Você já foi à Bahia? Stallman já.

Por: em 22/11/07 na(s) categoria(s): Open-Source


O santo-padroeiro do Software Livre esteve na Bahia, fez duas palestras em Salvador, no Goethe Institut e no Hotel Fiesta. (isso tem nome de estabelecimento suspeito. Baianos do site, por favor esclareçam)

O Jornal A Tarde fez uma entrevista com o cidadão, e ficou bem legal. Apesar do título “Não é fácil entrevistar Richard Stallman” e de começar com:

A dificuldade de entrevista-lo não vem (apenas) do nervosismo de falar com alguém tão importante, mas do fato de ele interromper quase todas as perguntas para discordar do uso dessa ou daquela palavra, desse ou daquele conceito.

O texto ficou legal, com boas perguntas. Pela introdução imaginava algo digno de um fanboy, mas o repórter lembrou-se que na terra de ACM figuras messiânicas não são novidade, e partiu para um questionário pesquisado (coisa rara) feito para leitores leigos.

Infelizmente o jornal não é lá muito progressista, e o discurso de liberdade do Stallman está protegido pela área de assinantes. Esperemos que algum blogueiro “liberte” o texto e publique-o na íntegra. Como gostinho, uma das perguntas:

AT – No Brasil é muito comum o uso de software piratas…

RS – Não acho que exista pirataria no Brasil nos dias de hoje, a pirataria era encontrada no Caribe, mais perto da América. E os piratas não usavam computadores, eles usavam metralhadoras. O ponto é que usar a palavra “pirataria” para falar de “troca de arquivos entre as pessoas” é fruto de um tipo de propaganda ideológica. Piratear é ruim e compartilhar com outras pessoas é algo bom, então não devíamos usar a palavra pirataria para falar disso.

Piratas? Metralhadoras? Acho que ele  se libertou do History Channel faz tempo… sem contar que  piratas clássicos também existiram no Brasil…

Fonte: Leo Baiano

ATUALIZAÇÃO
O Danilo, autor da entrevista, avisa que o texto completo está disponível no blog da editoria juvenil do jornal.

  • marcblack

    O ponto é que usar a palavra “pirataria” para falar de “troca de arquivos entre as pessoas” é fruto de um tipo de propaganda ideológica. Piratear é ruim e compartilhar com outras pessoas é algo bom, então não devíamos usar a palavra pirataria para falar disso.

    Adorei o tapa na cara. Já estou curioso para ler a entrevista na íntegra.

    ___

    Sail on, sing the song, carry on – WE ROCK!

    • Paulim

      Imagino um debate sobre pirataria entre esse cara e alguém da indústria de softwares. No mínimo, ia sair faíscas.

  • rtfranco

    LOL. Pirataria caribenha. hauahauaahuhaua
    O cara tem senso de humor.

  • http://geek.comopiniao.com.br glhleite

    Imagina você pesquisa e pesquisa sobre um assunto. Aí toda palavra que você pesquisou o entrevistado fala que tá errada. Eu também ficaria meio com raiva (para nao dizer p@#$) e botaria esse título =D

    Também estou curioso para ler alguem que assina libera ai

  • jackstone

    Sera que ele vai processar o jornal pela entrevista dele nao ser pelo Creative commons?

    Tenho medo do sr. xiitaopenfree!

    • http://geek.comopiniao.com.br glhleite

      Olha é mesmo, tem isso! O que será que ele fará se descobrir que só assinantes podem ler na integra?

      • xultz

        Não fará nada, ele não é muito simpático pelo Creative Commons. Os motivos? Pesquise, é muito chato ficar explicando o Stallman neste site.

  • marcus

    Em relação ao título: já é a terceira vez que o Stallman vem à Salvador.

    Em relação ao Hotel: o Fiesta é um grande hotel daqui que tem um bom centro de convenções, por isto é bastante utilizando para eventos: http://www.fiestahotel.com.br/


    http://marcus.idevs.net

  • PauloBotelho

    “RS – Não acho que exista pirataria no Brasil nos dias de hoje”

    Isso porque ele nunca foi no StandCenter…

    • marcblack

      A pirataria à que ele se refere é no estilo Jack Sparrow, sacou?

      Explicar piada sux a lot… >_<

      ___

      Sail on, sing the song, carry on – WE ROCK!

