FBI ajuda polícia da Flórida a hackear iPhone de suspeitos de extorsão

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Que a Apple não nutre amores pelo FBI não é novidade. Desde que ambos se estranharam por causa do ataque em San Bernardino, quando a maçã se recusou a hackear o iPhone 5c dos terroristas a empresa não é bem vista pelo bureau, e a posição de Tim Cook se manteve a mesma desde então para toda e qualquer situação que envolva a quebra da segurança de seu sistema, não importando as circunstâncias.

Por causa disso os federais tiveram que se virar para resolver o problema, e coube à empresa de segurança israelense Cellebrite quebrar a criptografia do aparelho; como retaliação a Apple não foi informada sobre o método utilizado nesta e em outra ocasião, quando um iPhone 5s foi igualmente vencido e neste caso em específico, a criptografia era muito mais robusta. Cupertino que se virasse para fortalecer ela mesma suas defesas.

Por outro lado o FBI se viu numa situação menos do que ideal, em que o caro processo de hackear aparelhos protegidos só poderia ser empregado em situações muito específicas. O ex-diretor do órgão James Comey chegou a comentar que o processo de desbloquear o iPhone dos terroristas custou cerca de US$ 1 milhão, logo não é um procedimento vantajoso em casos que não demandem uma necessidade imperativa de acessar os dados de mensagens.

Por isso o método só vem sendo empregado em decisões judiciais, quando os acusados não fornecem dados de senhas para desbloquear seus aparelhos com base na Quinta Emenda, que diz que um suspeito não pode produzir provas contra si mesmo. Embora hajam controvérsias, geralmente a posição de não informar os dados de desbloqueio é tolerada e sobra para o governo abrir os cofres, como foi o caso na Flórida.

Hencha Voigt e seu ex-namorado Wesley Victor são acusados de extorquir a socialite Julieanna Goddard, tentando arrancar cerca de US$ 18 mil dela para não soltar supostos vídeos comprometedores na internet. De acordo com o processo o iPhone 6 de um dos suspeitos conteria mensagens trocadas pelo então casal quando eles combinavam o crime, mas nenhum deles obedeceu à ordem judicial de prover a senha do dispositivo.

Foi então que o detetive do FBI Sergio Campos entrou em contato com o juiz Alberto Milián, oferecendo os recursos do bureau para cobrir os custos do serviço da Cellebrite. O processo foi bem sucedido e as mensagens, altamente comprometedoras trocadas entre os dois ex-pombinhos criminosos foram disponibilizadas para quem quisesse ler.

No fim das contas o futuro não deve ser diferente do que acontece hoje: a Apple (e por tabela o Google) deverá endurecer cada vez mais sua criptografia para evitar a invasão de seu sistema, enquanto o FBI e outros órgãos de segurança deverão apelar para ferramentas cascudas e serviços de terceiros caros que só viabilizem a invasão em casos extremos, ao invés de inserir uma porta da frente nos sistemas móveis ou resolver tudo na canetada.

Procurada, a Apple não teceu comentários.

Fonte: Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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