Apple quer vender filmes em 4K por US$ 20; estúdios querem mais dinheiro

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Steve Jobs teve que gastar muito latim até convencer os executivos de gravadoras que o então formato vigente de venda de músicas não mais se sustentava, e que era muito mais vantajoso para todos os envolvidos permitir que o consumidor comprasse uma faixa apenas se não quisesse levar um álbum inteiro. Com isso o iTunes revolucionou o mercado, mudou os hábitos dos usuários e também dos artistas e gravadoras, que tiveram que se adequar aos novos tempos à força.

Executivos de TV e cinema são tão cabeças-duras quanto os do cenário musical, senão mais. Eles não podem brigar com a nova realidade em que o consumidor quer tudo ao alcance de uma forma acessível e prática, sejam músicas ou filmes e agora estão de olho no formato 4K, que está consolidado tanto com a disponibilidade de dispositivos compatíveis quanto de serviços, como Netflix e derivados.

A Apple está um pouco atrás nessa corrida por não ter nenhum aparelho de streaming em Ultra HD no momento, embora haja indícios de que ela irá apresentar uma nova Apple TV com 4K no keynote que será realizado no dia 12/09 (em que os novos iPhones serão introduzidos).Sendo o quarto dongle/set-top box mais popular dos EUA e ficando atrás do Chromecast do Google, da fireTV da Amazon e do Roku ela precisa urgente de uma atualização principalmente de conteúdo. E isso implica em algumas mudanças e negociações.

Segundo informes a maçã pretende anunciar um grande, enorme catálogo em 4K junto com o lançamento da nova Apple TV e não apenas isso, também deseja fazê-lo com preços matadores: hoje um usuário dos EUA paga US$ 19,99 para adquirir um filme em qualidade Full HD, e a Apple deseja fixar o mesmo preço em produções na qualidade de 2160p.

Bom, desnecessário dizer que os estúdios de Hollywood não querem aceitar tal proposta nem ferrando. De acordo com as fontes os executivos acham que o preço é baixo demais e desejam não só manter os valores de filmes em 1080p inalterados (é bem provável que a Apple deseje reduzir o preço para fins de diferenciação) como querem que a maçã cobre de 5 a 10 dólares a mais no mesmo conteúdo em 4K. E vale mencionar que nem todos os estúdios estão dentro do projeto.

Isso não quer dizer que a Apple não tenha opções: ela estaria negociando diretamente com a Netflix, a Amazon e outras plataformas para que estas tornem seus apps de streaming compatíveis com a nova Apple TV, de modo a oferecer seus catálogos em 4K tão logo a nova caixinha seja apresentada. Isso forçaria os estúdios a rever suas estratégias e aceitar os termos da maçã, submetendo seus filmes por valores mais acessíveis. Isso sem falar em criação de conteúdo próprio como o spin-off da série Carpool Karaoke, o reality show Planet of the Apps e outras coisinhas.

Claro, só teremos a confirmação dos planos da Apple daqui a duas semanas, quando Tim Cook subir ao palco em Cupertino para revelar as novidades. Até lá ficam as especulações.

Fonte: The Wall Street Journal (paywall).

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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