Obsolescência programada e lançamentos excessivos: por que ninguém está fazendo nada?

obsolescencia programada

Opa, saiu o iPhone novo, a TV nova, o descascador de laranjas novo, o barbeador novo…

Mal acabamos de terminar de babar pelo iPhone 5, e já nos deparamos com mais uma notícia bombástica: A Samsung anuncia que irá lançar o Galaxy S4 no começo de 2013. Como assim? O Galaxy S3 acabou de sair, ainda está sendo considerado um dos melhores smartphones até o momento, e já estamos falando em sua obsolescência?

Sim, obsolescência, pois embora ele ainda tenha um processamento maravilhoso e tela linda, ele não será mais o top, não será citado em mais nenhum comparativo. Será apenas o modelo anterior do novíssimo, poderosíssimo e espetacular S4. Quem tem um S3 logo começa a procurar datas de lançamento e o preço do próximo queridinho, e seu atual aparelho perde a graça quase que instantaneamente.

Essa “corrida do ouro” está tão exagerada que as pessoas, antes mesmo do lançamento do iPhone 5, já pensavam em iPhone 6! Eu publico vídeos de resenhas na internet, e muitas pessoas vêm me perguntar qual o melhor aparelho para esse ou aquele uso. Algumas delas me perguntam se devem comprar o iPhone 5 ou esperar pelo 6. Isso é quase desesperador de se ver. O consumo desenfreado está chegando a limites extremos, em que não se pensa mais nem no modelo top que foi acabado de lançar, e sim no próximo a ele, que está ainda na prancheta.

E o mercado de rumores começa a funcionar a toda (se é que um dia para), esmiuçando fotos na internet, publicadas por chineses com supostas novas embalagens de um aparelho nas mãos. Logo estão adivinhando novas features, produzindo listas de “o que o iPhone novo precisa ter para ser ideal”. E logo são tantas listas, e tanta expectativa, que na hora do lançamento todos se decepcionam com a falta de features que os publicadores de rumor falaram. “Cadê o NFC? Cadê o iPad mini? Por que não tem leitura dos olhos para destravar a tela?”.

Assim, todos voltam seus olhares para o nem tão próximo lançamento de uma empresa, apesar de comparecerem às para as lojas, adquirindo o mais novo aparelho por “não importa o preço”. Dois disputam o páreo de melhor smartphone, enquanto outros são simplesmente descartados da lista do sucesso. De repente, se você não tem um desses dois não é nada, é lixo. Trabalho com jovens entre 14 a 17 anos, e vejo todos os dias, em conversas descontraídas, um esfregando seu novo smartphone na cara dos outros, enquanto os que não têm nada parecido ficam resignados ou participam da discussão, prometendo em breve adquirir um muito melhor do que os dos outros. Essa é a próxima geração que, já estimulada pela atual velocidade de consumo e de lançamentos, não estará nunca satisfeita com o produto que acaba de comprar e ter em mãos.

Isso nos leva a outro ponto, já conhecido de gerações anteriores, termo cunhado há quase um século: obsolescência programada. Esse termo já era muito citado na década de 70, embora tenha sido citado pela primeira vez em 1920, pelo presidente da GM na época, Alfred Sloan. Projetos de produtos custam caro, e buscam sempre a inovação. Um produto precisa ser rapidamente lançado para que possa recuperar seu investimento em pesquisa. Porém, apesar de processadores de quatro núcleos, tela super brilhante e sistema atualizado, esses produtos são feitos de forma a te deixarem na mão muito em breve.

E quem liga para isso? Quem liga que seu aparelho quebre, uma vez que você já estava de olho no próximo? Talvez essa seja até mesmo a desculpa necessária para você ir lá comprar logo seu novo objeto de desejo. Em mais um dos casos que presenciei entre os jovens com que trabalho, um deles “bricou” seu próprio smartphone afim de convencer a mãe de que precisava de um novo, maior e mais caro. Como resultado, a mãe não quis comprar e agora ele tenta recuperar o que já tem. É um tanto quanto assustador isso.

