[Análise] Nokia E7

Nokia E7

Nokia E7. (Clique para ampliar)

O que faz um bom smartphone? Hardware? Recursos? Software? Ou a combinação de todos esses, mais um bom ecossistema por trás da parte que o usuário vê?

Quem usa e abusa do seu marcará “todas as alternativas” sem pestanejar. Porque é assim que as coisas funcionam hoje. Não basta um hardware impecável, ou um software matador; se a peteca cai num determinando ponto, toda a experiência de usuário é comprometida.

Lançado em fevereiro de 2011, o Nokia E7, ou Nokia E7-00 como também é chamado, chegou num momento crítico. Não bastasse o Symbian amargando críticas negativas a despeito dos seus (tímidos) avanços e a incerteza acerca do MeeGo, dali a alguns meses a Nokia anunciou a parceria com a Microsoft que visa colocar o Windows Phone nos seus aparelhos high-end.

Vendido como o Nokia corporativo definitivo, ele empresta dos lançamentos recentes da fabricante finlandesa, como o N8, características de fazer suspirar, como o corpo de alumínio anodizado e a tela de AMOLED grande e brilhante. Dos seus antepassados, como o unânime E71, vem o perfil corporativo e o teclado, agora retrátil, confortabilíssimo. Em comum a todos, o Symbian, com pequenos ajustes na versão ^3.

Qual o resultado dessa mistura de campeões do passado? Confira na nossa análise completa!

Hardware: tela e teclado impressionam, câmera nem tanto

Boa empunhadura, apesar de um pouco grande.

Boa empunhadura, apesar de um pouco grande. (Clique para ampliar)

Uma coisa é fato: o Nokia E7 chama a atenção. Ele é grande sem ser muito grande, dá para colocá-lo no bolso sem parecer suspeito. Por outro lado, é um pouco pesado com seus 176 gramas. Essas medidas avantajadas têm razão de ser: conferir ao usuário conforto na hora do uso efetivo.

Num corpo que lembra bastante o do N8, subvertendo a lógica esse equipamento, que tem como destinatários executivos e homens de negócio, traz uma tela maior (4″ contra 3,5″) e mais bonita ainda que a do seu irmão para o mercado doméstico. De AMOLED, com Gorilla Glass e marcando a estreia da tecnologia ClearBlack, que realça o preto e melhora a visibilidade de baixo do Sol, ela é brilhante, sexy e até disfarça a não tão alta resolução, a tal da nHD (como a Nokia chama) de 360×640. Ah sim: capacitiva e multitouch, com reposta excelente e um quase violento feedback tátil — cheguei a pensar que a unidade de testes estivesse com problema nos primeiros toques.

Além da tela, o outro ponto alto da parte externa do E7 é o teclado físico. Confortabilíssimo, com quatro linhas de teclas, sendo essas espaçadas, grandes e com ótimo retorno tátil, é de longe um dos melhores que já usei. O mecanismo de abertura é o mesmo do N97, o layout é conservador e as teclas retroiluminadas. Nada a reclamar, mesmo.

Teclado físico do E7: muito confortável.

Teclado físico do E7: muito confortável. (Clique para ampliar)

Tudo isso envolto numa peça única de alumínio anodizado, que confere boa empunhadura e um ar elegante ao aparelho. Há poucos botões, na realidade dois tradicionais, o de travar/destravar a tela e os de volume, foram substituídos por sliders. Botões, mesmo, só o de ligar/desligar (topo), câmera (lateral esquerda) e home (parte frontal).

No topo, aliás, ficam todas as conexões. Estão lá a saída mini HDMI, de áudio (3,5 mm) e micro USB, essa servindo também para conectar equipamentos, como teclados convencionais (!). Na caixa vêm adaptadores para HDMI e USB, além de cabo de dados, carregador de parede e fone de ouvido in-ear.

Conexões no topo do E7.

