Como petições on-line ajudam a combater a corrupção ao redor do mundo

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Se você é do tipo de pessoa que acha que grupos que se unem utilizando a internet buscando algum tipo de protesto é coisa de “revolucionário de sofá” ou que “este tipo de coisa não muda nada!”, acho que este texto pode te irritar um pouco. Ou pode te ajudar a ver um outro ponto de vista, depende de quão teimoso você é. Se quiser tirar a dúvida, continue lendo.

Ainda dá tempo de parar. Tem outros textos excelentes no Meio Bit hoje (como sempre). Pense bem…

Bom, se você está lendo isso é porque resolveu continuar a leitura, certo? Ponto pra você. 🙂

Estamos em 31 de janeiro deste ano e o país é a Espanha. Jornais traziam em suas capas a acusação de que o tesoureiro do Partido Popular (conheço esta história) tinha desviado milhões de Euros para pagar membros do alto escalão do partido, incluindo o Primeiro Ministro. Ouvi de um popular que ele disse não saber de nada…

Pablo Gallego García, cidadão espanhol, resolveu criar uma petição no site Change.org, chamada “Un Millón de Firmas Por La Dimisión de la Cúpula del PP”, ou em uma tradução livre (perdoem meu francês), “Um milhão de assinaturas pela demissão da cúpula do Partido Popular”.

Contando hoje com mais de 1.150.000 assinantes (sim, mais de um milhão), esta é a petição com o maior número de participantes desde o início das atividades do site, que tem sede nos Estados Unidos. E, segundo o Change.org, é uma das muitas campanhas criadas por gente do mundo todo. Outra informação relevante é que 44% das petições internacionais (entre as 100 maiores) são protestos contra algum tipo de corrupção governamental.

Contrastando com este padrão internacional, nenhuma das petições entre as 100 maiores campanhas que se originou nos EUA tem como foco alguma reclamação política. Os americanos se preocupam com outros assuntos, como economia doméstica, saúde, proteção e adoção de animais, meio ambiente e sustentabilidade. E não há demérito nenhum nisso, é bom frisar. Ainda assim, quase metade das petições dos EUA buscam se opor a atitudes corporativas ou rever políticas das empresas.

Parte desta discrepância existe porque a sociedade civil americana possui um comportamento robusto, do ponto de vista da defesa política”, disse o Diretor de Campanhas Globais do site, Patrick Schmitt, que completa: “Alguns lugares não possuem o costume de realizar estas campanhas online, mas isso muda rapidamente após algumas vitórias no mundo real. O próprio país se ensina a como mudar as coisas”.

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Tá, mas e sobre o protesto na Espanha? Então: em 1º de fevereiro (ou, com um mês de campanha), mais de 500 mil pessoas já tinham assinado a petição, que passou a ganhar muito destaque nas redes sociais e na mídia tradicional, como no jornal El País. As pessoas se organizaram utilizando ferramentas como o Twitter e o Facebook, e os órgãos se viram pressionados a investigar Luis Bárcenas e seu partido. Os acusados estão sendo indiciados pela justiça espanhola.

O crescimento deste tipo de plataforma é evidente, dado o número de usuários. Só no Brasil, este contador subiu de 200 mil para 800 mil em apenas sete meses, através de um fenômeno que Schmitt denomina “duplo viral“, no qual uma petição gera outras campanhas relacionadas. Por exemplo, o abaixo-assinado contra a PEC37, que já conta com 270 mil apoiadores, deu início a spinoffs, tendo como alvo membros específicos do governo, como esta tentativa de pressionar Jair Bolsonaro. Uma coisa leva a outra e na pior das hipóteses, tal ideia foi compartilhada com mais pessoas, indicando que o fator de preocupação com as atitudes do governo e a probabilidade de possíveis cobranças é maior.

Cada deputado está sendo responsabilizado de forma pública e social. Além disso, como frisa o diretor da Change.org, um fator fascinante neste tipo de petição é que algumas campanhas de sucesso têm de fato a capacidade de plantar uma ideia na cabeça das pessoas, e isso pode vir a gerar movimentos de cobrança e protesto, dos menores aos maiores.

