500px elimina 1 milhão de fotos com licença CC de seus servidores

A história aqui é um reflexo do mundo capitalista. Muita gente está chorando, dizendo que é injusto, mas a máquina anda desse jeito mesmo. O 500px é uma rede social de fotografias. Tipo o Flickr, mas surgiu depois e angariou muitos fãs. A interface gráfica é interessante, a foto é mostrada em tamanho grande, e existe suporte para os metadados completos. Infelizmente ele nunca foi tão generoso quanto o Flickr ao liberar postagens infinitas e um espaço grande de armazenamento em seus servidores (lembrando que a conta free do Flickr oferece 1TB de espaço sem limitações de upload ou tamanho da imagem).

Algum tempo atrás eles lançaram o seu marktplace onde você poderia negociar suas imagens e também a possibilidade de marcá-las com a licença Creative Commons, uma espécie de licenciamento onde você disponibiliza sua imagem para uso comercial não remunerado, mas com algumas limitações como, por exemplo, a necessidade da citação do nome do autor da foto. Tudo lindo e maravilhoso, mas a empreitada comercial da empresa na venda de fotos não foi muito frutífera e, em fevereiro, foi anunciado que o 500px foi adquirido pela empresa chinesa Visual China Group, um grande banco de imagens que atua quase que exclusivamente em território chinês.

Todo mundo sabia que algumas mudanças seriam necessárias, mas ninguém esperava algo tão bruto. No mês passado foi anunciado uma parceria entre o 500px e a Getty Imagens que, teoricamente, é uma grande concorrente do grupo chinês que adquiriu a plataforma. Mas, o acordo entre as empresas aponta que a Visual China seria responsável pela distribuição e venda de imagens oriundas do 500px em território chinês e a Getty Images cuidaria dessa atividade no resto do mundo. Ontem, dia 1 de junho, a novidade é que a plataforma não mais aceitaria ou distribuiria imagens sobre licença Creative Commons. Ou seja, se você quer distribuir  suas fotos pelo 500px você tem que se adaptar às normas de vendas dos dois bancos de imagens.

Seguindo essa linha, durante essa noite, o 500px passou a apagar todas as fotos com a licença Creative Commons que existiam em seus servidores. Mais de 1 milhão de fotos deixaram de existir em 24 horas desde o anúncio da finalização do uso da licença. Muita gente reclamou, pois não foi oferecida a oportunidade das fotos continuarem no ar sem a licença e um espaço de tempo muito curto para que seus donos pudessem salvar suas fotos. E aposto que existia muita gente lá que utilizava o 500px como forma de backup, assim como no Flickr, o que deixa meio inviável salvar uma quantidade grande de fotos de uma hora para outra.

Jason Scott , que trabalha no Internet Archive , diz que os voluntários correram no último minuto para preservar todas as fotos do Creative Commons hospedadas em 500px, permitindo que 3 terabytes de fotos fossem salvos:

Segundo informações do próprio Jason Scott, e com a ajuda de dezenas de voluntários, 3TB de imagens com licença Creative Commons do 500px foram salvas com metadados completos e o Internet Archive vai organizar esse acervo e encontrar uma maneira de deixá-lo disponível na internet. Até Evgeny Tchebotarev, fundador do 500px se manifestou negativamente : “As decisões dos últimos anos me deixam muito perplexo”.

Nada mais do que a roda do capitalismo. A empresa é comprada por um grande banco de imagens que tem como objetivo vender imagens e ter lucro com isso. Não existe sentido em manter uma plataforma que fornece imagens para fins comerciais sem cobrança quando o seu negócio é justamente obter lucro nessa área. O que muda para o usuário normal do 500px? Muito pouco. Você vai continuar postando suas fotos sem a obrigatoriedade de licenciá-las para venda. Mas, sempre com a possibilidade de ganhar um dinheirinho com essa modalidade.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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