Consigo perceber tudo isso claramente no meu dia a dia. Quantos não me procuram pedindo ajuda, pois seus aparelhos quebraram do nada? E quando procuram as assistências, essas parecem ser feitas de modo que o consumidor fique tão irritado com o atendimento e o retorno, que acabe comprando um produto novo. Recentemente comprei um micro-ondas da Brastemp, marca reconhecida por sua qualidade (a famosa frase “Ele não é assim uma Brastemp”). Em menos de uma semana, o micro-ondas começou a dar problemas. Visitas de técnicos, gravações de vídeo para mostrar os problemas. O laudo final da empresa era de que o problema estava na fiação elétrica da minha casa, e que não poderiam fazer nada.

Paguei o preço do stress e do nervosismo e, em uma batalha quase épica, consegui que trocassem o produto, que eu rapidamente vendi, sem nem ao menos tirar da caixa. Comprei então um Electrolux,  geladeira que já tenho e que gosto da marca porque, apesar de ter dado problemas, me atendeu com qualidade (vejam só, estamos escolhendo não pela qualidade, e sim por quem atende melhor). Pois bem, nem um mês depois e esse também já começa a fazer uns barulhos estranhos. E toca para o pé no SAC novamente.

Se na década de 70 as pessoas já reclamavam da tão temida obsolescência programada, e agora que os lançamentos são quase semanais? Por quê uma empresa construiria um produto que dure mais do que dois anos se precisa que o consumidor compre algo novo bem antes disso? Consumidores de tecnologia reclamam quando um aparelho não vem com bateria removível. Pra quê, me pergunto eu? Antes mesmo de a bateria apresentar sinais de cansaço, o aparelho já vai ter sido substituído.

Para os interessados no assunto, sugiro assistirem o documentário The Light Bulb Conspiracy, cujo trailer pode ser visto abaixo (o YouTube tem uma versão legendada completa aqui):

Termino aqui com um trecho da música “A maior banda dos últimos tempos da última semana” (o título da música em si já sintetiza o assunto), dos Titãs: “Não importa contradição / O que importa é televisão / Dizem que não há nada que você não se acostume / Cala a boca e aumenta o volume então”.

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Autor: Stella Dauer

Stella Dauer é jornalista de tecnologia, especialista em gadgets e livros digitais. É editora-chefe do EuTestei, que possui um canal de reviews no YouTube. É colunista do MeioBit e iG Tecnologia.

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  • Jean Carlos

    E viva o capitalismo! É o progresso e evolução da natureza humana, cada vez mais endividado e burro.

  • Muito bom o Post, parabéns!!

  • Meu desejo é que própria mídia independente de tecnologia crie sua conspiração. Que parem de abastecer a internet com rumores e notícias, que parem de se comportar como tabloide inglês e que não façam mais alárdios desnecessários por esses produtos.

    No ramo dos blogs da moda, muito se discute hoje a influência do publisher como veiculador da cultura de consumo, criando um lifestyle impossível de ser alcançado. Todos concordam, afinal moda é fútil não é mesmo? Nope. A mídia que cobre tecnologia não está se comportando melhor. Ela tem o seu papel e deveria ter a ética de criar notícia vendável sem apelar para o sensacionalismo do último gadget.

  • Texto muito bom, mas não devemos generalizar meu antigo iPhone 3G ainda esta com a minha mãe funcionando muito bem, meu MacBook é de 2006 e não quebrou, não acho que todas empresas fazem coisas para quebrar logo.

    • A obsolescência programada não se limita a fabricar produtos que não durem. A Apple aposta numa boa qualidade de seus produtos, mas lança eles em doses homeopáticas de evolução. Todos passam a QUERER trocar por conta própria, seja porque o 4S tem Siri, seja porque o 5 tem tela maior; é o motivo pelo qual algumas funções de novos iOS não são liberadas em aparelhos anteriores, mesmo que sejam tecnicamente capazes.

    • Rodrigo Fante

      Meu iPhone 4 tem 2 anos e meu macbook quase 4 e estão como novos também, vai da pessoa, cai quem quer nesse problema.

  • Vinicius Zucareli

    Gosto muito dos posts do Meio Bit, concordo em tudo aqui.

    Só que…. como a maioria dos blogs de tecnologia vive de visitação, brindes e propagandas…….. fica difícil.

    Sempre vão fazer hype e ajudar a fomentar esse consumismo exacerbado.

