SOWNED

Um dos maiores prazeres dos True Hackers é ver um fabricante arrogante declarar que seu sistema é inviolável. Em geral isso significa que a bravata será tomada como desafio pessoal.

Em geral os hackers vencem. Rápido. No caso do PS3 demorou bastante, mas depois de muito esforço conseguiram achar a chave criptográfica para assinar os binários da plataforma, indicando assim que o código é autorizado. Sem a chave nenhum software de terceiros poderia ser rodado. Com ele, TOTAL PWNAGE.

A Sony não gostou nada disso, está ameaçando processar todo mundo que publicar a chave. Problema é que neste momento já são mais de 6.600 sites listando a informação.

Mesmo assim a empresa entrou com ações na Justiça querendo que o YouTube divulgue não só os dados do hacker que postou um vídeo ensinando a fazer o jailbreak como quer também os dados de todo mundo que assistiu ao tal vídeo.

Não duvide de um japonês furioso, ainda mais da Sony. Nos primórdios da música digital a Sony lançou um Walkman Memory Stick que tocava MP3. Como licenciada do formato, tornou-se co-acusada em uma ação movida pela Sony Music contra o consórcio que controlava o MP3.

“Isso mesmo, motherfucker, somos tão radicais que processamos a nós mesmos. Do you feel lucky, punk? Do you?

Agora a Sony tomou a Pwnada do Século. Um sujeito usou da boa e velha engenharia social e marcou como alvo o Twitter de Kevin Butler, um personagem de uma série de comerciais da Sony para o PS3. É um personagem simpático e popular entre os gamers, fazendo aparições públicas em eventos, interagindo no Twitter, um bom pacote de mídias sociais.

Só que uma mente maligna que atende por @exiva percebeu que a falta de conteúdo técnico indicava que por trás do personagem havia gente de propaganda, não geeks. Gente de propaganda provavelmente alheia a coisas complicadas como chaves de criptografia. Vale a tentativa.

O sujeito enviou um tweet para Kevin Butler, na maior cara de pau, joão sem braço, vai que cola.

Colou.

sowned

O estagiário da agência respondeu perguntando brincando se o encouraçado dele havia sido afundado.

Deixemos o Yamato responder:

Yamato_battleship_explosion

Afundou, meu caro, afundou. Você repassou para mais de 71 mil seguidores no Twitter a sequência secreta de números que a empresa que representa está proibindo o resto do mundo de tomar conhecimento, sob pena de processo.

Agora a Sony pode processar a si mesma e criar um buraco negro, ou aceitar que o coelho saiu da cartola e parar de mimimi.

Como a Microsoft. George Hotz, o autor do jailbreak do PS3 tem passagens pelo iPhone, e know-how na área mobile. Quando apareceu no radar de todo mundo e se tornou odiado e processado pela Sony, em vez de entrar no trem e ajudar no processo, a quitanda do Tio Ballmer teve atitude diferente.

Brandon Watson, em nome da empresa ofereceu via Twitter um celular Windows 7 para George Hotz, convidando-a a criar coisas legais. Querem que ele ache novas formas de fazer jailbreak na plataforma.

Em vez de ameaçar de processo, faz mais sentido contratar os hackers para descobrirem as falhas de segurança. E não, não é o fim dos aplicativos homebrew. A Microsoft também contactou o grupo Chevron WP7, autor do primeiro jailbreak para Windows Phone 7. Após o contato, o grupo parou o desenvolvimento do aplicativo.

Ameaça? Não. A Microsoft propôs tornar a aplicação oficial, agora estão em negociações para criar as bases de um mercado homebrew para o WP7, com apoio dos hackers que “quebraram” a plataforma.

Pode parecer estranho, mas se pensarmos a Microsoft faz a mesma coisa com o Xbox 360. Um ecossistema homebrew, fora do “oficial oficial” pode ser a diferença que fará o Windows Phone deslanchar.

Mesmo que não deslanche, manter um bom relacionamento com desenvolvedores, mesmo os rebeldes é muito mais produtivo do que sair processando todo mundo. Isso é tão claro quanto “o Betamax não vai vingar”.

Fonte: Slashdot.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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