Em São Paulo as redes sociais estão sendo de suma importância para a divulgação e organização dos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público. Não vou entrar na discussão sobre algumas pessoas que usaram de vandalismo, se isso é ou não é correto, mas o importante é que a população está se mexendo finalmente. Inclusive, o prefeito da cidade já disse que é possível baixar as tarifas e que vai recorrer à Presidente Dilma para encontrar uma solução. Como isso vai ser feito, e se vai ser feito, eu não sei. O ponto é que os caracteres deixados em fóruns, postagens e abaixo-assinados na Internet estão chegando às ruas e, posteriormente, ao comando público.

As pessoas estão sentindo que de fato têm o poder de mudar algo, de uma maneira que antes elas não achavam possível.” – afirma Schmitt.

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Desde o final de 2011, quando o Change.org passou a ser disponibilizado para cidadãos que vivem fora dos Estados Unidos, a empresa responsável por ele contratou funcionários em 19 países, sendo traduzido para 11 idiomas. Por se tratar de uma ditadura, ele acabou sendo bloqueado na China, evidentemente. E há quem defenda a ditadura no Brasil… Também não vou discutir sobre isso.

O fato é que as esferas virtual e real nunca estiveram tão unidas como hoje. Claro que nenhuma destas ferramentas funciona sozinha, mas elas dão voz e argumentos para quem está à frente do levante. Ficou claro que sim, é possível utilizar a web para protestar e se organizar contra o que você acha errado. Seja o estatuto do seu prédio, seja uma proposta de lei federal.

Alguém aí já iniciou uma petição online? Conte-nos sua história, compartilhe seu link aqui nos comentários.

[via Mashable.]

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  • Concordo com o texto e em minha opinião, o problema é quando se utiliza do recurso das redes sociais como única forma de indignação. É preciso mais que isso, ao menos no atual contexto do país.

    • Ricardo

      Porém, em teoria, a simples manifestação da vontade do povo, da sua voz, já deveria fazer o governo agir. E as ferramentas sociais facilitam isso. Lógico, é utópico, porém a definição da nossa constituição é bem clara nesse ponto. Ter que sair nas ruas para manifestar contra uma medida tomada contra a população é um cúmulo, uma situação ridícula, e infelizmente ainda é necessário.

      • Concordo plenamente!

      • Saulo Henrique

        Em teoria. Ainda bem que disse EM TEORIA.
        Porque, como eu disse em um comentário anterior, alguns políticos não dão a mínima para protestos, desde que consigam o número suficiente de votos para reelegerem.

        • Ricardo

          Sim sim, e é o que me deixa mais indignado. Eles não sabem (ou não querem saber) a própria função e fazem o que querem.

  • kabelux

    Nossa! Quantos votos!
    Queria que a petição do Google Reader tivesse dado certo também. R.I.P. Google Reader. :-/

    • Keaton

      E eu que o iGoogle tivesse sido salvo. :

  • Saulo Henrique

    Uma coisa é se organizar usando redes sociais e internet em geral.
    Outra é assinar uma petição online achando que só isso muda o mundo.

    • Tiago Medeiros

      Exatamente o que eu ia comentar! Usar as redes sociais para se organizar/informar é perfeitamente válido, já essa ideia das petições que mudam o mundo…
      O maior pecado das petições on-line, na minha opinião, é a falta de feedback: você assina e tem que usar outros meios para saber o resultado. Aliás, nem se sabe pra quem/onde/se elas são realmente enviadas.
      São justamente essas petições on-line que incorporam o espírito sofativista.

      • Saulo Henrique

        Você sabe afirmar se uma petição online impressa tem validade se entregue ao Poder Público?
        Já ouvi dizer que essas petições são válidas somente se foram assinaturas de punho e com algum documento válido. Mas não consegui achar essa informação correta.

        • Tiago Medeiros

          Também ouvi falar que tem que ser assinada de próprio punho (apesar de coletarem RG e CPF), mas vou conferir isso.
          De qualquer forma, eu acho que o objetivo dessas petições on-line não é criar um documento válido, mas sim mostrar para o poder público (deputados, senadores, etc.) qual o desejo da população com relação a determinada situação.

        • Respondendo a sua pergunta. Não, não valem. Podem até ter CPF, RG e etc e tal. Continuam não valendo.