    Meu primeiro smartphone, o Nokia E51 de muitos verões passados, está com minha cunhada. Meu segundo, o Nokia N73, com o meu cunhado, meu terceiro, o belíssimo e poderoso E71 estava com meu pai até duas semanas, quando ele comprou um 4S, meu quarto, o 5530 com meu sobrinho, meu quinto, o n900, esse está comigo ainda, de aparelho secundário. Meu sexto, o N8 está com a esposa. Meu sétimo, o E6 vendi pra um amigo. E meu atual 808 vai ficar comigo muito tempo, mesmo que eu compre outro, porque a câmera vai ser a melhor por muitos anos a fio.

    Observo aqui que TODOS esses aparelho funcionam muito bem, atende as necessidades das pessoas que os utilizam (mesmo mais de 5 anos depois…) e ainda estão com suas baterias originais de fábrica, durando muito bem obrigado. Não existia aí a obsolescência. Ou melhor, não existe, ela foi implantada na nossa cabeça.

    Comprei muitos smartphones? Sim.

    Mas observe que NUNCA a diferença foi 1 núcleo a mais. Sempre teve alguma coisa que me impeliu. Menos o E6 que comprei porque o meu n900 tinha dado problema e não quis ficar sem, acabei consertando o n900 no fim das contas.

    Agora, não consigo mais justificar a troca. Não existe, e pelo jeito nem vai existir tão cedo, nenhum produto com algum diferencial maior. Então fica difícil. Desde o n900 não acho mais interessante as trocas, acho sempre que estou dando passos de Siri. Então agora resolvi que vou parar com essa mania besta. Até porque não ganho nada com isso. O 808 foi, sim, justificado. É uma evolução ENORME. O restante, porém. Passos de Siri….

    Quando há algum componente novo, até justifica. Porém, do 4S pro 5, por exemplo, não muda nada. Tudo o que o 5 faz, o 4S já fazia, o 4 também e o 3GS idem. Só um ‘pouquinho’ melhor e mais rápido. Justifica? Acho que não. Aí sim é hype desnecessário. Assim como não vou trocar pro Lumia 920, nem SGS3, não justifica. Estaria dando passos para o lado.

    • Rafael Vieira

      Perfeito, Vinícius. PERFEITO.

      Acabei de comprar meu primeiro Android (na verdade, troquei pelo meu Samsung Galaxy Tab WiFi, meu verdadeiro primeiro Android, o qual ENJOOEI) e é um Samsung Galaxy W, que é muito bom e não vejo pra que adquirir um outro em menos de 2 anos, a não ser que este quebre. Mas esse eu só uso pra ficar online boa parte do dia pq o meu celular principal é o bom é velho Nokia 5800, que não faço a mínima questão de me desfazer dele.

  • Ué, não entendi. Eles só ventilaram algumas possíveis características antes do lançamento pra atacar o hype do iPhone, mas o lançamento continua pra Março de 2013, ou seja, um ano depois do S3. Dentro do figurino.

    Não só fazem isso por motivo mercadológico, mas também tecnológico. Ainda estamos longe de um patamar de crescimento vegetativo com o hardware de telefones da mesma forma que mercado de PC’s. Basta pegar o exemplo dos iPhones desde o 3G até o 5. O desempenho é cerca de 12 vezes superior se considerarmos os testes ainda não confirmados que apareceram no geekbench. Bem acima do esperado apenas considerando a lei de Moore. Eu adoro o meu 3GS, mas sinto lentidão no sistema e em várias apps que já começam a ser otimizadas para os aparelhos mais novos. Talvez seja a hora de trocar, depois de 3 anos com ele. Pra um celular nesse mercado em rápida evolução tecnológica, tá bom, não? Sim, eu sei que tem gente que passa mal se não tiver sempre o último modelo de celular, teve o iPhone 3GS, depois o 4, depois o 4S e agora comprará o 5, sempre pagando preço de lançamento. Assim como tem gente que compra um carro zero todo ano. Mas creio que sejam a minoria.

    • Francisco Bernardes

      Só posso dizer que tenho o meu Samsung Omnia W, que já caiu das mãos do meu filho NO MÍNIMO 20 vezes, desmontou todinho e eu apenas remontei e usei. Não pretendo trocar. Mas é possível realmente verificar essa questão no mundo da tecnologia… essa tentativa de empurrarem sempre um novo produto a cada semana. Isso é bem assustador.

