Aprendendo Arduino — Parte 5 — dos Bauds ao Fusca

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Feedback é uma parte essencial do dia-a-dia. Nada irrita mais do que aqueles elevadores onde você aperta o botão e nada acontece. Há toda uma área do design de interfaces dedicadas ao feedback. O mais simples LED de Power é uma forma de feedback, e já é útil. Um bom circuito é informativo, e nem é preciso uma interface sofisticada. Os bipes da BIOS de uma placa-mãe já informam um monte de coisa.

Claro, às vezes é preciso exibir bastante informação para o usuário, e a plataforma Arduino é imensamente versátil nesse campo. Podemos usar com facilidade uma imensa quantidade de mecanismos diferentes para exibir dados.

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Um dispositivo extremamente simples e barato é o display de LEDs de 7 segmentos, que você vê diariamente em todo lugar, principalmente se sua especialidade é desarmar bombas de Hollywood.

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Esses displays não são novidade. A primeira menção a algo parecido é uma patente de 1903. Por muito tempo os mecanismos eram mecânicos, e em alguns casos ainda são. Há relógios de rua no Rio que ainda usam o modelo mecânico.

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O funcionamento é muito simples. Cada um dos sete segmentos é iluminado por um LED. Os pólos negativos são ligados em um pino em comum, os pólos positivos são ligados a pinos individuais. A combinação dos segmentos produz números de 0 a 9 e várias letras. Dá até pra escrever BOOBS.

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Como o Arduino tem um monte de pinos de entrada e saída, o circuito, tudo que precisamos para fazer usar um display de 7 segmentos é conectar um pino ao negativo e outros sete a sete pinos dos Arduino.

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Se você só precisa de um carácter, problema resolvido. Mas e se seu contador for de 00 a 99? De 8 conexões seu circuito passa a exigir 15. 000 a 999 são 22 pinos e seu Arduíno não tem isso tudo. Deveria existir um meio de usar menos pinos.

Existem vários. O mais antigo de todos, e ainda eficiente surgiu antes da invenção do Arduíno, dos LEDs e mesmo das válvulas. Foi uma necessidade criada quando os serviços de telégrafo não conseguiam acompanhar a demanda, mesmo com os operadores substituídos por máquinas de teletipo.

A primeira máquina do gênero foi criada em 1855 por David Edward Hughes, ela recebia e transmitia em uma variação do código Morse, sem que o operador precisasse conhecer a codificação. Bastava um teclado, que era um teclado mesmo.

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Cada ligação monopolizava o cabo entre as duas pontas. Seria preciso uma forma de transmitir mais de uma ligação ao mesmo tempo. Entra em cena um sujeito chamado Émile Baudot, que trabalhava para Hughes, e inventou o Código Baudot, que usava cinco bits para representar caracteres alfanuméricos.

Baudot colocou várias conexões em cada ponta de um cabo. Cada uma era uma ligação telegráfica distinta. Cada conexão de uma ponta permanecia ativa por um determinado período de tempo. Do outro lado, o mesmo ocorria, em sincronia.

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O nome desse processo é multiplexação, e graças a ele o MUNDO funciona. Ligações de dados, telefonia, vídeo, tudo isso demandaria uma quantidade inviável de canais, se não fosse a multiplexação.

Até seu computador faz isso, mas chama de “multitarefa”. Na verdade o processador divide o tempo entre várias tarefas, mas é tão rápido que você acha que ele está fazendo várias coisas ao mesmo tempo (tecnicamente está, mas as partes que trabalham simultaneamente também estão dividindo seu tempo em várias sub-tarefas).

Quem mais faz isso? Seu Fusca. Você tem quatro cilindros mas somente uma bobina de ignição. Como fazer para que a alta tensão que aciona a vela e gera a centelha seja distribuída para cada um dos cilindros? Com um distribuidor.

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Essa peça pega o sinal da bobina e através de um contato rotativo, popularmente chamado de cachimbo, fecha circuito com cada uma das velas, na ordem e no momento correto. Se você sincronizar dois distribuidores de Fusca pode transmitir quatro conversas telefônicas por um único cabo. Taí um experimento legal praqueles canais com tempo espaço e dinheiro pra essas brincadeiras.

A própria internet que você acessa depende de multiplexação. Um cabo submarino não passa uma conexão física para cada conexão lógica. Em alguns casos há apenas uma conexão, um par de fibras ópticas.

