Como petições on-line ajudam a combater a corrupção ao redor do mundo

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Se você é do tipo de pessoa que acha que grupos que se unem utilizando a internet buscando algum tipo de protesto é coisa de “revolucionário de sofá” ou que “este tipo de coisa não muda nada!”, acho que este texto pode te irritar um pouco. Ou pode te ajudar a ver um outro ponto de vista, depende de quão teimoso você é. Se quiser tirar a dúvida, continue lendo.

Ainda dá tempo de parar. Tem outros textos excelentes no Meio Bit hoje (como sempre). Pense bem…

Bom, se você está lendo isso é porque resolveu continuar a leitura, certo? Ponto pra você. 🙂

Estamos em 31 de janeiro deste ano e o país é a Espanha. Jornais traziam em suas capas a acusação de que o tesoureiro do Partido Popular (conheço esta história) tinha desviado milhões de Euros para pagar membros do alto escalão do partido, incluindo o Primeiro Ministro. Ouvi de um popular que ele disse não saber de nada…

Pablo Gallego García, cidadão espanhol, resolveu criar uma petição no site Change.org, chamada “Un Millón de Firmas Por La Dimisión de la Cúpula del PP”, ou em uma tradução livre (perdoem meu francês), “Um milhão de assinaturas pela demissão da cúpula do Partido Popular”.

Contando hoje com mais de 1.150.000 assinantes (sim, mais de um milhão), esta é a petição com o maior número de participantes desde o início das atividades do site, que tem sede nos Estados Unidos. E, segundo o Change.org, é uma das muitas campanhas criadas por gente do mundo todo. Outra informação relevante é que 44% das petições internacionais (entre as 100 maiores) são protestos contra algum tipo de corrupção governamental.

Contrastando com este padrão internacional, nenhuma das petições entre as 100 maiores campanhas que se originou nos EUA tem como foco alguma reclamação política. Os americanos se preocupam com outros assuntos, como economia doméstica, saúde, proteção e adoção de animais, meio ambiente e sustentabilidade. E não há demérito nenhum nisso, é bom frisar. Ainda assim, quase metade das petições dos EUA buscam se opor a atitudes corporativas ou rever políticas das empresas.

Parte desta discrepância existe porque a sociedade civil americana possui um comportamento robusto, do ponto de vista da defesa política”, disse o Diretor de Campanhas Globais do site, Patrick Schmitt, que completa: “Alguns lugares não possuem o costume de realizar estas campanhas online, mas isso muda rapidamente após algumas vitórias no mundo real. O próprio país se ensina a como mudar as coisas”.

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Tá, mas e sobre o protesto na Espanha? Então: em 1º de fevereiro (ou, com um mês de campanha), mais de 500 mil pessoas já tinham assinado a petição, que passou a ganhar muito destaque nas redes sociais e na mídia tradicional, como no jornal El País. As pessoas se organizaram utilizando ferramentas como o Twitter e o Facebook, e os órgãos se viram pressionados a investigar Luis Bárcenas e seu partido. Os acusados estão sendo indiciados pela justiça espanhola.

O crescimento deste tipo de plataforma é evidente, dado o número de usuários. Só no Brasil, este contador subiu de 200 mil para 800 mil em apenas sete meses, através de um fenômeno que Schmitt denomina “duplo viral“, no qual uma petição gera outras campanhas relacionadas. Por exemplo, o abaixo-assinado contra a PEC37, que já conta com 270 mil apoiadores, deu início a spinoffs, tendo como alvo membros específicos do governo, como esta tentativa de pressionar Jair Bolsonaro. Uma coisa leva a outra e na pior das hipóteses, tal ideia foi compartilhada com mais pessoas, indicando que o fator de preocupação com as atitudes do governo e a probabilidade de possíveis cobranças é maior.

Cada deputado está sendo responsabilizado de forma pública e social. Além disso, como frisa o diretor da Change.org, um fator fascinante neste tipo de petição é que algumas campanhas de sucesso têm de fato a capacidade de plantar uma ideia na cabeça das pessoas, e isso pode vir a gerar movimentos de cobrança e protesto, dos menores aos maiores.

Em São Paulo as redes sociais estão sendo de suma importância para a divulgação e organização dos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público. Não vou entrar na discussão sobre algumas pessoas que usaram de vandalismo, se isso é ou não é correto, mas o importante é que a população está se mexendo finalmente. Inclusive, o prefeito da cidade já disse que é possível baixar as tarifas e que vai recorrer à Presidente Dilma para encontrar uma solução. Como isso vai ser feito, e se vai ser feito, eu não sei. O ponto é que os caracteres deixados em fóruns, postagens e abaixo-assinados na Internet estão chegando às ruas e, posteriormente, ao comando público.

As pessoas estão sentindo que de fato têm o poder de mudar algo, de uma maneira que antes elas não achavam possível.” – afirma Schmitt.

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Desde o final de 2011, quando o Change.org passou a ser disponibilizado para cidadãos que vivem fora dos Estados Unidos, a empresa responsável por ele contratou funcionários em 19 países, sendo traduzido para 11 idiomas. Por se tratar de uma ditadura, ele acabou sendo bloqueado na China, evidentemente. E há quem defenda a ditadura no Brasil… Também não vou discutir sobre isso.

O fato é que as esferas virtual e real nunca estiveram tão unidas como hoje. Claro que nenhuma destas ferramentas funciona sozinha, mas elas dão voz e argumentos para quem está à frente do levante. Ficou claro que sim, é possível utilizar a web para protestar e se organizar contra o que você acha errado. Seja o estatuto do seu prédio, seja uma proposta de lei federal.

Alguém aí já iniciou uma petição online? Conte-nos sua história, compartilhe seu link aqui nos comentários.

[via Mashable.]

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