Fotógrafo espanhol é condenado a pagar mais de US$ 8 mil a noivos por perder fotos do casamento

backup

Perda de arquivos é uma das constantes no mundo da fotografia. Nós vemos isso em notícias na internet e entre amigos que trabalham com fotografia. Tanto amadores quanto profissionais caem nessa pegadinha do destino e a maioria das pessoas só investe algum dinheiro para resolver o problema quando levou muito na cabeça.

A história aqui é simples: o casal Charles e Charlotte contratou um fotógrafo em Sevilha, Espanha, para fotografar o seu casamento em julho de 2012. Além das fotos da cerimônia, o contrato também cobria uma volta pela cidade e fotografia nos principais pontos turísticos. Por esse trabalho, e para entregar um álbum digital e dois mini-álbuns impressos, o fotógrafo cobrou a importância de € 1.100,00. Porém, por uma fatalidade do destino, o pobre prestador de serviços simplesmente perdeu as fotos do casal. Claro que a brincadeira acabou em processo e o fotógrafo foi condenado a devolver ao casal a importância de € 8.000,00 (cerca de US$ 8.800,00), acrescida de juros, o que faz a brincadeira chegar a € 9.000,00.

Na realidade, esse valor vai de encontro ao desejo do casal de realizar novamente as fotos, nos mesmos locais, e simular o seu já passado casamento. Com isso o fotógrafo ficou condenado a pagar a viagem deles de Nova Iorque a Sevilha, aluguel das roupas, penteado da noiva, buquê de flores, e o serviço de fotografia. O juiz do caso cita no processo a questão da negligência, imprudência e falta de cautela do profissional (fonte).

O juiz está certo no puxão de orelhas? Sim, pois um profissional que enfrente essa situação ainda não está pronto para trabalhar com fotografia. A Era Digital nos trouxe muitas vantagens e confortos, mas o armazenamento dessas imagens é um problema. Para o público amador isso já é complicado. Para o profissional pode ser traumático. Sistemas de backup devem ser adquiridos e sua prática deve ser inserida dentro do fluxo de trabalho. Não se deve descansar até que todas as fotos tenham pelo menos 03 cópias. Imagens devem ser descarregadas do cartão logo ao final do evento. Se possível, imagens devem ser descarregadas durante o evento, pois conheço fotógrafo que perdeu no meio da festa o cartão de memória que estava no bolso. Ou seja, é o tipo de tragédia que pode abalar a carreira de um profissional e pode ser evitada com um pouco de investimento e cuidado.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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  • Well Dias

    Não sou da área, mas acho que já existe solução para este problema de backups que devem ser feitos durante uma seção. Vi uma vez um acessório conectado à câmera de um profissional enquanto ele tirava fotos que, acredito, enviava via WiFi para um computador cada foto tirada.
    Confirma isso?

    • wesley luiz

      É só usar um FlashAir

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Alguns fabricantes possuem um acessório Wireless, algumas câmeras já possuem essa conexão nativamente e ainda existem os cartões de memória com Wireless. Em estúdio é uma maravilha, em eventos ainda possuem algumas limitações. Você tem que montar uma rede wireless dentro da igreja e a transferência de arquivos é afetada pela distância e por obstáculos.

      • Theuer

        “Em estúdio é uma maravilha,”
        Essa é uma das verdades do mundo! 🙂
        Abraço Gilson.

      • Sergio Fagundes

        Só usar TPLINK WRT-702N, conecta ele numa daquelas “baterias” para celular e aguenta entre 2 a 4hs formando uma rede sem fio com alcance em aberto de 50 metros tranquilamente.

        • Sergio Fagundes

          Edit: Ou seja com uns 200 reais você tem uma rede sem fio portátil.

  • Alvaro

    Eu achei até branda a punição VISTO O que se investe em um festa de casamento… O justo seria pagar por uma festa inteira + dano moral

    • Panino Manino

      Acidentes acontecem, cada caso é um caso diferente.

      • The xD

        A única desculpa é se ocorreu algum dano do tipo incêndio no estúdio ou um roubo dos equipamentos, nesses casos nem dá para culpar o fotógrafo. Agora se foi por ele ter perdido o HD ou cartão de memória com as fotos aí não dá para perdoar o cara, backup é obrigatório uma vez que são informações de uso profissional e não dá para voltar no tempo para conseguir as mesmas fotos tiradas no dia do casamento.

