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Nokia finalmente mostra o N9 e deixa a pergunta: os finlandeses precisam mesmo do Windows Phone?

Nokia anuncia, enfim, o N9, primeiro smartphone do mundo a vir com MeeGo de fábrica. E ficou legal!

8 anos e meio atrás

A Nokia tinha um trunfo dos bons quando viu que a sua fatia no mercado de smartphones começava a ser tomada pela concorrência, principalmente pelo Android. Era o Maemo, que entre os aparelhos da empresa, só apareceu no polivalente N900. Depois o Maemo se junto ao Moblin, da Intel, e da parceria surgiu o MeeGo, um sistema flexível que promete rodar em tudo, de dispositivos portáteis até netbooks. Soava promissor, não?

Sim, mas a empresa hoje comandada por Stephen Elop resolveu insistir no Symbian (^3), reformulado para uma leva de smartphones que esbanjam qualidade de construção, mas morrem justamente no software precário. Cadê o MeeGo!? Ninguém sabia.

E quando ninguém esperava, veio o anúncio da parceria com a Microsoft e a promoção do Windows Phone a sistema principal nos dispositivos de ponta da Nokia. Acabava ali o sonho de ver o MeeGo se tornar mainstream, de brigar com Android, iOS e o próprio Windows Phone...

...ou não? Hoje mais cedo, em Singapura, a Nokia anunciou o N9, primeiro smartphone a vir com... (lendo o press release)... com qual sistema mesmo? Se você der um Ctrl + F e buscar por "MeeGo", não encontrará nenhuma referência. Por "Symbian", nada também, o mesmo caso de "Windows Phone". A Nokia não diz, mas acredite: o N9 é o lendário sucessor do N900, o primeiro smartphone do mundo a sair de fábrica com o MeeGo.

Nokia N9

E como ficou legal esse MeeGo! O N9 em si, o hardware, parece soberbo, como todos os high-ends mais recentes da Nokia (N8, E7). Telão curvado de AMOLED de 3,9" com proporção 16:9 (854x480) e Gorilla Glass, corpo de policarboneto, câmera de 8 MP com lente Carl Zeins, foco automático e detalhes técnicos que a aproxima das compactas e a torna, segundo a Nokia, a melhor câmera disponível num celular do mundo. Quer mais? 16 ou 64 (!) GB de memória interna e 1 GB (!) de RAM.

Quando a tela se acende e o MeeGo mostra serviço, o que se vê é um sistema fluído e sem botão home! O mote do N9 é "swipe", logo, para voltar à tela inicial basta passar o dedo na tela horizontalmente. O sistema se divide em três áreas principais: lista de atalhos, central de notificações e aplicativos recentes (o multitasking). E, acredite, tudo parece muito bem acertado, integrado, funcional e bonito, diferente do Symbian^3. Os botões, menus e outros comandos aparentam extremo bom gosto e usabilidade acertada.

Quer ver mais? O site preparado para o N9 está cheio de demos interativas. Corre lá! Ou veja os vídeos abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=gfE3B6L-Otw

http://www.youtube.com/watch?v=LxUymqLGG-M

Essa estreia muito bem recebida por público e crítica do MeeGo num smartphone nos leva a questionar a decisão do Elop de adotar o Windows Phone como plataforma principal nos smartphones da Nokia. Poxa, o MeeGo demostra tanto potencial! Aliás, ele compartilha com o Windows Phone o fator "originalidade"; tem diferenças fundamentais entre os modelos de iOS e Android e, mais que isso, diferenças que parecem torná-lo melhor. E com a adoção do Qt para o desenvolvimento de software, dizem que o trabalho é bem mais fácil do que na época do Symbian.

Tanto tempo dando soco em ponta de faca com o Symbian e, quando finalmente uma luz (própria) aparece no fim do túnel, a Nokia o abandona e pega o túnel da Microsoft. Não me entenda mal: o Windows Phone parece sensacional. Mas dá um aperto no peito ver a Nokia, que sempre investiu uma baba em pesquisa e desenvolvimento e sempre se orgulhou de manter tudo "em casa", virar a casaca contra si própria. Havia lugar no mundo para um quarto cavalo no páreo dos sistemas operacionais móveis, só quem realmente precisava não percebeu isso.

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