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E não é que o Motorola One Vision é uma belezinha? [review]

Faz tempo que um intermediário não apresenta bom produto e com poucos erros

14/08/2019 às 19:21

O Motorola One Vision é basicamente a segunda geração do Motorola One, que foi o primeiro smartphone da marca com Android One, que é puro, limpo e sem aquele caminhão de aplicativos e coisas que as fabricantes amam colocar - as operadoras só pioram a situação, se você comprar com elas.

motorola one vision hero

Ele é um dos poucos smartphones fora da Samsung com processador Exynos, vem com 128 GB de memória interna e acerta em cheio em ser um intermediário com boa câmera. Falo aqui meu relato de uso por quaaaaaase 30 dias e já adianto que faz tempo que eu não encontrava um Android intermediário tão simpático e que acertou tanto onde apostou.

Primeiro contato

A caixa segue o padrão de celulares intermediários com Android e isso significa que ela tem alguns alertas pros recursos mais chamativos, junto de uma pequena representação do aparelho na parte traseira. Na frente a Motorola foi minimalista e só exibe seu próprio nome, junto com o nome Motorolaone e que eu me recuso a pronunciar “Motoroláune”.

motorola one vision caixa

Nela você tem um carregador TurboPower que você não vai querer perder, cabo USB, fones de ouvido e um mimo em forma de capinha de silicone. Certamente não é a que você vai utilizar durante todo o tempo que estiver com o One Vision, mas é garantia de proteção desde que saiu da loja, até o momento da chegada na loja de capinhas.

O Motorola One Vision é grande, mas não de forma desconfortável. Ele é um dos poucos aparelhos que aposta em proporção de 21:9, a mesma dos monitores ultrawide e quase que a mesma que o cinema utiliza em um número grande de filmes. Nas minhas mãos, que não são das maiores e nem das menores, a pegada me lembrou de um celular menor, que não tem 6,3 polegadas de tela.

A traseira em vidro, com plástico nas bordas, passa a robustez que ajuda ainda mais na pegada. Eu não tive a sensação de que o celular cairia, como acontece com aparelhos em proporção menos retangular e de mesmo tamanho de tela. Pra ajudar no corpo menos gordo, a Motorola ainda conseguiu diminuir ainda mais as bordas, deixando o notch do iPhone de lado e apostando forte em um furo na tela, que lembra bastante as telas de smartphones da Samsung - só que com o notch pro lado contrário que a Samsung utiliza nos Galaxy mais recentes.

motorola one vision traseira

A Motorola diz em tudo que é propaganda sobre este modelo que o foco aqui é cinema e a tela realmente ajuda, mas ela falhou em um ponto que pode ser perceptível pra um tecnochato como eu e você: o som é mono. Se a tela ajuda no envolvimento por não exibir nem mesmo barras pequenas, ela perde ao não colocar o áudio em cada lado. Isso pode ser chato e eu sei que é, mas se você segurar o smartphone de um lado e tampar a saída de som, já era a alegria do filme. Ou do jogo.

Se você vai resolver isso com um fone de ouvido, que foi o que eu fiz e é o que recomendo, a felicidade que sumiu volta: tem entrada pra fone de ouvido em padrão normalzão, P2 mesmo. Ah, quer mais felicidade? Então toma: se você é daqueles que curte bastante uma marca ao ponto de não comprar outro modelo de concorrente, saiba que o nome “Motorola” finalmente não está mais na frente do smartphone.

Sim, o Motorola One Vision é o primeiro da empresa que abandonou essa ideia chata de colocar propaganda da marca no campo visual do usuário O-TEMPO-TODO. Nem mesmo na traseira tem nome da empresa, só fica no logo e ele fica escondido dentro do leitor de impressões digitais.

Tela de cinema, só que pequena

motorola one vision tela

Vamos começar por uma única parte negativa: este display não é AMOLED. Se você convive bem com isso, o que é meu caso, então vem comigo que a tela realmente é boa. A Motorola é conhecida por não estragar telas de seus modelos e isso vale até pros Moto G, que são mais simples do que este aqui. No One Vision você encontra um IPS LCD de 6,3 polegadas e que exibe conteúdo em 2520 x 1080 pixels, com densidade de 432 pixels por polegada.

motorola one vision tela perto

Se espírito de algum xiaominion já gritou dentro da cabeça sobre a resolução, que não é 2K, veja bem de perto. Dá pra ver algum pixel aqui, meu querido companheiro?

