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Como vamos (talvez) morrer horrivelmente em 2040 nas mãos de um Asteroide Assassino

Por em 29 de fevereiro de 2012

Os primeiros fragmentos atravessam Justin Bieber a uma velocidade de 69 mil Km/h. O cérebro sequer tem tempo de registrar a dor, antes de ser atomizado pela onda de choque do impacto, que equivale a 517 Megatons, mais poderoso que a Tsar Bomba, a arma nuclear mais poderosa já projetada, com 100 Megatons teóricos e 57 em seu primeiro e único teste.

Uma cratera de 3,95Km de diâmetro marca o local da explosão. Inicialmente com 1,19Km de profundidade, quando toda a terra lançada para o alto cai de volta a cratera termina com apenas 447m.

133 milissegundos após o impacto é formada uma bola de fogo de 2,54Km de diâmetro, 48 vezes mais luminosa que o Sol. No Centro do Rio, 25Km do ponto de impacto você sente o equivalente a um terremoto de 6.4 na Escala Richter. Se estivesse na rua, a radiação térmica causaria queimaduras de 3o grau nas áreas expostas do corpo. Jornais, árvores e grama pegam fogo. Ronaldinho, o garçom aumenta o ar-condicionado.

1,19 minutos depois do impacto fragmentos de 1m de diâmetro começam a cair à sua volta. Mais um motivo para não sair do bar. Você, sabiamente pede outro chopp, mas não dá tempo de ele chegar.

Um vento de 442Km por hora atinge sua posição, com 1,26 minutos decorridos. O som da explosão, com 96dB tem potencial de causar danos auditivos, mais uma desculpa para os garçons te ignorarem.

à sua volta um número incontável de vítimas, dezenas de prédios caídos, carros atingidos por fragmentos da explosão, incêndios por toda a cidade. Em seu iPad 5 (depois que viu que não tinha concorrência a Apple desistiu de lançar modelos novos) você acessa os sites de notícias, descobre que o asteroide obliterou o elenco inteiro do show. Respirando fundo, sabendo que provavelmente está aspirando alguns átomos ex-Bieber, você olha para cima, pisca o olho e diz: “valeu!”.

Esse cenário, por enquanto fictício, pode muito bem se tornar realidade.

Todos os dados acima foram retirados do Simulador de Impactos da Universidade Purdue, utilizando dados relativos ao Asteroide 2011 AG5, Embora os dados ainda estejam incompletos projeções de sua órbita mostram que em 2040 ele terá 1 chance em 625 de atingir a Terra, tornando-se o asteroide mais perigoso de sua categoria. É o tipo de impacto que acontece uma vez a cada 40 mil anos, mas nada impede que essa seja a boa.

Por enquanto a NASA classifica as chances de impacto em 1 na Escala Torino, mas muita gente está ficando preocupada. Não com o 2011 AG5 em especial, mas com os milhares de objetos ainda não identificados que podem ser avistados a meros dias de um impacto, deixando pouco ou nenhum tempo para que tomemos providências.

Dificilmente um asteroide capaz de gerar um ELE – Extinction Level Event passaria despercebido, mas um corpo errante, com 140m ou mesmo 20m, que seja, é suficiente para estragar o dia de muita gente. Um asteroide de 20m atingiria o solo com potência de 1,6Megatons, 11 Hiroshimas. Nada bom.

O perigo desses impactos foi descrito por Arthur Clarke em vários de seus livros, em especial no (excelente) O Martelo de Deus, onde cita a criação do Projeto Spaceguard, para monitorar e catalogar o maior número possível de objetos.

Hoje vários projetos assumiram o nome, e levam adiante o trabalho, mas com pouca ou nenhuma verba. Buscar por asteroides perigosos só perde para SETI em termos de projeto que ninguém financia.

O argumento de que coisas que acontecem muito raramente nunca acontecem agora foi deitado por terra quando em Julho de 1994 o cometa Shoemaker-Levy 9 foi descoberto em rota de colisão com Júpiter. TODOS os modelos teóricos diziam que o Sistema Solar já estava estabilizado, que tudo que era pra ter colidido (com tamanho razoável) já havia colidido.

O cometa não sabia disso, e depois de se fragmentar tornou-se uma fileira de fragmentos de até 2Km de diâmetro, estendendo-se por 12 mil Km. O impacto teve uma energia equivalente a 6 milhões  de Megatons. O vídeo é lindo e assustador, quando você entende a escala:

OK, o assustador MESMO é saber que mesmo que desenvolvamos tecnologia para desviar asteroides em órbitas perigosas, qualquer coisa maior que alguns quilômetros está além de tudo que podemos sonhar poder controlar.

Não adianta mandar o Bruce Willis com armas nucleares, uma chuva de fragmentos tem o mesmo efeito que um asteroide inteiro. Nada que a gente tenha, que exploda, afeta um cometa com dezenas de Km de diâmetro, e a maioria dos planos, como velas solares ou puxões gravitacionais demanda tempo, coisa que cometas não costumam oferecer.

Talvez Civilização seja aquilo que acontece entre Grandes Impactos.

fonte: PS

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Site | Twitter
  • MBSjnr

    :: Ao ler o livro “Breve História de Quase Tudo”
    descobri que near-miss com asteróides é um
    evento mais comum do que parece e que um
    desses não seria em nada estranho.

