Irmãos recebem conta de celular de US$201 mil–sem falarem uma palavra

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Celina Aarons tem dois irmãos surdo-mudos, e alguns anos atrás um celular para eles seria uma piada de mau gosto, mas com a tecnologia moderna se tornaram instrumentos de comunicação que integram perfeitamente os deficientes auditivos ao mundo. Por isso os dois andavam com seus iPhones para todo lugar.

Só que .eles não sabiam que seu plano camarada da T-Mobile só previa acesso ilimitado de dados e SMS localmente, em sua cidade no sul da Flórida. Sim, o plano era camarada, Celina e seus dois irmãos compartilhavam um plano familiar, que ela pagava e ficava na média em US$175 por mês.´

Por isso não se preocuparam quando foram passar duas semanas no Canadá.

2000 SMSs depois, vídeos acessados depois, eles chegam em casa e descobrem uma conta de 43 páginas e US$201 mil. A T-Mobile explicou que o roaming de dados custava US$10 por Megabyte.

Celina protestou, Reclamou que a empresa não a avisou que a conta estava totalmente descontrolada. Justificativa da T-Mobile? Fazer isso seria “invasão de privacidade”.

A história teve final feliz, Celina apelou pro Quarto Poder, botou a boca no trombone e com o caso na Imprensa se tornando um pesadelo de RP, a T-Mobile reduziu a conta para US$2500,00 e parcelou em seis vezes.

Mesmo assim ainda é uma facada. O roaming é o custo mais artificial que as operadoras criaram para extorquir dinheiro de seus clientes, só perde para a maldita taxa de conveniência daquela criação do demônio chamada site de ingressos online. Correndo cabeça-a-cabeça vem o SMS, com tarifação loucamente arbitrária.

A “recomendação” das operadoras é que quando você viaje desligue o tráfego de dados de seu celular. Excelente, seu lindo smartphone de última geração se torna tão útil quando um Nokia 232.

Caso você não queira está sujeito a absurdos como uma amiga, que fez um tour pela Europa e seu tráfego de dados foi tarifado pela Vivo em R$27,99/MB.

Hoje o grande impedimento para a proliferação de 3G, 4G e da sociedade interconectava são justamente as operadoras que deveriam prover esses serviços. Enquanto não cessarem com a mentalidade de que vendem VOZ e que dados são luxos agregados, continuaremos avançando a passos de tartaruga.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Anônimo

    Elas até possuem pacotes “para viagens”… Porém são muito, muito caros.

    Um pacote de 20 minutos custa 109 reais! O de 100, R$349!

    No plano de dados, R$24 por 1MB! E 800 por 40MB!!

    Não só é uma fortuna, como é um roubo! Muito melhor aproveitar o fato que nossos aparelhos brasucas são desbloqueados e comprar um chip de alguma operadora por lá.

  • Daniel Almeida

    Enquanto você escrevia sobre taxa de (in)conveniência eu pagava uma de 25% para ingressos do Roger Waters. 25%!!! Faz sentido a taxa ser proporcional ao preço?

    Meu plano não fala em Mb gastos aqui ou em outra cidade mas é limitado, 200Mb por mês, o excedente é cobrado mas não falam em diferença de preço pelo roaming.

    • Isso que eu queria entender: se a taxa de (in)conveniência seria para você receber o ingresso em casa, por que cargas d’água ela também é cobrada quando você retira o mesmo na bilheteria? Isso não é taxa, é extorsão pura e simples.

      • Daniel Almeida

        Que nada, quando você quer receber em casa ainda paga uma grana por isso!

      • A taxa de conveniência existe para garantir que o serviço de venda e entrega de ingressos funcione perfeitamente.

        Estou falando sério, mas soa MUITO irônico. Eu sei disso.

        • Daniel Almeida

          Mas precisa ser proporcional ao ingresso?

  • Gustavo Vasconcelos

    Estive recentemente na terra da rainha e optei por uma solução diferente: peguei meu aparelho desbloqueado (eu NUNCA compro aparelhos bloqueados), passei numa lojinha da Vodafone UK e peguei um SIM pré-pago de £10. Com £10 de crédito. Ou seja, o SIM sai de graça.

    Uma semana depois, eu voltava para o Brasil com uma linha UK ainda com £4, mesmo depois de usar o 3G descontroladamente, e fazendo chamadas internacionais para a família.

    Isso sem contar que, como estávamos com outro casal de amigos, usamos a linha ativamente para falar com eles quando nos perdíamos ou simplesmente estávamos com preguiça.

    • Gustavo Arakawa

      Eu sempre faço isso quando vou pra outro país. E muitas vezes não preciso pagar o preço abusivo da internet do hotel.

  • Anônimo

    Valores atuais da Vivo referente a dados:
    Vivo Torpedo SMS AT&T e TMobile R$0,79 + Valor do Torpedo SMS
    Vivo ZAP AT&T e TMobile R$13,99/Mb + Valor do download (se realizado)

    Se forem para o exterior fiquem ligadinhos.

  • Anônimo

    Com certeza eles deveriam informar este gasto exorbitante, afinal de contas, as empresas sempre avaliam a média de gastos de um cliente, para fins de segurança e claro, para poder oferecer mais produtos ao mesmo.