          Há alguns projetos de lei na Câmara e no senado (como o PLS 129/2010) que pretendem fazer com que esses abaixo-assinados virtuais possam valer para criação de projetos de lei de iniciativa popular. Mas, por enquanto…

      • A única coisa que esses sites de abaixo-assinados virtuais (Avaaz, change . org, abaixoassinado . org, peticaopublica . com, e-petition e outros) servem é para coletar e-mails para depois ficarem mandando pedidos de doação, spams e outras porcarias.

    • ClaudioLisboa

      Falou tudo.
      Aliás, como se Espanha precisasse de petição online para o povo reclamar… Amigo, os espanhois estão nas ruas desde de 2007, se organizando de milhares de formas para derrubar o governo, isso os que continuam no país.

      Se o povo quiser reclamar de fato, a petição pode ser boa como já era o panfleto, uma musica, um encontro no sotão na casa da vovó…. Agora, se não quiser, não adianta ter dez milhões de assinaturas no site do tio sam que não vai mudar necasdepitibiriba. O (UNICO) mal das petições é fazer os ingênuos e desinformados acreditarem que elas, por si só, são um veiculo suficientemente forte para reverberar a voz do povo… O que, de fato e na prática, não é. Fora isso… Vai lá e assina o “abaixo a corrupção no brasil” quem sabe resolve.

      • Saulo Henrique

        Exatamente o que penso! Não vou para as ruas protestar, meu protesto é na hora do voto, que poderia ajudar bastante no Brasil. Já que boa parte dos corruptos são eleitos por nós mesmos.

        • Voto não é forma de protesto, voto é sua obrigação. Sendo prático, dado o sistema eleitoral e a configuração partidária do Brasil, você tem o “direito” de escolher entre um ladrão e um bandido. Daí você vota no bandido pra evitar o ladrão. Não tem nada de protesto nisso.

          • Saulo Henrique

            O protesto está em não votar em alguém que não cumpriu seu papel de representante do povo quando foi eleito, procurar saber sobre o candidado. Pelo menos assim alguns vão sendo eliminados dos cargos públicos preenchidos por voto. Já que podem voltar como acessor ou outro cargo de ‘confiança’..
            Para os políticos atuais, não ser reeleito é mas impactante que um protesto na ruas.

            Mas, pensando bem. Falta mesmo é vergonha na cara desses políticos brasileiros, não há outra explicação.

          • Infelizmente, não funciona, exatamente por eles voltarem em cargos de confiança, ou depois de um tempo como deputados, ministros nomeados… Voto não significa forma de protesto, infelizmente. A maioria dos eleitores tem a memória muito curta.

      • Cara, você disse exatamente o que eu penso mas não sabia como colocar esse pensamento em palavras.

        A galera, só porque tem manifestações e protestos, mas também tem um abaixo-assinado on-line, ou uma página ou evento de facebook, ou um canal do Youtube falando dessas manifestações, acha que foram as redes sociais que fomentaram essas manifestações. Foi assim na Espanha, no Egito, na Tunísia, na Argélia.

        Em geral, quem pensa dessa maneira nunca analisa contexto dessas situações, e o principal, não vive a realidade dos manifestantes.

    • Matheus Gonçalves

      O texto aborda ambos os conceitos, e os dois são ótimas ferramentas pra ajudar a protestar por algo. Os exemplos são claros.

      “Sofativismo” se torna força quando a petição atinge o número necessário para fazer pressão por meio de mídias tradicionais. É tudo parte do todo.

      Nenhuma delas muda o mundo SOZINHO. É parte do todo, são passos. O texto faz menção a isso o tempo todo, acredito que tenha ficado claro.

      • Saulo Henrique

        Ficou bem claro sim, só achei o título com muita ênfase somente nas petições.
        Para mim, as organizações de protestos, através de redes sociais é muito mais forte que um petição online. Tentei até achar a validade de assinaturas em uma petição online na constituição, mas não há nada falando como elas devem ser apresentadas ao poder público.

        Mas para falar verdade, ultimamente alguns dos nossos representantes não tem mais vergonha na cara e nem ligam se 1 milhão de pessoas protestam contra ele. Contando que na próxima eleiçãoele tenha a quantidade de votos suficientes para ser reeleito.

