Ciência revela: o T-Rex não era nenhum Usain Bolt

jurassic-park-t-rex

A ciência é uma mãe cruel: altamente revisionista, ela não se importa com seus dogmas e crenças e se encontrar evidências de fatos que desmintam tudo o que a comunidade acreditou e teve como certo por décadas ou mesmo séculos, tais conceitos serão derrubados sem dó nem piedade. Que o digam os dinossauros, que de lagartos terríveis acabaram se tornando galinhas gigantes.

Como sabemos, as aves são os parentes mais próximos e herdeiros diretos dos dinossauros, mas por anos e anos se convencionou a ideia de que eles seriam répteis aterrorizantes, tanto em tamanho quanto na aparência. A ciência no entanto foi aos poucos demolindo essa imagem ao revelar que boa parte deles, mesmo os mais amedrontadores como o Deinonychus (o “Raptor” de Jurassic Park, sendo que o verdadeiro Velociraptor era bem menor) eram dotados de… penas.

Desses talvez o que mais sofreu tenha sido justamente o outrora rei dos dinossauros, o Tiranossauro Rex. Considerado o predador definitivo, haviam diversas incongruências entre o que se pensava dele e o que os fósseis sugeriam. Primeiro, seu peso e tamanho eram extremamente inadequados para um caçador; segundo, o modo que ele se locomovia não era ereto como se pensava, ele possuía uma postura quase que totalmente horizontal (algo que aparece no filme).

Curiosamente o T-Rex é justamente um dos dinossauros com a configuração mais próxima das aves, especialmente as terrestres de pequeno porte como as galinhas. Some-se a isso o fato de que seu suposto rugido não seria mais do que um som próximo ao grasnar de um pato (como em todos os seus primos) e pronto, sua moral foi para a vala. Ele ganhou um pouquinho mais de dignidade após novos estudos indicarem que ele e outros grandes tiranossaurídeos não tinham penas, mas escamas.

Algumas pesquisas indicam que o T-Rex sequer fosse um caçador: ele se assemelharia mais a um grande carniceiro e carnívoro oportunista, visto que seu peso e proporções não o tornariam ideal para a tarefa de correr atrás de comida. E “correr” é exatamente a palavra chave aqui: uma nova pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Manchester, utilizando IA e aprendizado de máquina compilaram inúmeros dados para recriar o dino digitalmente. A equipe já é experimentada nisso, em 2013 eles foram capazes de trazer o Argentinossauro de volta, este um dos maiores dinossauros que já existiu.

Segundo o dr. William Sellers, líder da pesquisa foi empregado o sistema N8HPC, de altíssima precisão para criar um modelo em 3D fiel ao T-Rex, enquanto o modelo de IA com aprendizado não-supervisionado tratou de mastigar todos os dados e realizar cálculos para simular como o lagartão se movia. Os resultados trouxeram outra enorme decepção: o T-Rex não poderia jamais ser capaz de correr, logo ele não teria a habilidade de perseguir suas eventuais presas. Mesmo seu caminhar seria extremamente desengonçado por conta de seu corpo desproporcional, e um humano a pé poderia fugir dele sem dificuldade.

Conclusão: Michael Crichton e Steven Spielberg contaram uma tremenda lorota ao fazer Sir Richard Attenborough dizer que o T-Rex “foi visto correndo a 51,5 km/h”, mas até aí não haviam tantos dados disponíveis na época em que o livro Jurassic Park foi lançado, em 1990.

Max Leuftink — Jurassic Park- Must Go Faster!

Sendo o T-Rex um dinossauro com uma locomoção bastante prejudicada, a hipótese de que ele seria não mais do que um urubu sem asas gigante ganha cada vez mais força; diversos cientistas já defendiam que caso o dino fosse realmente capaz de desenvolver grandes velocidades (alguns falam em até 70 km/h), uma queda seria invariavelmente fatal para o espécime: o peso exagerado de sua cabeça acarretaria severas lesões e trumatismo craniano extenso, sem falar que ele não teria como se levantar facilmente por conta de seus bracinhos atrofiados, se tornando uma presa fácil.

Claro que não é agradável ver um mito de nossa infância ser desmoralizado por fatos, mas essa é a beleza da ciência: ela se corrige o tempo todo conforme descobrimos novos dados e evidências.

Você confere o artigo completo aqui (cuidado, PDF).

Fonte: University of Manchester.

Relacionados: , , , , , , , , , , ,

Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

Compartilhar

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto Frio Peças, Cupom de desconto Mundo da Carabina, Cupom de desconto JBL, Cupom de desconto Costa Cruzeiros, Cupom de desconto Loja do Mecânico, Cupom de desconto Staples