Joe Belfiore usa iPhone (e Android), e isso faz sentido

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Há uma máxima que diz que à mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta. Em estratégia de marketing isso é essencial, não basta promover seus produtos, é importante não ser pego de calças curtas favorecendo o concorrente.

Joe Belfiore, líder da divisão Windows Phone sabe disso, mas não conseguiu evitar um pequeno deslize.

O caso aconteceu nesta terça-feira; o executivo da Microsoft está curtindo um ano sabático e resolveu postar uma foto do Twitter com o que anda fazendo. O problema foi o aparelho que utilizou para fazê-lo:

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Que cabelinho é esse?!

O fato de ver o principal evangelista da plataforma Windows usando um iPhone provocou uma avalanche de críticas e piadinhas internet afora, mesmo ele não tendo nenhuma obrigação profissional neste ano. Ainda assim espera-se que Belfiore aja de forma a manter a preferência pelos produtos de sua empresa.

A fim de colocar panos quentes na situação Belfiore veio a público e deu seus motivos, explicando que como desenvolvedor ele precisa conhecer as plataformas rivais. Sim, ele também usa Android:

Meu trabalho nos últimos dois anos tem sido (1) fazer a curadoria da experiência do Windows em PCs (incluindo tablets) e (2) o mesmo na plataforma Windows Phone. Em ambos é muito importante para eu entender produtos como o iPhone e smartphones Android, que são largamente utilizados por usuários de PC em todo o mundo, e que são competidores dos dispositivos móveis Windows. Consumidores finais e empresas esperam que seus PCs e smartphones trabalhem em conjunto — e para satisfazê-los precisamos considerar que suas escolhas para dispositivos sejam aparelhos que nós também gostaríamos de usar.

Durante minha licença de 9 meses eu terei uma grande oportunidade de analisar esses produtos profundamente. Para entender os prós e contras de um ecossistema como Windows, Android e iOS você precisa usá-los. Você precisa perceber seus pontos fortes e fracos, ficar surpreso ou decepcionado. E para isso testar um produto por apenas alguns dias não basta. Você precisa estudar a interface, subir fotos, usar apps entre plataformas… É preciso testar tudo.

Quando estamos desenvolvendo um novo produto Windows é obrigatório usá-lo o tempo todo em todos os dispositivos possíveis a fim de encontrar bugs e fazer uma iteração no design. Não temos escolha, é isso ou não podemos construir uma plataforma Windows tão boa quanto desejamos. Durante minha licença temos vários desenvolvedores talentosos responsáveis por cuidar dessa parte, e eles o fazem todos os dias — o que me dá a oportunidade de passar mais tempo com outros dispositivos, e para usar o Windows como os membros do programa Insider fazem, sem conhecimento de tudo o que acontece nos bastidores.

Além disso há muito trabalho sendo feito na Microsoft para integrar PC, iOS e Android, como levar a Cortana para esses dispositivos para que sua assistente genial possa ajudá-lo onde quer que você esteja. Eu quero experimentar e entender todo esse trabalho profundo também.

Então eu acho que é certo quando Vlad (Savov, autor do Verge) diz que ‘está tudo bem’ (valeu, Vlad). Mas iria além e diria que ‘eu seria louco se não fizesse isso’! De fato, quando eu postei no Facebook que tiraria uma licença eu fui claro sobre o que eu iria fazer no período… E eu tenho passado bastante tempo usando Google Maps, Spotify, Periscope, um MacBook, um Nexus, etc. E na Microsoft de hoje essa atitude prática e focada no consumidor é muito bem-vinda (ainda assim eu adoro meu Surface Book!)

Do ponto de vista do desenvolvimento isso é normal, a Microsoft de Satya Nadella voltada para serviços não pode se blindar como nos tempos de Steve Ballmer, esse sim um apaixonado pela empresa. O Google obviamente faz a mesma coisa, a Apple também. O problema é quando tais procedimentos saem do ambiente interno e caem na boca do povo. É preciso vender a imagem de pessoa fiel (veja se Phil Schiller já foi visto usando Android em público; internamente? Com certeza) para manter a ideia de rivalidade e estimular sua própria plataforma. Mas do lado técnico isso não é nada demais.

No mais, o Belfiore precisa dar um jeito urgente nesse cabelo.

Fonte: The Verge.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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