      • PauloBotelho

        conversa com alguem que trabalhe no porto de santos a noite e vc vai ver se náo tem essa pirataria aí.

        • Wallacy

          Ele estava sendo irônico… Fez uma brincadeira, com a palavra pirataria.

          Ninguém pode ser inteligente e ter senso de humor ao mesmo tempo?

          • crazybyte

            Não pode. Você deve escolher.

            :P

            É… tem 2 coisas que eu ainda vou conseguir:

            1. Não me levar a sério.

            2. Não levar os outros a sério.

            Não, necessariamente, nessa ordem.

            .. … – — . — .. -. …. .- .- … … .. -. .- – ..- .-. .- . — -.-. — -.. .. –. — — — .-. … .

  • http://geek.comopiniao.com.br glhleite

    O ponto é que usar a palavra “pirataria” para falar de “troca de arquivos entre as pessoas”

    Ele só esqueceu que o problema maior não é troca de informaçao e sim venda de informação e produtos, que alimentam máfias, exploração e principalmente o tráfico e o crime organizado. Eu acho que nessa ele foi completamente inocente, ou mal-informado sobre como a pirataria acontece no Brasil.

    • ironman_br

      Ou ele pra variar quis ser chato e do contra e falou besteira.

      []‘s

    • http://coop10.wordpress.com/ russoedu

      Vc realmente acredita na propaganda das gravadoras de que a pirataria alimenta o crime organizado??? Fala sério, quanto lucro tem que ter em um CD de 10 reais para valer a pena não vender cocaína pra filhinho de papai?

      Vai dizer que acreditava tb que “Fitas piratas podem estragar seu Videocassete”!!!

      • http://geek.comopiniao.com.br glhleite

        Eu não estou falando de CD de 10 reais que qualquer um copia em casa, to falando de contrabando de mercadoria que muitas vezes vêm junto com o contrabando de drogas.

        • http://pietra@hotmail.com Anônimo

          Mas a indústria fonográfica generaliza suas acusações para todo mundo.

          Ou seja, se o cara copiou um cd que ele gosta para um amigo, sendo a indústria, ele está alimentando a violência !?!

          Não são eles que gostam de processar velhinhas inocentes? Ou eram crianças… não lembro direito..

          • http://geek.comopiniao.com.br glhleite

            Isso eu concordo

    • xultz

      Talvez o problema seja que mundo afora, principalmente nos EUA e Europa a pirataria se dá por meio de torrents e afins, então talvez ele esteja com esta imagem da pirataria, e provavelmente nunca passeou numa 25 de março, eu acho…

    • Wallacy

      Pelo que eu entendi, ele se refeiu aos casos que onde existe a generalização da “troca de arquivos” como pirataria.
      Vide emule, torrents, etc… Que são métodos de troca de arquivos, porem, alguns pegam esses arquivos e vendem, ou seja, pelo que eu entendi, foi uma maneira de separar as duas idéias, em uma mesma frase.

  • danfraga

    Cardoso, eu fiz a entrevista (apesar de não ter dado o título). Concordo que o jornal não é nada progressista, mas nós da editoria juvenil temos um blog (blogdodez.atarde.com.br, sem o www) no qual colocamos tudo o que a gente escreve, inclusive essa entrevista “na íntegra”. Não está totalmente na íntegra, porque teve coisas que eu não transcrevi da vita (coisas bem engraçadas até).

    Danilo Fraga

  • ljunior

    Cardoso, pesquisando um pouco mais no site do Jornal encontrei um blog onde a entrevista foi divulgada na integra:

    http://blogdodez.atarde.com.br/

    Não tem permalink mas é só rolar a barra um pouco para encontrar a entrevista.

    Leo Baiano.

  • http://www.pensarics.com rics

    O Stallman já é mais louco que o Inri Cristo faz tempo, mas agora está ficando mais chato também. O Inri, apesar da sua completa insanidade, é simpático, carismático e até aceita umas piadinhas aqui e alí.

    Eu queria descobrir qual dos dois é parecido com o outro. Uma dúvida Tostinística que eu tenho.

    Gosta de música?
    http://ricnroll.wordpress.com

    • carloshp

      “O Stallman já é mais louco que o Inri Cristo faz tempo, mas agora está ficando mais chato também. O Inri, apesar da sua completa insanidade, é simpático, carismático e até aceita umas piadinhas aqui e alí.”

