Alunos da Cidade de Deus vão controlar missão em Marte

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A gente sabe que conhecimento é uma mercadoria que muita gente não tem acesso, principalmente em países pobres e em desenvolvimento como o Brasil. Muitas crianças, por diversos fatores não recebem incentivos na educação o suficiente para abrir seus horizontes e buscar algo mais do que soluções imediatas, se bem que é difícil se concentrar nos estudos quando muitos não têm o que comer.

Nosso sistema educacional não é muito justo, muitos dos que conseguem entrar numa universidade são os que os pais puderam bancar os estudos, embora os projetos assistenciais do governo venham mudando esse quadro nos últimos anos. Mas é importante oferecer programas que atraiam a atenção das crianças e os estimulem a estudar. É o que o programa Mars Academy pretende fazer com estudantes da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O projeto, idealizado por quatro cientistas e um cineasta visa expor crianças de uma comunidade carente a um programa que eles não teriam acesso por vias normais: eles passarão duas semanas na favela carioca junto à escola mantida pela Developing Minds Foundation, apresentado a ciência da NASA através de experimentos práticos e de viagens de campo à Amazônia e à costa brasileira, utilizando drones, simuladores e robôs subaquáticos para aprender sobre seu lugar no universo e a busca por vida fora da Terra, de olho no nosso mais promissor vizinho, Marte.

Armados com o conhecimento e com a curiosidade estimulada, as crianças da comunidade passarão os últimos dois dias do programa desenvolvendo um projeto para a HiRISE, a super câmera digital que já capturou imagens impressionantes do planeta vermelho. Os alunos controlarão o equipamento rumo a uma área ainda não mapeada de Marte e farão imagens, e dessa forma estarão contribuindo de forma significativa para a exploração espacial. Todo o programa será filmado e no fim virará um documentário.

Claro que um projeto desses precisa de dinheiro, por isso o pessoal da Mars Academy abriu um Kickstarter onde pedem US$ 30 mil, uma ninharia se avaliarmos os benefícios que o programa trará para as crianças da Cidade de Deus. Há diversas recompensas, desde canecas, café e camisetas como uma cópia da imagem que as crianças farão de Marte, um sketch do projeto, um kit do robô submarino OpenROV e até um tour pelos laboratórios da JPL na NASA.

Eu acredito que um projeto desses merece ser financiado e expandido para mais crianças carentes, a fim de permitir que mais delas possam ver que sim, é possível aprender, fazer ciência e contribuir com pesquisa espacial, e estimulá-los a perseguirem um futuro brilhante. É o que todos queremos.

Fonte: KS.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Diego Tietz

    Um baita projeto desse tendo que passar a sacolinha e o filme sobre a vida do José Dirceu vai captar R$ 1,5 milhão pela Lei Rouanet.

    • DanielBastos

      O filme do Lula tb deve ter captado uma boa grana. Se o FHC fizer um tb vai na mesma linha.
      Propaganda é a alma do negócio.

    • Arthur Sales Gomes Ferreira

      Essa notícia é tão verdadeira quanto qualquer outra da Veja… Não acredite em tudo que lê na internet meu jovem.

      • Diego Tietz

        Até o Brasil247 confirmou essa informação. Nem pra dar um Google antes? Valeu, Paulo Freire!

  • Odair Zundel

    Ótima iniciativa, quem me dera ter tido tal oportunidade!

  • Icaro Kossmann

    Um texto sobre exploração espacial sem falar de sandália de pneu e datilógrafo da AEB, poxa, Cardoso finalmente trocou a fita 🙂

    Ops… Não é do Cardoso 😛

    Falando sério: belo texto e bela iniciativa, isso sim é o caminho pras coisas mudarem, que venham mais iniciativas e que nós possamos criar mais iniciativas como essa.
    Parabéns pelo texto Ronaldo.

  • Sandro Ceara

    Sem desmerecer a iniciativa, mas um projeto como esse quase ninguém tem acesso por vias normais.

    • DanielBastos

      Sim, mas acho que a intenção é dar mídia ao problema da educação. O lance é causar impacto.
      Os estudantes não vão fazer grande coisa. Eles vão só seguir um “script”.
      Mas no meio desse mar de hipocrisia que é o governo e oposição, qualquer pequena atitude que aponte pro lado bom da força vale mais minha atenção.

      • Sandro Ceara

        Eu entendo isso e concordo.
        O que questionei é que as atividades não são acessiveis á 99% dos estudantes (“…viagens de campo à Amazônia e à costa brasileira, utilizando drones, simuladores e robôs subaquáticos…”), independente de ele morar na periferia ou não.

