Home » Web 2.0 » Sem surpresa, gravadoras querem mais dinheiro do YouTube

Sem surpresa, gravadoras querem mais dinheiro do YouTube

CEO da RIAA ainda quer que o YouTube pague mais pelas músicas que executa, e diz que DMCA precisa mudar para manter vídeos derrubados fora do ar.

3 anos e meio atrás

katy-perry

A gente sabe que os executivos de gravadoras estão entre os profissionais do mercado corporativo menos evoluídos da existência, estando parelhos com os executivos de TV. sua ignorância e incapacidade de evoluir só não é maior que sua fome incessante por dinheiro, e por causa disso elas vêem o advento da música digital, iniciado em 1998 como uma séria ameaça a seus negócios.

De lá para cá a RIAA, a associação norte-americana que representa as gravadoras e músicos fez de tudo para proteger seus negócios e arrancar o máximo de dinheiro de quem quer que fosse, mas nem todo mundo se sujeita. Um desses é o Google, que através do YouTube lucra bastante com vídeos e músicas mas sempre foi um alvo do grupo: antigamente a reclamação era de que o site não repassava nada, principalmente no que diz respeito a royalties (que ela continua não pagando).

Hoje a reclamação é um pouquinho diferente: o YouTube repassa pouco dinheiro e as gravadoras querem mais. No mês passado, ao analisar a receita do mercado musical a RIAA deu de cara com uma realidade desagradável, o streaming é aonde o dinheiro está hoje. De um mercado que arrecadou US$ 7 bilhões nos EUA em 2015, US$ 2,4 bilhões vieram do YouTube, Spotify, Deezer, Rdio e similares. Isso representa 34,3% do montante; a venda digital de músicas fica com 34% do total e as vendas físicas, com 28,8%. Os direitos de sincronização respondem pelos demais 2,9%.

screen-shot-2016-03-22-at-12-42-56-pm

O relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) jogou mais lenha na fogueira: o mercado global arrecadou US$ 15 bilhões no ano passado, com o streaming crescendo 45,2% e abocanhando 19% do bolo, impulsionando o crescimento do setor em 3,2%. De consumo digital ele já responde por 43% do consumo, contra 45% das vendas digitais. A previsão é que os usuários de streaming em 2016 ultrapassem aqueles que preferem comprar suas músicas no iTunes e etc.

Óbvio que a RIAA está fula da vida com o dito pouco dinheiro que recebe e o alvo principal de seu ódio é o YouTube, porém os representantes têm outro abacaxi para descascar: o DMCA. Da forma como a Lei dos Direitos Autorais foi cunhada em 1998 protege serviços como o pertencente ao Google, que lucra bastante com o formato de vídeos hospedados pelos usuários a repassa parte dos ganhos na forma de ads, que é a mesma fonte de dinheiro principal das gravadoras. Queixas passadas levaram Mountain View a rever de forma relutante os contratos com os três principais selos (Warner, Universal e Sony) e passar a pagar valores mais gordos. Isso foi necessário até para manter os planos do YouTube Red, que viria a ser lançado no fim de 2015: de nada valia oferecer um serviço sem propagandas se os músicos mais procurados decidissem remover seus vídeos.

Ainda assim eles querem mais. Em entrevista o CEO da RIAA Cary Sherman explicou que o Modus Operandi do Google na hora de negociar novos contratos (o prazo de expiração está se aproximando) é o seguinte: "isto é o que podemos pagar, queiram ou não. Se não quiserem ótimo, vocês sabem que os usuários subirão os vídeos, vocês irão notificar, nós derrubaremos e eles irão subir de novo. A escolha é de vocês, ganhar um pouco com os vídeos ou continuar mandando notificações", o que não é muito diferente do mafioso oferecendo proteção (do no evil my ass). Mas Sherman não defende apenas um maior pagamento dos serviços de streaming, principalmente do YouTube (que para variar ele ainda vê como insuficiente), mas também uma mudança na regra de notificação e takedown do DMCA.

Segundo o executivo, num cenário ideal a partir do momento que um vídeo recebe uma notificação de retirada do ar, o sistema do YouTube seria obrigado a não só derrubar todos os iguais de outros usuários como blindar o site de forma a recusar o upload posterior por outra pessoa. Isso implicaria um grande investimento para o aprimoramento dos algoritmos de ID Match não só do Google, como também de outros serviços. Para isso o DMCA teria que mudar, o que Sherman defende como necessário já que "a internet de 2016 não é a mesma de 1998".

Até entendo que o que o Google faz não é lá muito ético, mas também não dá para dizer que o mundo mudou e as gravadoras também precisam entender isso: as pessoas não mais consomem música como antigamente, e mesmo que estas tenham evoluído um pouquinho e venham a reconhecer o valor do streaming, sua sanha em sempre querer mais dinheiro pode por tudo a perder: num cenário onde elas decidam que tais serviços não terão mais direito a suas músicas porque eles não pagam o bastante, o público poderá sempre contar com a Locadora do Paulo Coelho.

Fonte: re/code.

relacionados


Comentários