    Aparentemente, estamos na prorrogação de
    tempo entre grandes impactos.

  • http://www.facebook.com/marcilioreis Marcilio Reis

    Cara, eu normalmente te detesto (Não você, teu personagem, bah tu entendeu…) , mas esse teu texto foi a coisa mais sensacional que eu já li nos ultimos meses. Parabéns!

  • AndersonCavalcanti

    Ótimo, 2040, não agendar nada depois disso. Anotei mentalmente “…talvez Civilização seja aquilo que acontece entre Grandes Impactos…” ao lado de “…vida é aquilo que acontece quando você tem dinheiro…”.
    E juntar Bieber, Calypso, etc e garçons cariocas nem precisaria de meteoro. Não, esquece. Precisa sim…

  • Humberto Henrique

    Nada q um bunker não resolva.

  • http://profiles.yahoo.com/u/FWN2ANUTZPJOBTZ53KS4GXJI5M Ivan

    Ainda é clara a falta de domínio no uso da vírgula (marca registrada do autor), e é preciso relevar alguns detalhes. No entanto, ao contrário da esmagadora maioria do que escreve, o texto em itálico ficou muito bom!

    O que aponta um importante fato: o futuro do autor é muito mais promissor no universo das crônicas do que nas tentativas de formar opinião.

    • jeanvet

      o cara não posta nada para ser julgado ou avaliado, simplesmente posta para entreter seus leitores. Isso qui nao é um vestibular, e se fosse, com certeza você não estaria na bancada de correção.

    • http://www.meadiciona.com/charles_anjos Charles Albert

      Nossa cara, como você é importante! Posso ser como vc quando crescer?

  • http://www.facebook.com/drfranca Daniel Ribeiro França

    “Talvez Civilização seja aquilo que acontece entre Grandes Impactos.”
    Essa frase é sua? Tá de parabéns…

  • http://www.vidadegamer.com.br/ Dori Prata

    Texto brilhante Cardoso, parabéns!

  • http://www.facebook.com/people/Renan-Costa-Sousa/1059888025 Renan Costa Sousa

    Só pra dar uma idéia do estrago… Alguns dos buracos que o cometa abriu na atmosfera de Júpiter eram mais largos do que a Terra.

  • Cezar Castro Rosa

    Texto em itálico fantástico, parabéns.

  • PredadorJrk

    A sua forma de escrever daria bons contos, lembra o solano descrevendo Fallout e um pouco do Guia. Gostei! Aguardo pelo cometa.

  • http://sinapseslivres.com.br Guilherme Macedo

    Uns tempos atrás apareceu um em Torino 2. Não deu nada. Esse classificado em Torino 1 então…

  • Efraim Gon

    Sério que uma das tags desse post é “#bieber”? Haha.

  • Jean Rafael Tardem Delefrati

    Tudo bem, o mundo vai acabar dia 19 de janeiro de 2038 mesmo…

    * pelo menos é isso que meu Linux 32 bits diz.

  • http://www.facebook.com/people/Brunno-KicKer/100001807780046 Brunno KicKer

    Muito bom!! Depois de se matar de rir, faz você pensar como somos frágeis no universo.

  • Anderson Berton

    Talvez as lendárias Atlântida e Lemúria tenham justamente virado lenda em algum evento assim (não necessariamente um cometa ou asteroide, mas que zicou tudo, no final das contas). Afinal, se um estrago dessa magnitude ocorrer por aqui, vai sobrar pouca gente pra contar a história. E considerando prováveis perdas no repasse de conhecimento de geração pra geração dos que sobrarem, levando ainda em conta umas centenas ou milhares dessas gerações pela frente, vai chegar uma hora que também viraremos lenda. Uma Atlântida ou Lemúria da vida.

  • Luis Eduardo Rodrigues

    Esse cara é muito bom!!!

  • Felipe!

    2040 será o novo 2012.

    • Ricardotr

      Vai nada. Até 2040 o mundo vai acabar pelo menos mais umas quatro ou cinco vezes.

  • http://twitter.com/diegosgutierrez Diego Gutierrez

    Oh! e agora quem poderá nos defender?

  • http://ociolevaaovicio.wordpress.com/ Xiko do Couto

    Medo. Profundo medo.

  • http://profiles.yahoo.com/u/VJLYN6QZDE2AWUYDNCJZZAC6UE Marcos

    Credo…sua descrição foi assustadora!!! xD

  • http://profile.yahoo.com/KSK3CQ5LWQKMGXM4JMT5RGLZYY guethão bala

    Vida na Terra é uma constante de erros e acertos, de eventos KT, nada mais que isso.Vida é simplesmente celula que aprendeu a replciar, alguns mais desavisados atribuim isso a “intervenções de seres divinos ou divinais” tudo bobagem, não há nada de espetacular na vida e na morte tudo é uma questão de chance e oportunidade e condições favoráveis (para a vida ou par a morte) que o diga os dinos e nos os mamiferos, só isso o resto é pura especulação sem fundamento cientifico

  • MarcosAntonioBeneteli

    eu nem li pq em dez de 2040 ja sumi a muito tempo…..

  • Mauricio Porto

    Em 1979 Isaac Asimov escreveu o excelente “A Choice of Catastrophes” abordando cientificamente diversas formas para um “ELE”. Talvez um pouco desatualizado. Novas formas vêm surgindo e algumas foram já descartadas. Mas vale a leitura.

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