  • paulokdvc

    O simples ato de você procurar saber e se informar sobre determinado assunto, já é algo plausível. Votar e protestar de forma online, também é de fato muito importante. Vide o caso da aluna que criou um perfil intitulado “Diario de Classe” no Facebook em forma de protesto pela precariedade da escola. O caso repercutio no país inteiro.

    Parabéns pelo artigo!

    • Matheus Gonçalves

      Obrigado.

  • Marco

    Acho válido, mas sou da opinião que apenas isto não resolve. Em país de memória fraca como o Brasil, onde a maioria não lembra nem em quem votou ou deixou de votar nas eleições anteriores, a coisa tem que funcionar mediante o efeito manada, levando pra rua e se possível destruindo mesmo.

    Sim, sou a favor do que alguns chamam de vandalismo. Garanto que vários dos direitos sociais e políticos que temos hoje foram conquistados na base do enfrentamento. Nos EUA, uma postura errada de um político pode ser o fim da sua vida política, aqui, ex presidente que sofreu impeachment por corrupção continua na vida política.

    A análise sociológica disto é impossível de ser feita num post. Exigiria uma tese de doutorado e ainda não daria conta, mas, se os líderes do movimento conseguirem alguma integração com os movimentos nas ruas, talvez o povo mostre que é o Estado quem deve temê-lo e não o contrário.

  • DESAFIO qualquer um de vocês promover uma petição online, não para aumentar o salário mínimo (não gosto de chutar cachorro morto), mas para obrigar as operadoras de telefonia oferecerem uma redução no valor do SMS. SÓ ISSO!

    Se quiserem fazer uma petição para duplicar o efetivo policial, também está de bom tamanho. Ah, não , desculpem. Em SP os baderneiros não gostam disso. Nem no Rio de Janeiro.

    Resumindo, não importa o que aconteceu na Espanha, quero ver o governo norte-americano realmente construir a Estrela da Morte.

    Petição para dobrar o salário dos professores está valendo? E que tal um sistema escolar mais sério? Não, não! Vamos fazer petições para que os hospitais públicos não sejam sucateados e médicos tenha condições mínimas de trabalhar.

    O presente artigo é uma vergonha e você deveria sentir vergonha.

    • Alex

      E porque TU não faz uma petição pra aumentar o salário mínimo ou melhorar as condições dos hospitais?

      Criticar é fácil! quero ver é fazer!

    • Cara, entendo que você não tenha gostado do artigo, mas isso só me faz pensar de duas formas: Ou você é da turma que começou o texto lá em cima e deveria ter parado, pois eu avisei, ou você simplesmente não entendeu o texto. Você pode iniciar a campanha que você quiser. Pelo melhor salário do efetivo policial, dos professores, por melhorias práticas na educação. Sim, você pode, e sim, muitas pessoas vão te apoiar. Vir aqui em uma zona de comentário criticar o texto é fácil, está à sua mão, mas que tal transformar toda essa energia em uma campanha destas, dando sua cara a tapa, unindo assinaturas e indo cobrar o deputado/vereador/prefeito que você votou? Sério, o resultado pode ser melhor que o esperado. Se vc fizer, me avise que eu assino. =)

    • ClaudioLisboa

      Up.
      Não cheguei a achar o artigo vergonhoso, mas de resto, concordo com tudo.

    • Tales84

      Deixa eu vê se entendi: Uma vez que a ferramenta em questão não resolve todos o problemas da humanidade de uma vez só ao mesmo tempo como um passe de mágica, então ela é inútil? Your logic is bad and you should feel bad about it.

    • Criar um abaixo-assinado para tudo isso que você citou é tão inútil quanto.

