IA desenvolvida pela Sony está aprendendo a compor músicas

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Nossas IAs estão ficando cada vez mais espertas. Conforme aprendemos mais nós conseguimos desenvolver algoritmos e redes neurais cada vez mais complexas e capazes de realizar tarefas até então exclusivas de humanos, desde escrever contos românticos a jogar Go. Claro que tudo ainda transita em uma área nebulosa, não sabemos se um dia teremos uma SkyNet mas estamos tentando de fato chegar lá, por pura curiosidade científica.

A mais nova empreitada veio da Sony Computer Science Laboratory (CSL), um centro de pesquisas da gigante japonesa. Eles estão desenvolvendo uma nova IA com o único intuito de entrar no ramo da música, já que ela está aprendendo a compor canções (mas não sozinha).

O grupo responsável pelo Flow Machines, ligado ao Sony CSL pesquisa a aplicação da IA na música pelo menos desde 1997, o que deixa claro que o pessoal do laboratório situado em Paris não está para brincadeira. O algoritmo em questão foi alimentado com um grande banco de dados e ensinado a identificar estilos musicais e técnicas, de modo que ele fosse capaz dele próprio compor as músicas de diversos gêneros.

O time conseguiu com que a IA criasse duas canções bem distintas. Daddy’s Car, por exemplo é inspirada nos primeiros álbuns dos Beatles, mas ao contrário do que muita gente pensa este não foi um voo solo do compositor virtual. A Sony comvidou o compositor francês Benoît Carré para escrever a letra da canção, criar os arranjos e produzir a canção. A composição, no entanto é trabalho do Flow Machines.

Embora não seja tão brilhante quanto as primeiras canções do Fab Four, Daddy’s Car é bem agradável de se ouvir. Aperte o play e curta:


Sony CSL-Paris — Daddy’s Car: a song composed by Artificial Intelligence – in the style of the Beatles

O Flow Machines faz uso de um banco de dados com mais de 13 mil partituras de diversos estilos musicais, em sua maioria jazz, pop, musicais da Broadway e acredite se quiser, MPB; o compositor escolhe um estilo, gera uma partitura através do software dedicado FlowComposer e através de outro software, chamado Rechord ele seleciona recortes de áudio de outras canções. O algoritmo monta a canção e o músico (Carré, no caso) dá os retoques.

A segunda canção se chama The Ballad of Mr. Shadow, inspirado em composições de gênios como Irving Berlin, George Gershwin, Duke Ellington e Cole Porter. Particularmente acho que um jazz é algo bem mais complexo do que um pop Beatles-like, e para mim o resultado não foi dos melhores. Mas ainda assim é digno de nota.


Sony CSL-Paris — Mr Shadow: a song composed by Artificial Intelligence

Embora a iniciativa da Sony seja muito legal para entender a capacidade das IAs em realizar tarefas humanas, há quem acabe não vendo o Floe Machines com bons olhos e falo especificamente da indústria musical: um algoritmo capaz de evoluir a ponto de se tornar um compositor completo pode representar uma ameaça aos profissionais, algo absurdo de se pensar mas se levarmos em conta que essa é uma das indústrias mais retrógradas que existem (só perde para a TV), não duvido de futuras reclamações vindas de artistas e gravadoras. Ainda mais com a informação de que o Flow Machines lançará um álbum em 2017 com suas criações.

A Sony não é a única que está misturando redes neurais com a arte do entretenimento: recentemente o Watson, o supercomputador da IBM foi desafiado a produzir um trailer para o suspense sci-fi Morgan; na trama, uma IA foge do controle de seus criadores e começa a tocar o terror. Oportuno, eu diria.

Utilizando aprendizado de máquina, o Watson saiu com isto:


Morgan | IBM Creates First Movie Trailer by AI [HD] | 20th Century FOX

Claro que o resultado vindo de um humano ainda é melhor em todos os casos, mas o ponto é que nossas redes neurais estão ficando mais espertas e rapidamente. Isso permitirá com o tempo diversos usos em pesquisa, entretenimento e/ou aplicações críticas, o que é excelente.

Fonte: Flow Machines.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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