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Review — Moto 360 Sport

Testamos o Moto 360 Sport, o smartwatch Android Wear da Motorola com foco esportivo.

4 anos atrás

Moto 360 Sport

O Moto 360 Sport é um dos relógios da nova linha de smartwatches da Motorola — e o único dessa geração à venda no Brasil.

Com foco em esportes e GPS integrado ele mira nos relógios esportivos como os da Garmin, que até estão na mesma faixa de preço do 360 Sport. Mas será que ele entrega o bastante pra convencer quem usa esse tipo de relógio à investir em um smartwatch, uma categoria ainda na infância?

Hardware

Moto 360 Sport - back

Ao contrário do Moto 360 tradicional, o 360 Sport tem o corpo e a pulseira em uma peça única, de silicone. Dessa forma, não é possível nem mesmo trocar a pulseira. No exterior estão disponíveis três cores mas por aqui você pode escolher qualquer cor, contanto que seja preto.

Isso é chato porque você não pode usar uma pulseira mais casual quando não estiver praticando alguma atividade física, mas o relógio é bastante discreto e se confunde facilmente com um modelo convencional. Já a pulseira é bastante confortável e o único problema é que ela suja muito fácil, ainda mais depois de alguma atividade física intensa que te faça suar muito.

Ao menos o Moto 360 Sport tem certificação IP67 e pode ser submerso em até um metro de água, o que protege do suor e ainda te deixa mais tranquilo pra lavar a pulseira.

Mesmo com reflexos, é possível ver as informações da tela

Mesmo com reflexos, é possível ver as informações da tela

Um grande destaque do 360 Sport é a tela híbrida, que a Motorola chama de AnyLight: em vez de apenas desligar o backlight (ou até mesmo a tela toda), ela entra em um modo de alto contraste que aproveita a luz do ambiente para iluminar a tela. Assim, você consegue ver o que estiver na tela do relógio de qualquer ângulo, algo que não acontece com muitos smartwatches.

Em compensação, no modo “tradicional” as cores são meio lavadas e o ângulo de visão é um tanto ruim: facilmente um verde fica branco dependendo de como você olha pro relógio. Mas se esse for um efeito colateral do AnyLight, eu acho uma boa troca.

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E sim, a tela continua com aquela faixa no rodapé da tela, não sendo um círculo perfeito. Isso é algo que incomoda muita gente, mas não achei um problema usando o relógio — em pouquíssimo tempo você nem nota mais a faixa ali. Eu acho que ao menos nesse relógio a faixa poderia ser abolida: a justificativa da Motorola sempre foi que ela existe para dar lugar ao sensor de iluminação e alguns circuitos da tela, mas uma vez que o 360 Sport não pode trocar pulseiras, existe mais espaço para colocar esses componentes…

A bateria geralmente dá pra um dia completo. Com uso “leve”, em um dia usando apenas o relógio sem interagir com muitos apps, ela durou pouco mais de 24 horas. Porém, foi só usar o aplicativo de corridas do Moto Body por cerca de uma hora que lá se foi 25% de carga… É, não dá pra fazer milagre com GPS embutido e 300 mAh de bateria.

Quanto ao hardware interno, as especificações do Moto 360 Sport são as mesmas de praticamente toda a concorrência com Android Wear: um SoC Snapdragon 400 de 1,2 GHz; 512 MB de RAM e 4 GB de armazenamento.

Software

Fazer review de um smartwatch é bastante complicado porque a expectativa de cada pessoa é bastante diferente. Tem quem só queira receber algumas notificações e poder customizar o mostrador do relógio quando quiser, e esse público fica muito bem servido com qualquer Android Wear.

MotoBody

Só que mesmo entre quem quer um monitor de exercícios existe alguma divisão: alguns querem algo mais simples, como uma MiBand, que mostre estatísticas das atividades e as incentive a se exercitar mais. Para essas pessoas, o 360 Sport cumpre bem sua função: o Moto Body estabelece metas de atividade cardíaca e distância percorrida que incentivam mais exercícios e além de sincronizar com o smartphone, onde é melhor acompanhar os detalhes das suas atividades, o Moto Body ainda manda por e-mail um resumo semanal.

Porém pra quem já se exercita e quer um monitor mais detalhado o Moto Body pode ser pouco. Como ele só monitora caminhadas e corridas, não é muito útil pra quem faz outras atividades como ciclismo ou natação.

É uma omissão bastante curiosa, principalmente levando em conta que o próprio Moto Body permite integrar com o Strava, um monitor de atividades especialmente popular com ciclistas. Esse é um problema que pode ser resolvido com alguma atualização de software, mas era de se esperar mais considerando que até o antigo MotoACTV tinha suporte a mais atividades.

Moto 360 Sport - 4sq

E por último existe o público que quer usar o relógio como uma espécie de controle remoto do telefone, para tornar mais rápida alguma tarefa cotidiana. Para algumas coisas usar apps no relógio é bastante prático: ter direto no pulso em quantos minutos o seu ônibus vai passar no ponto mais próximo é bastante valioso pra quem depende de transporte público, por exemplo.

Existem alguns aplicativos ótimos, como o Foursquare ou o Citymapper, mas boa parte dos desenvolvedores ainda ignoram o Android Wear: Starbucks e Uber, que são bastante úteis no Apple Watch, não têm versão pro sistema do robô.

Até para monitorar o sono, que é um uso bastante óbvio para um relógio com processamento e vários sensores, faltam opções: só encontrei o Sleep as Android, que funciona bem mas poderia ter uma interface melhor… Uma diversidade maior de apps poderia até tornar o 360 Sport mais interessante enquanto monitor de atividades, com apps específicos para cada modalidade.

Por fim, o Moto 360 também é compatível com iOS mas se torna bastante limitado: não é sequer possível interagir com as notificações — tendo apenas os apps do Google como exceção. Nem mesmo o Moto Body, que funciona longe do telefone, consegue sincronizar quando pareado com um iPhone.

Vale a pena?

Eis outra pergunta bastante complicada pra se responder sobre smartwatches. Primeiro porque relógios dependem muito de gosto estético, então fica difícil dizer que um modelo valha mais a pena que outro.

Eu acho o Moto 360 Sport mais bonito que um LG Watch Urbane, por exemplo, mas tem quem torça o nariz pra um relógio com design esportivo. Considerando apenas o dólar e o preço do 360 Sport no exterior (US$ 399), o valor sugerido de R$ 1.999 não parece muito abusivo, mas ao mesmo tempo fica difícil considerar esse gasto num dispositivo que no fim das contas só replica o que você já tem no celular.

Comparado com os relógios da Garmin o preço não parece absurdo — um modelo básico, bem mais simples, custa R$ 1.599 e um mais próximo do Moto 360 começa em R$ 2.399. Mas falta software para comparar os dois de igual pra igual.

Se ainda assim você está disposto a comprar um smartwatch, o Moto 360 Sport é uma boa opção: o display híbrido é um ótimo recurso — algo que acho que todo smartwatch deveria ter — e ainda que o ecossistema tenha algumas lacunas, está melhor que o Pebble ou Tizen.

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