  • Xultz

    Estava vendo agora de manhã as notícias dos protestos em SP contra o aumento da tarifa. Eu vi uma luzinha no fim do túnel de esperança contra o comodismo brasileiro. É impressionante como o país vive afundado em corrupção, tem dos maiores custos de vida do mundo e piores serviços públicos, e nada acontece. Houve violência e vandalismo, mas a história é muito conhecida: o governador ordena que a PM controle a manifestação, a PM age com violência e a população reage, e dá no que dá.
    Mas o que mais me impressiona é ver os jornalista da Globo sempre com aquela cara de “tsc tsc tsc” dizendo que “pessoas que queriam voltar para casa de ônibus, depois de um dia de trabalho, ficaram impossibilitadas por causa dos protestos”, dizendo com isso que os manifestantes eram todos vagabundos, e desviando a atenção ao fato que o protesto era em prol das pessoas que usam ônibus. Por mais que o tempo passe, a Globo continua sendo a mesma Globo de sempre…

  • manolo

    Acho que as petições seriam interessantes como forma de simplificar a criação de projetos de lei por Iniciativa Popular. No caso do Ficha Limpa, deu um trabalhão conseguir “a adesão mínima de 1% da população eleitoral nacional, mediante assinaturas, distribuídos por pelo menos 5 unidades federativas e no mínimo 0,3% dos eleitores em cada uma dessas unidades.”

    Claro, garantir a identidade desse pessoal na internet é um desafio tecnológico e tanto.

  • Daniel Sugui

    É isso aí, petições online mudam o mundo!
    Foi graças àquela com 1,6 milhões de assinaturas que Renan Calheiros foi deposto da presidência do Senado e… oh wait!

    • Como está escrito no texto, só as assinaturas não funcionam. Elas são uma ferramenta para conseguir isso, não a única coisa a ser feita. Não é difícil de entender, vai…

      • Daniel Sugui

        Tirando o fato de que as petições em si fazem pouca ou nenhuma diferença, o que importa são as ações concretas que são tomadas. O problema do “sofativismo” é justamente que ele faz com que as pessoas achem que estão ajudando sem fazer nada de realmente útil.

        • Se você leu o texto, você sabe que é útil. Não é a única coisa a ser feita, mas isso dá voz e argumentos para quem tá na linha de frente, além de chamar atenção da mídia tradicional.

          Vale lembrar que o texto fala sobre “Como as petições ajudam”, não “Como as petições resolvem o problema sozinhas.”

          • Daniel Sugui

            É aí que eu discordo. Você citou apenas um exemplo em que as petições ajudaram, ignorando todas as outras instâncias em que foram, no mínimo, inefetivas. Meu ponto é que as petições online e outros tipos de sofativismo mais atrapalham do que ajudam, mesmo que em alguns casos tenha ocorrido o inverso.

          • Todo mundo tá livre pra discordar, mas eu te dei exemplos reais e argumentos embasados de como elas podem ajudar. Se existe quem vá dar a cara a tapa, é preciso de gente que ajude a dar força e voz a essa pessoa. E é assim que esse tipo de recurso ajuda (afinal, é disso que o texto fala). Dentro dessa realidade, me dê UM EXEMPLO de uma petição que tenha atrapalhado a requisição de sua própria pauta.

            Ser inefetivo por não ter ninguém que vá à frente do protesto é o mesmo que sequer existir a petição. Só a petição não resolve nada sozinha… cara, você tá ao menos lendo o que tá sendo dito?

            Você quer tirar a validade das que deram certo por causa das que não deram? É o mesmo que dizer que nenhuma evolução tecnológica deveria ter sido feita pois a maioria deu errado. Desculpa, cara… entendo seu ponto de vista, mas ele está plenamente equivocado.

          • Daniel Sugui

            Seguindo seu raciocínio, pular três vezes pra São Longuinho te ajuda a achar alguma coisa perdida, desde que você também procure.

            Mas já que meu ponto de vista está plenamente equivocado, diga o que faltou para tirar o Renan Calheiros do Senado, já que a tão prestativa petição com 1,6 milhões de assinaturas foi entregue há alguns meses…

          • Cara… sem sacanagem… que analogia sem sentido.

            Dá pra melhorar isso e deixar mais claro. Vamos usar uma analogia boba, mas que faz mais sentido: Um garoto chega para a mãe e pede pra ir na casa do amigo. Ela fala não. Ele argumenta, ela fala não. O amigo chega pra pedir também. Ela balança, mas ainda nega. Outro amigo chega. Depois outro, depois a mãe de um. Depois a mãe de outro. A princípio ela tinha o não como certo. Agora já pensa melhor a respeito. Com isso o garoto pode chegar e falar: Tá vendo mãe? Todo mundo tá aqui pedindo, não tem problema, deixa vai?