    Apenas uma observação:
    O Custo de Roaming não é “Artificial”, como informado no Post. Na verdade, as empresas nem sempre possuem antenas em todo os lugares, por isso, “pegam carona” na conexão dos seus concorrentes e precisam pagar por isso.
    Chama-se Co-Biling.

    • Não deixa de ser artificial mesmo que não seja artificial internamente, por invenção própria, é artificial vindo de outra operadora, como todas fazem isso, incluindo a operado que você usa, nem adianta tentar defender ela.

      • Anônimo

        Thyago,

        O que tentei passar, não foi uma defesa das operadoras, e sim esclarecer como funciona o Roaming, que foi passado erroneamente no post. Claro que considero um absurdo os preços ue elas cobram.
        É a mesma coisa de vc viajar a trabalho para um local onde as coisas são bem mais caras e pedir um reembolso de suas despesas, mas enfim, pessoas entendem de uma forma e outras fazem como você.

        • Tarifa de interconexão de operadoras é um custo altíssimo não justificado. ter que pagar outra operadora, tudo bem, mas o preço é que é o problema. Muito artificial sim porque não representa o que esta se usando da rede do vizinho.
          Sendo que, muitas vezes, tem acordos entre as mesmas pra evitar ficar uma pagando a outra mas pro cliente continua um estupro monetário.

  • E, isso se deu no país com a melhor situação de concorrência entre empresas (beneficiando o consumidor) no mundo!

    As indústrias tem uma inércia proporcional ao seu tamanho para perceber a mudança em seus core business quando o negócio evolui (fonográfica, por exemplo), ainda que a contra-gosto delas. Comparando com seres humanos lembra muito a resistência a mudanças.

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  • Puis é. Eles querem é enfiar a faca. Notadamente deveria ter um plano e um melhor atendimento para pessoas portadoras de defeciência.
    O custo seria baixo, mas imaginem a imagem positiva que viria para a empresa se ela tivesse planos específicos para portadores de deficiências.

  • Esse corretor ortográfico do iPhone/iPad é um fanfarrão! Muda ‘quanto’ para ‘quando’, ‘interconectada’ para ‘interconectava’, ‘estar’ para ‘está’.
    Sem contar o ‘ponto’ e o ‘agudo’ no lugar errado e maiúscula depois de vírgula.

    • Desabilitar o corretor foi a melhor coisa que fiz.

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  • O maior problema não são as operadoras, é que as pessoas não param de consumir esses planos abusivos. Tem gente que realmente acha que tá fazendo um bom negócio contratando um pacote de dados ou uma 3G no Brasil

    • Às vezes, é neceassário e a pessoa não tem outra saída.

      • O problema é que os “as vezes” se refere a uma minoria. A maioria dos clientes de planos 3G quer mesmo é ser capaz de twittar do meio da rua.

  • Anônimo

    Prevejo comentários agressivos, flames, gente me chamando de troll e etc. Não estou querendo avacalhar nem desmerecer o artigo ou dizer que está mal escrito nem nada do tipo, até porque não é um costume do Cardoso ter colunas mal escritas, sem fontes e tal. Só que eu já tinha lido essa notícia há quase duas semanas (18/10, pra ser mais preciso). Obviamente, não vou dizer onde foi pra não gerar mais barulho ainda. Só estava comentando, não me levem a mal.

    • Mas não havia aparecido aqui e nem com os comentários do Cardoso. Blog não é rádio ou Twitter, não precisa ser “na hora”.

      Meus 2 cents

    • Obviamente, eu não frequento os mesmos lugares que vc, pois não tinha lido nada assim antes. Portanto, a postagem foi muito boa.

    • So?

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  • Um amigo comprou um celular novo da operadora. Um dia, quando seu afilhado brincava com o mesmo ele ativou rapidamente a navegação em WAP. Coisa de 2 minutos.

    O resultado foi mais R$ 100 na conta por conta de dados vendidos a granel.

  • Será que isso tudo não teria sido evitado se a família RTFM’ed o contrato que eles próprios assinaram?

  • Se isso não é matar a galinha dos ovos de ouro eu não sei o que poderia ser: Nossa recomendação senhor? Não utilize nossos serviços… Eles são muito caros…

  • Pedro Martins

    Pra usar o smartphone no exterior só usando redes wi-fi, com eu fiz recentemente. Há vários restaurantes, bares e cafés com redes disponíveis. Alguns você tem de consumir para pedir a senha, mas é muito mais barato (e gostoso) do que usar o (des)serviço da operadora de telefonia.

    Quanto à taxa de inconveniência, ela só existe para causar transtornos. Uma vez tive problemas para receber um ingresso, que deveria chegar em 15 dias e chegou em 45. Liguei pra tal empresa reclamando que se me enviassem o ingresso pelo correio, por carta registrada, ficaria muito mais em conta e chegaria no máximo em três dias. Estranho que não houve argumento contrário, mas não mudaram a forma de entrega. Isso para não falar nos casos em que as pessoas ainda têm de ir retirar o ingresso em algum lugar. Aonde está a conveniência?