Vai trocar de HD? Não esqueça do KY

tailandia

Noooooormalmente todo ano a indústria de memória inventa alguma desculpa para tentar aumentar seus preços. Qualquer terremoto em Taiwan é desculpa, se a China acordar com torcicolo, já é motivo para preverem um apocalipse high-tech e jogarem os preços para cima.

Desta vez entretanto não dá para afirmar que há um complô dos fabricantes de discos rígidos para criar uma escassez artificial e inflacionar os preços. Não é preciso muita boa-vontade para perceber, pela imagem acima de um dos distritos industriais do país, que o bicho está pegando na Tailândia.

O país está acostumado com as enxurradas trazidas pelas monções, mas este ano foram especialmente fortes. Mais de 300 mil km² foram inundados. Em alguns casos diques de 10 m de altura se romperam, como na região de Nikom Rojna, onde ficam boa parte das fábricas de HDs.

A Tailândia é o 2º maior fabricante do mundo, em 4 HDs 1 vem da Tailândia. Ou vinha, já que a Western Digital viu seu parque industrial virar parque aquático:

WD

A Toshiba relata com otimismo que fora da fábrica a água atinge 2 metros, mas dentro o chão debaixo de apenas um metro de água.

Obviamente isso vai afetar muito a produção, mas a especulação chegou antes. Até os lojistas, que ainda estão trabalhando com estoque antigo já capitalizam em cima do pânico. O ExtremeTech fez uma pesquisa e descobriu aumentos de até 168% no preço dos HDs no varejo. Veja o gráfico histórico de preço de um Caviar Green de 1TB:

caviar

Recuperar as fábricas levará meses, ao final os fabricantes voltarão a vender para um mercado já acostumado a pagar caro por HDs. Todo o processo que tornou os discos ridiculamente baratos será reiniciado. Lentamente.

Quem pode se dar bem nessa brincadeira são os SSDs. Equipamentos como o Macbook Air já abandonaram os HDs, a tendência é que os ultrabooks transformem isso em regra. Já temos SSDs de 256 GB, segundo a Lei de Moore logo teremos os de 500 GB custando o mesmo. Para 90% dos usuários 500 GB dá e sobra.

A esperança aqui é que os fabricantes forcem logo o preço dos HDs para baixo, como forma de adiar a inexorável marcha para os SSDs.

Por enquanto, fica a dica: verifique os preços, se no seu stand de confiança os HDs ainda não aumentaram de preço, compre logo mesmo que não precise muito, pois a enxurrada vai chegar ao Brasil, cedo ou tarde.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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