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O cabo FASTER, que o Google está instalando entre EUA e Japão tem 9.000 km, capacidade de 60 terabits por segundo, tudo isso usando 6 pares de fibra. Cada par transmitirá 100 canais de 100 gigabits. Como? Multiplexando as frequências. Serão 100 feixes de lasers em 100 frequências diferentes, ao mesmo tempo.

Então a solução para fazer o Arduino funcionar com vários displays é multiplexar, mas acender um de cada vez não ficará estranho? Não, tudo graças à nossas limitações evolutivas. Vamos aproveitar um defeito de nosso sistema visual para viabilizar nosso display.

O Olho Não É Uma Câmera

Eu sei, todas as analogias que você encontra dizem o contrário, mas nossos olhos não são câmeras. Eles são complexas máquinas de processamento de sinais, transmitindo de forma contínua para a área do cérebro responsável pela visão.

Nosso olho não tem resolução nem frame rate. Uma câmera captura um determinado número de imagens por segundo. O olho humano funciona de forma diferente. Nossa percepção visual se resume a uma pequena área diretamente à frente. Se você ler este texto em um monitor a dois palmos de distância e focar no começo do parágrafo, não conseguirá ler da 4ª palavra em diante, mas seu cérebro indicará que ela está ali.

Nossa visão periférica é essencialmente dedutiva. Eu ACHO que estou vendo uma caneca de café com o canto do olho, mas apenas porque eu SEI que há uma caneca de café ali. A imagem desfocada não é suficiente para que eu identifique a caneca, se não tivesse as pistas iniciais.

Outra característica é que somos programados para identificar movimento, mesmo onde ele não existe. Veja estas imagens:

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As duas imagens mostram objetos em movimento, certo?

Errado. Na segunda os círculos azuis se tornam brancos em sequência, mas não saem do lugar. Na primeira imagem as barrinhas mudam de tom mas também não se movem.

O nome desse fenômeno é chamado Movimento Beta, e é reforçado pela Persistência da Visão. Não somos projetados para lidar com mudanças rápidas de imagem, é algo que não existe na Natureza. O Movimento é privilegiado em detrimento da informação visual, então nós descartamos as imagens individuais e as transformamos em uma imagem em movimento.

Experimentos determinaram que qualquer coisa acima de 10 ou 12 imagens por segundo, nosso olho transforma em movimento contínuo. Essa é a base do cinema e da TV. Simplificando, claro. Para uma explicação bem mais completa e detalhada assista este episódio do criminosamente pouco conhecido Filmaker IQ.

Com essas informações, sabemos que se eu selecionar um display, acender, apagar, selecionar outro, acender, apagar e repetir o ciclo mais de 10 vezes por segundo, veremos os dois acesos. E isso só adicionaria UM pino ao nosso circuito.

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No vídeo de demonstração você vai reparar que a imagem está piscando. Parte é culpa da câmera, com o frame rate batendo de frente com a frequência de atualização do display, e parte é culpa do meu código porco não-otimizado.

Os LEDs também parecem fracos, e são. O Arduíno sozinho não consegue alimentar 28 LEDs, o ideal sera incluir alguns transistores no circuito para aumentar a corrente mas isso complicaria ainda mais um circuito didático. Note que eu movi os resistores para os pinos negativos, também para simplificar.

Óbvio que em um projeto real ninguém usaria esse tipo de multiplexação, temos módulos de OITO algarismos controlados por apenas dois fios, através de uma conexão serial de dados.

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O importante nesta série de artigos é diminuir o número de caixas-pretas. Meu objetivo é ensinar os conceitos básicos, mostrar o homem por trás da cortina, ao invés de empurrar a eletrônica pronta modularizada de hoje em dia. Sim, você compra um display pronto todo montado e bota pra funcionar em 2 minutos, mas não aprendeu nada com isso.

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Existem outros métodos para otimizar o número de conexões entre os displays e o circuito de controle. Aprendemos que precisamos de oito pinos, um para o negativo e sete para os segmentos. Podemos melhorar, com ajuda deste bichinho aqui:

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É um circuito integrado CD4511. Ele tem uma função na vida: receber números binários e converter em caracteres de displays de sete segmentos. Tudo que nosso código do Arduíno faz na mão, ele faz em silicone, como dizem os programas mal-traduzidos do Discovery.

