Como vamos (talvez) morrer horrivelmente em 2040 nas mãos de um Asteroide Assassino

armageddomparis

É Dezembro de 2040. Depois de décadas as pessoas pararam de dizer que você parece um velho ranzinza; após conquistar com a idade o direito de ser um velho ranzinza ninguém mais reclama de seus resmungos, mas dessa vez até concordam.

Você está no Centro do Rio, tomando um chopp e reclamando com os amigos da idéia idiota do Clone do Roberto Medina: Um Festival Saudosista, reunindo no palco do antigo Rock in Rio Justin Bieber, Lady Gaga, Michel Teló, Fiuk e Banda Calypso. Até tiraram a Joelma da criogenia para a ocasião.

“Se dependesse de mim caía um meteoro naquela bosta” você resmunga. Em Asgard Lorde Odin, que mesmo tendo um só olho tudo vê, decide atender o desejo daquele mortal.

Sem sequer dar tempo de alguém falar alguma coisa, o asteroide 2011 AG5 desce dos céus, atingindo em cheio o palco com a ira de um deus furioso. Originalmente com 140m de diâmetro o asteroide já se despedaçou durante a entrada na atmosfera, mas sua energia continua intacta.

Os primeiros fragmentos atravessam Justin Bieber a uma velocidade de 69 mil Km/h. O cérebro sequer tem tempo de registrar a dor, antes de ser atomizado pela onda de choque do impacto, que equivale a 517 Megatons, mais poderoso que a Tsar Bomba, a arma nuclear mais poderosa já projetada, com 100 Megatons teóricos e 57 em seu primeiro e único teste.

Uma cratera de 3,95Km de diâmetro marca o local da explosão. Inicialmente com 1,19Km de profundidade, quando toda a terra lançada para o alto cai de volta a cratera termina com apenas 447m.

133 milissegundos após o impacto é formada uma bola de fogo de 2,54Km de diâmetro, 48 vezes mais luminosa que o Sol. No Centro do Rio, 25Km do ponto de impacto você sente o equivalente a um terremoto de 6.4 na Escala Richter. Se estivesse na rua, a radiação térmica causaria queimaduras de 3o grau nas áreas expostas do corpo. Jornais, árvores e grama pegam fogo. Ronaldinho, o garçom aumenta o ar-condicionado.

1,19 minutos depois do impacto fragmentos de 1m de diâmetro começam a cair à sua volta. Mais um motivo para não sair do bar. Você, sabiamente pede outro chopp, mas não dá tempo de ele chegar.

Um vento de 442Km por hora atinge sua posição, com 1,26 minutos decorridos. O som da explosão, com 96dB tem potencial de causar danos auditivos, mais uma desculpa para os garçons te ignorarem.

à sua volta um número incontável de vítimas, dezenas de prédios caídos, carros atingidos por fragmentos da explosão, incêndios por toda a cidade. Em seu iPad 5 (depois que viu que não tinha concorrência a Apple desistiu de lançar modelos novos) você acessa os sites de notícias, descobre que o asteroide obliterou o elenco inteiro do show. Respirando fundo, sabendo que provavelmente está aspirando alguns átomos ex-Bieber, você olha para cima, pisca o olho e diz: “valeu!”.

Esse cenário, por enquanto fictício, pode muito bem se tornar realidade.

Todos os dados acima foram retirados do Simulador de Impactos da Universidade Purdue, utilizando dados relativos ao Asteroide 2011 AG5, Embora os dados ainda estejam incompletos projeções de sua órbita mostram que em 2040 ele terá 1 chance em 625 de atingir a Terra, tornando-se o asteroide mais perigoso de sua categoria. É o tipo de impacto que acontece uma vez a cada 40 mil anos, mas nada impede que essa seja a boa.

Por enquanto a NASA classifica as chances de impacto em 1 na Escala Torino, mas muita gente está ficando preocupada. Não com o 2011 AG5 em especial, mas com os milhares de objetos ainda não identificados que podem ser avistados a meros dias de um impacto, deixando pouco ou nenhum tempo para que tomemos providências.

Dificilmente um asteroide capaz de gerar um ELE – Extinction Level Event passaria despercebido, mas um corpo errante, com 140m ou mesmo 20m, que seja, é suficiente para estragar o dia de muita gente. Um asteroide de 20m atingiria o solo com potência de 1,6Megatons, 11 Hiroshimas. Nada bom.

O perigo desses impactos foi descrito por Arthur Clarke em vários de seus livros, em especial no (excelente) O Martelo de Deus, onde cita a criação do Projeto Spaceguard, para monitorar e catalogar o maior número possível de objetos.

Hoje vários projetos assumiram o nome, e levam adiante o trabalho, mas com pouca ou nenhuma verba. Buscar por asteroides perigosos só perde para SETI em termos de projeto que ninguém financia.

O argumento de que coisas que acontecem muito raramente nunca acontecem agora foi deitado por terra quando em Julho de 1994 o cometa Shoemaker-Levy 9 foi descoberto em rota de colisão com Júpiter. TODOS os modelos teóricos diziam que o Sistema Solar já estava estabilizado, que tudo que era pra ter colidido (com tamanho razoável) já havia colidido.

O cometa não sabia disso, e depois de se fragmentar tornou-se uma fileira de fragmentos de até 2Km de diâmetro, estendendo-se por 12 mil Km. O impacto teve uma energia equivalente a 6 milhões  de Megatons. O vídeo é lindo e assustador, quando você entende a escala:

OK, o assustador MESMO é saber que mesmo que desenvolvamos tecnologia para desviar asteroides em órbitas perigosas, qualquer coisa maior que alguns quilômetros está além de tudo que podemos sonhar poder controlar.

Não adianta mandar o Bruce Willis com armas nucleares, uma chuva de fragmentos tem o mesmo efeito que um asteroide inteiro. Nada que a gente tenha, que exploda, afeta um cometa com dezenas de Km de diâmetro, e a maioria dos planos, como velas solares ou puxões gravitacionais demanda tempo, coisa que cometas não costumam oferecer.

Talvez Civilização seja aquilo que acontece entre Grandes Impactos.

fonte: PS

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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