        • Gilson Lorenti Fotografia

          Infelizmente temos acompanhado alguns casos jurídicos de perda de arquivos de eventos e, embora seja um atenuante, roubo de equipamento ou até incêndio não retiram toda a culpa do fotógrafo, pois são riscos da profissão e deve-se tomar precauções para que isso seja evitado. Como disse, fazer backup já durante o evento, ter cópias dos arquivos fora do estúdio, essas coisas.

          • Guilherme C.

            Acho que até devem fazer seguro pra casos desses.

          • The xD

            A sim, me referia ao cara dar muito azar de ter sido roubado ainda no evento ou antes mesmo de dar tempo de fazer um backup fora do estúdio, fora isso não dá mesmo para perdoar o fotógrafo ou qualquer outro profissional que trabalhe com arquivos…xD

          • Sergio Fagundes

            Considerando que temos cartões de memória com wifi, sistemas de backup automático, serviços de backup online e offline o verdadeiro profissional não tem realmente desculpas… Eles buscam economizar pra ganhar mais portanto tem que pagar o preço da economia.

          • Exatamente, hoje é fácil manter um backup em algum serviço de cloud e livrar-se de problemas físicos (roubo, incêndio, etc).

  • Rodrigo Menezes

    Trabalhei em um Estúdio de fotografia e lá a rotina durante um evento era:
    – Fotografo levar cartão para funcionário do estúdio
    – Copia fotos no HD do Notebook
    – Copia fotos em HD externo
    – Depois do Evento fotos eram copiadas para outro PC
    – DVDs de segurança eram gravados

    Viva a redundância

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Rodrigo, comigo funciona assim. Eu chego do evento e descarrego todos os cartões no computador, já convertendo o RAW para DNG. Depois que está no computador, crio uma cópia em cada HD externo. Ou seja, já tenho 3 cópias. Depois de tudo editado e selecionado, eu converto os DNGs em JPEGs de alta resolução. Depois que o cliente escolheu as fotos e já levou o album, eu apago os DNGs e só deixo uma cópia dos JPEGs em dois HDs externos e em um DVD com o nome do evento. Só ai a cópia que está no computador é deletada.

      • Theuer

        Curiosidade, você usa LTO ou algo assim Gilson?

        • Gilson Lorenti Fotografia

          Não, apenas HDs externos. Por um tempo gravamos cópias de segurança em DVD também, mas isso não se provou viável e nem seguro 🙂

  • Panino Manino

    Na época do analógico o fotógrafo perdeu ar fotos do batismo da minha irmã.
    Nada de novo, infelizmente.

    • Gilson Lorenti Fotografia

      na época do filme podiam acontecer inúmeros acidentes. Por exemplo, a câmera poderia abrir no meio do evento e queimar as fotos já feitas. O laboratório poderia estragar o filme na revelação, ou simplesmente perder os rolos de filme ou os negativos. Mas, de um modo geral, eu ainda acho os negativos mais seguros do que HDs. Eu tenho vários aqui de 20 anos atrás, de meus primeiros trabalhos profissionais. Mesmo que eles não estejam armazenados de forma adequada (questão de umidade do ar e temperatura) digitalizei alguns deles e a qualidade está muito boa.

      • Panino Manino

        Por curiosidade fui olhar os álbuns de fotos daqui de casa e… cadê os negativos? De algum modo sabe-se lá o motivo meus pais jogaram fora.
        Meus pais são estranhos, MUITO estranhos.

        • Gilson Lorenti Fotografia

          nem tanto, meus pais também não possuem mais os negativos de minhas fotos de infância. Na realidade, eles não tinham câmera fotográfica quando eu era criança. Acabavam usando câmeras emprestadas ou parentes faziam as fotos. Então os negativos acabavam se perdendo.

