Tecnologia de Guerra: os EUA gastam como querem e pagam quando podem

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"EUA: gastos exorbitantes em tecnologia de guerra"

Enquanto o mundo inteiro espera com relativa apreensão o resultado da queda de braço nas negociações para estabelecer os novos limites para a dívida da economia mais forte do mundo, muitos rezam para que o gigante não penda para o lado em que tropeçar no calote seja a única saída.

De um lado, a ideia de que a peleja deve também descontar dos mais ricos. Do outro, quem sabe ser isso o mais correto a se fazer, força na direção oposta para ganhar vantagem política, preservar o próprio bolso e manter a farda fora do cabide.

Os Estados Unidos é provavalmente o país que mais gasta, não apenas em tecnologia e inteligência, mas em tudo. Não se sabe ao certo quanto seria o valor total dos investimentos e gastos do país com novos equipamentos e tecnologias para o ‘policiamento’ do mundo. Mas é fácil deduzir que ninguém gasta mais do que eles.

O fato é que bem além de um iminente desapontamento global de credores, os EUA podem ter inclusive que repensar como investir seu orçamento e seus modelos de segurança e tecnologia. Tudo encurta por lá. Há apenas alguns dias vimos o final de toda uma era espacial com o último lançamento da NASA e um grande hiato em um programa espacial histórico.

Veja o caso recente de Dennis Blair, ex-Diretor do departamento de Inteligência Nacional e almirante recém desligado das forças norte-americanas. Ainda ontem ele era o responsável por liderar praticamente todos os recursos do país na busca e captura de terroristas pelo mundo.

Hoje, ele defendeu no Fórum de Segurança de Aspen (Colorado/EUA) a idéia de que os EUA devem redefinir imediatamente a sua política de gastar bilhões de dólares perseguindo os integrantes da Al-Qaeda, ou de caçar terroristas na Somália ou no Yêmen, a menos que os seus respectivos governos queiram compartilhar os riscos e custos.

Com um discurso que surpreendeu a todos não pela obviedade do seu argumento, mas sim pela origem e pela pessoa pela qual ele foi expressado, Blair disse que “os EUA está alienando países na tentativa de fazer campanhas em favor de uma dominação nas relações internacionais, atacando grupos que depois retaliarão voltando-se contra o país e, na realidade, está ameaçando a possibilidade de uma reforma de longo-prazo”.

O seu discurso não fez exatamente novos amigos na administração de Obama, que acabou tomando seu cargo apenas um ano após de nominá-lo para a diretoria da segurança nacional. Na realidade, mesmo com as promessas de diminuir os custos com tecnologias e intervenções de guerra de segurança, a administração de Obama promoveu 50 ataques já nos primeiros sete meses deste ano, quase a mesma quantidade de ataques ocorridos em todo o ano de 2009. E os gastos dos EUA com as guerras criadas pelos próprios EUA só fazem escalar.

Ele afirmou que de todo o gasto, U$ 80 bilhões por ano vão apenas com inteligência e contra-segurança ao redor do Paquistão e do Afeganistão. Sabe-se que o al-Qaeda tem apenas 4.000 membros espalhados pelo mundo.

“Portanto, penso que devemos revisar a nossa estratégia para colocar o dinheiro no lugar certo” – Dennis Blair

Ao formar seus orçamentos de segurança nacional, os EUA acabam não levando assim tão em consideração a tão aclamada relação diplomática usada como um dos seus argumentos fundamentais. A exemplo da missão para capturar Osama Bin Laden, que custou uma fortuna e não teve qualquer enlace lateral com o governo Paquistanês e foi literalmente uma ação clandestina, estilo black-op mesmo. E assim o dinheiro vai.

A China é atualmente o maior credor dos EUA e o Brasil está entre os 10 aos quais o país de Obama deve uma boa massa. Enquanto o mundo aguarda saber se quem vai pagar essa conta é o idoso e o trabalhador, Blair encerrou o discurso com um dado incombatível.

Desde os ataques de 9/11 apenas 17 americanos foram mortos em solo americano em decorrência de ações terroristas (14 deles no massacre de Fort Hood). Enquanto isso, na última década, mais de 1,5 milhões de pessoas foram vítimas de assassinatos, estupro, acidentes de carro e muitos outros, e pergunta “Que coisa é essa que justifica todo esse dinheiro para um problema tão estreito?” questiona.

A resposta pode estar, talvez, na maior competência do país: infra-estrutura. A guerra, tecnológica, informacional ou até mesmo em campo (só que sempre lá, no território alheio) rende muito. Muito.

E quem quiser receber seu crédito, que aguarde.

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Autor: San Picciarelli

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