Motorola One Vision pixels

Não! Mesmo com a vista colada é difícil notar algum serrilhado ou quadrado, e se você se esforçar pra encontrar, vai ter certeza que sua visão vai reclamar disso em pouco tempo. No uso cotidiano não faz a menor diferença, além de economizar bateria - o que é sempre bom.

Mesmo não sendo um display AMOLED, as cores são bem chamativas, com saturação forte. Eu realmente curto este tipo de força, mas se você não quiser, basta uma visita nas configurações pra arrumar isso em três níveis de saturação.

motorola one vision notch

O celular mais retangular do que quadrado também ajuda na reprodução de filmes, já que as barras somem com muito mais frequência. A única parte que me incomoda é o notch, que eu sei que está lá pra ajudar no trabalho de ter uma tela com bordas tão finas, mas que ainda assim é um obstáculo pra qualquer coisa que aconteça neste canto - sim, eu sei que a área está fora da área de segurança de filmagem, mas em filmes de terror o monstro matador de pessoas inocentes sempre aparece nestes cantos.

Android puro!

Se você quer uma experiência de Android puro em um smartphone que é vendido no Brasil em 2019, estará bem servido por aqui. Olhando por cima, na tela inicial mesmo, a sensação é de estar com um Pixel intermediário mais simples da vida. Isso inclui até mesmo o widget de dia da semana e previsão do tempo, que é fixo.

Eu realmente amo este visual e se você sente falta de alguma personalização, é só baixar um launcher diferente e pronto, resolvido. O mantra de “é só baixar lá” é o que segue pra outros pontos, já que o Motorola One Vision vem apenas com o pacote de apps do Google, junto de um equalizador Dolby Audio, um repositório de atalhos pra apps chamado App Box e o aplicativo Moto, ponto final.

Eu passo reto pelo equalizador, mas o Moto é interessante. Ele é o responsável por permitir aquelas firulas já antigas da Motorola, mas que fazem sentido, como girar o smartphone pra ativar a câmera (libera espaço na tela inicial pra outro ícone, por exemplo) ou balançar para ligar a lanterna.

motorola one vision rodando asphalt 9

Em desempenho, o Exynos 9609 de 2,2 GHz foi capaz de fazer até mesmo scroll veloz em timeline de redes sociais. Ter 4 GB de RAM ajuda até mesmo em jogos, como Asphalt 9, PUBG e Shadowgun Legends. Eles rodaram lisos e com todos os detalhes no máximo, dentro do que se espera de um intermediário e um passo ainda mais próximo de um topo de linha. Uma certeza é que este desempenho bacana não deve durar tanto tempo como em um aparelho bem caro, mas se você não pensa em ficar com o One Vision por mais do que dois anos, essa queda de força nem será percebida.

A bateria não entra na gama de elogios do aparelho, mas não por ser ruim. Ela entrega fácil um dia inteiro de uso, voltando pra casa com 30% de energia sobrando no tanque. É mais do que o suficiente pra grande maioria das pessoas, mas 3.500 mAh poderia ter recebido uns 500 mAh extras pra passar a régua em 4.000 mAh e dar uns 15% extras no final do dia, né?

Ao menos o carregador de tomada é dos rápidos...mas não entrega recarga rápida que você esperava. Pra completar a bateria o One Vision ficou na tomada por mais de 1 hora e 50 minutos. Imagino que recarregar em um carregador comum, de menor força, deve ser ainda pior.

