Fotografia e Luz — diferença entre as fontes de luz para retrato

Aproveitando o tema levantado pelo texto sobre ensaio fotográfico feminino publicado no Dia Internacional da Mulher, fiquei pensando sobre as diferentes fontes de luz que podemos utilizar e nas dificuldades e vantagens de cada uma. Como a luz é a principal parte da fotografia, então nada melhor do que falar um pouco sobre ela.

Se você é profissional ou amador e resolveu entrar no mundo maravilhoso do retrato esse pequeno texto serve para você. Toda luz possui intensidade, qualidade e cor. A intensidade pode ser controlada (no caso de iluminação artificial) ou não (caso da luz do sol). A qualidade é quando podemos ter uma luz dura (com sombras bem contrastadas) ou uma luz mais suave com sombras bem leves (dependendo para isso de acessórios ou de uma ajuda da natureza no caso da luz do sol). E a cor é determinada pela fonte de luz e da temperatura de cor de cada luz. Lembrando que a luz assume a cor da superfície onde ela é rebatida. Não adianta fotografar perto de uma parede vermelha e reclamar que a foto ficou com uma tonalidade muito quente.

01 — Luz do dia

A maior e mais barata fonte de luz que podemos utilizar é a luz do sol. Muitos fotógrafos mantém o que chamamos de estúdio externo. Ou seja, todas as sessões fotográficas são feitas em locações externas. Para isso é necessário ter um mapeamento de sua cidade (ou região) dos locais mais bacanas para fotografar. Horários ideais para fotografar com a luz do dia são de manhã (até as 9:00 ou 10:00) ou a tarde (depois das 16:00). Esses horários são exatamente para aproveitar a luz menos dura do sol (além da temperatura alta). Quando fotografo em externa (e sem flash) eu prefiro trabalhar em com diafragma em f/2,8; e regulando obturador e ISO conforme a fotometria. Isso tudo para ter pouca profundidade de campo. Porém, sempre procuro uma sombra para colocar a modelo para evitar sombras debaixo do queixo, olhos e nariz. Em alguns casos utilizo o rebatedor circular prateado pra fazer o preenchimento de luz. Infelizmente quem fotografar em locação externa está sujeito a horário e condições climáticas. Pode chover no dia das fotos ou fazer frio. Porém, ao contrário do que as pessoas pensam, um dia nublado fornece uma luz difusa muito bonita para um ensaio fotográfico.

02 — Luz Contínua

Existem fontes de luz contínua para fotos internas. Tanto com luz fria quanto com luz quente. Eu, particularmente, gosto muito de luz contínua. Aqui no estúdio temos um conjunto de iluminação Atek AT-679110 com 2.000 W de potência. A vantagem do iluminador halógeno é o preço baixo. Porém, mesmo com toda essa potência a quantidade de luz é fraca para fotografia. Você vai precisar trabalhar com ISO mais alto (400 a 800) e maior abertura de diafragma. Fora isso ele consome uma quantidade generosa de energia e deixa o ambiente muito quente. No caso da luz halógena também é necessária uma preocupação especial com o balanço de branco.

Também temos aqui um octobox Greika com luz fria, mas ele usa lâmpadas normais e serve para fotografar pequenos objetos (ou bebês). Mesmo caso. É barato, mas a luz é fraca, além da cor que não fica muito legal. Porém, consome pouca energia, não gera calor e pode quebrar um galho.

03 — Luz de Flash (estúdio)

Em ambiente fechado a utilização do flash de estúdio é imbatível. Iluminação potente, com possibilidade de diversas potências e ampla quantidade de acessórios rebatedores e difusores. A temperatura de cor de uma luz de flash é muito parecida com a temperatura de cor da luz do dia. Alguns modelos de flash mais barato podem ter um pequeno desvio de cor, mas nada que não seja corrigido em uma pós-produção. Ele produz uma luz bonita e potente, porém são caros. Um conjunto Atek 200W (ideal para retrato de corpo inteiro) pode chegar a R$ 2.500,00 (2 flash, 2 tripés, 2 sombrinhas rebatedoras). Trabalhar com flash de estúdio exige que a câmera esteja totalmente no manual e que você tenha um flash meter. Eu uso o Sekonic L308s (o mais barato que existe).

04 — Flash Dedicado (strobist)

Também temos que levar em conta o nosso flash dedicado para a iluminação de retratos. Principalmente se você trabalha com o strobist (nome incorreto, mas muita gente usa). Existem algumas maneiras de utilizarmos o flash fora da câmera e diversos acessórios rebatedores e difusores para nossas pequenas unidades de flash. A vantagem deste tipo de iluminação é ser compacta, poder levar para qualquer lugar e não depender de energia elétrica no local para funcionar. A desvantagem é que um flash dedicado TTL custa muito mais caro do que um flash de estúdio. Porém, agora temos a possibilidade de investir em um flash genérico chinês.

Podemos utilizar o flash dedicado para fotos internas, como no caso abaixo, onde foi utilizado um flash Nikon SB910 em TTL e com uma sombrinha rebatedora branca.

E também podemos utilizar em fotos externas. Mesmo com o sol, o uso do flash ajuda a controlar o contraste e criar um clima diferenciado nas fotos.

05 — Gambiarra

Sim, a gambiarra (também chamada de gambi) na fotografia é uma constante, ainda mais com o valor cobrado pelos acessórios fotográficos. Quando decidi fazer o meu primeiro ensaio de nu artístico eu não tinha flash e nem fonte de luz profissional. Mas, o ensaio precisava ser interno, por conta do conteúdo das fotos. E para isso me dirigi a uma loja de materiais elétricos e comprei 2 refletores de jardim que utilizavam lâmpadas comuns. Coloquei duas lâmpadas de 200 W e a parte da frente feita de vidro levei para jatear com areia. Ficou uma fonte de luz com um difusor na frente. Usei por um bom tempo esses dois refletores. Não era bonito, mas quebraram um galho gigantesco. Tudo custou barato, mas era uma fonte de luz muito fraca. Era necessário ISO alto, obturador no limite e grande abertura de diafragma. Sem falar no inferno que era o balanço de branco.

Essas são algumas possibilidades. Já vi algumas pessoas utilizando luz de Led, mas ainda não tive a oportunidade de testar. O que importa, no fundo, é a criatividade. O resto é apenas consequência.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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