            Ela pode dizer não ainda. Afinal, cabe a ela essa decisão. Mas ela pode dizer sim agora, devido à pressão.

            O que você não entende é que isso não é uma regra. Não é porque TEM as assinaturas que obrigatoriamente a mudança virá. No caso que você citou, ainda faltou quem fosse lá dar a cara a tapa e discutir, protestar, brigar, levantar bandeira.

            E a pessoa pode fazer isso sozinha, com mais 15 pessoas. Pode fazer isso com 15 pessoas, e só isso. Pode fazer isso com 15 pessoas e a pressão da mídia por ter um abaixo assinado com mais de um milhão de pessoas pedindo a mesma coisa.

            Pode dar errado? Claro que pode. Mas pode dar certo, e trata-se de um argumento a mais a ser utilizado por quem está na linha de frente. O fato de algumas vezes dar errado não elimina o fato de que algumas vezes isso ajudou a dar certo. E é por isso que as petições AJUDAM e não é isoladamente a solução do problema.

            Ficou claro?

          • Daniel Sugui

            Cara, não adianta me tratar como se eu fosse um idiota que não entendeu o que você disse. Eu entendi perfeitamente. Você é que parece não compreender o que eu estou dizendo. Vou tentar ser mais claro: petições online atrapalham qualquer tipo de manifestação ao dar a sensação de dever cumprido a pessoas que não fizeram nada além de clicar em um botão.

            No caso Renan Calheiros, houve sim quem fosse lá brigar e dar a cara a tapa. Levaram quilos de papel com as “assinaturas” no Senado, protestaram, levantaram faixas e cartazes. De que adiantou? Nada. Mesmo assim, 1,6 milhões de pessoas, confortáveis em suas residências, pensaram “bom, eu fiz minha parte, eu assinei a petição, maldito governo”.

            Seria muito diferente se esses 1,6 milhões de pessoas efetivamente tomassem as ruas e mostrassem sua insatisfação de maneira mais explícita. Aí sim, teríamos a pressão da qual você diz. Caso contrário, é o garoto da sua analogia chegando para a mãe com um bilhete na mão, assinado pelos 15 amiguinhos que querem que ele saia pra brincar; ela simplesmente amassaria o papel e o jogaria no lixo.

          • Desculpe se você se sentiu assim, as minha intenção foi ser o mais claro possível.

            E o que há de ruim ao se ter a sensação de dever cumprido para quem assinou a petição? Ela poderia nem fazer isso. Ela poderia nem saber do que está sendo debatido. Onde há malefício quando se opta pela participação online no lugar de nenhuma participação??

            Seria muito mais efetivo se elas fossem às ruas, mas eles tem medo de fazer isso. Qual a forma delas de participarem? Ao menos dando voz pra quem tem coragem. Ao menos dando o argumento pra quem está na linha de frente. Entre não fazer nada e ajudar a dar números ao pedido, você prefere que eles não façam nada?

            E outra: Onde fica o entendimento de que não é porque tem a petição que obrigatoriamente o que está sendo pedido vai ser atendido? O comodismo do brasileiro existe e não é por causa das petições. Pelo contrário. É por conta das petições que muitos estão deixando o comodismo, querendo levar isso a diante. É por conta da troca de ideias online que grupos têm se organizado e não adianta você querer tirar o mérito disso, velho.

            O esperado é que a mãe jogue o papel no lixo, dado o histórico acomodado da população, mas a impressão que dá é que você simplesmente ignora que algumas vezes a mãe NÃO jogou o papel no lixo.

            Se você entende de política, saberia que algumas mães “podem fazer isso”. Cabe à criança continuar reclamando, cada vez com mais furor, cada vez com mais gente junto. E as petições são meios de se conseguir isso.

          • Daniel Sugui

            O problema é que assinar uma petição online não é “troca de ideias online”. É clicar em um link. Participação é muito mais que assinar uma petição. Eu nunca disse que o online não serve pra nada; eu disse que petições (online ou não) não servem pra nada.

