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Confirmado, o Futuro Chegou: Planetary Resources fará mineração de asteroides

Ontem durante a apresentação da Planetary Resources o sentimento no Twitter era de incredulidade. Não pela proposta, mas por estarmos testemunhando uma iniciativa dessas, algo que todo geek sempre entendeu como inevitável mas que precisou de um bando de Tony Starks para agarrar o mundo pelo pescoço e força-lo a aceitar o Futuro.

Arthur Clarke dizia, não com essas palavras, que a exploração comercial do espaço estava presa no paradoxo Tostines: Ninguém explorava por ser muito caro e era muito caro por ninguém explorar. É preciso que alguém com visão de longo, longo alcance, quase no nível da Espada Justiceira para colocar uma quantidade absurda de dinheiro em um plano que levará anos para começar a sonhar em talvez algum dia trazer algum retorno financeiro, mas que pode abrir as portas do Sistema Solar para a Humanidade.

Peter Diamandis e outros investidores têm essa visão. Eles já viabilizaram o Prêmio X, que levou Burt Rutan e Paul Allen a construirem a SpaceShip One, que se tornou a primeira nave privada a chegar no limiar do espaço. Criaram a Space Adventures, levando turistas até a Estação Espacial Internacional e não vamos esquecer de James Cameron, apenas o 3o humano a chegar ao fundo da Fossa das Marianas.

Em nenhum momento foi dito que o empreendimento não é visando lucro. É uma indústria de trilhões de dólares, foi dito com todas as letras e cifrões, mas eles vão muito além disso.

Aqui devemos agradecer a todos os visionários. A Lucas, Clarke, Asimov, Dick, Sagan, Verne, Wells. Esses autores, com suas visões do Futuro ajudaram a moldar o caráter de gerações de geeks, mas só agora a tecnologia avançou o suficiente para que esses sonhos sejam realizados. 200 anos atrás com todo o dinheiro do mundo você não poderia ir ao espaço. Hoje com uma boa quantidade de milhões de Libras, você pode ser dono de sua própria Enterprise.

O Plano

O projeto da Planetary Resources vem pelo menos desde 2010, e não é nem de longe algo feito nas coxas, nem brinquedo de gente com dinheiro demais. As chances de dar errado são muito grandes, mas isso faz parte de qualquer projeto realmente pioneiro. No que depender dos envolvidos, o fracasso não será por falta de planejamento.

Apesar de pressionados pelos jornalistas os responsáveis pelo projeto foram bem claros: Usarão a Filosofia Burt Rutan: Estará pronto quando estiver pronto. Nada de criar cornogramas loucos, sair tudo nas coxas e você perder uma sonda-robô por causa de uma subrotina escrita pelo estagiário que ninguém teve tempo de revisar.

O projeto foi explicado em três fases:

1 – Fase: Uma série de telescópios espaciais em órbita terrestre prospectará asteroides próximos. Serão a primeira geração das naves Arkyd, batizadas em honra a Arkady Darell, personagem do livro Segunda Fundação, de Isaac Asimov.

Os satélites serão muito simples, mas cumprirão seu papel. Telescópios de 9 polegadas, um espectrofotômetro e você já tem o suficiente para não só identificar os asteroides de tamanho significativo como sua composição. Utilizando vários telescópios é possível trabalhar com uma boa paralaxe, o que torna a identificação dos asteroides mais simples ainda.

Neste vídeo Chris Lewicki demonstra um modelo do satélite:

A Planetary Resources não está preocupada em projetar meios de lançamento, já há várias empresas trabalhando nisso, inclusive a SpaceX, e dado o tamanho os satélites Arkyd podem viajar de carona, a um preço reduzido.

Os satélites já estão sendo construídos e devem começar a ser lançados ao final de 2013.

Isso mesmo: Em dois anos já estarão no ar.

Fase 2: Com os asteroides ideais localizados, iniciarão a tentativa de extração de materiais voláteis, como água, Oxigênio e Nitrogênio. Esses elementos são essenciais e como tudo caros para levar para órbita. Um litro de água chega a custar US$20 mil para ser levado até a Estação Espacial. Ainda não foi oferecido mas provavelmente a NASA se tornará cliente. Mesmo a US$10 mil o litro, ainda será um bom negócio para todos os envolvidos.

Oxigênio é autoexplicativo. Nitrogênio é usado por exemplo nos jatos de manobra das mochilas espaciais.

A idéia final é criar uma espécie de Posto de Gasolina Espacial, onde naves, robóticas ou não possam se reabastecer e seguir viagem para o infinito e além.

