Agora é pra valer, USS Enterprise oficialmente descomissionado.

Sim, eu sei que o porta-aviões usado no filme foi o USS Ranger, mas você não vai ler isto: preferiu correr pra corrigir nos comentários né champs?

Quando foi ao mar em 1960, o Porta-Aviões USS Enterprise — CVN-65 levava o peso do nome mais honrado da Marinha dos EUA. Seu antecessor lutou na 2ª Guerra Mundial, enfrentando os mais desesperados ataques kamikaze. O Japão chegou a anunciar que tinha afundado o Enterprise 3 vezes, mas ele sempre voltava.

O “Fantasma Cinzento”, como ficou conhecido se tornou o navio mais condecorado da Guerra, com 20 Estrelas de Batalha e uma Citação Presidencial, entre outras. O Enterprise escoltou seu gêmeo USS Hornet e protegeu a esquadra enquanto ele lançou o primeiro ataque contra o Japão após Pearl Harbor, quando Jimmy Doolittle fez o impossível: decolou de um porta-aviões com uma esquadrilha de bombardeiros B-25.

Construído em 1934 o Enterprise foi descomissionado em 1947. 13 anos é muito pouco tempo de vida para um navio, mas o rápido avanço da tecnologia e a própria guerra o deixaram obsoleto e cansado.

O mundo só veria outro Enterprise em 1960. Esse sim o auge da tecnologia de seu tempo. Enquanto o primeiro deslocava 19.800 toneladas, o CNV-65 deslocava 93.284 t. Era 108 metros mais longo e foi um experimento ousado: era a aurora da Era Atômica, o USS Nautilus, primeiro submarino nuclear havia sido lançado em 1954. O Enterprise foi encomendado em 1957 e não só seria o primeiro porta-aviões movido a energia nuclear, como teria OITO reatores.

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Ele foi o único de sua classe: o que se aprendeu com o Big E foi usado na construção dos 10 porta-aviões Classe Nimitz, mas era um projeto tão bom que continuou na ativa por 52 anos. O Enterprise serviu galantemente em quase todos os conflitos dos EUA no pós-guerra, da Crise dos Mísseis Cubanos ao Vietnã e a Guerra do Golfo.

Não há como não mencionar a importância do Big E para Jornada nas Estrelas. Originalmente a nave deveria se chamar USS Yorktown, a classe do Enterprise da 2ª Guerra, mas quando descobriu que havia um novo e moderníssimo Enterprise, Gene Roddenberry batizou a nau capitânia da Frota Estelar com seu nome.

Em 2012 o Enterprise chegou ao fim de sua vida útil. Era caro demais manter um navio tão antigo: tudo estava dando problema, os netos dos marinheiros originais tinham que resolver os problemas que criaram cabelos brancos em seus avós. É insano cuidar de oito reatores nucleares: o USS Nimitz e seus sucessores têm dois, e está muito bom.

Primeiro colocado em disponibilidade prolongada, depois o Enterprise começou a ser desmontado. Os reatores foram desabastecidos, depois removidos, ele perdeu o mastro e todo o equipamento reaproveitável foi removido. Isso começou em 2012, mas ele ainda estava na ativa, ninguém queria descomissionar o maior nome da Frota.

Agora dia 3 de fevereiro de 2017, finalmente a Marinha descomissionou oficialmente o Enterprise, na véspera de seu 59º aniversário.


‘We are legend’: Navy bids farewell to ‘unmatched’ Enterprise

É triste ver um navio outrora poderoso se transformar em lâminas de barbear, mas é unanimidade na Marinha a ordem de Jean Luc Picard:

“Vamos garantir que a História nunca esqueça o nome… Enterprise!”

Não esquecerá. Durante a cerimônia foi apresentada uma placa feita com aço do Enterprise, o Big E, como era apelidado:

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Essa placa tem destino certo: ficará nos alojamentos do capitão do porta-aviões classe Ford CNV-80 que começará a ser construído em 2018 e estará comissionado e plenamente operacional em 2025, deslocando 110 mil toneladas de pura democracia para qualquer canto do planeta.

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Qual o nome? USS Enterprise, claro.

Fonte: Wavy.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • Rolando

    Uau, isso é que é fazer parte da história, o bicho foi usado até o último instante.

  • jairo

    Realmente um vaso de guerra icônico , acredito que em breve terá um sucessor a altura, pelo menos deveria ter.

    • Gaius Baltar

      Em 2025. Está no final do texto.

  • Vinícius

    Tenho pena dos próximos alienígenas que tentarem invadir os States.

  • Vinícius Cordeiro

    “If you treat her like a lady, she’ll always bring you home.”

  • Mas o Enterprise já estava na reserva desde de 2012, não? Ainda constava como comissionado? Lembro que na sua época ele era o terceiro navio mais antigo “na ativa” na marinha americana, perdendo para o Pueblo (capturado e mantido no mar da Coreia do Norte. Tecnicamente ele ainda está “na ativa”) e pra Constitution (uma fragata de 1797!!!!)

