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Cielo, CyberSource e US$1 Trilhão. Interessou, né?

7 anos atrás

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Eduardo Chedid, VP de Prod e Serviços da Cielo, e Fernando Souza, Diretor Geral da CyBerSource Brasil

Semana passada estive em São Paulo para acompanhar o lançamento de uma parceria de peso na área de cyberpagamentos no Brasil. Foi bem interessante, tanto do ponto de vista de tecnologia quanto do de consumidor, aprendi sobre maquininhas com disponibilidade de 99,999999% (seis noves, isso mesmo) e cavei a informação mais valiosa e estratégica para quem trabalha num grande centro, mas isso é matéria pro próximo texto.

Neste aqui o assunto é a parceria da CyberSource, que você nunca ouviu falar, e a Cielo, que faz aquelas maquininhas mágicas que transformam plástico em álcool.

As maquininhas aliás são as grandes responsáveis pelo problema atual, as fraudes online. O Brasil é provavelmente o mercado mais avançado tecnologicamente em termos de segurança de cartão de crédito, na maioria dos lugares não há cartões com chips, só que isso provocou uma migração: A bandidagem foi toda pra Internet.

O perfil das fraudes mudou completamente, pois online você não tem como verificar chip e senha do cartão. Isso colocou o Brasil pau-a-pau com a fraude mundial, que está na casa de 1% mas 1% de US$1 trilhão, o volume movimentado em ecommerce em 2011, é algo nada desprezível.

 

Fraudes Fraudes Fraudes

Existem vários tipos de fraudes, inclusive as não-intencionais, como o sujeito que compra algo num site, esquece e contesta a fatura, ou a filha que pega o cartão do pai sem ele saber. Existem as que envolvem roubos de dados e compra de equipamentos eletrônicos –também conhecidos como ímã de bandido- e as piores, que envolvem compras não-físicas: Acesso a sites, assinaturas de serviços, passagens aéreas, que são adquiridas minutos antes do checkin encerrar.

Disso tudo o grande perigo é o Falso Positivo. Negar a venda por si só é algo MUITO danoso, queima a bandeira do cartão, queima a loja, queima o fornecedor, queima a empresa de segurança, QUEIMA DEABO!

Na cadeia de vendas online todos, Banco, Bandeira do Cartão, Lojista, Carrier tem seu próprio protocolo de segurança, mas com tudo isso, a fraude ainda existe e está piorando. De 2010 para 2011 46% dos lojistas reportaram que pedidos fraudulentos estão cada vez mais parecidos com pedidos legítimos. Em 2010 praticamente 6% dos pedidos de eletrônicos foram rejeitados por suspeita de fraude.

Pior: Quanto mais nova no mercado mais fraudes a empresa sofre, por pura falta de experiência, e da ferramenta certa.

Não mais! Seus Problemas Acabaram!

A solução da CyberSource será associada ao Lynx, da Cielo, especializando-se em proteger a ponta do lojista. Sem entrar em detalhes, cada pedido passa por uma árvore de decisão de um modelo de rede neural com mais de 260 regras. O processo para dar OK na VALIDADE da transação leva 2 segundos. Em termos de informática isso é quase uma Era geológica, então dá pra ter idéia da complexidade da análise.

Um dos cases apresentados foi da Spicejet, uma espécie de Azul Indiana. Com a implantação a empresa teve uma redução de contestações de 1.5% para 0,002% das passagens vendidas. As revisões manuais caíram de 2500 para 350 (ainda bem, sabe-se lá onde a Índia terceriza seus callcentres) e o processamento das passagens caiu de 2 horas para 2 segundos.

Comprada pela Visa em 2010 por US$2 bilhões e uns trocados, a CyberSource tem bastante know-how, processando 25% das transações de ecommerce nos EUA, mas o projeto, que levou um ano e meio para ser lançado teve seu lado pitoresco.

Convenhamos, como explicar pros gringos o conceito de boleto bancário? Os próprios sistemas de débito em conta eram um inferno. Quer dizer, ainda são, a Cielo tem um que se resolve em uma tela. O do meu banco passa por nove telas e janelas antes de completar o pagamento. Com sorte.

Mesmo assim ainda é melhor do que quando tínhamos que explicar o conceito de cheque pré-datado.

Adequar o sistema da CyberSource à realidade brasileira deve ter sido de longe o mais complicado, mas tem suas vantagens.

Uma delas é que futuramente comerciantes brasileiros poderão aceitar cartão de crédito internacional em vendas de ecommerce. Vários já o fazem mas usam centros de pagamento em outros países. Com a solução, o dinheiro vem de fora e cai na conta por aqui mesmo.

Esse tipo de segurança é especialmente útil para profissionais liberais, que usam as soluções Cielo Mobile  para Android e iPhone, e não tem como ler cartões com chip.

Vai acabar com as fraudes, salvar o mundo das cáries e exterminar os hackers? Não, mas vão diminuir bastante, por um bom tempo. Suficiente para que vários estelionatários morram de fome e dando um refresco para os comerciantes (sei de um grande site que vai ter muito mais dinheiro para comprar tijolos e miojo)  para os consumidores, que terão menos problemas de clonagem e uso indevido.

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