Windows 8–Primeiras Impressões

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Quando o Windows 8 foi anunciado eu fiz o teste; baixei e instalei no netbook, e realmente como haviam dito, ele funcionava naquela carroça. Depois disso não dei muita atenção. Não acho graça em avaliar betas, então deixei pra lá.

Sei que há gente que só instala sistemas operacionais depois que sai o primeiro Service Pack, mas não chego a tanto. A versão final está boa pra mim. E no caso, como está!

Sei que todo mundo odeia spoilers, mas vamos lá: É como se fosse um iPad produtivo.

Não que não dê para ser produtivo em um iPad, eu sou, mas demanda esforço com o 8, dá pra conviver com a fluidez e objetividade de um tablet, E a complexidade de um desktop. A integração está longe de ser perfeita, claro, mas o Windows 8 é mais que uma promessa. É uma realidade que já é boa mas vai melhorar mais ainda.

Vamos aos vários pontos, de forma desconectada, pois ainda estou começando a desvendar o bicho. Instalei no Sábado de tarde, e já saí usando. Quem quiser pode ignorar toda a interface nova, tratando-a como um launcher afrescalhado, e continuar com os mesmos programas de sempre. Aquelas reclamações todas? Muito mimimi por pouca coisa.

 

1 – O Sistema

A máquina já rodava bem o Windows 7, só sofreu um upgrade de HD para o 8, então a configuração ficou assim:

  • Sistema Operacional: Windows 8 Pro 64Bits
  • Placa-mãe: Asus M4N68T-M
  • RAM: 8GB DDR3
  • CPU: AMD Athlon II X2 240 2.8GHz
  • HD1 – SSD Kingston SV200S364G de 64GB
  • HD2 – Samsung HD103SJ – 1TB

Instalei no SSD o sistema operacional e o Office, além de algumas miudezas. No momento estou com 20GB livres. Ficou um avião. Calma que merecerá post isolado.

1.1 – A Instalação

Nada daquele inferno de conflitos de IRQ, Windows entrando em modo VGA e placa de rede tendo que ser colocada em modo NE2000 para poder acessar o site do fabricante e baixar o driver. O Windows 8 reconhece tudo, TUDO. O Windows 7 também funcionou assim, mas é sempre uma boa surpresa, ainda mais para quem vive as Eras Negras Sombrias da Microinformática. IRQ NUNCA MAIS!

Depois de dizer ao instalador onde o sistema deveria morar, o resto foi basicamente automático. Ao final você pode escolher entre uma conta local ou um login Live. Eu preferi o Login da Live, fica mais fácil para integrar com os serviços de nuvem da Microsoft.

Mais adiante você pode configurar o login por imagem, que exibe uma… imagem (dã!) e rastreia os movimentos de mouse. Beeeeeem mais complicado de ser adivinhado do que uma senha de texto.

Do nada, sem aviso, sem fanfarra, a instalação termina e você é jogado de cara com a nova interface. A vontade de encostar nas Live Tiles, Telhas do Mal ou seja lá como estejam chamando os ícones animados futuristas do Windows 8 é grande demais.

O layout de tela horizontal foi resolvido com a roda do mouse. O scroll é MUITO rápido. O desejo de esticar a mão ainda está lá, mas se resolve TUDO com o mouse, muito bem. Confesso que estou pensando duas vezes em comprar aquele touchpad da Logitech. Simplesmente não é necessário.

A performance, claro, não é culpa só do SSD. O Windows 8 está BEM enxuto, até o Chrome, aquele monstro comedor de memória, roda bem nele, mas mais importante do que rodar bem, é como tudo roda. O fluxo de uso foi alterado para sempre (se você quiser). A quantidade de informação foi alterada, a gente só chafurda em sub-sub-menus se quiser. No dia-a-dia é tudo mais limpo:

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2 – A Interface

Aos poucos você vai colocando seus dados de redes sociais, e percebe que seus perfis e contatos se integram ao Windows 8. Entre as aplicações nativas há uma espécie de timeline que unifica Twitter, Facebook, etc. Você clica e tem as atualizações de seus contatos exibidos com uma elegância que um ano atrás ninguém esperaria da Microsoft:

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A Microsoft já fez experiências com canais antes, se não me engano era o Windows 98 (ou o 95?) que vinha com uma aplicação esquisita que tomava o desktop e em teoria faria push de informações e notícias, mas só não digo que o negócio era um câncer pois câncer evolui.

