Spammers pagam pessoas para burlar CAPTCHA

Só tem uma coisa que irrita mais do que sistemas CAPTCHA (em especial aquele tosco do UOL): spam. Como disse Thomas Paine  em relação ao Estado, para o spam o CAPTCHA é um mal necessário. Ruim com ele, pior, muito pior, sem – quem já administrou um fórum phpBB sem CAPTCHA para registro de novos usuários concorda sem pensar uma vez.

Alguém duvida de que esse é o futuro que nos espera?

Alguém duvida de que esse é o futuro que nos espera?

O problema é que a briga é desigual. Embora o spam seja o câncer da Internet, tem quem o sustente. As pessoas compram produtos e serviços oferecidos via spam, e é isso que incentiva os spammers a continuarem nessa vida. Se não tivesse lucro, já teriam debandado para outra atividade irritante-ilícita. E como a coisa ainda dá (muito) lucro, é preciso remover as pedras do caminho. Como o CAPTCHA.

Existem sistemas CAPTCHA (abreviação de completely automated public Turing test to tell computers and humans apart) fracos, burláveis por qualquer script um pouquinho avançado. Mas existem aqueles mais elaborados, como o reCAPTCHA, comprado pelo Google ano passado. Para esses últimos, a solução encontrada pelos spammers foi contratar mão-de-obra barata para preencher os campos manualmente.

A prática foi denunciada numa extensa matéria do The New York Times. Segundo o jornal americano, spammers estão pagando algo entre US$ 0,80 e US$ 1,20 a cada mil entradas preenchidas, e obtendo mão-de-obra em países como China, Índia e Bangladesh, através de sites de free lancers, como o FreeLancer.com.

CAPTCHA.

CAPTCHA.

O problema é que, nesses países, a hora de trabalho vale muito pouco nas camadas mais pobres da população, de modo que qualquer US$ 2/hora é visto como vantagem.

Jovens ainda na escola também encontram nesse esquema uma forma fácil de ganhar uns trocados. Ariful Islam Shaon, estudante de 20 anos que vive em Bangladesh, montou uma rede de 30 decifradores de CAPTCHA, os quais recebem cerca de US$ 6,00 a cada quinze dias, “trabalhando” de duas a três horas por dia. Além desses agrupamentos, existem espécies de empresas que fazem o serviço, como o Workcaptcha, também sediada em Bangladesh. Ela possui trinta computadores e três turnos de trabalho, o que garante funcionamento em tempo integral, 24/7, e destaque no FreeLancer.com, com 197 relatos de clientes, a maioria positiva.

Embora isso pareça uma coisa ruim, e sob certo aspecto, seja mesmo, muitos consideram tal novidade uma vitória sobre o spam. Macduff Hughes, um diretor de engenharia do Google, pondera: “Nosso objetivo é tornar a criação maciça de contas menos atraente para os spammers, e o fato deles terem que pagar pessoas para resolver CAPTCHAs prova que a ferramenta funciona”.

Outro exemplo prático confirma a visão de Hughes. A SBL, empresa indiana especializada em resolver CAPTCHAs, fechou as portas recentemente. Segundo Dileep Paveri, executivo que cuidava dela, o negócio afundou porque era pouco rentável e tedioso. “Descobrimos que não valia muito a pena, após algum tempo, a produtividade das pessoas caía porque é um trabalho monótono. Elas perdiam o interesse”.

Uma batalha parece ter sido vencida, mas a guerra continua.

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Autor: Rodrigo Ghedin

Blogger, bacharel em Direito e acadêmico de Sistemas de Informação.

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