A câmera surpreendentemente boa

motorola one vision cameras

O sufixo Vision neste modelo deixa claro que o foco da Motorola foi na câmera, que aqui é de duas lentes, mas apenas uma é utilizada de fato pelo usuário. Ela tem abertura de f/1.7 e o sensor é de 48 megapixels, mas as fotos sempre são de 12 megapixels. No primeiro momento eu pensei que isso seria apenas uma forma do time de marketing dizer um recurso que, na real não existe. Não! A ideia é de utilizar quatro pixels de uma só vez pra ajudar nos detalhes e diminuir ruído na imagem. Resultado: dá certo!

motorola one vision foto 1

motorola one vision foto 4

Em ambientes bem iluminados o alcance dinâmico trabalha bem na imensa maioria das vezes, os detalhes saltam aos olhos e a lente clara também ajuda no conjunto.

motorola one vision foto 3

As cores são reproduzidas com um toque extra (muito, muito sutil) de saturação.

motorola one vision foto 2

De noite a câmera impressiona menos, principalmente por tirar detalhes da imagem e deixar o asfalto mais liso.

motorola one vision foto noite

Foto noturna, no automático

motorola one vision foto hdr

Foto noturna, com Night Vision ativado

Repare nesta foto, agora com modo noturno (Night Vision) ativado, como o asfalto ganha textura. Isso me deixou curioso, já que a lente é clara o suficiente pra se sair um pouco melhor.

Motorola One Vision de noite

Sem Night Vision

Motorola One Vision com Night Sight

Com Night Vision

O modo noturno também faz aquela magia negra dos Pixel de do Huawei P30 Pro na hora de iluminar uma cena com pouquíssima luz.

Motorola One Vision bem de noite

Sem Night Vision

Motorola One Vision com Night Sight

Com Night Vision

Você precisa disso? Não, seus olhos também não conseguem ver tanto quanto a fotografia final, mas tá lá. Se quiser fazer como eu, que iluminei a sala apenas com este recurso de software, é só usar - eu jamais faria isso se não fosse pra um review.

Motorola One Vision sem Night mode

Sem Night Vision

Motorola One Vision com modo noturno

Com Night Vision

Um topo de linha faz melhor? Faz, mas a diferença é muito pequena. E se cheguei a pensar em comparar o Motorola One Vision com algum smartphone de categoria acima dele, isso significa que este tem uma das melhores câmeras de sua categoria. Eu realmente não me lembro de outro intermediário com resultados tão bons em fotos em quase que todas as situações.

Motorola One Vision de noite skyline

Com Night Vision fica uma belezinha

Principalmente em fotos noturnas com o Night Vision ativado.

Motorola One Vision retrato

Ah, a câmera secundária funciona apenas pra medir distância pro fundo desfocado e a lente frontal tem 25 megapixels, entregando ótimos resultados em selfies também - só que menos chamativos. Tá lá.

Vale a pena?

O Motorola One Vision é um intermediário bastante competente nas suas propostas. Ele tem uma das melhores câmeras que você pode encontrar quando pensa em um intermediário. A memória interna é de 128 GB, mas você pode expandir isso com mais. Eu acho que 128 GB é mais do que o necessário pra basicamente todo mundo e os intermediários concorrentes entregam, em média, metade disso.

O processador é o necessário pra rodar bem os apps e jogos lançados no ano de 2019, mas pode pedir mais fôlego pra respirar a partir do fim de 2020, mas o programa Android One garante que atualizações vão chegar mais rápido neste modelo e que a interface de usuário é limpa, tem uma sensação positiva de Android Puro.

motorola one vision caixa de lado

A tela é de cinema, mas o cinema fica sem som estéreo e com um furo em um dos cantos. Isso pode tirar parte desta premissa de envolvimento em filmes e jogos. Outro ponto que vai limitar a diversão é a bateria, que poderia ser maior.

Olha, no dia que estou publicando este review o Motorola One Vision já não é uma novidade de mercado e isso ajudou em seu preço. Ele foi lançado em maio de 2019 por R$ 2 mil e hoje, três meses depois, já é possível encontrar o smartphone por mais ou menos R$ 1,5 mil.

Meu palpite é: este é o intermediário mais importante de 2019, ao menos até agosto deste ano. Mesmo se brotar um intermediário ainda mais chamativo, o One Vision continuará dentro do topo dos melhores aparelhos do ano de seu lançamento. Como o preço já não é um ponto negativo, pode ir sem medo.

Se fosse pra gastar o meu dinheiro em um intermediário, seria nele.

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