Alex Kipman: “o HoloLens não se tornará um produto para as massas tão cedo”

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Ah, a doce ironia. Alex Kipman, o cientista da computação e engenheiro responsável pelos esforços em RV e RA da Microsoft quase cometeu uma tremenda pisada de bola com o HoloLens, o headset saído diretamente da ficção científica e cujo projeto gerou o Kinect (e não o contrário, como muita gente pensa); ele quase seguiu os passos do filhote, hoje desprezado como um acessório para games mas adorado pelos hackers e entusiastas e foi originalmente oferecido a parceiros como um equipamento de entretenimento, o que foi prontamente rejeitado.

No entanto, essas mesmas companhias (NASA, Volvo, Saab e etc.) perceberam que ele era excelente como uma plataforma de desenvolvimento para Realidade Aumentada e Virtual, aplicada a tecnologias de gente grande e Redmond redirecionou todo o projeto, desvinculando-o totalmente dos games e oferecendo-o como uma ferramenta para quem tem (muita) bala na agulha.

O trauma com o Kinect ainda incomoda. O acessório do Xbox 360/One que recebeu um tremendo upgrade para o Xbox One foi jogado ao ostracismo pelos gamers, que só o viam como uma curiosidade cara e nada mais. Por outro lado os desenvolvedores, hackers e principalmente pesquisadores adoraram ter acesso a um kit de câmeras e sensores ridiculamente barato (US$ 149 em comparação a produtos mais técnicos é uma pechincha), e projetos mirabolantes pipocaram por todos os lados. Não obstante a versão para Windows (das duas versões) era muito mais cara e foi prontamente ignorada, sendo que um simples adaptador resolvia a questão e o SDK era compatível.

Em suma, a Microsoft fez tudo errado. Por isso é compreensível que hoje o HoloLens não passem nem perto de qualquer coisa que lembre games e entretenimento, a companhia não quer curiosos desenvolvendo para o gadget e espera atrair apenas a nata da tecnologia, não só aqueles que possuem boas ideias de verdade que ajudem a avançar a RV e RA como que tenham dinheiro sobrando.

Primeiro, a Microsoft fixou o valor do kit de desenvolvimento em US$ 3 mil, caro demais para quem só quer fazer uma graça e mesmo assim apenas desenvolvedores selecionados dos EUA e Canadá puderam compra-lo. Você pode até ter a grana, mas se não apresentar um projeto que a Microsoft julgue agregador à plataforma não vai por as mãos em um, ponto.

Da mesma forma foi o programa de financiamento para pesquisadores: apenas cinco projetos foram selecionados, cada um recebendo dois HoloLens e um aporte de US$ 100 mil com o compromisso de apresentarem pesquisas realmente relevantes e publicarem os resultados. Nada de amadores, nada de charlatões e principalmente, nada de games.

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Não que Kipman não deseje que o HoloLens seja um acessório para todo mundo, longe disso. O primeiro trailer do headset o mostra sendo um dispositivo familiar, usado tanto para desenvolvimento pesado quanto tarefas do dia a dia e games, mas a Microsoft não quer jamais que ele se resuma apenas a isso. Tanto que a versão Commercial Suite, lançada em agosto de 2016 ainda destinada apenas a empresas e desenvolvedores (só que sem o critério rigoroso de seleção) está sendo vendida por US$ 5 mil.

Enquanto a Microsoft não quer curiosos, Kipman acredita que o futuro do HoloLens está sim na sala de estar. Em entrevista recente o engenheiro comentou que hoje o gadget está presente em nove países, acabou de chegar ao Japão e deve desembarcar na China em breve (Brasil? sem previsão) e admitiu que há planos para que ele se torne um dispositivo acessível para todo mundo, mas deixou claro que não há sequer uma ideia de quando irão anunciar algo assim. No entanto ele diz claramente que o “o HoloLens não é um brinquedo… ainda”, expressando seu desejo de vendê-lo para as massas.

Primeiro a Microsoft terá que viabilizar a tecnologia do HoloLens, amortiza-la até chegar a um preço de venda inferior a mil dólares (o Oculus Rift custa US$ 599, o preço aproximado de um smartphone top de linha e o HTC Vive ainda mais, US$ 799) e confessa que há sim uma agenda para preparar tudo isso, mas a bem da verdade Redmond pretende primeiro estabelecer uma plataforma sólida e com soluções de qualidade para companhias, desenvolvedores e profissionais de ponta. Esses terão o dinheiro necessário para comprar o HoloLens em sua infância e banca-lo, enquando a Microsoft trabalha para torna-lo mais barato.

Ou seja, não há um pingo de pressa. Pode ser que a versão doméstica do HoloLens só apareça lá para 2023, junto com o próximo Xbox mas a verdade é que quando isso acontecer, ele já terá uma imensa biblioteca à sua disposição e não será uma mera curiosidade, liberada previamente para quem tem dinheiro mas zero ideias e não agregam nada neste momento. Outro Kinect (ou sua própria versão do Google Glass) é a última coisa que a Microsoft e Kipman querem.

Até lá, a Microsoft de Satya Nadella quer o que Steve Ballmer sempre defendeu como prioridade:


MrWueb007 — Steve Ballmer: Developers

Acabou que nosso indiano favorito e o careca não são tão diferentes assim.