      • Se eu comprar o iPhone 5 (vai depender do preço, se vier acima de 2000, esquece), o meu 3GS irá pro meu pai, e aposto que ele irá durante anos feliz da vida, sem notar a falta de velocidade que eu noto nele.

    • David Cardoso

      1 ano depois nada… o SIII foi lançado 29 de Maio de 2012… A Samsung agora afirmou lançar ele em Fevereiro de 2013… 9 meses somente. Sendo que ele ainda nem recebeu a atualização pro Jelly Bean oficialmente. Pensa no cara q compra o SIII hoje, daki 1 mês, sendo otimista, ele atualiza pro JB e fica oq, 4 meses com hardware e software top… Ai depois já sai o sucessor.

      O fato é que o SIII já foi lançado pra ser inovador, ele foi o único quad-core por um tempinho, e o mercado ainda não tá cheio de aparelhos quad-core… A Samsung, se valorizasse o consumidor que acabou de comprar seus produtos, lançaria o S3 NO MÍNIMO 1 ano depois… poderia lançar o S4 só quando o seu poderoso processador começasse a querer ficar um pouco ultrapassado, como é o caso do Galaxy Nexus hoje em dia, que tem um belo processador, mas que já tá querendo ficar ultrapassado visto que já foram lançados muitos aparelhos com proc. dual-core 1.5GHz ou quad-cores

      • Por um lado você tem razão realmente, confundi março com maio, vivo fazendo isso =P

        Por outro, a Samsung acaba de negar que o rumor esteja correto.

        Agora, em termos de atualização de software…. não tem como fugir, a Samsung peca e forte nisso. Andei recomendando Galaxy X pra um pessoal por ter updates mais rápidos e por mais tempo, mas depois descobri que no Brasil ele recebe updates pela Samsung e não pela Google como acontece nos EUA, então melhor fazer uma ressalva ao recomendar celulares android: prepare-se para fazer o update por conta própria ou saiba que ficará desatualizado com relativa rapidez.

  • Waldir Leoncio

    Excelente matéria, Stella. Parabéns! É muito importante estimularmos o consumo consciente; se deixarmos por conta dos marketeiros, eles rebatizam iPhone de “iPad mini” e no dia seguinte as lojas estão abarrotadas de compradores. 😀

  • Xultz

    Eu vi uma brincadeira interessante esses dias. Um programa de TV americano foi às ruas no dia seguinte ao lançamento do iPhone 5 com um aparelho para as pessoas mexerem e darem sua impressão. O problema é que era um iPhone 4S. As pessoas mexiam e ficavam maravilhadas, dizendo que a tela era melhor que do 4S, mais rápido, mais bonito, e que provavelmente iriam comprar um.
    É igual à Brastemp: a propaganda foi tão bem feita, que até hoje as pessoas ainda acreditam que Brastemp seja uma marca boa.

  • Nessa pegada, recomendo o video “A história das coisas”. Só botar no Youtube que tem dublado e legendado em portugues.

    • Aquele vídeo cheio de falácias, que acha que linha de produção é em série e não “em árvore”. Lindo e ótimo para pessoas que tiram sua cultura no YouTube, onde provam que ETs existem e haveria uma grande conspiração para um ato terrorista nas olimpíadas da Inglaterra.

      As pessoas acreditam em qq coisa, mesmo.

  • Heitor Moraes

    Stella, acho que você está misturando as coisas. Não dá para usar o comportamento de adolescentes como parâmetro, e nem misturar planejamento com obsolência programada – como faz crer por um momento. Aqui na empresa faço projetos que tem o mesmo formato recorrente, e durante o desenvolvimento de um projeto, já estou planejando as mudanças do leiaute dos próximos similares.

    Evidente que vivemos uma forte cultura de quebra-imediata-pós-garantia, mas o entendimento legal [ao menos no Brasil] é de que os equipamentos tem expectativa de vida superior ao período de garantia. Ou seja, o planejamento do fabricante não pode envolver o quebramento. Se este cenário que você descreve se generalizasse, é evidente que diante de uma enxurrada de processos, teríamos um movimento similar ao que vem acontecendo com as TELES.