  • Ramon de Assis

    Câmeras com Android e 3G ou 4G.
    Tipo a Samsung Galaxy NX ou, se for para uso pessoal, Samsung Galaxy Camera (1 com 3G ou a 2 só com wireless).
    Eu tenho a Samsung Galaxy Camera 2 pra uso eventual (e namoro a Galaxy NX pra uso profissional).
    Eu não tenho NENHUM medo de perder minhas fotos.
    Eu as registro e elas automaticamente vão para a nuvem:
    – OneDrive (Microsoft),
    – Google drive,
    – Flickr.
    A Galaxy Camera 2 não tem 3G. Mas, quando estou sem wireless, eu deixo ela o tempo todo usando o hotspot do smartphone (Moto Maxx, bateria ajuda um pouco).

    Eu detesto qualquer tipo de mídia física com todo o meu ser. Mas, sem uma banda larga de fibra ótica, sou refém também de usar HDs, DVDs, etc, para consumo e backup de mídia principalmente.

    Mas, fotos, dei este jeito. Tá funcionando.
    P.s.: também sincronizo os backups com um HD externo e quando ele completa uns 4 GB de foto eu salvo num DVD.

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Creio que o problema seria realmente a quantidade de dados. Em um casamento eu utilizo tranquilamente 2 cartões de 16GB, isso só na minha câmera, Tem mais duas câmeras trabalhando junto. Infelizmente ainda somos escravos das mídias físicas na fotografia profissional.

    • Cassiano “SpellCat” Calegari

      Cara, se você usa um DVD para armazenar dados ai já há um problema.

      De qualquer forma, este tipo de solução até serve para uso amador, mas para qualquer trabalho profissional que exija uma grande quantidade de fotos e trabalhos em locações distantes é completamente inviável. Nenhuma operadora oferece planos para sincronizar essa quantidade de dados e os serviços de hospedagem de dados tradicionais não cobrem o trafego e o armazenamento necessários, especialmente para aqueles que fotografam em RAW.

      Para uso profissional a solução são servidores locais, muitos cartões e uma boa dose de diligencia e responsabilidade ao lidar com os dados tanto para evitar perda quanto para garantir a integridade e privacidade das informações. Lembrando que fotógrafos são legalmente obrigados a manter as fotos por dois ou três anos após contratadas.

      Além de não existirem câmeras DSLR decentes rodando Android até onde eu sei.

    • The xD

      Os fotógrafos geralmente tiram fotos em formato RAW e é muito importante o fotógrafo ir fazendo backup durante o evento, esqueça utilizar 3G ou 4G para isso, é muito melhor ter o backup em HD’s mesmo, a velocidade vai ser maior e mesmo que caia a rede você ainda vai ter seus backups…xD

  • Ramon de Assis

    Aliás, Kd as câmeras Canon e Nikon com Android ou mesmo um sistema de backup por 4G ou 3G?

    • Theuer

      Cara, apenas lembre que existe uso amador e profissional para os equipamentos.
      O fluxo de dados de um evento fotografado em RAW chega facilmente aos 15GB. Não há camerazinha nem operadora que faça backup de 15GB em três~quatro horas de evento.

  • Theuer

    Que sonho poder trabalhar “apenas” com o fluxo de dados de fotografia . 🙂
    Na gravação do “Péricles nos Arcos da Lapa” saímos com três packs de material, 12HDDs com uma equipe, 12HDDs com outra e 19SSDs + cartões ficaram nos cases das câmeras que seguiram direto de volta para São Paulo. Quase duas horas para organizar todo esse backup.
    Abraço, bom feriado a todos!

  • O texto já diz: “um profissional que enfrente essa situação ainda não está pronto para trabalhar com fotografia”. Uma pessoa que resolve fazer e vender fotos só porque tem uma DSLR e uma cartão de memória de 64Gb, mas não tem a mínima noção de processos de redundância e backup de fato não poderia estar no mercado. Infelizmente essa pessoa aprendeu da pior forma possível que, na era digital, a fotografia é muito mais perigosa que um vazamento de luz em uma sala escura

  • Airon Pereira

    uma pequena correção de português…”Na realidade, esse valor vai de encontro ao desejo do casal de realizar novamente as fotos, nos mesmos locais, e simular o seu já passado casamento.”
    Ao encontro = mesmo sentido
    De encontro = sentido contrário
    Nesse caso, use “ao encontro” … pois era o que o casal queria…

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