      Sem contar que INRI Cristo é o cara no boliche! Duvido o Stallman fazer 3 strikes seguidos feito ele…


      Tecnologia deve ser o meio, não o fim.

      • DomainAdmin

        Ele só joga se o projeto da bola, dos pinos E o software de controle da pista forem open source…

        ———–
        Esta é minha assinatura :)
        “linux é mac de pobre”

    • xultz

      “O Inri, apesar da sua completa insanidade, é simpático, carismático e até aceita umas piadinhas aqui e alí.”
      De qual Inri Cristo você está falando? Certamente não é do mesmo mala que adora atravessar o calçadão da XV sendo carregado nos ombros, aqui em Curitiba…

  • carloshp

    “AT – No Brasil é muito comum o uso de software piratas…

    RS – Não acho que exista pirataria no Brasil nos dias de hoje, a pirataria era encontrada no Caribe, mais perto da América. E os piratas não usavam computadores, eles usavam metralhadoras.”

    Metralhadoras ? Engraçado, eu sempre imaginei piratas usando espadas, no máximo uma garrucha ou bacamarte…

    Quanto à opinião do ídolo do Cardoso: o cara é um xiita solitário bancando o Dom Quixote, e eu acho que ele tem muito mais importância (e prestígio) aqui no MeioBit do que no resto do mundo. Pay no attention in the long bearded guy behind the curtain, é o que eu digo.


    Tecnologia deve ser o meio, não o fim.

    • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

      Não acho que Stallman seja um Dom Quixote. Dom Quixote foi um personagem romântico, querendo ressuscitar algo que não existia mais, ou estava se acabando. Stallman, na minha opinião, é o contrário, é vanguarda. Muito do que ele diz hoje não faz sentido para muita gente, principalmente quem tem como religião o Mercado, que acha que as coisas só funcionam com base nisso, e que coisas boas só vêm de grandes (ou pequenas) corporações. No final das contas isso acaba criando amarras, pois você fica refém de determinado software ou sistema por causa de uma escolha que, muitas vezes, nem é feita por você, mas por outros, e você, para se tornar “compatível”, tem que comprar o mesmo software que eles compraram. De que adianta comprar o Zoner Draw se a maioria usa o Corel Draw?

      Ele pode se repetir muito, ser um chato algumas vezes e do contra em outras. Mas não se pode negar que ele tem uma visão aprofundada sobre a questão de liberdade de informação, pirataria, etc.

      Não precisamos concordar 100% com o que uma pessoa diz, mas acho o pensamento do Stallman e da FSF muito coerente para o futuro do uso de computadores.

      Eu só acho que ele exagera um pouco na questão do maniqueísmo, e, no final, acaba soando um pouco infantil, ou tipo aqueles manifestantes do PSTU ou PSOL.

      • carloshp

        “Não acho que Stallman seja um Dom Quixote. Dom Quixote foi um personagem romântico, querendo ressuscitar algo que não existia mais, ou estava se acabando. Stallman, na minha opinião, é o contrário, é vanguarda.”

        Eu já entendo por Dom Quixote alguém que vive dentro de uma redoma formada pelo seu mundo ideal e fica se debatendo contra a realidade por isso. Neste contexto, ele é o próprio, montado no seu Roncinante e tudo.

        Não me entenda mal: sou defensor do conceito de OSS. Mas sou defensor mais fervoroso ainda da liberdade de escolha individual. Se você um dia resolver abrir o código fonte de um trabalho seu sob a GPL ou outra licença equivalente, terá meus parabéns. Mas se você resolver manter o resultado do seu esforço para você mesmo, ou licenciá-lo apenas para quem lhe pagar o que você achar justo, eu vou entender e defenderei seu direito a isso. E é aí que o Stallman falha grotescamente: em acreditar que os ideais dele podem se sobrepôr à vontade de cada indivíduo.


        Tecnologia deve ser o meio, não o fim.

        • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

          “Mas se você resolver manter o resultado do seu esforço para você mesmo, ou licenciá-lo apenas para quem lhe pagar o que você achar justo, eu vou entender e defenderei seu direito a isso.”