    Já sobre a qualidade do atendimento na rede autorizada, a Apple é o melhor exemplo que tenho de qualidade no atendimento. Sugiro que você pense nisso sempre que comprar um equipamento, e que, como faz crer, não nos apeguemos as marcas a não ser pelo valor agregado.

    Tenho um microondas Panasonic com Inverter e sem prato (plano). Paguei o dobro do preço de um microondas ordinário. Não tive problemas com o equipamento, nunca tive problemas com a autorizada Panasonic [tenho outros produtos de mesma marca] e além do bom suporte do fabricante, tenho um grill [que não uso] um equipamento super-fácil de limpar e que não dispara o DR do apartamento só porque está num circuito outro.

    Sobre circuito, o microondas, refrigeradores, condicionadores de ar e chuveiros elétricos tem características muito particulares, e não podem ser ligados em qualquer circuito. Será que no teu caso, não houve um problema com o dimensionamento dos circuitos do imóvel?

  • Neuroses de riquinho. 🙂
    Iniciei lá no antigo TK 90X e todos computadores que comprei depois disso melhoraram a minha capacidade de trabalho e diversão.
    Neste caso parece ser natural desejar um computador com mais potência e versatilidade.
    Atualmente tenho trabalhado na edição de imagens e na tradução de alguns vídeos. E minha máquina não está mais dando conta do recado.
    E viva a evolução. 🙂

  • Thiago Rocha

    Essa teoria da conspiração pra mim é meio furada.
    Quem trabalha com tecnologia sabe que do dia pra noite surgem milhares de coisas novas (muitas que de cara nem entendemos direito pra que serve) e o profissional de TI é aquele que não pode ficar parado pois a sopa de letrinhas das tecnologias só cresce.
    Uma empresa grande como a Samsung ou a Apple deve ter um escritório de inovação que desenvolve as tendências dos próximos aparelhos com as tecnologias que eles ainda não podem embarcar nestes, por estarem imaturas.

    No mais, falar é fácil e de graça. Nada como a Samsung dizer que tem um aparelho novo pra tirar o foco do novo lançamento da Apple.

    Na verdade nós temos que nos policiar é contra o nosso consumismo e pensar um pouco se precisamos do melhor smartphone de todos ou só estamos comprando pra passar na cara do colega. Mas isso é outra estória.

    • Patrik Lançoni

      Concordo.
      Mas além das inovações que não estão maduras para o mercado, tem-se ainda questões de preço. Como no caso do primeiro iPhone, que tinha uma camera muito ruim e sem 3G, enquanto alguns celulares tinham 3G, GPS e boas cameras de 5MP. Mas o iPhone já era muito caro, se tivesse camera boa, 3G e GPS provavelmente seria muito mais caro e não venderia bem. Com o avanço da tecnologia e com as venda conseguiu-se incluir esses recursos sem aumentar o preço.

  • Poxa, até gostei do texto, bem escrito, mas como nos comentários que li, também não acho isso um grande forçador de barra, na verdade não são só empresas que criam este hype, como você mesmo diz os sites “especializados” também aumentam de mais as coisas, o que acaba chegando na gente é um olhar exacerbado sobre a minoria, não é todo mundo que tem grana pra fazer isso e fora que quem sabe sobre tecnologia normalmente toma conta muito bem de seus gadgets os fazendo durar bastante tempo, olhe nos comentários, eu também sou assim, demora bastante para eu trocar algo, só mesmo quando está no fim do fim do desempenho, acho forçar a barra essa tal de obsolência programada, como se todas as empresas fizessem isso e ninguém fosse punido, lembram da hp e suas impressoras, tomaram um “cutuco” por fazerem isso, já sobre seus microondas, você deveria ver mesmo essa fiação e como anda a instabilidade da rede, vamos ser francos, rede elétrica no Brasil não é a coisa mais estável do mundo.

  • Simplesmente o melhor texto que já li neste site. Parabéns!

  • muito bom o texto

  • Há poucos dias meu aparelho de dvd de 100 reais estragou, não comprei outro, levei pra consertar e saiu por 65. Na mesma semana o fio do ferro de passar estourou bem na base, não comprei outro, troquei o fio inteiro por outro mais grosso, como eu já tinha o fio, saiu de graça. Isso também aconteceu com o liquidificador. Não vou mais comprar sem antes ver se posso consertar.