E como você se lembra lá das primeiras aulas, 9 em binário é 1001. Ou seja: para representarmos o maior número possível em um display, só precisamos de 4 bits, ou 4 pinos/conexões. Mais ainda: utilizando os registradores do Arduíno, ao invés de uma rotina imensa enviar um número para o display se resume a uma linha.

Gostou? Melhora mais ainda.

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Se você por curiosidade resolveu contar, já sabe: são 64 LEDs acionados individualmente, o que aparentemente é impossível em um Arduíno, ainda mais usando apenas 5 fios.

O segredo na verdade são dois: primeiro, ele usa uma matriz, assim você só precisa de 16 conexões:

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O controle é feito por um chip MAX7219, que pode ser usado com matrizes de LEDs e displays de sete segmentos. A comunicação é feita por 3 pinos, e você pode encadear vários chips, criando matrizes imensas.

A multiplexação é um conceito simples mas que pouca gente conhece. Mesmo assim é essencial para o mundo moderno. E para os Fuscas.

Aqui um pequeno vídeo com os circuitos mostrados no artigo:


Carlos Cardoso — Arduino Multiplex

Ah sim: no próximo artigo detalharei os circuitos e o software dos exemplos.

Onde encontrar alguns dos componentes mencionados:


Leia também:

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • Salles Magalhaes

    “Tudo que nosso código do Arduíno faz na mão, ele faz em silicone, como dizem os programas mal-traduzidos do Discovery” –> kkk… adoro quando falam no “Vale do silicone”

    • Vale do silicone deve ser um lugar cheio de clinicas com cirurgiões estilo doutor Rey.

      • Cocainum

        Eu sempre achei que era onde a Pamela Anderson morava…

        • Mario Neis

          “Valley Of The Dolls” pra mim soa o melhor lugar nesse aspecto haha

  • tiago

    Excelente explicação, muito bem detalhado o processo, eu comprei alguns desses displays, mas acabei desistindo por usar portas demais, para a maioria dos casos não é necessario um display prefiro usar um led ou dois só para exibir as informações relevantes.

  • Tássio Brunelli

    Quando meu professor de programação (sistemas microprocessados) me mostrou pela primeira vez essa multiplexação (que ele chamava de “interpolação”) minha cabeça explodiu. Como uma idéia aparentemente SIMPLES resolvia um PROBLEMÃO.

    Bons tempos, tirando leite de pedra daquele 8051…

    • Salles Magalhaes

      Uma coisa que me deixa curioso e’: como eles sincronizavam os diversos telegrafos? (sera que transmitiam um “atencao emissoras da rede globo para o top de 5 segundos” em determinado momento para sincronizar os aparelhos?)

      • A cada troca de canal você manda um sinal diferente no fio que o outro lado vai entender como o momento da troca.

      • Tássio Brunelli

        Como o amigo Luiz Fellipe disse abaixo, e de acordo com, salvo engano, minhas aulas de TRM (transmissão de sinais), quando ia mudar o canal, se enviava um código.

        E tal código variava de protocolo pra protocolo. Tinha um que era enviar uma quantidade predefinida de 0.

  • Me senti lendo a revista saber eletrônica, excelente artigo.

  • Cocainum
    • Xultz

      Esta placa você mandou fabricar na Allpcb? Se sim, poderia dar mais detalhes sobre como foi o processo de compra? (se você mora no Brasil, quanto tempo demorou no total e quanto custou, no total)?
      Obrigado!

      • Cocainum

        Sim. Mandei fabricar no site. Eles tem uma página de cotação, onde você coloca as principais características da sua placa (tamanho, número de camadas, cor, etc). No meu caso, ficou tudo no default, menos obviamente o tamanho da placa (o máximo é 10 x 10 cm). O número de camadas padrão é 2, exatamente o que eu precisava, mas dá pra fazer com mais (influenciando no preço, claro).

        Você pode pedir 5 ou 10 placas por US$ 5,00. Eu encomendei 5. Embora pudesse ter pedido 10, pois o preço da confecção é o mesmo, a quantidade influencia no custo do frete por causa do peso, então com 5 placas fica mais barato. No final das contas, recebi 7 placas.

        O frete pode ser via DHL ou Correios. A diferença de custo para o Brasil é bem grande, então escolhi via Correios. O valor total foi de US$ 16,93: US$ 5,00 (confecção), US$ 11,00 (frete) e US$ 0,93 de tarifa do Paypal.

