Nãotícia do dia: a polêmica da bateria do iPad

Mr--Fusion

Semana passada um sujeito resolveu espetar um medidor e acompanhar o consumo de energia do carregador do iPad, enquanto a bateria era recarregada. Por algum mistério ele se espantou ao perceber que o iPad reportava 100% de carga, mas mesmo assim continuava a chupar energia com força total. Ficou mais um tempão, só então caiu a níveis bem mais baixos.

Feito isso ele descobriu que o iPad ganhou mais autonomia, em torno de 1h extra.

Estava pronta a polêmica: mimimi a Apple mente, mimimimi a Apple reporta 100% de carga quando não terminou de carregar a bateria, bla bla bla.

Claro, ninguém questionou a lógica de tirar uma hora de autonomia de um tablet.

A explicação é mais simples do que parece, embora também seja extremamente complexa.

Primeiro, não é a Apple que faz isso. TODOS os aparelhos eletrônicos modernos reportam “errado” a carga da bateria. Não é um bug, é uma feature.

Explicando o Explicável:

Nós temos impressão de que as baterias não evoluíram nada, nossos gadgets modernos duram minutos enquanto os antigos duraram uma eternidade. Meu Palm Professional funcionava quase um mês com duas pilhas-palito. Um iPhone 4S depois de 9 h tocando vídeos, morre.

Só que o Palm tinha um processador de 16 MHz enquanto o iPhone roda um dual-core de 800 MHz, sem falar na tela, Wi-Fi, GPS, rádios de telefonia, etc, etc. Meus primeiros celulares duraram semanas mas também mal falavam.

As baterias hoje guardam uma quantidade imensa de energia, e isso não é fácil de medir, reações eletroquímicas não são algo matemático.  Estamos lidando com nanotecnologia, para você ter idéia da complexidade.

bateria

Degradação normal da bateria de um notebook

Pode reparar: Seu celular carrega bem rápido até 70% ou 80% da bateria, mas daí em diante, demora. Usando uma analogia bem simplificada que roubei por aí, imagine a bateria como um balão. Você começa a encher, é fácil. Depois de um certo ponto a pressão dentro do balão aumenta, e você tem que forçar mais ar, pois a diferença de potencial se torna desfavorável.

Se seus pulmões são fracos, você acaba aspirando o ar do balão. Você tem que parar, soprar forte e se recuperar. Quando não der mais para soprar ou demorar tanto que se torna inviável encher mais, você decide que o balão está cheio.

Agora imagine que a borracha do balão se danifique quando você o enche. Imagine que ele perde elasticidade e não comporta tanto ar. Aos poucos ele enche menos, mesmo você mantendo o esforço. Você sopra por 1h mas não coloca tanto ar.

Se você encher MENOS o balão o dano é menor, você poderá enchê-lo mais vezes com mais ar, mas mesmo assim ele vai se danificar com o tempo. Um dia seu balão deixará de encher, por mais que você sopre.

Qual o melhor? Encher mais o balão e ter mais ar, um balão maior, ou encher menos e ter o balão menor mais vezes?

É isso que acontece com as baterias modernas, Li-Ion, Li-Po. Elas degradam com o tempo, de um jeito ou de outro. Carregar a bateria até 100% reais vai fazer com que ela degrade mais rápido, mas você ganha mais autonomia. Carregar só até 80%, (ou 100% segundo o mostrador) faz com que ela tenha mais ciclos de carga, mas menos autonomia.

Como a autonomia dos aparelhos já está dentro do aceitável, os fabricantes entendem 80% de carga como 100%, e reportam assim. SE você deixar o aparelho na tomada, ele vai carregar, de forma bem mais lenta até os 100% real, e então iniciar um ciclo de descarga/carga, mantendo a bateria num nível ideal de energia.

Não é a Apple. TODO MUNDO faz isso.

Primeiro, para aumentar a vida da bateria, mesmo comendo 1h de autonomia. Segundo, para evitar que você leve 4 ou 6h carregando o aparelho. Quando ele atinge 80, 85% (ou 100% no mostrador) atinge em 2h. O tempo extra espetado na tomada não vale a pena.

E não, baterias modernas NÃO tem efeito-memória, e NÃO, não é “bom” desligar o iPad da tomada depois que ele carrega 100%. O ato da bateria descarregar por si só também é danoso pra ela.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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