Hoje o Windows 8 vem com aplicações de informações financeiras e notícias em geral que somente um ser desalmado não acharia lindas. Veja a de notícias:

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Aqui a exclusiva para esportes. Parece que tem um número razoável de pessoas que liga pra isso…

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Claro, nem tudo existe no formato novo. Na verdade as aplicações Metro Windows 8 são uma minoria, mas isso não é uma desvantagem. Veja bem, ele roda TUDO que o Windows 7 rodava. Seus programas não pararam de funcionar. É como se você trocasse o iPad por um com Retina Display. As aplicações antigas rodam do mesmo jeito, só não aproveitam os recursos da nova plataforma.

3 – O Modo Desktop

A grande dúvida era como alternar entre os modos de operação. Se alguém falasse que era peciso dar boot, eu não duvidaria. Felizmente não é assim. É bem mais simples, e não chega nem a ser “alterar a interface”, você navega entre as duas o tempo todo. O segredo é a tecla Windows. Sim, FINALMENTE ela se mostrou útil.

Windows+TAB te mostra as aplicações Windows 8 rodando em background. ALT+TAB funciona como… ALT+TAB, mostrando todas as aplicações, e a tecla Windows isolada alterna entre aplicação desktop que você está usando e o modo Metro. Simples assim. Aperte Windows, acabou.

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4 – O que funciona

Algumas coisas do Windows 8 foram adições maravilhosas, e farão o fluxo de trabalho até de gente desorganizada como eu melhorar muito. Outras são puro eye candy, mas se eu quisesse um sistema operacional feio usaria Slackware. Vejamos então o que é bom no Win8:

4.1 – Charms

A Microsoft criou, depois de evoluir muito o bom e velho OLE, o conceito de Charms, onde uma aplicação se registra para manipular um determinado tipo de dado, e você pode passar informações para ela sem sair do programa principal.

Um exemplo: Digamos que eu esteja na Aplicação de fotos. Achei uma imagem e quero enviar para o Twitter. Eu já baixei um cliente, então teria que abrir o programa, selecionar a opção de escrever um novo twit, selecionar adicionar imagem, ir até onde eu lembro que estava o arquivo, selecionar e enviar.

Com os Charms, eu apenas seleciono o canto superior direito da tela, clico em compartilhar, escolho o meu cliente de twit e ele se espreme na tela e me dá a opção de escrever a mensagem que acompanhará a imagem.

 

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4.2 – A Interface

Eu sou macaco velho com esse negócio de interface. O Windows Mobile era horrendo, então um belo dia a HTC apareceu com o Touch, um smartphone lindo, minúsculo com uma interface linda. Aí descobrimos (depois de comprar) que ela era menos que um skin, se resumia a uma aplicação de capa, TUDO era da mesma velha forma de sempre.

Foi uma grata surpresa ver que o ex-Metro já está sendo usado de forma correta e elegante por gente séria. O Netflix mudou da água para qualquer coisa com álcool, que é naturalmente muito melhor do que água.

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4.3 – Bing e Internet Explorer

Eu sei, eu sei, eu sei, é sacrilégio, mas o IE10 está excelente, e o Bing se mostrou muito mais que um buscador capenga. Vai da parte de notícias e indicadores, chegando até aos mapas, com tecnologia Nokia. A gente bate de cara com Bing o tempo todo no Windows 8, e raramente é uma experiência traumática.

Se você quiser pode perfeitamente usar o Google E o Chrome (há uma versão para download na Loja do Windows 8), mas pela primeira vez é muito mais questão de gosto do que necessidade.

4.4 – A Loja

É a realização de um sonho; baixar aplicações sem ter que ficar desviando de malware, e atualizar tudo de uma vez, sem burocracia (estou olhando pra você, Ubuntu e Inferno das Dependências). Achar programas no Windows 8 agora é tão simples quanto em um Mac ou iPad. Com boas chances de não ganhar uma infecção viral no processo.