          Eu entendo isso, mas ao mesmo tempo, porque diabos o fato de você ter tido a idéia lhe dá o direito de exigir que os outros lhe paguem para ter acesso à sua “descoberta”? Aí que entra a questão. Se um cara corta sua grama e você não paga, qual crime você comete? Será julgado em que alçada? Na trabalhista, óbvio. Agora, se um indivíduo programa um software, você o usa e não paga, na minha opinião, está cometendo o mesmo crime, usufruindo o trabalho de outrem sem o pagamento, é um crime trabalhista. Não sei se isto faz sentido, mas pra mim faz. Esse negócio de propriedade intelectual é algo muito bizarro, e moderno, já que, se não me engano, surgiu no século passado. Ou seja, não é natural (no fato de ser inerente ao ser humano) que o fato de você ter tido e/ou desenvolvido a idéia lhe dê o direito de explorá-la, mas algo construído pela sociedade, logo, é um conceito social.

          É uma idéia meio abstrata, ainda mais para nós que só estamos acostumados a estes conceitos, mas aí eu dou o clássico exemplo de antropólogo (não sou antropólogo, só tenho afinidade): “em diversas tribos conceitos como o de propriedade são inexistentes. qualquer tipo de propriedade” claro que nessas tribos não existem computadores, e muito menos nós somos tribos, mas é só para quebrar esse conceito que muita gente tem por natural, mas que na verdade é social. Não quero invalidar os conceitos sociais, pois, se estabelecidos pela sociedade, são tão válidos (ou mais) do que os naturais, já que os naturais provém do instinto, os sociais de nossa racionalidade, é o que nos faz humanos. Mas, da mesma forma que os conceitos sociais transformam-se com o tempo, esse conceito de propriedade intelectual pode, sim, transformar-se com o tempo também. Hoje nos parece natural o conceito de “eu tive a idéia, eu a exploro”, pois somos uma sociedade individualizadora, que não pensa tanto no coletivo, mas daqui a uns anos pode ser diferente o pensamento, ele pode ser assim: “eu tive a idéia, mas faço parte dos seres humanos, logo, esta idéia pertence a todos os seres humanos” pode parecer um conceito utópico, mas peço para tentarem abrir suas mentes e tentar enxergar as coisas deste jeito.

          Se formos comparar Stallman a Dom Quixote pelo fato de ele ter um mundo ideal e lutar por ele, mesmo que o exterior seja contra, teríamos que colocar nesse balaio Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela, Steven Biko (não consigo pensar em nenhum nacional), etc. nesse balaio, por serem pessoas que lutaram por algo que não era prioridade em seu tempo. E por causa deles tivemos avanços na questão dos direitos humanos e na luta pela paz.

          Isto é para mostrar que software não é só software, envolve muitas outras questões, história, sociologia, antropologia, psicologia… Pode-se até pode achar que sim, software é só software e pronto. Mas aí digo que isto sim é viver em uma redoma de vidro, voltado ao seu próprio umbigo. Isto não faz diferença alguma ao indivíduo? Bom, aí é outra história.

          Mas eu ainda acho que se nossa sociedade tem suas regras, e não concordamos, prefiro que andemos de acordo com elas, mas lutando para mudá-las, do que andar à margem delas. Assim não se consegue nada.

          Perdoem-me pelo comentário longo, só achei que este é um bom momento para explicar meu ponto de vista acerca da propriedade intelectual.

    • xultz

      Será que ele não disse guns e o entrevistador traduziu metralhadoras pensando em machineguns?

      • danfraga

        Não, ele falou machineguns mesmo. Eu tenho a “fita”. Eu acho que ele tem um pouco de auto-ironia (não posso provar). Um exemplo, eu perguntei: “O mundo só com softwares livres teria alguma desvantagem?”. E ele: “Pode até ter, mas não sou eu que vou falar”.

  • http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia Jaim Balbino

    Não entendi…

    Já li posts seus em que reclama efusivamente da distribuição não autorizada dos seus textos e também da sua repulsa ao Creative Commons.

    Tudo bem, sou da opinião legal de que o texto é seu e cabe a você permitir as formas de distribuição que quiser. No meu caso só exijo que sejam mantidos o autor (é claro) e o site original (coisa que nem sempre acontece).

    Mas fiquei espantado em ver você estimular a divulgação de algo de maneira não-autorizada pelo autor. Sei que vai dizer que isso é “policiamento besta” (e é mesmo, admito!), mas queria entender onde foi parar a coerência.