Fonte: CNET en español.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Raposão do Ártico 🦊

    Isso é óbvio. Quantos anos os smartphones levaram pra atingir a massa?

    • O problema é anunciar a dois anos atrás, criar um monte de vídeo demonstração fake, um cara jogando Minecraft na sala de estar…

      Isso é frustrante, assim como o GGlaas. Cria uma expectativa e depois não consegue entregar nada.

      • Raposão do Ártico 🦊

        É frustrante pra quem é idiota e cria expectativa a toa. Quando o primeiro smartphone foi anunciado ninguém ficou com esse “mimimi vai demorar pra massificar”. Isso é um mal dessa geração imbecil que quer tudo agora.

        Outro mal é falar sem saber. O hololens ainda está em desenvolvimento, não é nem vendido comercialmente ainda. E mesmo assim há duas notícias de médicos usando o hololens em cirurgias, inclusive aqui no Brasil.

        • Não existe primeiro smartphone anunciado, não criaram expectativa e nem vídeo fake. O termo smartphone foi cunhado ao longo de anos, assim como SmartTV, videogame e tantas outras coisas.

          É completamente diferente anunciar um ATARI, um MAC, um Wii, um Commodore Amiga, um iPhone. Mata a cobra o mostra o pau e o mercado valida o sucesso e está pavimentada a nova tecnologia.

          Agora, faz o favor de voltar pro GIZ (G1 é passado), pq tu é um retardado que não sabe dialogar e está mais preocupado em ofender.

          • Raposão do Ártico 🦊

            Existe sim, basta você pesquisar. Mesmo que você não queira pesquisar o primeiro, pode pesquisar os primeiros. O primeiro blackberry foi lançado em 1999.

            Sério cara, pare com essa babaquice de “mimimi Empresa X só promete”. É o primeiro produto da categoria, mal foi lançado a versão pra desenvolvedor e tem gente querendo uma versão final pronta.

            Pelo amor, vocês são mimados demais.

          • Tens toda razão!

      • Cesar Osvaldo Müller

        No anúncio foi dito que levaria no mínimo 5 anos para chegar ao público… E nos vídeos iniciais eles deixaram claro que era apenas um conceito, uma tecnologia no início de sua vida….

        • Exatamente, foram honestos, foi diferente do Google que forçou mais a barra com o Glass.

          Só acho 5 anos, nos tempos atuais uma eternidade. Na minha opinião, parece estrategicamente arriscado, pois talvez o resultado final em algo tão abstrato com 5 anos de antecedência, não se concretize no final.

          Imagina o Wii anunciado 5 anos antes. O iPhone anunciado em 2003 na fase de conceitos.

          ATENÇÃO: esse comentário não é pra detonar a Microsoft. Não estou revoltado. Estamos trocando opiniões. Preciso avisar, pq já teve um idiota imaturo que resume tudo a briga e bate boca.

          • Cesar Osvaldo Müller

            Realmente, podia ter quardado mais tempo… Mas também eles devem ter lançado com medo de alguém fazer algo parecido e depois serem chamafos de copiões…

    • gfg

      2 anos, smartphones quando lançados custavam pouca coisa a mais que os modelos que estavam na moda. em 2009 já tinha centenas de modelos e os jovem os adotaram em massa.

      • Raposão do Ártico 🦊

        ah mano, pesquisa antes de falar merda

      • Flávio Pedroza

        Eu acho que demorou mais que isso. Desde o começo dos anos 2000 já existiam smartphones (há quem diga que até muito antes), mas o negócio só começou a fazer sucesso com o N95, Blackberry e o Iphone. Mas como vc disse, em 2009 já foi adotado em massa.

  • Breno

    E estarei na fila de espera para comprar meu Hololens, quando estiver disponível para o público.

  • infinite power of the cloud

    Metade da matéria foi controle de danos das picaretagens da MS com kitreco…

    O tal sucesso “científico” teve a mesma pegada do uso do kinect no xbox, mostrar para as visitas e nunca mais usar.

    E o motivo do hololens não estar disponivel para o publico, é que o publico comprou Lumias e Kinect e ninguém que comprou qualquer uma dessas coisas, é idiota de comprar algum hardware da MS tão cedo.

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    • tuneman

      e esse jogo… foi um dos piores já lançados para Kinect

    • Breno

      Os Surfaces desbancaram as máquinas da Apple. Menos aí.

  • Samuel

    E nem vai. Pessoas não curtem usar capacete. Produto de escritório de engenharia/arquitetura.

  • AHSOliveira

    Um fiasco igual ao Surface Hub… Não pera…

  • Usei o HoloLens, o HTC Vive, e o Oculus Rift essa semana. Não tinha lido nada alem das noticias principais de nenhum deles.

    HTC Vive e Oculus Rift parecem muito. Usei só 20 minutos cada, e principalmente por ter sido programas/jogos diferentes, não vi muita diferença.

    HoloLens não pode ser comparado a eles. Mais fácil comparar ele com o Google Glass. Se usar os VR antes do HoloLens vai achar ruim que o campo de visão do HoloLens é muito ruim. Mas é esse o ponto! Sinceramente, acho que muita coisa bacana vai ser criada para os 3, mas nenhum vai popularizar. Tipo comando de voz no celular. Evoluido, bacana, mas não pega ainda. Espero estar enganado.

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