em All Good Things, último episódio da Nova Geração a Enterprise encontra uma anomalia de antitempo, uma região do espaço onde o tempo anda pra trás. Fui pesquisar, existe esse conceito em cosmologia quântica.

Um bom trabalho de consultoria técnico/científica por exemplo é o de Mr Robot, onde o mega-hacker protagonista diz que a segurança do Wi-Fi que querem invadir é WPA2 e ele precisa de uma semana pra achar a senha. Nada de GUIs em Visual Basic ou escrever “OVERRIDE” em um console.

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Idealmente o consultor científico de um filme ou série é mais que uma figura a ser consultada em caso de dúvida. O bom consultor participa de todo o processo criativo e dá sugestões. Foi o caso da Dra Carolyn Porco. Ela trabalhou com a Voyager, a Cassini e a New Horizons, tendo contribuído para a obtenção de imagens fantásticas de vários planetas do Sistema Solar.

Ela foi consultora do primeiro Jornada nas Estrelas de JJ Abrams, que ressuscitou a franquia no longínquo ano de 2009. Além de garantir que as estrelas estavam certas, ela foi além, sugerindo uma cena que por sua vez provocou uma alteração em cascata no script.

Para surpreender os romulanos malvados a Enterprise volta para o Sistema Solar, saindo de dobra não no espaço interplanetário, mas dentro da atmosfera de Titã, a maior Lua de Saturno. Carolyn era a pessoa certa, afinal sua sonda de pouso, a Huygens efetivamente foi aonde nenhum homem jamais esteve, em 2005:


Richie086 — Huygens Landing on Titan

Sendo profunda conhecedora de Saturno e adjacências, Carolyn Porco sugerir a cena que seria tão épica que acabaria repetida em todos os outros filmes da franquia: a Enterprise surgindo nas nuvens de Titã.

Exemplo impecável que um pouco de ciência pode ajudar a arte a criar momentos épicos, e sim, eu junto com o cinema todo aplaudi essa cena!


Kevin Davis — Star Trek 2009 – Enterprise Above Titan

Fonte: Diamond Sky Productions.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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