Mais Uma Vez Júlio Verne Ri Por Último

Jules VerneHá duas diferenças entre Júlio Verne e todos os videntes, ciganas, adivinhos e cartomantes no mundo: Primeiro ele nunca disse que conseguia prever o futuro. Segundo, ele conseguia prever o futuro.

Fora alguns que sugerem que ele tenha sido um viajante do tempo, quase ninguém alega que Júlio Verne tenha possuído poderes paranormais. Ele sequer era um futurista profissional. Um do Pais da Ficção Científica, escrevia livros de entretenimento, usando como cenário a explosão tecnológica que foi o final do Século XIX.

Ao contrário do mito, ele não previu a Energia Nuclear, o Nautilus do Capitão Nemo era elétrico, o segredo era que usava uma forma de geração de energia mais eficiente, eu diria que Verne previu a Célula de Combustível, isso sim.

 

vernegun

Um de seus livros mais populares, Da Terra à Lua narra uma viagem espacial com detalhes que para leigos beiram a premonição: (wikipedia kibe mode: acionar!)

  • O canhão usado para lançar a cápsula de Verne se chamava Columbiad. O módulo de comando da Apollo XI se chamava Columbia
  • Ambas as naves tinham tripulação de 3 astronautas
  • As dimensões das naves são bem semelhantes
  • Ambas foram lançadas da Flórida
  • Alumínio, que não era tão comum na época foi usado por Verne. A Apollo é boa parte feita de alumínio
  • Ambas as viagens levaram 3 dias
  • Ambos os projetos foram americanos
  • Os astronautas enfrentaram os efeitos da falta de gravidade

Quase tudo é explicado não por magia (sorry Feiticeira) mas por tecnologia. Verne era versado em ciência, sempre que possível ele fazia cálculos para validar suas idéias, mantendo-as no campo da ficção mas não da fantasia pura. A grande licença poética do livro é que um canhão foi utilizado para lançar a cápsula.

Seria impossível resistir à aceleração, mas o conceito em si é perfeitamente viável. Um canhão pode ser usado para colocar carga em órbita. O Gizmodo até fez um post sobre isso, “Júlio Verne estava quase certo”.

Peço desculpas ao nosso site co-irmão mas QUASE o escambau. Júlio Verne ESTAVA certo. É viável usar um canhão para colocar humanos no espaço, só é preciso um canhão diferente, um canhão especial, ou sendo politicamente incorreto, mais lento que os canhões normais, mas muito amado.

No caso um canhão que normalmente é MAIS rápido que os normais, uma railgun.

railgunship

A proposta apresentada pela NASA em Setembro de 2010 envolve 3 componentes: Uma nave espacial, um avião auxiliar e uma railgun gigante. A Railgun de 4 Km de extensão aceleraria o avião auxiliar com a nave nas costas até Mach 1.5. Motores a jato seriam acionados até que o conjunto atingisse pelo menos Mach 4.

Nessa velocidade a compressão aerodinâmica é suficiente para acionar um scramjet, um tipo de motor de alta velocidade que utiliza o próprio fluxo de ar para comprimir a mistura ar-combustível. Um scramjet em teoria atinge Mach 24. O protótipo da NASA rubinhou a meros Mach 9.8, por volta de 12 mil Km/h. Tudo bem, era protótipo.

Por volta de 60Km de altitude as naves se separam, os foguetes da nave principal são acionados para o restante da viagem, até atingirem órbita.

É a mesma metodologia da nave de Burt Rutan, a Spaceship One. A diferença é que todo o combustível dela é usado para acelerar até o limite do espaço, enquanto no modelo da NASA os foguetes só seriam acionados no final, graças ao impulso da railgun. Menos poluição, mais eficiência.

Utilizando naves menores e trilhos mais compridos talvez seja possível até eliminar o avião auxiliar, isso baixaria mais ainda o custo de enviar carga para a Estação Espacial e futuramente material de construção para o projeto que tornará o espaço tão acessível quanto Niterói: O Elevador Espacial. Mas isso é assunto para outro artigo.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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