5 – O que não funciona

Nem tudo são flores no Windows 8. Ninguém acerta do primeiro pulo, e tradicionalmente os sistemas da Microsoft ficam supimpa no primeiro Service Pack. Há exceções, como o Windows 7, mas não é a regra. Vamos ver então o que precisa ser melhorado:

5.1 – A Loja

A Microsoft se recusou a dizer especificamente quantos aplicativos há na App Store brasileira do Windows 8. O motivo foi pura vergonha. Claro, não chegou ao nível do Android para tablets, que foi lançado com menos de 100 aplicações, foi zoado pela Apple depois descobriu-se que não eram 100, eram 14.

Mesmo assim, é um deserto. O ecossistema ainda tem muito, MUITO o que crescer antes da interface do Windows 8 chegar a algum lugar. Por outro lado, a boa notícia é que as Apps de fora instalam na loja brasileira, mesmo não estando disponíveis na busca. Um exemplo é  o News Bento, um leitor de RSS pra lá de simpático e elegante.

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5.2 – Integrações Sociais

 

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O Windows 8 nem sempre consegue acompanhar as atualizações. Ele levou muito tempo para ler meu feed do Flickr e vários sets vieram vazios. As atualizações em segundo plano funcionam melhor com aplicativos de terceiros com que com os nativos. Se eu fosse facebookeiro como alguns loucos que conheço, teria que depender do site.

Isso se tornará um problema sério, com a adoção em massa do Windows 8. Se o Twitter já ficou de joelhos com a integração do Twitter ao iOS, imagine com o Windows.

5.3 – Emails e Calendários

As ferramentas nativas são muito legais, mas não sincronizam com o iCal. Nos tempos de hoje não dá para ignorar a existência da Apple. Poder sincronizar agendas e calendários entre dispositivos é essencial. Há a opção de sincronizar com contas do Google, e delas sincronizar com o iCal, mas isso lembra os antigos e insatisfatórios tempos do Palm, onde chegávamos a pagar por aplicações de sincronia.

5.4 – A Esquizofrenia das aplicações duplas

As duas interfaces simultâneas são uma solução bem legal, mas em alguns casos há uma versão Windows 8 e uma versão Windows Windows rodando ao mesmo tempo. Levei um bom tempo até descobrir que tinha dois Chromes. Isso é muito confuso.

5.5 – O Suporte marromeno das aplicações da própria MS

O Windows Live Writer, que estou usando agora, não está nada kosher. Está funcionando, com algumas coisas não funcionam. Não consigo redimensionar imagens com o mouse, e colocando os valores manualmente ele altera sozinho para outro número qualquer. Estranho.

Se ocorre com o WLW, provavelmente acontece com outros programas. Algo foi mexido em alguma biblioteca, que não disparou alarmes na equipe de QA da Microsoft. Agora terão que correr atrás.

6 – Aquilo que você queria saber

A primeira coisa que todo mundo pergunta quando sai uma versão nova de Windows é “os jogos funcionam?”. Faz sentido, Jogos consomem muitos recursos e exigem bastante do sistema operacional.

Como reinstalei a máquina do zero, não tinha praticamente nada no Steam, mas sem interesse nenhum, apenas pelo MeioBit baixei de novo o Arkham City. O resultado?

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Funciona redondinhos.

Conclusão

Pelo que pude ver e usar nesses dias o Windows 8 é um caso raro: Um sistema operacional promissor que já atende muito bem. Só o ganho de performance já vale os R$69,00 do upgrade. Quem quer comprar um tablet ou ultrabook com tela de toque, não tem opção. Ele é o único sistema operacional que não subutilizará seu hardware.

Quem tem medo de não ter tela de toque, não tenha. O mouse funciona muito, muito bem.

Fará sucesso? Diz o Ballmer que a procura está sendo maior que a do Windows 7. seja lá o que isso signifique. Não dou bola pra turma do “eu amo XP”, é gente que vive literalmente no passado, mas a migração pro Windows 8 é muito mais traumática, ao menos na teoria. (na prática não é).

A Microsoft continuará disponibilizando Windows 7 para integradores, mas não é interesse deles, pois querem vender os novos e lindos computadores “Windows 8”. SE a rejeição for grande demais, eu aposto duas Narjaras Turettas e um saco de pitombas que a Microsoft já tem um patch pronto, que mata o Metro, reinstala o Menu Iniciar e não se fala mais no assunto.

Portanto, apostar no Windows 8 é apostar no futuro, mesmo que o futuro não aconteça.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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