 

Fase 3: Mineração: Já dominando a produção e controle de robôs, estruturas de mineração e provavelmente refino seriam lançadas para asteroides ricos em metais nobres, como Platina, Ouro, Paládio e Unobitainium. Ainda não foi decidido se o trabalho seria feito in situ ou o asteroide seria trazido até a órbita da Lua.

Há estudos apontando que um único asteroide pode ter uma quantidade maior de Platina do que toda a já extraída na Terra. Esse tipo de abundância jogaria o preço para o chão, mas sendo realista, Alumínio também já foi extremamente caro, Ferro é algo que custa US$144 a tonelada de minério, e nem por isso a ALCOA e a CSN deixam de ser um excelente negócio.

Acesso a quantidades astronômicas desses metais raros podem mudar completamente por exemplo a indústria de carros elétricos, com baterias muito mais eficientes.

Outra idéia é que o material seja usado em órbita, com fábricas automáticas. Uma única estrutura modular poderia criar dezenas de estações espaciais ou habitats lunares. Ouro é um excelente isolante térmico, Ouro barato pode significar naves que deixariam o Cruzador da Rainha Amidala morto de vergonha.

 

Quando?

A vida inteira escutamos que no futuro teríamos isso ou aquilo, sempre promessas. Agora, talvez desde a primeira vez desde que Kennedy fez seu famoso discurso determinando o pouso na Lua em uma década temos a percepção de que as coisas estão realmente acontecendo, não são mais avanços a passos de lesma e protótipos japoneses que nunca vão a lugar nenhum.

Principalmente, não são projetos isolados. É ótimo colocar um robô em Marte, mas precisamos de mais ambição do que colocar outro robô em Marte.

O projeto da Planetary Resources não planeja nada em um futuro distante, eles JÁ começaram. Nas palavras deles, já estão “cortando metal” e iniciando sua linha de montagem de satélites.

Allan Kay disse que a melhor forma de prever o futuro é o criando. Eu acrescento que as melhores pessoas para isso são as impacientes e insatisfeitas. Você é uma delas? Boas novas, a Planetary Resources está contratando!

Fonte: BA e um zilhão de outros sites

18 thoughts on “Confirmado, o Futuro Chegou: Planetary Resources fará mineração de asteroides”

  1. Ótimo texto, Cardoso.

    E isto tudo só com os metais raros que conhecemos por aqui! Vai saber o quê tem lá fora…

    Fiquei curioso de saber o porque a Arkady Darell foi escolhida como a personagem homenageada. Talvez porque na série Fundação, ela seja uma aventureira espacial. E o nome dela seja mais “sonoro” para naves do que Hari Seldon. :)

  2. E que comece a mineração de Paládio, Titânio, Ouro e Platina. A exploração espacial irá se expandir absurdamente nos próximos 100~200 anos, viagens espaciais de longa distância se tornarão realidade graças aos motores fotônicos e de íons e os estudos em física e mecânica quântica.

    Bem o resto todo mundo já sabe: descobriremos que não estamos sozinhos nessa galáxia e que existem várias outras espécies, aprenderemos a usar um complexo sistema de deslocamento de massa construído muito antes de sabermos o que era o universo, e lá pros anos de 2500 uma raça superior dona de tudo isso vai aparecer pra acabar com tudo…

    Tenho a impressão que já vi isso antes.

  3. Eu sou o único que, ao ler sobre isso, fico preocupado com a possibilidade de que mexer na órbita de asteróides possa colocar um deles em rota de colisão com a Terra? Eu sei que os caras tem tecnologia e conhecimento pra fazer as coisas direito, mas, enfim, shit happens.

  4. Sorry for my ignorance, but de que tamanho são estes asteróides? A possibilidade de atracar um desses na órbita da Lua é real ou foi só uma piada acima da minha capacidade de compreensão?

  5. Se acharem mesmo Unobitainium Pandora está logo ali na esquina 😀

    Brincadeiras à parte, eu assisti à essa palestra (obrigado pelo link, Cardoso) boquiaberto com a proposta. Até comentei com o digníssimo: “Ok, quando foi que chegamos ao futuro? Esse tipo de palestra eu só imaginava em filmes, não na vida real”. Realmente, alguém tem que dar o pontapé inicial, e esse é o futuro mesmo, a exploração COMERCIAL do espaço. Era inevitável, e não era uma questão do SE, e sim do QUANDO. E parece que o QUANDO é agora, finalmente 😀

  6. Como você disse, é bacana que alguém tenha peito para começar uma empreitada dessas. Mas qualquer pessoa com um pouco de conhecimento científico sabe que eles estão MUITO otimistas.

    Para você ter uma idéia, a sonda Phobos-Grunt queria trazer 200 gramas de material de um asteroide pela bagatela de US$ 160.000.000,00 (uma pechincha em comparação ao que tinha sido feito antes) e não conseguiram. Será que 200 gramas de platina pagam com lucro um gasto de, no minimo, 160 milhões de dólares? Duvido.