  • Hemeterio

    Emocionante a ilustra do texto. Como que fechando o ciclo, eu citei vc e vc me cita agora. Como diria o holograma de Jor El: o filho torna-se o pai, e o pai torna-se o filho..

    Teve o protótipo dos Space Shuttles, que também se chama Enterprise, mas não vale: nunca foi ao espaço, basicamente é uma maquete gigante metida a besta. Mas está exibida com orgulho no deck do Intrepid em NYC.

    Quando houver naves espaciais militares de verdade, vai ter um USStarShip Entreprise, obviamente. Lasers, please.

    • Eles quase reformaram pra voar mas ia ficar caro demais. Uma pena.

    • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

      Não é só uma maquete gigante, ela fez testes de vôo, pouso e planeio, apenas não tinha os motores e a proteção térmica para ir ao espaço.

  • Minha única esperança agora é recuperarem e restaurarem o Encouraçado Yamato para, afinal, lançarem-no ao espaço – a fronteira final. Não, pera…

    https://i.ytimg.com/vi/ldazQgGRGkU/hqdefault.jpg

    • Luiz

      Vim pelo comment, perfect!

  • “O mundo só veria outro Enterprise em 1060. Esse sim o auge da tecnologia de seu tempo.”

    Não entendir essa data. Foi uma piada que não peguei ou erro de digitação?

  • Gaius Baltar

    Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Big E ao largo de Lisboa em 2011. Foi algo completamente surreal assistir aquela massa enorme de aço e história deslizando no Tejo. Ficamos a espera da nona encarnação do gigante, pois sempre haverá um(a) Enterprise.

    • Quando esteve aqui no RJ, no começo dos anos 90, não conseguiu passar por baixo da ponte Rio-Niterói, de tão descomunal (e não estou falando de qualquer pontezinha, não!).

      • O Queen Mary também era enorme, passamos de carro Fusca) ao lado e demoramos a terminar (principalmente pelo fato de que não dá pra correr num porto….

      • Gaius Baltar

        Na 25 de Abril ele passou de boas, mas também era a mais alta da Europa na época. Mas na Vasco da Gama ele não passaria. O interessante é que o Tejo tem uma largura fora do vulgar próximo ao estuário e acaba sendo um deleite ver esses monstros deslizando na nossa frente.

        • É aquele negócio.. sabe como se chama uma janela dando pro Tejo? História.

      • Zalla

        Eu só vi o Nimitz…buá

  • Alvaro Carneiro

    1960, 8 reatores nuclear dentro de um barco.

    Sendo destruído por ser considerado obsoleto.

    Como é mesmo o nome daquele porta helicópteros que o brasil tem? uma sucata que compraram?

    No dia que o Brasil tiver algo similar ao Enterprise de 1960, os americanos já vão estar usando naves espaciais, tele transporte e viagem no tempo.

    • Cara, eu sei que o nosso atual porta-aviões, de fabricação francesa e denominado São Paulo não é grande coisa (também, com um nome desses, nem poderia)…
      Mas leia a história do final do nosso antigo porta-aviões, o Minas Gerais, e veja se não escorre uma lágrima solitária:
      https://papodehomem.com.br/o-triste-fim-de-nosso-primeiro-porta-avioes/

      • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

        Se chamasse carioca ia peidar na farinha…

      • mr_rune

        Ambos foram comprados já obsoletos e enferrujados, são duas porcarias.

  • Luiz

    Que triste, sempre pensei que quanto mais reatores nuclear, melhor era…

    • Claudio Roberto Cussuol

      Acontece o mesmo com motores de avião. 4 não é necessariamente melhor que 2.

  • OverlordBR

    Só tenho uma frase para expressar a matéria: “All good things… “

  • ²He

    “There will always be a ship named Enterprise”

    Não até 2025

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Aqueles Phanton F4 no convés são muito legais, já tive o prazer de visitar um porta-aviões em NY (USS Intrepid) e agora vou ver outro na California, muito legais!

    • Julio da Gaita ✔

      PPK internacional aí sim heim, só levando ferro dos marinheiros?! rs malz ae, G1z feelings…rs

      • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

        facepalm!

        • Julio da Gaita ✔

          é eu sei, aos poucos to deixando a zueira do g1z pra lá… mas é dificil…rs

    • Bob

      Se for o Hornet, vá bem cedo. Eu gastei o dia inteiro visitando e não vi nada direito. Contudo, meu guia foi um antigo tripulante e ele chegou a me mostrar os aposentos de Nixon, quando recebeu os astronautas da Apollo 11. Ah, tem um hamburger mexicano muito bom, no lado externo do navio.

      • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

        Vai ser em San Diego, USS Midway.

  • Cardoso, você deveria oferecer seus trabalhos ao blog Trilogia das Forças de Defesa (Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres), seria legal ver mais causos militares serem publicados.

  • Inquisidor

    isso foi projetado sem cad, no papel e caneta, os engenheiros deveriam ter ficados loucos apos um projeto desse.

  • Tiago Tkb

    “(…) É triste ver um navio outrora poderoso se transformar em lâminas de barbear (…)” Tio Patinhas curtiu isso.

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