Presencie Evolução em ação

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Uma das coisas que torna a Teoria da Evolução algo especial é sua elegância e simplicidade. Darwin não sabia nada sobre genes, mutações e microbiomas, transferências horizontais de material genético de vírus, mas seu modelo continua robusto e não precisou se adaptar a essas novas descobertas.

Evolução, pra começo de conversa, não se propõe a explicar a Origem da Vida, isso se chama abiogênese e é outro campo. Também não tem nada a ver com Vitória do Mais Forte ou outra bobagem usada por líderes totalitários. Evolução tem a ver com capacidade de adaptação ao meio-ambiente. E envolve ESPÉCIES, não indivíduos.

Sorry, Darwin, ninguém gostava de você mesmo.

Sorry, Darwin, ninguém gostava de você mesmo.

Evolução também não tem um fim, não tem um objetivo além de perpetuar DNA. Tudo que fizemos, construímos, criamos é um efeito colateral de uma molécula que achei um jeito de se auto-replicar.

Um dos mecanismos da Evolução é a Seleção Natural, onde espécies competem com outras espécies, competem entre si e com o meio-ambiente.

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Também é errado dizer que Evolução é fruto do acaso. MUTAÇÕES são aleatórias, mas as danosas matam o bicho, as neutras ficam por isso mesmo e mesmo as levemente benéficas vão se perpetuar.

Se uma minhoca sofre uma mutação que acelera em 2% seu mecanismo de coagulação, ela tem mais chances de sobreviver a uma bicada de um pássaro, deixa mais descendentes, a mutação se perpetua. A minhoca que nasce com uma mutação bioluminescente nas costas escrito “ME COMA” tende a não se reproduzir, assim como a minhoca que nasce com vocação para blogueiro.

Esse mecanismo leva milhões de anos para sair de uma ameba para um Homem, ou alguns dias se o organismo-alvo for um comentarista de portal. É algo que está presente em fósseis, em material genético e em tudo à nossa volta, mas vemos uma fotografia em alta velocidade de uma corrida.

Só que nem sempre é assim. Quanto mais simples o organismo mais suscetível ele é a mutações, e se se reproduzir muito rápido, temos mais e mais gerações. Este experimento, da Escola de Medicina de Harvard e do Instituto Israelita de Tecnologia Technion demonstra lindamente esse conceito.

Eles construíram uma estrutura de 1,2 m × 0,6 m e encheram com 14 litros de Ágar-ágar, uma gelatina que bactérias ADORAM. Feito isso, dividiram a superfície em várias faixas. Na primeira, deixaram pura. Na segunda, colocaram o mínimo de antibiótico necessário para matar a bactéria E.coli, o arroz de festa da pesquisa microbiológica. Na próxima faixa, 10 vezes mais antibiótico, na outra 100 e no final, 1.000 vezes a dose letal.


Harvard Medical School — The Evolution of Bacteria on a “Mega-Plate” Petri Dish

Na ponta da faixa inicial aplicaram exemplares da bactéria e deixaram a Vida seguir seu curso. Elas cresceram e se multiplicaram, e os cientistas viram que isso era bom, aí chegaram na faixa de antibiótico. Foram detidas, mas não todas. Cada geração acumulava mutações, por erros de transcrição no DNA, raios cósmicos, etc. Algumas dessas mutações aleatórias tornavam as bactérias um pouco mais resistentes ao antibiótico.

Logo essas malditas bactérias mutantes haviam dominado a região, e se espalhavam para a área com mais antibiótico. O processo é contínuo e depois de 11 dias a região com 1.000 vezes mais antibiótico, que DIZIMARIA a primeira geração inteira, está tomada.

Por isso, crianças, quando o doutor mandar você tomar a porra do antibiótico, você toma até o fim, não até o nariz parar de ranhar, tá? Senão você está garantindo que vários bichinhos malvados mais resistentes vão sobreviver e da próxima vez o remedinho vai ser mais caro.

Como uma geração de E.coli leva em média 20 minutos, é possível esse tipo de experimento. Em um cálculo grosseiro foram 792 gerações. Se usarmos a média humana de uma geração a cada 25 anos, em termos de gente observamos uma experimento de 19.200 anos.

Uma mutação útil pode ter grandes efeitos em bem menos tempo. Uns 15.000 anos atrás começaram a surgir humanos com uma alteração genética que criou persistência da lactase, a enzima que ajuda na digestão do leite, e que na maioria das espécies deixa de ser produzida com o fim da infância.

Leite é um excelente alimento, completo, com muita energia mas se o adulto não tiver dor de estômago e outros incômodos, ele vai jogar o filhote longe e mamar na fêmea: para a preservação da espécie isso é ruim. No nosso caso as fêmeas provavelmente deram um chega pra lá, algum desocupado descobriu que vacas e cabras eram mais tranquilas, e começamos a domesticar esses animais, tendo uma fonte de alimento no quintal, sem precisar caçar e sem estragar depois de alguns dias (se não tirar da vaca).

Até hoje há populações inteiras que não ganharam esse gene, orientais e índios por exemplo.

Isso tudo em um piscar de olhos em termos evolucionários. Para nós, poder sobreviver ao inverno com queijo e sorvete. Para as bactérias, suportar um ambiente absolutamente mortal para seus ancestrais.

Você eu não sei mas acho isso muito mais bonito e elegante do que fazer gente de costelas.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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