    • Carlos Magno GA

      No meu caso eu comprei um ferro de passar roupa novo. O antigo era um baratinho que ainda por cima eu tinha comprado numa promoção e volta e meia queimava minhas camisas. O novo resolveu o problema e encurtou bastante o tempo de passar roupa. Mas não teria comprado caso não tivesse o dinheiro.

  • Se for verdade o s4, com tela de 5 como dizem, não penso duas vezes em comprar o… S3. Tá difícil as engasgadas do S1 que tenho e vou passar pra frente no fim do ano…

  • Bruno Barbieri

    Não “tendo prazo de validade”, do tipo das impressoras EPSON: 2000 paginas a impressora para de funcionar, por mim pode seguir lançando, desde que o meu não estrague “do nada” 3 anos depois que eu comprei.

  • Leonardo Brito

    imagino o que um playboyzinho adolescente iria imaginar do meu LG Kc910i que tenho a 2 anos e pretendo ficar pelo menos mais 2… a mulekada esquece que há necessidades que não existem, voce nao precisa criar motivos para comprar um celular, voce precisa te-los antes de comprar…

    • BielSilveira

      Ta se achando com um KC910i? Rapaz, isso é ultra moderno. Eu tenho um nokia c100.

      • Coitado de mim que ando com um Nokia 3220 então! Esse só faz o basico, serve de telefone. Preciso de um mais novo? Só quando ele quebrar. Tudo bem, tenho um android também, mas o 3220 anda no bolso pra cima e pra baixo, é o que carrega o chipo com meu numero principal e todos conhecem. Pergunto novamente, pra que troca-lo por uma mais novo, se ainda funciona bem? Eu não entro nesse hype de comprar um celular novo a cada 6 meses ou 1 ano.

  • Rafael Vieira

    Um dos melhores posts que já li aqui.
    Parabéns.
    Inclusive, divulguei para meus contatos, via email.

  • Putz Stella, falou tudo nesse texto!

  • “Consumidores de tecnologia reclamam quando um aparelho não vem com bateria removível. Pra quê, me pergunto eu? Antes mesmo de a bateria apresentar sinais de cansaço, o aparelho já vai ter sido substituído.”

    Ótimo se vc é o primeiro comprador e troca de celular todo ano, mas uma hora a batata explode não mão de alguém e o que fazer? jogar fora um iPhone 3 no lixo porque o custo de trocar uma bateria de 50 reais sai mais caro que o telefone.

  • A obsolência programada cobrou seu alto preço na indústria automobilística dos EUA. A GM que já foi a maior empresa de automóveis para o consumidor nos EUA perdeu espaço para a Toyota. A capacidade de absorção do mercado será sempre menor do queda produção de bens e serviços. Isso foi postulado antes da primeira Bretton Woods. O que existe é uma bolha, alimentada me desculpe a franqueza por adolescentes retardos por consumo em funções de celular.

  • Marcoscs

    bom texto, Stella, mas como você mesma disse, a obsolescência programada é um artifício da indústria desde o início do século XX, não há nenhuma novidade nisso.
    E os ciclos de rotatividade na indústria eletrônica tendem a ser mais curtos do que em outras indústrias, como a automobilística, por exempo, por motivos óbvios. Um ciclo de 6 meses é mais ou menos o que se pratica no ramo da tecnologia de ponta.
    Em que pese o teor um tanto quanto alarmista (e que se diz surpreso com uma prática quase centenária) do seu texto é bom que paremos para pensar se podemos acompanhar esses ciclos que as indústrias praticam.
    Será que eu preciso trocar de carro a cada ano?
    Preciso trocar de celular a cada 6 meses?
    Para algumas pessoas isso é irrelevante do ponto de vista financeiro, para elas comprar um carro novo a cada ano não a torna mais pobres, mas para a grande maioria seria um sacrifício constante desembolsar dinheiro anualmente para comprar um carro novo ou semestralmente para comprar um celular novo, e são essas as maiores “vítimas” desses ciclos.
    Só que eu não vejo esses ciclos como algo necessariamente ruim, eles são necessários à sobrevida da indústria e, por consequência, do sistema econômico no qual estamos inseridos. A questão passa mais pela educação do consumidor e pela conscientização de que ele não precisa se subjugar à propaganda e ao fascínio para entrar nesse ciclo se ele não tem $$$ para bancar a entrada nele. Quem tem consciência acerca de sua capacidade financeira que crie seu próprio ciclo de renovação de seus pertences de acordo com suas necessidades/possibilidades.
    E se eu fosse você chamaria um eletricista para verificar a fiação de sua casa.