    Um abraço,

    Jaime Balbino
    Learning Designer e Consultor em automação do ensino
    http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia
    http://mobeduc.blogspot.com

    • http://pietra@hotmail.com Anônimo

      isso é patrulhamento besta, e se você lesse os comentários direito veria que o próprio autor da entrevista foi o primeiro a divulgar o texto.

      Fala sério, isso tudo é vontade de implicar?

      http://www.contraditorium.com

      • http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia Jaim Balbino

        1. Quando postei o comentário ainda não havia sido adicionada a informação da liberação do autor.

        2. Você solicitou a liberação aos blogueiros (e não ao autor) e quando a fez também não tinha essa informação.

        3. O autor não é o dono do jornal, assim como Stallman não pôde impor a forma de distribuição.

        4. Já confessei a implicância e aceito os 3 minutos no purgatório por isso.

        Jaime Balbino
        Learning Designer e Consultor em automação do ensino
        http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia
        http://mobeduc.blogspot.com

  • Rafael Vasconcelos

    Eu li a a entrevista.
    O cara realmente pensa “seja livre ou morra !” :P

    ————————————————————–
    “Do que adianta saber fotografia se não tem nada bonito pra fotografar ?”

  • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

    AT – Os laptops do programa Um Computador por Criança, adotado pelo governo federal, utilizam Gnu/Linux. O que você acha da utilização de softwares livres na escola?
    RS – Eu diria que é uma ótima iniciativa se não fosse por um ou dois softwares proprietários instalados nesses computadores. As escolas, e, principalmente, as públicas, têm a responsabilidade de só ensinar software livre para os alunos, por vários motivos. Em nenhum lugar do mundo as escolas têm muito dinheiro e usar software livre é uma forma de economizar, mas não é só isso. As crianças têm uma curiosidade de saber como as coisas funcionam e só com os softwares livres os professores podem ajuda-los a ler o código e a programar. E também tem a questão moral: a escola não ensina só técnica, ensina ética e só o software livre é resultado de um sistema social ético.

    Nossa, acho que ele humilhou nesta questão, tirando a parte onde diz que o professor pode mostrar à criança a ler o código e ensinar a programar, a não ser um professor capacitado. E crianças programando? Ia ser no mínimo curioso! Mas enfim, concordo quando ele diz que a escola não ensina só técnica, mas ética também. Uma escola, principalmente pública, tem o dever de ensinar as crianças a parte da informática utilizando ferramentas “públicas”, tanto pela questão econômica quanto pela questão ética.

    “Professor, onde foi comprado esse Windows? Queria comprar um pra mim.”

    “Ah, não foi comprado, um amigo do diretor conseguiu pra ele, quer uma cópia? Eu faço pra ti.”

    Belo exemplo, hein?

    • http://pietra@hotmail.com Anônimo

      Com certeza, afinal é impossível aprender a programar e pegar gosto pela coisa usando softwares proprietários.

      Vide Clipper, Turbo Pascal, MS Basic e tantos outros que nunca levaram um único garoto para a área de TI.

      http://www.contraditorium.com

    • xultz

      Voc~e já viu crianças pré-escolares (ou seja, sem alfabetismo ainda) operando computadores, navegando na internet, usando DVDs, celulares, etc? Eu já. Uma crinça em período escolar consegue aprender a programar muito facilmente.

    • xultz

      Voc~e já viu crianças pré-escolares (ou seja, sem alfabetismo ainda) operando computadores, navegando na internet, usando DVDs, celulares, etc? Eu já. Uma crinça em período escolar consegue aprender a programar muito facilmente.

    • hamacker

      Eu aprendi a programar num CP400, depois num Apple II, acho que foi aos 14/15 anos que brincava de CPM com o Dbase II nele. Depois as coisas ficaram mais simples com o MSX (aquele hotbit da sharp) e era viciado naquelas revistas INPUT e aquela do Renato Degiovani (ou alguma coisa parececida).

      Já entendia o que era sprites e como fazer para movimenta-los, calculos em OCTAGONAL e BINARIO era pre-requisito para muitas instrucoes em codigo de maquina que deviam ser passadas por PEEK/POOK no interpretador do MSX.

      Não fui nenhum filhinho de papai e estudava numa escola publica.

      Nao vejo o porque de uma criança não aprender a programar. tenho certeza que elas não começarão com C++ e ponteiros na primeira aula, mas lego, basic, … e tantas outras como o gcompis é perfeitamente possível.