Conexões no topo do E7. (Clique para ampliar)

Ainda sobre o corpo, é curioso notar que, por ser feito a partir de uma peça única, não há tampas ou outras coisas do gênero. A bateria é interna e não pode ser trocada pelo usuário. Também não há slot de expansão de memória, de modo que o usuário precisa conviver eternamente com os generosos 16 GB de memória interna. Outros elementos que em geral ficam protegidos pela tampa foram movidos para outros lugares. O slot do SIM card se encontra num compartimento na lateral esquerda e as inscrições da Anatel e outras informações do tipo na parte inferior, junto com o microfone.

Slot do SIM card.

Slot do SIM card. (Clique para ampliar)

Na traseira, a câmera foi sacrificada para permitir a inclusão do teclado físico sem tornar o E7 um tijolo. Sai de cena a maravilhosa câmera do N8, entra uma bem mediana, com 8 MP, flash dual LED e ausência de foco automático. Qualquer coisa fotografada a menos de ~60 cm fica próximo do imprestável, o que é uma pena, principalmente num equipamento desse porte (e com esse preço).

Embora datada, a interface da câmera oferece diversos controles manuais, como exposição, balanço de branco etc. Junto à geolocalização, recurso já antigo nas fotografias de smartphones, o E7 também traz detecção de rostos. E depois de fotografadas, é possível editar imagens e vídeos direto no aparelho, graças aos programas de edição nativos que a Nokia incluiu.

Algumas imagens tiradas com o E7 (clique para nas miniaturas ampliá-las):

Na filmagem, o E7 se recupera um pouco. Sua câmera faz vídeos em alta definição (720p) a 25 fps, com estabilização de imagem — não muito potente, acho eu. Em condições favoráveis os vídeos ficam muito bons para uma câmera de celular, embora as imagens sofram do problema de parecerem meio “lavadas”, como as fotografias. Isso pode ser corrigido com uma boa pós-produção, ou ainda aventurando-se nos controles manuais, mas é muito melhor e mais conveniente quando a própria câmera entrega tudo de pronto, automaticamente.

Confira um exemplo de vídeo feito com o E7:

De resto, o E7 se apresenta com todos os predicados comuns a qualquer smartphone topo de linha. Wi-Fi b/g/n, acelerômetro, bússola digital, microfone dedicado para cancelamento ativo de ruídos, Bluetooth 3.0 com A2DP, GPS e conectividade GSM quadriband (850/900/1800/1900) e HSDPA pentaband (!) (850/900/1700/1900/2100). Na frente, ainda conta com sensor de proximidade e câmera frontal.

No software, o velho Symbian…

O E7 é movido pelo Symbian^3, uma versão melhorada e ampliada do S60 5th Edition do N97 e tantos outros smartphones Nokia com touchscreen que o precederam.

Há avanços visíveis, mas não o suficiente para tirar aquela sensação de que estamos lidando com um aparelho… datado. O problema do Symbian é que ele engessa a experiência de uso com menus redundantes e/ou escondidos, opções em excesso e soluções de interface que, na melhor das hipóteses, não fazem muito sentido — T9 no modo retrato!?

Em modo retrato, teclado touchscreen do E7 é T9.

Em modo retrato, teclado touchscreen do E7 é T9. (Clique para ampliar)

Alguns aplicativos nativos, em especial a interface da câmera e o navegador padrão, parecem ter sido feitos para mostrar como NÃO construir uma interface móvel. O sistema de telas iniciais também não se mostra flexível, com disposição de widgets e ícones baseada em fileiras.

A Ovi Store funciona e, no E7, vem pré-instalada, mas a oferta de (bons) aplicativos é ínfima perto das lojas do iOS e Android. Aliás, não farei mais comparações do tipo porque tornaria o texto muito repetitivo. Em suma, basta dizer que em termos de usabilidade o Symbian ainda não chegou lá.

O (horrível) navegador padrão do Symbian^3.