  • Muito bom o texto. A maioria das pessoas não se dão conta destas nuances da indústria. É mais fácil se juntar ao “esquema” do que fugir. Imagina só ter um celular de 2, 3, 4 anos atrás, comparando-se com os colegas. Mas ao contrário do colega que acha isso “Teoria da Conspiração”, a obsolescência programada existe sim, e todos nós cumprimos o papel para manutenção deste projeto. A indústria faz o seu papel, a imprensa também, assim como as lojas, vendedores, assistência técnicas e por aí vai.

    • Na verdade isso tudo é um mecanismo natural de distribuição de renda, gente trouxa e endinheirada deve passar o dinheiro para mãos mais preparadas

  • Eu não ligo pra essa hype escrota. Não vejo a menor necessidade em comprar aparelho top de linha cada vez que o meu é ultrapassado. Só troxa faz isso.

  • Na verdade a durabilidade das lâmpadas diminuiu porque tornaram-se mais eficientes. Enfim, teorias da conspiração são sempre engraçadas 🙂

    Como exemplos extremos, há as lâmpadas photo-flood, muito mais eficientes, brancas e fortes, porém duram poucas horas. Lâmpadas usadas em sinalização marítima ou ferroviária, ou em lugares onde é difícil trocar lâmpadas, ou não é bom que uma lâmpada estrague, são usadas com tensões baixas, então elas brilham meio “laranja”, com baixa eficiência, mas duram quase para sempre.

    • sim, e como foi dito, uma coisa é o troço estragar e outra é o dono achar sem graça a lâmpada incandescente dele e resolver trocar por uma nova só porque é de LED.

  • Ninguém faz nada, pois trouxas inseguros compram, eu ainda estou aqui com meu Galaxy Ace totalmente satisfeito e feliz, não é o S2 muito menos o S3, é o mãefodendo ACE.

    E por um acaso a sensibilidade do touch dele é melhor que o do S2 e a tela em minha opinião também é melhor que o do S2 (acho as cores do amoled bizarras nesse modelo).

    Então que os compram celulares top, carros top, roupas top, computadores top e bebam em bares top, sejam aviadados e trouxaso quanto quiserem, eu não desperdiço meu dinheiro com o que eu não preciso, e quem faz essas coisas por STATUS, é otário, simples assim.

  • Edmilson_Junior

    Tenho um P500, nunca vi nada tão resistente que não fosse Nokia, isso já caiu, voou, desmontou, foi arremessado ao puxar almofadas/lençóis e está firme e forte, meu próximo objetivo é um dual-core. SII Lite (tem dois aqui em casa mas nenhum é meu) e fico satisfeito por mais um bom tempo, sempre fui controlado, não fico neste desespero de últimos lançamentos, a pesar de ficar feliz com esta mania, afinal como os preços cairiam possibilitando que pessoas como eu comprem oque os desesperados não querem mais?

  • Patrik Lançoni

    O texto possui um erro sério, apesar de bem escrito.
    Tudo o que foi dito não se aplica a obsolescência programada.
    Isso se chama Obsolescência percebida (ou perceptiva).

    “A obsolescência perceptiva é uma forma de reduzir a vida útil dos produtos que ainda são perfeitamente funcionais e úteis. Os fabricantes lançam produtos com aparência inovadora e mais agradável, além de pequenas mudanças funcionais, dando aos produtos antigos aspecto de ultrapassados. Dessa forma, induzem o consumidor à troca[3]. Um bom exemplo é a moda, que se modifica de forma a estimular a frequente aquisição de novos modelos de vestuarios.”

    “Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido.
    Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.”
    (da wikipedia)

    Como os smartphones continuam com as mesmas funcionalidades depois do lançamento de sucessores, o nome correto é “Obsolescência Percebida”. O consumidor troca porque quer.