      • crazybyte

        Como assim “…e aquela do Renato Degiovani…”??

        Por favor, mais respeito quando mencionares a “Micro Sistemas“!

        ;)

        .. … – — . — .. -. …. .- .- … … .. -. .- – ..- .-. .- . — -.-. — -.. .. –. — — — .-. … .

  • irvin

    Acho que esse stallman vai acabar caindo no esquecimento algum dia, com todo esse discurso de liberdade dele, muitas pessoas que não são da área de TI consideram ele apenas um comunista frustrado, de um ponto de vista seria melhor considerar o open source como um modelo de desenvolvimento de software, e ignorar a parte de distribuição gratis e o resto que faz lembrar um pouco o comunismo, se fosse assim talvez os programas ditos livres ja teriam emplacado no mercado domestico que é onde o open source tem menos mercado.

    • http://pietra@hotmail.com Anônimo

      Os programas BONS emplacam, o consumidor está se lixando pra ideologia por trás dele.

      Exemplos: Apache, Ghostcript, o próprio Linux no caso dos servidores.

      Eu diria que 90% dos sites que usam Apache sequer sabem da existência do Stallman e seus amiguinhos vermelhos.

      A METODOLOGIA open source é muito mais bem-sucedida que a IDEOLOGIA, que nada mais é que válvula de escape de uma juventude seu causas verdadeiras ou ídolos utópicos, já que ficou insustentável andar por aí com camiseta do Che.

      http://www.contraditorium.com

      • http://megalopolis-blog.com Fabiane Lima

        já que ficou insustentável andar por aí com camiseta do Che.

        Pô, o biquini da Gilele Bündchen com estampas do Che é lindo!

        Megalopolis

        • http://pietra@hotmail.com Anônimo

          tem certeza de que não era praia de nudismo e uma depilação assim meio anos 80?

          http://www.contraditorium.com

          • http://megalopolis-blog.com Fabiane Lima

            Ó:

            Obs: caramba, ela não tem bunda!

            Megalopolis

          • hamacker

            Em compensação, o que tem de osso…

          • Donnie Darko

            eu namoraria a Gisele…

          • ghustavo

            Fabi mulher chester
            80% peito o resto as@$ ops, braços pernas e coxas.
            ______________________________
            O Mundo Roda e a Pomba Gira

      • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

        Eu não sabia da existência do Stallman, :-P conheci através daqui. Olha a ironia! Lendo algumas coisas dele percebi algumas afinidades de idéias com coisas que já venho pensando desde a popularização do open source. Apesar de não concordar com algumas coisas, mas ninguém, nunca, concorda totalmente com outra pessoa. Se o fizer alguém estará mentindo.

        E não é uma “válvula de escape de uma juventude seu causas verdadeiras ou ídolos utópicos”, na minha opinião é uma ideologia séria, que se preocupa com questões sérias. Pode não fazer muito sentido no mundo altamente capitalizado de hoje, mas ainda fará muito sentido. Não é à toa que vem se popularizando cada vez mais. Os partidos de esquerda e os jovens revolucionários preguiçosos são tão atrasados que não se deram conta disso para se apropriarem dessa ideologia. Ainda acham que a saida é a luta armada e ficar gritando “Fora FMI, Fora Bush, etc.”, logo, não é correto relacionar a filosofia do software livre a estes jovens, até porque eles nem sabem o que é isso. Infelizmente ou ainda bem, sei lá.

    • Wallacy

      Acho que não, o Stallmam está para o GNU assim como Bill Gates está para a Microsoft, um dia, ele vai ser lembrado como o cara com ideais.. etc.. etc… que não aceitava software proprietário nem para acender vela.. etc.. etc…

      Hehe :)

  • paiva.thiago

    “RS – Eu diria que é uma ótima iniciativa se não fosse por um ou dois softwares proprietários instalados nesses computadores.”

    ele não perdoa nada! pelamor!

  • crazybyte

    Stallman é o cara. Só pela possibilidade do Cardoso se vestir de Santo IGNUcius o Stallman já valeu o parto que lhe pariu.

    .. … – — . — .. -. …. .- .- … … .. -. .- – ..- .-. .- . — -.-. — -.. .. –. — — — .-. … .

    • paiva.thiago

      FATO!

  • Wallacy

    kkkk adorei a entrevista, morri de rir em varios pontos.