    Eles próprios (Planetary) disseram que não vão gastar em desenvolvimento, pois aguardam avanços nos custos. Bem, ai já estão dependendo de tecnologias que ninguém tem. Os custos que temos hoje são esses aqui: Sonda Osiris-REx da Nasa que vai pegar 60 gramas de um asteroide proximo por US$800 milhões e ExoMars que vai trazer poucas gramas por 1,6 bilhão de dólares.

    Alguém me explica que mágica vai permitir esses caras montarem máquinas mineradoras no espaço e trazer pelo menos 1 tonelada desses metais para a missão se pagar.
    É por isso que eles não deram prazos, isso é coisa para no mínimo 2050. Antes disso no máximo trarão poeira de platina.
    Acho que o que esses bilionários estão fazendo é marcar com um X alguns asteroides como propriedade deles, essa é a intenção principal. É para a poupança dos filhos e netos deles.

    Mesmo assim, tomara que consigam o que pretendem. Afinal, não importa as intenções quem ganha é a humanidade com mais tecnologias e know-how científico.

  7. “Usarão a Filosofia Burt Rutan: estará pronto quando estiver pronto.”
    Eu sempre pensei que esta fosse a filosofia da 3DRealms prá lançar o Duke Nukem.
    Espero que esta empreitada tenha mais sucesso que o Duke…

  8. @Ruminante o problema é que a NASA queria só ir lá, pegar um pedaço e voltar.

    Vou fazer uma analogia idiota, mas verdadeira. Se você atravessar três bairros só pra ir pegar uma pizza, você está gastando muito tempo e combustível por nada. Mas se você monta uma cooperativa de motoboys pra entregar pizza pros outros, você pode ter lucro.

    Se esses caras deixarem robôs no cinturão de asteróides, que possam voar por lá e arremessar os melhores asteróides na direção Terra, o custo pode ser bem mais baixo do que os da NASA. Pelo menos a longo prazo (mesmo que leve décadas ou mesmo um século). Ah, antes que alguém diga que é perigoso, o perigo está só no tamanho do que eles arremessariam pra cá. Todo dia caem toneladas de asteróides na Terra, mas são pequenos e se desmancham na entrada atmosférica.

  9. Comparando com os custos da NASA, o que me ocorre é que, por mais que esta seja eficiente, é um “órgão púbico”. Tudo bem que não é um órgão brasileiro! Mas, continua não sendo tão capitalista quanto empresas privadas.

    Só olhando os 2 primeiros estágios já dá para ver que sabem o que estão fazendo.

    Quem tem imaginação consegue ver que, se o negócio “decolar”, será a pergunta para 42. Muda tudo, como o fogo, a eletricidade e o sutiã.

  10. Podem esquecer os robôs humanóides. Serão especializados e parecerão mais com os robôs de “Total Anihilator”, com formatos adequados à suas funções. Alguns poderão fabricá-los no espaço mesmo. E para melhorar mais ainda, os robôs e satélites são minúsculos em relação aos satélites atuais lançados, já que a maioria tem tamanhos variando desde um carro pequeno e um ônibus e pesam tanto quanto e os da empresa são do tamanho de um microondas, o que diminui a quantidade de combustível para escapar da força gravitacional a ser gasta exponencialmente. Vamos ver daqui a 10 anos…

  11. Se é uma coisa tãããããooooo boa e lucrativa assim, pelo menos a um longo prazo, por que então os árabes com seus bilhões e bilhões não entraram nessa? Ainda mais eles que gostam de ser tão excêntricos com seus dinheiros e constroem pista de esqui no deserto.

    Acho a ideia muito bom e interessante, porém o que me desamina um pouco é que a fase 3, muito provavelmente, muitos daqui já estarão bem velhinhos e não chegaremos a ver a conquista espacial deslanchar.

    Agora só faltam inventar uma forma de criogenia que funcione para podermos acordar lá na frente e ver como ficou isto tudo….

  12. Tem só um porém, como a lei da oferta e procura determina, caso eles tragam realmente toneladas de ouro, prata, cobre, diamantes e etc do espaço pra cá, o preço tende a diminuir, gerando menor lucro, esse é o maior problema que eu vejo na exploração espacial, pois eles tem que trazer muito material pra compensar a viagem, com isso a oferta aumenta, o que diminui o preço, o que diminui o lucro, e por aí vai, a não ser que eles achem outros tipos de materiais (que não existem na terra ou quem existem muito pouco), aí sim a coisa muda, e não será preciso matar uma aldeia inteira pra conseguir adamantium.

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