        Depois de incluir o pedido no carrinho, você faz o upload do arquivo Gerber* contendo o layout da placa e faz o pagamento via Paypal. Eles fazem uma checagem se o arquivo está ok e começam a produzir. Em 2 dias a placa está pronta e é enviada. Daí tem o tempo padrão dos Correios de qualquer encomenda da China. Pra mim, levou cerca de 1 mês até chegar.

        * O arquivo Gerber pode ser gerado pelo programa que você usa para desenhar a placa/circuito. Eu uso o Proteus 8, mas tem outros programas que geram. No site, na hora de fazer o upload, tem as instruções dizendo como o arquivo deve ser configurado.

        • Andre

          Caraca, achei bem em conta. Valeu pela dica!

        • Xultz

          Muito obrigado pelas informações! Só mais uma dúvida, ao chegar no Brasil, teve mais alguma taxa ou imposto, ou chegou direto no teu endereço sem stress? Foi possível acompanhar por quais planetas a encomenda passou durante este 1 mês? Obrigado!!!

          • Cocainum

            Não teve nenhum imposto ou taxa. Eles geram o código de rastreamento de 13 dígitos, então dá pra acompanhar por quais “planetas” a encomenda passou, hehehe.

            A única coisa que me deixou com receio é que durante o cadastramento do endereço, ele mostra a cidade a partir de uma lista, ou seja, você não digita o nome da cidade. Escolhendo a cidade na lista, ele pega o CEP automaticamente sem que você possa editar o campo manualmente. No Brasil, o CEP tem 8 dígitos (5 + 3), e o campo de CEP deles só tem os 5 primeiros, que são os principais. Os 3 dígitos finais, que identificam a região dentro da cidade, não tem. Aí fiquei com receio de dar algum problema na entrega, mas não deu. Chegou certinho no meu endereço. Inclusive, já tenho outra placa a caminho.

        • Que EXCELENTE DICA.

        • Walmir Werner

          Uma plaquinha destas eu desenho no Corel Draw e derreto o fonolite. já eras…..

        • Oberaldo Gilmentoo

          Tem meses que ando vendo os sites de fabricantes de PCB chineses. Tem alguns fabricantes até no AliExpress. Tem alguns que aceitam arquivos EAGLE.
          Mas até agora eu andei só olhando, olhando… v. foi o primeiro brasileiro que me confirmou que dá certo. Obrigado pela dica.

          • Oberaldo Gilmentoo

            Mas só um adendo: fazer a gente mesmo as placas de circuito impresso é muito chato, trabalhoso. Mas é legal demais. Para quem nunca fez, vale aprender e fazer algumas. E as próximas manda fazer na China.

          • Cocainum

            Eu faço as minhas, as vezes. Mas a qualidade nem se compara. Uma placa “profissional” tem a furação perfeita, tem o desenho dos componentes, a soldagem fica muito mais fácil e o resultado bem mais limpo e bonito.

          • Oberaldo Gilmentoo

            Sem dúvida, não tem a mais remota chance de qqer coisa que a gente fizer ficar tão bom quanto a industrializada (que além disso tem o silk e a máscara para soldagem). Mas quem nunca fez, deveria fazer, até para ter uma noção.

          • Reinaldo Matos

            Lembro das aulas de eletrônica quando começamos a aprender a fazer placas… Devia ter guardado minha primeira de lembrança…

            Era algo tosco parecido com isso.

            https://uploads.disquscdn.com/images/057e7f61c8b245ffd2c7fd73a38c2e6169e9f5bd4e19aef11a14b66acea56918.jpg

          • O maU elementaU

            Tenho uns 10 ao meu redor que agora so fazem placas na china.

        • Mario Neis

          que baita dica meu camarada da “árvore desidratada” :v

    • Marcelo Eiras

      Aqui no Brasil eu já fiz na Ryndack
      http://www.ryndack.com.br/

      • Macedo

        mesmo preço? fez com quantos layers?

      • O maU elementaU

        Chatozilla rulez! 😀

    • O maU elementaU

      O pessoal é meio enrolado. Fiz 3 pedidos separados EM 3 DIAS DIFERENTES e me mandaram em UM pacote só, sem minha autorizacao.To de olho neles.

