Google entra com recurso contra multa de R$ 9 bilhões da Comissão Europeia

Até que não demorou tanto assim: a Alphabet Inc., joint proprietária do Google anunciou nesta segunda-feira (11) que entrou com um recurso formal contra a decisão da Comissão Europeia para a Competição de aplicar à gigante das buscas uma suntuosa multa de € 2,4 bilhões, ou R$ 9 bilhões em valores de hoje (13/09/2017) por favorecer suas próprias soluções nos resultados de seu motor de busca, prejudicando concorrentes de forma deliberada.

A acusação da Comissão Europeia, que levou à aplicação da multa envolve o Google Shopping, recurso ligado ao Search que faz comparações de preços entre lojas. De acordo com denúncia feitas por serviços concorrentes como Yelp, TripAdvisor e FairSearch o motor de busca privilegia os resultados de sua própria ferramenta em detrimento de outras, prática que nunca foi bem vista pelos reguladores europeus; o algoritmo do Google Search puniria os concorrentes ao destaca-los menos o que leva a uma menor visibilidade, menos cliques e consequentemente um desfavorecimento competitivo ao realizar menos negócios.

Desnecessário dizer que tais práticas do Google está fazendo com que essas companhias percam muito dinheiro: o inquérito da Comissão revelou que o número de acessos aos serviços do Google aumentou 45 vezes no Reino Unido e 35 vezes na Alemanha para tais resultados, enquanto os dos concorrentes perderam 85% e 92% do tráfego respectivamente nesses países.

Na ocasião da aplicação da multa, a implacável comissária para a competição Margrethe Vestager, que é de conhecimento público ODEIA o Google foi taxativa ao afirmar que embora a gigante tenha criado diversos bons produtos bons que trazem uma série de facilidades para os cidadãos europeus, a estratégia da companhia relativa à comparação de preços no Search visa não só atrair os consumidores para uma solução própria supostamente melhor, mas deliberadamente minimizar o alcance de seus competidores ao preteri-los nos resultados. Sob entendimento da UE nenhuma empresa deve ser favorecida em nenhuma hipótese, e o Google é obrigado a dar condições iguais a todas as companhias rivais em seu motor de busca.

Só que sem nenhuma surpresa o Google não pretende nem pagar a multa, nem se adequar às regras impostas. Em junho Kent Walker, SVP e conselheiro-geral da companhia escreveu que “dadas as evidências, nós (o Google) respeitosamente discordamos das conclusões (…) e avaliaremos detalhadamente a decisão da Comissão enquanto consideramos uma apelação, e pretendemos continuar a defender nossa posição”. Em suma, no entendimento de Mountain View a companhia não é nociva à competição (hahahahahaha) e continuará a defender seus negócios da maneira que sempre os administrou.

Agora o Google irá mais uma vez À corte defender seu modelo de negócios mas sendo sincero, os reguladores farão de tudo para derrotar a empresa em todas as instâncias possíveis: além do Google Search há discussões envolvendo o “Direito ao Esquecimento“, o Android, o Google Imagens, o Adsense, o YouTube e as maracutaias para elisão fiscal, sem falar que é desejo do bloco partir o Google ao meio, separando o Search do resto e força-lo a compartilhar seu Graal, o algoritmo de buscas com a concorrência.

Resumindo, a briga é gigante e não tem data para acabar. E sendo pragmático dificilmente o Google vai se safar.

Fonte: Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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