    • Nessa tecnologia atual, troca-se algo resistente por algo mais rápido. Seria o mesmo que trocar uma Ferrari de aço por outra mais potente, só que feita de fibra de vidro.

  • Capitalismo é ruim. Deem todo o seu dinheiro pra mim e vivam felizes no campo, sem TV, Internet e banho quente. O mercado apenas dá às pessoas o que elas querem.

    • Cruel mas é a pura verdade. As pessoas querem, o “mercado” faz, as pessoas compram felizes.

    • O capitalismo criou a tecnologia que temos hoje. Ele não é ruim, algumas pessoas é que são idiotas e modistas. Vai morar na Coreia do Norte, lá não tem capitalismo.

  • Samuel Santiago da Silva

    parabens.

  • Por um lado os produtos duram menos mesmo. Seja porque os fabricantes não querem uma lâmpada que nunca queima, seja por usarem materiais mais baratos para baixar o preço final do produto. De outro lado temos isso de fazer o próximo equipamento ser mais desejado que o atual.

    Nossa sociedade foi construída em cima do consumo desde a Segunda Guerra, é assim que as empresas ganham dinheiro e é assim que mantem os empregos dos trabalhadores que vão comprar os produtos desta e de outras empresas.

    • é assim que as empresas ganham dinheiro e é assim que mantem os empregos dos trabalhadores que vão comprar os produtos desta e de outras empresas.

      Resumiu bem o que é capitalismo. E tem gente que critica. Que vão morar em Cupa, ou na Coreia do Norte. Lá não tem capitalismo bobo, feio e chato.

  • Esse é um dos maiores problemas do modelo econômico baseado em consumo. Espero que meu Galaxy S2 ainda dure mais uns 2 anos, já que o meu defy continua firme e forte.

  • Por essas e outras ainda continuo com meu Core i5 750 First Generation. Se fosse acompanhar a moda ficaria endividado até o espectro de minha alma.

  • “Mal acabamos de terminar de babar pelo iPhone 5, e já nos deparamos com mais uma notícia bombástica: A Samsung anuncia que irá lançar o Galaxy S4 no começo de 2013. Como assim? O Galaxy S3 acabou de sair, ainda está sendo considerado um dos melhores smartphones até o momento, e já estamos falando em sua obsolescência?”

    Só que ao contrário né?
    Não passou de boato, não tem nada de oficial nisso, muito pelo contrário.

  • Existe outro documentário que vai mais fundo e toca na chaga da sociedade. Chama-se “Century of the the self” e foi produzido pela BBC. Dá pra baixar pela locadora do Paulo Coelho. Esse documentário mostra as estratégias psicológicas usadas pelas indústrias (e governos) para dominar as mentes e garantir a expensão do consumo.

  • A obsolescencia programada funciona bem para os idiotas que querem comprar tudo no lançamento! Sem contar que é através dela que temos inovações! Eu usava um iPhone Classic até esse ano, agora comprei um 4s. Quem sabe daqui a 5 anos eu troco o 4s pelo iPhone 10! Capitalism rules!

  • Matheus Vanzella

    Muito bem, Stella !
    As pessoas andam alugando as suas vidas e seus hobbys, pagando parceladamente para essas empresas. A relação que o Patrick fez é correta ( sobre obsolescência perceptiva ) e ninguém parece ligar para isso.
    O grupo anonimous ja relacionou essa nova “cultura” com um termo que nós estamos muito bem familiarizados…

    “You home, stuff, car and computer, you will pay for everything you have for all
    of your life. All the time: a monthly fee, forever until you die. That’s the
    future; nothing is really yours. LAAS – Life As A Service.
    You will rent your life.”

  • Só um detalhe: Para dois microondas darem problemas em sequência a rede elétrica da sua casa deve estar com problema ou (mais provável) subdimensionada … Sim, microondas exigem disjuntor em separado,e não devem estar no mermo disjuntor da geladeira. Pode estar aí o problema sim.

  • Debora Meneguetti

    Adorei a abordagem, usarei este e outros textos como referência para me aprofundar mais no assunto.
    Aliás, o texto não possui um erro sério, porque tu abordaste dois temas:
    Obsolescência programada e lançamentos excessivos.
    E deste o espaço certo a cada um. Gostei!

  • Pingback: Conheça o Projeto: A Estória das Coisas | Verdade Proibida()

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