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Desculpem vegans — nada de Marte para vocês

Plantar batatas dificilmente será atividade dos futuros exploradores de Marte. A comida deles virá pronta, e não terá nada de especial. Ao menos no sentido de atender a dietas exclusivas. Isso mesmo: segundo uma Cientista de Alimentos da NASA, não haverá espaço para astronautas veganos ou com outras restrições alimentares. Show, mais espaço pro bacon.

4 anos atrás

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Houve algumas tentativas da PETA de promover a idéia de que futuras expedições a Marte deveriam ser vegans, mas a verdade é que a maioria das pessoas adora um filé, e carne tem uma vantagem específica em relação a vegetais: muito mais densidade energética. Você só sobrevive em Marte comendo batatas se for por absoluta necessidade

Há um outro problema para os futuros astronautas vegans: as refeições precisam ser feitas e embaladas na Terra, e isso custa muito dinheiro. Elas são intercambiáveis, todo mundo precisa comer tudo. Como explicou Vickie Kloeris, cientista de alimentos da NASA, a comida precisa ser nutritiva, gostosa e servir para todos os astronautas.

As refeições são importantes do ponto de vista psicológico, por isso come-se tão bem em submarinos e plataformas de petróleo. Foi-se o tempo em que astronauta comia comida de bebês em tubos de pasta de dente.

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A restrição não se limita a vegans. Também não é viável criar cardápios específicos para intolerantes a glúten ou lactose, ou dietas alimentares de cunho religioso. Isso significaria produzir todo um cardápio específico para cada grupo desses, coisa que mesmo empresas aéreas só fazem sob solicitação e aviso-prévio.

Agora a melhor parte: além de não ter restrições alimentares os futuros colonizadores de Marte precisarão ser escolhidos entre pessoas que dormem tarde. O motivo? Um conjunto de 20 mil neurônios chamado Núcleo Supraquiasmático.

Ele é o nosso relógio interno, que regula o ciclo de 24 horas do nosso ritmo cicardiano.

Graças a ele o corpo sabe a hora que deve estar mais alerta. Por isso mesmo quando a gente vira a noite trabalhando, está caindo pelas tabelas no começo da manhã, engrena num ritmo absolutamente normal durante o dia e só vai desabar de noite quando chegar na hora de dormir.

O corpo usa diversos recursos para regular o ritmo, o relógio interno trabalha com inputs como temperatura e níveis de iluminação. Na Estação Espacial seguem um ritmo de 24 horas, com a luz reduzida nos períodos “noturnos” mesmo que tecnicamente o dia deles dure 80 minutos. 

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Marte tem um inconveniente que só será resolvido em alguns milhares de anos com engenharia planetária: seu dia dura 24 h 37 min. As equipes da Terra que cuidam de missões marcianas chutam o pau da barraca e passam a viver no Horário de Marte, o que causa um verdadeiro inferno em suas vidas. Imagine você chegar todo dia 37 minutos mais tarde, pra pegar o começo do dia em Marte.

A grande sorte é que como biologia é essencialmente um monte de exceções empilhadas, há pessoas cujo relógio interno trabalha com dias de menos de 24 h, e gente que trabalha com um pouco mais. Pessoas que dormem tarde tendem a ter seus “dias” internos maiores que 24 h, como comprovado em experimentos onde fatores externos são removidos e o sujeito acaba caindo num ritmo próprio.

Gente com ritmos de 24 h 15 min, 24 h 30 min terão muito mais facilidade de se adaptar a um ritmo de 24 h 37 min do que pessoas 100% adaptadas ao ritmo terrestre. Só espero que esse pessoal que dorme tarde come de tudo e é muito ativo não seja gamer. O ping de Marte é um lixo.

Fonte: Popular Science.

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