O (horrível) navegador padrão do Symbian^3. (Clique para ampliar)

Com o Opera Mobile instalado e sem depender tanto de outros aplicativos, porém, ele dá conta do recado. Com o perfil corporativo que tem, o E7 vem pronto para conversar com servidores comuns em empresas, como Exchange e Share Point (sem contar em serviços populares, como Hotmail e Gmail), traz leitor de arquivos PDF e uma licença completa do QuickOffice, para visualizar e editar arquivos do Word, Excel e PowerPoint. O leque de aplicativos pré-instalados ainda inclui o F-Secure (um antivírus), cliente de redes sociais (Twitter e Facebook), o sempre ótimo Ovi Mapas, além dos já citados editores de vídeo e imagem.

Como o Symbian não é só desvantagem, ele é leve e bastante otimizado para o hardware do E7. Com um processador ARM 11 de 680 MHz, uma aceleradora gráfica Broadcom BCM2727 e 256 MB de memória, fosse o Android o sistema a movê-lo teríamos sérios problemas de desempenho. Porém, com o Symbian^3 tudo corre de forma bastante fluída e rápida. Mesmo jogos, como os Angry Birds, rodam suave aqui. A única ressalva é que, pela baixa disponibilidade de RAM, com muitos aplicativos abertos há algumas travadas. Nada drástico e, mesmo assim, só perceptível quando o usuário de fato quer judiar do equipamento, abrindo trocentos aplicativos simultaneamente.

Sendo econômico em processamento e com muito preto na sua interface, a autonomia da bateria (1200 mAh) não é tão generosa quanto a dos antigos Nseries com S60 3rd Edition, mas faz bonito frente a qualquer smartphone moderno. Com navegação e fotografia moderadas e algumas ligações rápidas esporádicas, aguenta sem sustos até quatro dias longe da tomada. E por falar em ligação (apesar de tudo, ainda é um telefone), a qualidade do áudio é o que se espera de um Nokia topo de linha: muito boa.

Conclusão

Antes, nossa já tradicional análise em vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=DsSFVKlEGTg

Dá um aperto no peito ver um hardware soberbo como o do E7 ser ofuscado por um sistema operacional fraco como o Symbian^3. A Nokia pode ter se esforçado para melhorar o sistema, mas não deu. Em termos absolutos, as especificações do E7 não deixam a desejar em praticamente nenhum aspecto. Ele é bonito, bem construído e conta inclusive com recursos difíceis de serem vistos por aí, como a entrada USB que aceita acessórios.

Entretanto, é como comentamos no início do texto: hoje, não é só o hardware, ou só o software, que faz o sucesso de um smartphone. Outras empresas nos “acostumaram mal”, de modo que além de hardware e software em sintonia, esperamos um ecossistema por trás que suporte toda uma gama de atividades e recursos. E desses três pilares o E7, infelizmente, só se mostra no mesmo nível de outros smartphones de ponta no hardware. O Symbian é fraco e a Ovi… melhor nem comentar.

Detalhe no mecanismo de abertura do teclado físico.

Detalhe no mecanismo de abertura do teclado físico. (Clique para ampliar)

Por essas e outras, e coloque uma ênfase enorme na parceria Nokia-Microsoft e a vinda do Windows Phone para o catálogo da Nokia, o E7 é um aparelho para um público bem restrito, sem muitas expectativas. O preço sugerido, R$ 1.599 no Brasil, também não ajudará na popularização do modelo. Aquele que preza, acima de tudo, por excelência em hardware, não liga para aplicativos e está acostumado com o jeitão espartano do Symbian, gente que até hoje não se desfez do E71, poderá se dar bem com o E7. Com a farta variedade de concorrentes que temos nos últimos anos, esse perfil, todavia, tende a ser cada vez mais raro de ser encontrado…

Pontos fortes: acabamento de primeira; Tela grande, bonita e responsiva; Teclado QWERTY super confortável; aplicativos úteis (QuickOffice, Ovi Mapas) pré-instalados.

Pontos fracos: Symbian^3 cheio de incongruências e problemas de usabilidade; Câmera sem foco automático; peso um pouco incômodo.

Nota final: 7,0.

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Autor: Rodrigo Ghedin

Blogger, bacharel em Direito e acadêmico de Sistemas de Informação.

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