      • Cocainum

        Os 3 pedidos ficaram dentro do mesmo lead time e eles tentaram economizar um troco no frete. É bem comum ter diversos projetos da mesma pessoa sendo processados ao mesmo tempo (dá pra acompanhar no site as placas em fabricação).

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Excelente artigo, obrigado Cardoso.

  • André K

    Apesar de ter abandonado profissionalmente a área há mais de 25 anos, e nem mesmo ser “hobbista”, ainda gosto de ver artigos sobre o assunto e esta série está excelente, parabéns Cardoso!
    Lá longe, nos anos 80, quando eu cursei o técnico em eletrônica, um mísero multímetro analógico era uma aquisição vultosa para qualquer estudante – hoje tem multímetros digitais de R$ 20,00 por aí (eu sei) – e um osciloscópio era algo simplesmente impensável. muitos de nós, naquela época só tínhamos acesso a osciloscópios nos laboratórios das escolas/faculdades em que estudávamos e ou das empresas em que trabalhávamos. Por curiosidade pesquisei por esses dias e vi que, graças à evolução tecnológica, já não é mais um instrumento inacessível. Ainda melhor, tem kits para transformar a placa de áudio dos microcomputadores em osciloscópios simples e/ou limitados! Achei sensacional poder usar a placa de áudio como osciloscópio e, se me permite a audácia de sugerir, creio que justificaria um post de experimentações nesse sentido.

    • anonimo

      Tem um projeto desses no youtube, transformando tela de telefone em osciloscopio.

      • André K

        Do celular eu não havia visto! Awesome

    • Andre

      Nos ML/Aliexpress da vida tem um osclioscópio de baixo custo chamado DSO138, vende montado ou desmontado.

      • O maU elementaU

        Nao pode sequer ser considerado um brinquedo. Vai por mim.

        • Theuer

          Pode sim.
          E para usos de teste de PWM de servos, TTL, comunicações simples de IR, arduino e tal… Funciona bem.

        • Andre

          O meu não chegou ainda. Mas vi que é no máx 200 kHz. Pra eu brincar com um sinal VGA precisaria de 30 MHz… Como foi muito barato, pode ajudar a debugar em baixas frequencias.

    • Reinaldo Matos

      Lembro quando meu pai comprou um multímetro analógico, e gastou uma boa grana nisso… Eu já peguei a época dos digitais, e se achava em qualquer camelô.

      Porém, osciloscópios ainda eram impensáveis para os mortais, e até para algumas escolas as vezes… No Senai onde fiz meu técnico de informática industrial, tinha uns 20 osciloscópios no laboratório, mas todos muito antigos, e pra regular era bem chato. O único osciloscópio atual (para a época), só era usado pelo professor, ou com o professor no teu cangote pra garantir que tu não faça nenhuma cagada.

      Olhei rapidamente no Mercado livre, e tem aparelhos que vão de 500 a 2000 reais muito bons… Realmente, tá bem mais palpável.

    • Dou uma e se for bom dou mais

      Lembro que eu trabalhava numa empresa de conserto de equipamentos hospitalares. O chefe comprava na santa efigênia osciloscópios de duplo traço a válvula que estavam queimados. Ele levava para a loja, consertava, calibrava e usava. Dai vinha pessoal de outras eletrônicas e comprava dele os osciloscópios. E o ciclo começava de novo. Toda semana a gente tinha um “novo” pra trabalhar.

  • Samurai

    Excelente artigo, assim como os anteriores.Até me cadastrei para comentar…

    Aguardando ansioso para saber se vai falar sobre I2C e suas mágicas.

    • SIm, muito muito em breve.

      • Macedo

        btw, vai virar ebook depois?

        • Thiago Cururu

          Estamos torcendo para isso.

  • Não é somente um post sobre arduíno, é uma aula de física, biologia, informática, eletrônica, história, etc…

  • chadefita

    Obrigado Cardoso e escreva mais livros sobre histórias de guerra!

  • RSPeres

    opa Cardoso, excelente artigo. Só um pitaco no seu texto…Alguns displays de 7 segmentos tem o anodo comum onde todos os positivos são ligados num pino e não os negativos (catodo comum) como no seu caso. Então para não fritar os leds vale olhar isso.