    Ele deve ter um daqueles manuais de cabeceira do tipo “Sendo irônico e defendendo suas idéias”…

    Hehe..

    “AT – Certo, eu ia perguntar quais as vantagens entre usar um software pirata, que é de graça, e um software livre?
    RS – Não gosto da palavra vantagem, porque ela parece dizer que as duas coisas são boas e uma é um pouco melhor. Troca ilegal não é ruim, mas é perigosa. Uma vantagem do software livre é que você pode compartilhar sem o perigo de ser preso. Quando um amigo seu pede uma cópia de um software proprietário, você tem duas escolhas: ou magoa seu amigo e não o dá a cópia ou fere a licença do software. O mal menor é desagradar a empresa, que não é sua amiga. Mas o único bem é ter apenas softwares livres, que além da liberdade de troca outras liberdades importantes. ”

    Adorei essa parte, soou como: Olha pirateia, a empresa não vai gostar, mais pelo menos você não vai magoar sua amiga hehe… kkk

    “Quando o Santo IGNUcius se manifestou pela primeira vez?
    RS – Eu inventei o Santo IGNUcius numa festa de dia das bruxas. Aí um dia eu ia falar num colégio católico e tive a idéia de usar a fantasia. Ia entrar fantasiado, mas tive medo da reação. Então coloquei a fantasia no final e o pessoal adorou. O Santo IGNUcius faz mais sucesso em países católicos, como o Brasil. Mas não é muito bom que saia a foto do Santo IGNUcius no jornal, quem estava na palestra sabe que é só uma brincadeira, depois de 1h30 de fala. A encenação é uma piada, mas os softwares livres não.”

    Depois ainda dizem que ele não tem senso de humor hehe..
    Agora só falta o cardoso colocar a fantasia dele.

    • ghustavo

      Não é o Stallman. ou o Jobs, ou mesmo o “developers, developers, developers, ” que não tem senso de humor, eles 3 tem mais senso de humor que muitos Trolls (ops denovo) leitores que frequentam o 1/2 bit
      ______________________________
      O Mundo Roda e a Pomba Gira

  • ghustavo

    “As escolas, e, principalmente, as públicas, têm a responsabilidade de SÓ ensinar software livre para os alunos,”

    bom não sei quanto a voces, mas ao meu ver a palavra SÓ, não me da muitas opções, com isso (ou seria sem isso??) eu SÓ posso ter uma, unica opção

    perae, cade minha liberdade???

    ______________________________
    O Mundo Roda e a Pomba Gira

    • Wallacy

      hã?

      As vezes as pessoas confundem liberdade de escolha, com a liberdade que a escolha proporciona.

      A idéia é, se você ensina software livre, você tem certeza que a pessoa poderá ter total liberdade para fazer aquilo que quiser, tão quanto em um futuro criar um software proprietário se assim desejar.

      Como diria um antigo professor meu, “software proprietário gera utilizadores, software livre desenvolvedores…”. OK, sei que isso não pode ser levado na literal, mais essa é a idéia.

      Stalman quis dizer, é semelhante a dizer que não se ensina em uma escola hackear programas, apesar que a pessoa tem a liberdade de fazer isso não é? Mais não é algo que deva ser ensinado por ferir os direitos alheios… (Claro é um outro exemplo.. mais é para entender a idéia..).

      Outra fase do Satalman que pode ajudar a você entender essa idéia, é quando ele diz que, quando você usa um software proprietário, a principio você já está limitado, logo é impossível ensinar algo, do qual você não tem domínio completo, no máximo, um pseudo-domínio, que é o que o programador deixou você utilizar.

      E outra de um professor meu, “Liberdade de escolha entre softwares proprietários é comparado a liberdade de escolha que um detento possui de escolher sua comida.”

      Ok, algumas frases são “meio radicais”, mais são geradas por um conceito pré-estabelecido que não existe liberdade de escolha com softwares proprietários. Entendeu de onde saiu essa frase do Stalman?

      • http://megalopolis-blog.com Fabiane Lima

        Mas o modo como ele diz que “só o software livre salva” dá a entender que ele quer impôr a tal da liberdade.

        Megalopolis

        • Wallacy

          Isso é verdade…. Considerando que ele deve falar isso umas algumas milhares de vezes por dia, em muitas delas deve usar algum tom mais ríspido, fazendo crer que ele realmente está afim de “impor” algo.

        • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

          Pode ser que dê a entender, mas não significa que seja assim. Essa é a ideologia dele, oras. E ele a defende como pode. Na opinião dele, só o software livre vale a pena. Só software livre te dá liberdade total. E quem não concordar com isso não tem bom senso. Lendo o comentário do Wallacy, alguém acha que o software proprietário te dá liberdade?

          Esta não é uma resposta direta à Fabiane, mas a algo que venho acompanhando por aqui há algum tempo.

          Aquele discurso de “eles pregam a liberdade mas não dão liberdade de escolha” já tá batido demais gente, qualquer um vomita isso quando alguém faz alguma afirmação contundente acerca do software livre. Parece que é falta de argumento. Por acaso o Stallman ou qualquer um que defenda o software livre vai na casa de cada um de vocês obrigando-os a usar apenas softwares livres? Alguém aqui deixou de usar Windows ou Mac por causa do Stallman? Pois é, então ele não está obrigando ninguém a nada.

          Não defendo aqui o Stallman, só acho ruim essa falta de profundidade nas críticas a ele. Querem criticá-lo, ótimo, critiquem de forma coerente, como o fato de que as pessoas querem um pouco de diversão, que às vezes elas têm que ter algum codec ou algum outro software proprietário para poderem usufruir tudo que a web proporciona. Não é todo mundo que só usa linux através da linha de comando (aliás, me arrisco a dizer que é minoria quem usa assim, digo usuários domésticos, excetuando os servidores que não sei como é). E também não é qualquer um que pode se dar ao luxo de usar apenas software livre, por questões profissionais ou mesmo práticas. Ele mesmo sabe que uma pessoa que usa só softwares proprietários precisa de uma mudança gradual, que pode começar usando softwares livres dentro do Windows, etc.

          Respondendo ao compadre ali em cima, o fato do Stallman dizer que só o uso de software livre é uma escolha responsável não signifca que ele tá tirando a liberdade de escolha. Você pode escolher ser irresponsável, ora bolas. Você pode escolher não ter liberdade, ora bolas. E para você isso pode não fazer a mínima diferença, e você só quer algo que funcione. Mas para ele faz toda a diferença, então por que ele vai ficar quieto? Ele só está divulgando uma ideologia que ele acredita ser melhor, e, na minha opinião, é melhor. E nós, como bons “dodóizinhos”, quando alguém divulga algo para nós, achamos que já estão nos impondo coisas. É só dizer “não, obrigado”. Ímposição seria você ir preso/demitido ou ter alguma retaliação caso não fizesse esta escolha.

  • http://icaju.wordpress.com Mamutti

    “E, mesmo entre os softwares livre, muitos usam um ou outro software proprietário em seu pacote.”

    Oh Santo IGNUcios, peço seu perdão porque pequei: Instalei o driver da placa de vídeo!

    Ele parece um louco ao defender sua ideologia com unhas e dentes, mas ele está certo (em partes). Agora ainda não temos este problema, mas quem sabe, no futuro ter programas para poder usar um computador pode se tornar um privilégio de ricos, ao mesmo tempo que o hardware se torna mais acessível aos que têm pouco dinheiro.

    A única coisa que pode impedir isso de acontecer é o desenvolvimento do software livre. A maioria das pessoas ainda usa programas proprietários porque está preso ao hardware ou porque ainda não há uma alternativa livre com a mesma qualidade, além das questões de compatibilidade.

    O MeioBit é o terceiro mundo nessa questão: não usa só softwares livres mas apoia o seu desenvolvimento (pelo menos a maioria aqui acho que é assim). Para criar alternativas livres é necessário conhecer as proprietárias e entender o porque do mercado preferir esse programa e aí criar uma solução melhor (sem copiar nada, claro), e é nisso que Stallman está errado ao meu ver: Não basta dizer que é livre para que as pessoas usem, tem que funcionar melhor.

    Nenhuma empresa que se preze vai trocar uma solução proprietária por uma livre inferior. Do contrário, se esta solução for melhor ela vai abandonar a proprietária. O caminho para o triunfo do SL sobre o proprietário é óbvio. Mas tem pessoas que não enxergam o óbvio…

    Esta linha que você está lendo é minha assinatura.

  • PauloR

    Stallman é o Cara. Tem coragem, coerência e senso de humor. Não foge da briga. Creio que paulatinamente o mundo lhe vai dando razão.