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China quer capturar um asteroide, colocá-lo em órbita instável em torna da Terra e minerá-lo. O quê poderia dar errado?

8 anos atrás

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O projeto existe faz tempo na ficção científica, mas agora está sendo levado a sério, ao menos por Hexi Baoyin, Yang Chen e Junfeng Li, do Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade Tsinghua, na China. Em  um paper publicado recentemente detalham em 27 páginas a viabilidade de capturar um NEO – Near Earth Object – e usá-lo como fonte de matéria-prima.

O NEO escolhido (não este) teria sua velocidade altera com o uso de velas solares, explosões nucleares ou propulsores iônicos e seria capturado pela gravidade terrestre. (Gravity is a bitch – Kilowog) Estacionado em uma órbita duas vezes mais distante que a Lua, seus recursos minerais seriam explorados durante vários anos, até que a pequena diferença de velocidade angular se acumulasse e o asteroide fosse ejetado, seguindo para longe do planeta. Em teoria.

 

O custo de uma empreitada dessas chegaria fácil a centenas de bilhões de Dólares, toda a tecnologia precisaria ser criada. Hoje mal temos naves capazes de chegar (e voltar) até a Lua. Precisaríamos de foguetes de carga, robôs autônomos de mineração (o atraso de mais de 5 segundos entre as comunicações Terra/Asteroide impediriam manipulação remota) e alguma forma prática de trazer esses minerais para o chão, o custo de uma cápsula de reentrada normal seria inviável.

A motivação? Estima-se que um asteroide de 1,6Km tenha recursos minerais na casa de US$55 TRILHÕES. Com a vantagem de se algo der errado resultar em um filme mais emocionante ainda do que o com os chilenos.

O perigo é que se os cálculos não forem precisos, ou se a órbita for alterada por outro corpo de passagem teríamos pouquíssimo tempo de aviso, e seria impossível desviar o asteroide. Usando um dos simuladores disponíveis na Internet, dá para calcular que o impacto de um asteroide ferroso de 1,6Km de diâmetro seria razoavelmente catastrófico. Vejamos seus efeitos em um ponto escolhido de forma completamente aleatória, e de forma alguma servindo como sugestão para chineses ou aliens de Klendaaktu:

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A imagem acima é só a cratera. A energia do impacto seria de 3.28 x 10^6 Megatons. A bola de fogo resultante teria 47,1Km de raio. A 100Km de distância ela pareceria 107 vezes maior que o Sol. A 1000Km de distância, 55 minutos depois o som da explosão chegaria com uma altura de 84dB, equivalente a tráfego pesado. Só o Sarney sobreviveria.

Um impacto desses acontece naturalmente em média 1,1 vezes a cada 10 milhões de anos, mas isso não conta intervenção humana.

Arthur Clarke previu mineração espacial E acidentes, mas mesmo com eles sua sugestão acaba sendo mais racional: É mais fácil capturar asteroides menores e lançá-los em uma trajetória de impacto para pontos específicos da Terra do que realizar o trabalho de mineração em órbita.

A China poderia isolar grandes partes de seu território e destinar para “área de pouso” de meteoritos, durante alguns anos seria alvo para objetos de alguns milhares de toneladas, depois seria tempo de “colheita”. Fora a magnífica atração turística que o lugar se tornaria.

 

Fonte: Cornell

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