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Chupa Tesla: tecnologia da Fórmula E chega às ruas (not really)

O mercado de carros elétricos está aquecido, mas parece que a lição da Tesla ainda não foi entendida: os fabricantes continuam lançando carros muito caros pra sua categoria, com a desculpa da eletricidade. Um deles é a Mahindra, indiana que tem uma equipe de Fórmula E. Isso deve significa tecnologia de ponta e um carro incrivelmente avançado, né?

3 anos e meio atrás

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Esse brinquedo é um McLaren P1, É um híbrido, ecológico com capacidade de andar somente em modo elétrico. É basicamente um Prius, sem o ranço dos ecochatos. É o sucessor espiritual do McLaren F1, e traz um monte de recursos criados na categoria, como carroceria de fibra de carbono, KERS, sistema de redução de arrasto, IPAS e o ISPM — Industrial Stength Pussy Magnet. 

É um exemplo de como o automobilismo competitivo pode ser usado para avançar a tecnologia, que em média leva 10 anos para chegar nos carros de linha. Hoje acha-se sem muito esforço carros com a mudança de marcha em borboletas: um tempo atrás era exclusivo de modelos top.

Só que, claro, não estamos falando do P1.

Nosso carrão do dia é o indiano Mahindra Reva E20. Esse bólido aqui:

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Essa coisa linda é fruto da Mahindra, que também é responsável pela Mohindra Racing, equipe do Bruno Senna. Em teoria é o fruto de anos de pesquisa e experimentação que levaram à Formula E, a categoria que vai salvar o mundo das cáries com seus carros ecológicos. Na prática?

Bem, na prática a Formula E só fica emocionante depois que você coloca o player do YouTube em velocidade 2×, e é uma categoria tão Tumblr, tão cheia de floquinhos frágeis e sensíveis que o pit stop tem tempo mínimo permitido, para garantir a segurança dos pilotos. Que fofo.

Ao menos uma coisa eles mantiveram: o carro “derivado” da Formula E tem performance bem pior que o veículo de competição, isso é justo. Mas sendo honesto, o Mahindra E2O sequer é derivado da Formula E. É puro marketing.

Ele é derivado do REVAi, esta abominação aqui:

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Essa foi um dos veículos elétricos mais vendidos do mundo, com 4.800 unidades. Em 2006 foi o recordista no Reino Unido. Em 2008 se tornou o carro elétrico mais vendido na história do Reino, com incríveis 950 unidades. Quem diria que havia tanto hipster e ecochato por lá.

O Mahindra E2O traz todas as inovações e lições aprendidas com o REVAi, e vai revolucionar o mercado indiano com… — nah, desculpem, não dá.

Vendo as especificações no site, é de chorar. Esse troço que jura ser um hatchback para 4 passageiros vem com tudo que um carro moderno costuma ter, exceto que algumas coisas são opcionais, como:

  • sistema de entretenimento;
  • CD/DVD/MP3;
  • Bluetooth;
  • conectividade para iPod;
  • câmera de estacionamento.

Calma que melhora. Vamos falar de performance, aquilo que os haters odeiam que eu comente sobre a Formula E, ainda mais quando lembro que Superkarts superam em potência velocidade e emoção.

Qual a performance do E2O? Sendo honesto, não é grande coisa. A velocidade máxima é de 81 km/h. A autonomia é de 120 km em condições de teste. Sem ar condicionado. Isso mesmo, um carro para o mercado indiano, sem ar condicionado, exceto na versão luxo.

Essa coisa foi lançada no final de 2013, em vários países e acumulou o mesmo número de vendas que o Tesla 3, 400 mil, se você tirar o mil. Isso mesmo, ele vendeu incríeis 400 unidades. Mesmo assim a Mohindra insiste, mas cai no erro que todos os carros elétricos exceto os da Tesla cometeram: cobram muito caro por um carro que sem a eletricidade seria bem mais barato.

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Isso dá US$ 22.738,00.

Vejamos um carro convencional, da Tata Motors, que apesar do nome é uma gigante automobilística indiana. Que tal o… Tata Tiago. (eles são ÓTEMOS em nomes)

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Bonitinho, honesto, parece uma Palio. Esse modelo é o Revotorq, diesel, motor 1,0 L 3 cilindros, com Air Bags duplos, Bluetooth, trio elétrico, etc. Quanto custa? 394.500 rúpias ou… US$ 5.931,70.

Pior que vão achar ingleses ecochatos endinheirados que pagarão esses 22 mil dólares. Já os indianos, bem… lá sai mais barato. Lá o carro custa apenas US$ 10.562,26. Sim, basicamente dobro de um Tata Tiago.

A Mahindra está seguindo realmente o espírito da Formula E: está 10 anos defasada, mas por causa de uma meia-dúzia de fãs fanáticos acha que estão criando o futuro, quando apenas requentam idéias velhas e falham em perceber o principal problema da adoção dos carros elétricos. Nem é exclusividade deles, a GM vai pelo mesmo caminho. Da Mahindra pode-se dizer o mesmo que o Electrek falou da GM:

Em outras Palavras: a GM está criando um carro de US$ 37.500 que venderia por US$ 20 mil se não fosse elétrico, enquanto a Tesla está criando um carro de US$ 35.000 que venderia por US$ 35 mil se não fosse elétrico”.

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