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A modinha que se Cthulhu quiser nunca mais voltará: os Filmes Colorizados

Colorizar filmes foi uma péssima idéia que virou moda por um tempo. Fica a pergunta: será que vai voltar? Piorada? O bom-senso diz que não mas modinhas nunca dependeram de bom-senso.

3 anos atrás

casablanca-newly-colorized-edition-a3fe

Na eterna briga entre cinema e TV essa última recorreu a um truque para tentar aumentar sua audiência: recuperar velhos clássicos em preto-e-branco, colorizando-os para uma platéia que já nos anos 80 não gostava mais de assistir PB.

A colorização de filmes em si não é novidade, existe desde antes da invenção do filme colorido e sempre foi um imenso trabalho de corno, George Méliès criou versões de seu Viagem a Lua colorizadas, manualmente, pintando frame a frame. Fotografias são colorizadas desde antes daquelas fotos dos seus bisavós na parede.

Nos anos 80 essa técnica teve seu auge, com um monte de filmes “restaurados”, mas todos ficavam com cara de penteadeira de dama que troca favores por dinheiro. Na falta de referências muitas cores eram chutadas. Quase não havia nuances, era um festival de cores chapadas e uma palheta que faria um monitor CGA parecer uma foto em RAW.

Outras modinhas surgiram e se foram e voltaram. Filmes com efeitos práticos, o 3D, essas todas são cíclicas mas até agora a colorização parece não ter sido ressuscitada. Ainda bem. Veja Casablanca, como ficou.


eddies Movies77 — Casablanca (1942) Dooley Wilson - Knock On Wood, colorized

Há algumas hipóteses para essa moda não ter retornado, mesmo com a tecnologia atual produzindo resultados bem melhores. Imagino que não seja lucrativo. A quantidade de conteúdo hoje é grande demais, não há interesse em algo que é apenas um truque de circo.

As pessoas interessadas em assistir filmes antigos querem os originais, não versões “modernizadas”. Os fãs basicamente ignoraram a atualização de Star Trek, com efeitos visuais refeitos.

Irônico é que esse conteúdo antigo, feito em película é o mais “atualizável” para os novos formatos, sua resolução nativa segura tranquilamente VHS, DVD, Blu-ray, 4K ou 8K, mas a falta de cor o torna desinteressante para as novas gerações.

A colorização, sejamos honestos, nunca vai funcionar, e nem por limitações puramente técnicas. Um filme preto e branco é pensado em preto e branco, toda a estética, do figurino aos objetos de cena é pensada para o preto e branco. Veja esta imagem da Ingrid Bergman em Casablanca:

casablanca-40

O jogo de luz e sombra, a textura, é tudo pensado para preto-e-branco. Colorir essa imagem não a tornaria melhor, da mesma forma que transformar uma cena colorida em PB não a aprimora em nada.

Esperemos que a tendência se mantenha, mas não sou otimista. É capaz de não só colorizarem como resolvam reeditar os filmes antigos para o ritmo rápido que a juventude descolada de hoje gosta. E se você acha isso absurdo, lembre-se que alguns dias atrás no piloto do seriado do Jean Claude Van Damme ele participava de uma versão de Hucleberry Funn com o protagonista mulher. Uma clássica e absurda paródia calcada no exagero, certo? Era. Agora a NBC anunciou uma versão “sexy” de Oliver Twist com uma mulher no papel principal.

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