    • Cleyton Slaviero

      E o que há de mal nisso?

  • Enquanto isso a AEB planeja a próxima bosta que vai deixar “boiando” lá em cima sem dar a devida descarga.

  • Christian Oliveira

    Mas e o alunos super capcítados de instituições top, não deveriam eles participar, para assim termos um melhor aproveitamento do pouco tempo que teremos disponível? Já não chega dar de mão beijada algumas vagas de faculdades públicas, para alunos que não temos certeza que serão alguém na vida?

    Eles aceitam paypal também.

    http: //www. developingmindsfoundation. org/ donations/

    • Big Joe

      Pensei a mesma coisa. Mas como sou coxinha, elitista e um pária da sociedade em potencial, minha opinião não conta. Os “com potencial” que continuem se danando (ou indo embora do país, para somar com nações que os valorizam). O importante é “jogar pra torcida”.

      • Christian Oliveira

        Assistindo a abertura do Cosmos (o novo), vemos que paixão é o maior mérito que alguém pode ter e compartilhar.

    • Sergio Fagundes

      Existe uma diferença GIGANTE entre dar oportunidade a todos e remover a oportunidade de quem merece. Pra dizer a verdade em 2 faculdades e uma especialização mal vi 8 pessoas que realmente mereciam estar lá (não por fatores emocionais e sim por competência e capacidade).

      E os alunos capacitados de instituições TOP recebem MUITO incentivo, ciências sem fronteiras é um exemplo.

      Agora porque tão fazendo uma vaquinha para estimular crianças a ciência vai fazer mimimi?

      • Christian Oliveira

        Por que até mesmo o mais competente dos alunos pode não ter vocação alguma para ser cientista.

        • Sergio Fagundes

          Mas estimular a ciência não é apenas para quem tem vocação. Ou tu acha legal o monte de MERDA que o povo fala, por exemplo, quando falam de coca-cola? Não acha que um povo pelo menos interessado em ciência não seria um povo menos babaca?

          • Christian Oliveira

            Não, estimular ciência, assim como qualquer outro estimulo, deve ser feito de todas as formas e em todos os cantos, é como estimular um filho, vc pode fazê-lo ser um bom e até um ótimo engenheiro só para dar continuidade numa tradição de família, mas pode ser que ele tenha deixado de ser um excepcional cientista por nunca ter qualquer tipo de estimulo.
            Isso vai muito de como é feita a educação, preparamos pessoas para serem plug and play para atender o mercado, mas não poderíamos formar pessoas pensantes e estimular a vocação de cada um, sem pensar apenas no lado comercial?

    • Gabriel reis

      Um projeto como esse TEM que ser para alunos carentes. Já passei por essa situação e te digo que a maior barreira para esse tipo de aluno é a da motivação: “pra quê vou ‘me matar’ de estudar? Fulano que conheço já tá tirando R$ XX,XX fazendo Y (seja uma ocupação legal ou não) e ele nem estudou!”
      Iniciativas como essa abrem horizontes e não tiram a oportunidade de quem já sabe o valor do estudo.

      Só espero que estejam planejando uma experiência decente. Se esse projeto for só Marketing e selfies, volta tudo pra estaca zero.

      • Christian Oliveira

        Sim, concordo, o meu comentário foi irônico, não acredito em meritocracia, não da forma que é propagandeada para defender uma exclusão qualquer que ela seja.
        Na minha linha de raciocínio meritocracia não é excludente, são formas diferente de abordam um mesmo problema, quanto menos abordamos um problema ou sintetizamos em apenas uma resolução, mais “pobre” será o resultado.

  • Acho que se a AEB em vez dos “cubosats” tivesse lançado da estação espacial internacional a “maquina do datilografo”, poderia dizer que botou algo que funciona e tem utilidade lá em cima.

  • Cleyton Slaviero

    Uma pena o projeto apenas enviar o que for “pledged” pros EUA. Tenho certeza que ia ganhar muito mais grana se enviassem pro Brasil também…

    • Renan Carvalho

      Entrega no Brasil sim:

      Estimated delivery: Dec 2015

      Only ships to: Brazil, United States, European Union

      • Cleyton Slaviero

        Opa, my bad! Talvez o Brasil com z tenha me confundido, mas juro ter visto USA only… Anyway, ignore o que disse antes, acho que vale o pledge!

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