A Pitoresca História da Cegonha Tagarela

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Nos antigos documentários sobre vida selvagem nas manhãs de sábado na Globo sempre apareciam cientistas com rádios usados para rastrear animais, o que a gente não sabia é que eles só funcionavam por alguns dias, na melhor das hipóteses. E eram inviáveis para animais de menor porte.

Pedir pra um canário-anão carpado da Micronésia carregar um transmissor era forçar a amizade; aves principalmente eram rastreadas através de anilhas:

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Os inconvenientes são muitos. Pra começar, só são úteis quando a ave é recapturada, quem a capturou entende o significado dos códigos e repassa a informação para a instituição que originou a pesquisa. Em caso de aves migratórias, não há como saber se ela foi devorada no caminho, e se parar em um país distante, corre o risco de virar almoço de alguém que está pouco se lixando pro valor científico da anilha.

Pra piorar, muitas vezes a ave está em fase de crescimento e a anilha estrangula a perna, gerando feridas horríveis e a perda do membro.

Hoje em dia com a miniaturização de componentes e baterias, existem alternativas bem melhores, como transmissores que utilizam a rede de celular e funcionam meses a fio, com ajuda de carregadores solares.

Uma ONG ecológica polonesa, EcoLogic, resolveu usar essa tecnologia para estudar o hábito migratórios das cegonhas, e prendeu um transmissor/GPS na ave capturada na cidade de Siedlce, Polônia Central, e acompanhou sua movimentação.

Ela voou mais de 6.000 km até o Sudão, quando então fincou pé e não saiu mais dos arredores de uma comunidade local. Não era o comportamento típico de uma cegonha, e logo a dura realidade caiu na cabeça dos ecologistas, ou mais precisamente, nos seus bolsos.

O tal transmissor tinha um SimCard. Alguém havia capturado a cegonha (cegonha se come?), achado o transmissor, retirado o chip, colocado num celular e usado. Foram mais de 20 horas de ligações em Roaming Internacional.

No final das contas a conta, que a ONG vai ter que bancar, ficou em US$ 2.700,00.

Da próxima vez melhor adestrar a cegonha pra mandar um telegrama.

Fonte: The News.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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