          • Bom, eu mostrei alguns exemplos de como pode ajudar. Você afirma categoricamente que não serve pra nada. Tá certo então. Obrigado pela sua opinião.

    • 1,6 milhão de assinaturas? Só esse comentarista que vos responde assinou aquela porcaria umas 50 vezes. Em nenhuma dessas assinaturas eu usei o meu nome verdadeiro (aliás, sequer usei esse meu pseudônimo). E todas foram aceitas.

      Só para ver como são confiáveis esses sites de abaixo-assinados on-line.

    • Ele acabou de ser reeleito.

  • Juarez Pedra Jr.

    Lendo os comentários acho que todos, inclusive o autor do artigo, concordam que só assinar uma petição on line e ir para a cama não resolve, ela precisa ser seguida de alguma ação, é como se um juiz assinasse um mandado qualquer e guardasse na gaveta esperando que ele se cumprisse sozinho.
    De qualquer forma a facilidade de comunicação que a internet dispõe é excelente, sou do tempo que a gente fazia passeata combinando uma semana antes, e olhe lá porque mesmo assim muita gente nem ficava sabendo.

    • Pois é… a maioria não entende que estes movimentos online são uma ferramenta, um argumento, uma forma de pressionar. Mas que só ele não resolve nada. O texto deixa claro que as assinaturas e a organização em redes sociais são fatores importantes para as atitudes tomadas no mundo offline. A soma destas forças ajuda a conseguir mudar alguma coisa.

  • sebastiao coelho

    Os maiores defeitos desse tipo de petição aqui são dois: a falta de um foco mais específico e a falta de noção de como as leis funcionam e como é a realidade no Brasil.

    O mais comum de se ver são petições genéricas. São como aquelas passeatas pedindo pela diminuição da criminalidade. Ora, quem não é a favor disso? Até os criminosos querem isso. Nenhum bandido quer ser assaltado, o que ele quer é não ser preso. Mas e aí? há sentido em passeatas (ou petições) assim? Não chegam a ponto nenhum. Pegando o caso que acontece em SP, Não adianta NADA esse protesto. Pedir pra não aumentar o preço? concordo. mas e aí? o preço não aumenta porque os empresários são gananciosos (supõe-se, todos são inocentes até que se prove o contrário, certo?), mas porque os custos aumentaram. O não aumento terá que ser coberto. e será coberto por onde? menos impostos que incidem na passagem ou no combustível? O governo terá que arcar com um subsídio maior? Era essa que deveria ser a maior discussão em qualquer petição, e eu não estou vendo ninguém fazer uma mesa redonda no meio da avenida paulista pra discutir isso.

    Depois do foco vem o funcionamento. Basta lembrar da lei da “ficha limpa”. Aquele foi um sucesso de petição. mas pra funcionar muitos tiveram que por a mão na massa: elaborar um projeto realmente real, legal e coerente com as leis vigentes; buscar assinaturas REAIS em vários estados que totalizassem 1% do eleitorado; entrar diretamente com a proposta no congresso e só aí que foi acionado o “fator online”, que foi fundamental pra por a pauta na linha e informar o resto da população. O oposto disso foi aquele protesto contra a construção de Belo Monte. Alem do vídeo “estrelado” e dos argumentos falhos, não houve nenhuma contraproposta. Sem a usina, faltará energia e qual a solução? Não lembro de nenhuma dada pela organização gota d´agua, e se ela deu, foi imperceptível.

    Petições online são muito belas na teoria. Dá a sensação de que qualquer um pode ajudar, mesmo com um esforço mínimo de clicar num link. Mas sem foco real, trabalho duro e dedicação não levam a mudança nenhuma. E o pior disso é que, percebendo que o esforço é inútil, levam uma pessoa otimista à letargia e ao oposto do que pretendem.

  • “Ou pode te ajudar a ver um outro ponto de vista, depende de quão teimoso você é. Se quiser tirar a dúvida, continue lendo.”

    Pelo menos você tentou. 🙂

    E eu li. 🙂

  • Se abaixo-assinado de Internet (e não petição. Sim, tem diferença entre abaixo-assinado e petição) funcionasse, tanta coisa já teria acontecido.

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