    • Cocainum

      Desde que a corrente seja limitada corretamente via resistores, dificilmente ele iria “fritar” o display se usar o tipo errado (com anodo comum no lugar do catodo ou vice-versa), pois a tensão inversa dos LEDs, embora muito mais baixa que dos diodos tradicionais, é mais alta do que a tensão direta usada para fazê-los acender. O display simplesmente não iria mostrar nada, mas não iria queimar. Muito mais perigoso é ligar sem os resistores para limitação da corrente, isso sim mandaria o display para o céu dos LEDs.

      • Macedo

        quem nunca…… XD

      • O maU elementaU

        Nos AVR (processador do ai-duino) a corrente ja é limitada a coisa de 20mA por pino, entao nao precisa usar resistores. Deveria, mas nao precisa.

        • Cocainum

          Eu anda não mexi com Arduino (mas pretendo). Meu comentário foi mais genérico: se não limitar a corrente (normalmente, com resistores), os LEDs vão soltar fumacinha. A propósito, limitar a corrente com apenas um resistor no pino comum do display, até pode ser feito para um circuito de teste, mas no projeto final, cada dígito deve ter seu resistor, senão a corrente (e o brilho) varia muito conforme o número de LEDs acesos (com o dígito “1”, a corrente de cada LED será bem maior do que com o dígito “8”).

          • Sim, sem contar que o Arduino não tem potência pra alimentar todos os LEDs, precisaria de um transistor pra cada conjunto de segmentos ali.

        • Lamento te informar mas você está errado. Se ligar um LED diretamente num pino de saída do Arduino ele VAI queimar.

    • Reverse voltage at 25 ºC = 5 V
      Peak forward current at 25 ºC = 150 mA per segment

      Eu sei o que tou fazendo, fio. É pra isso que serve um diodo, LED ou não.

      • RSPeres

        desculpa ai!! nóis podia estar roubando mas só queria salvar um led 😉

  • Xultz

    Arduino Parte 5? Cadê a parte 4??? Junto com o Windows 9? 🙂

  • Andre

    1/2 OFF
    Meu pet project, uma CPU de 8 bits feita do zero, em breadboards com CIs TTLs (longe de finalizado):

    https : // hackaday . io/project/24511-jaca-1-2-homebrew-cpu

  • Sander Manzoli

    Muito bom!
    Multiplexação tbm é muito útil para simplesmente se economizar bateria… numa calculadora, por exemplo… ao invés de se acender todos os 7 segmentos dos 8 digitos, acende-se apenas um, desliga e acende o próximo… numa frequência rápida o suficiente para vermos todos acesos… com isso utiliza-se 56x (7×8) menos energia da bateria para o display.

  • Marcelo Eiras

    Cadê a parte 4 ? Pulou de 3B para 5 que nem o Windows pulo de 8.1 para 10 =P ?
    Excelente artigo Cardoso, merecia até uma abazinha de eletrônica que nem tem fotografia, mobile, games, etc…

  • A cada artigo dessa série me dá mais vontade de comprar um kit de Arduino pra tentar brincar também. 🙂

  • Julio Cesar Goldner Vendramini

    Rapaz… Que comparação top essa com o fusca hein!? hehe…
    Eu já implementei uma tela com 4 matrizes dessas de 8×8 fazendo 16×16 usando um FPGA e a técnica de multiplexação. TInha até nível de intensidade de cor. Ficou bem legal.. Mas pensa num trabalhão para soldar aquele tanto de fio?

    • Salles Magalhaes

      Eu comprei uma matriz pronta dessa de LEDS com 32×8 (4 matrizes 8×8 lado a lado). Muito legal

  • Mario Neis

    Porras, Cardoso! O que meu professor do técnico levou um ano inteiro pra empurrar goela abaixo de toda turma, sobre multiplex, tu conseguiu transformar numa conversa de bar.

    “Baita esquema!” como diriam aqui no sul.

    Way to go! ( insira aqui o gif do povo batendo palmas)

  • Dou uma e se for bom dou mais

    Está na minha lista comprar um arduino pra substituir o termostato queimado do meu frigobar. Usando um LM35 e um display numérico duplo para exibir a temperatura e 2 botões de regulagem.

  • “Óbvio que em um projeto real ninguém usaria esse tipo de multiplexação,
    temos módulos de OITO algarismos controlados por apenas dois fios,
    através de uma conexão serial de dados.”

    Ah sei… e como vê acha que esse módulo de OITO algarismos está ligado no latch serial que faz a mágica toda???? Multiplexado, é óbvio…

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