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Microsoft revela mídia de cristal que pode durar mais de 1.000 anos

Parceria entre Microsoft Research e Warner desenvolve mídia de cristal duradoura e resistente; "Superman: O Filme" é primeira obra armazenada

06/11/2019 às 9:35

A Microsoft e a Warner não poderiam escolher outra obra: de maneira mais do que justa, Superman: O Filme (1978) é o primeiro a ser armazenado em uma nova mídia de cristal do Project Silica, que pode preservar dados por mais de 1.000 anos e é extremamente resistente.

Warner Bros. / Superman

O Project Silica é fruto de uma encomenda da Warner à Microsoft Research. O conglomerado de mídia solicitou à gigante de tecnologia o desenvolvimento de uma mídia capaz de armazenar o seu gigantesco acervo por centenas de anos para as gerações futuras, dessa forma, as unidades de armazenamento deveriam ser a prova de tempestades solares, pulsos eletromagnéticos e enchentes, entre outros contratempos.

A Microsoft já vem estudando formas alternativas de armazenas dados em mídias mais duradouras, com as pesquisas em DNA sendo as mais interessantes, mas a ideia de usar cristais não veio de Redmond. Tempos atrás, pesquisadores da Universidade de Southampton revelaram um novo formato, capaz de atochar 360 TB em um disquinho e até que se diga o contrário, tais mídias podem durar para sempre.

O Project Silica é um tanto diferente. A Microsoft desenvolveu pequenas lajotas de cristais de quartzo, com 75 mm de lado e 2 mm de espessura. Elas são mídias de gravação única, que dependem de um sistema complexo de leitura de dados, que usa microscópios, IA e aprendizado de máquina. De qualquer forma, o filme de 1978 foi gravado e lido de volta com sucesso.

Microsoft / Project Ignite / Superman

Lâmina do Project Silica, mídia em que o filme foi gravado

A Microsoft Research informa que as mídias do Project Silica são extremamente resistentes: em testes, as lajotas foram arranhadas, cozidas, fervidas em água, assadas em fornos convencionais a 500º C, colocadas em fornos de microondas, submetidas a campos magnéticos intensos, lixadas com esponjas de aço e etc., sem que os dados armazenados fossem danificados.

De acordo com a companhia, as unidades podem conservar os dados a mais de 1.000 anos; Ant Rowstron, vice-diretor do laboratório da Microsoft Research em Cambridge, diz que umas das coisas que sua equipe buscava eliminar era a necessidade de migrar os dados de uma mídia para outra com o passar dos anos. Assim, uma lajota pode ser colocada em uma prateleira e lida em 50, 100, 500 anos e tudo estará lá, impecável e sem se deteriorar.

A Microsoft não informou a capacidade de armazenamento de uma lajota do Project Silica, mas considerando o projeto de Southampton, especula-se que uma unidade da mídia tenha espaço superior a 1 PB (um petabyte). Se levarmos em conta que um filme em 4K ocupa em média 50 GB, cada uma poderia preservar no mínimo 20.000 filmes.

Como o Project Silica é uma mídia produzida sob encomenda da Warner, não se sabe se ela especificamente chegará ao mercado algum dia; de forma geral, as pesquisas de preservação de dados em cristal são voltadas a enormes montantes de informação sensível e dados os custos envolvidos, a novidade deverá permanecer restrita a corporações, institutos de pesquisa e governos, entre outros clientes de grande porte por um bom tempo.

Com informações: Microsoft Research.

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