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Tony Stark e Mr Burns também apostam no iPad. Azar dos designers

9 anos atrás

"Meu outro brinquedo é um iPad"

O iPad tem se mostrado uma plataforma incrivelmente fértil para o mercado editorial. Pela primeira vez o leitor tem mobilidade e conteúdo rico. Convenhamos, o Kindle é excelente para livros mas nem sequer os jornais, os dinossaurescos jornais são mais em preto-e-branco.

Claro, websites podiam prover o mesmo conteúdo, mas quando você acessa um  site em um notebook nunca está fazendo só isso. Há janelas de Instant Messengers, alertas de widgets, ícones de email piscando, o Windows Update avisando de algum novo download e a tentação de um ALT+TAB para fazer outra coisa.

Não é culpa do site, é culpa da mídia. Um notebook é algo que foi feito para ser usado dessa forma. Já o iPad embora disponha de notificações, multitarefa, etc, é projetado para concentrar toda a atenção na aplicação principal. Assim como uma revista o resto do conteúdo está lá, mas você o acessa uma matéria por vez.

Mesmo com todo o Hype Marketing explicado no artigo anterior, faz bastante sentido os produtores de conteúdo migrarem suas publicações para o iPad. A plataforma permite recursos ricos, o custo de publicidade é atraente (pro publisher) e o público é altamente selecionado. O preço dos exemplares está equivalendo ao das edições impressas e ninguém está reclamando.

New York Times no iPad vem com conteúdo completo.

Mesmo no Brasil o mercado editorial está investindo pesado. Veja, Época, Folha, Estadão, Globo, Contraditorium, todo mundo está lançando versões para iPad.

Entenda o grau de comprometimento: Essas empresas todas lançaram suas versões para o iPad antes do bicho ser lançado no Brasil. Aliás ainda não foi.

Agora o iPad atraiu a atenção de dois sujeitos podremente ricos: Rupert Murdoch, magnata australiano e CEO da News Corp, conglomerado de empresas de mídia que tem entre outras a Fox News, o Times de Londres e o Wall Street Journal.

O outro é ninguém menos que Richard Branson, a coisa mais próxima que o mundo real tem de um Tony Stark. Quando não está cuidando de suas gravadoras, empresas aéreas, editoras de quadrinhos ou de seu investimento preferido, a construção de naves espaciais, Branson pratica parasailling com supermodelos nuas (se "parasailling com supermodelos nuas não foi suficiente como dica, o link é NSFW) ou agarra a Carmen Electra, a Kate Moss ou outra beldade de igual quilate em uma cerimônia pública.

"Quer que embrulhe, seu Richard?" "Carece não, é pro lanchinho durante a viagem"

No meio disso tudo Branson arrumou tempo para anunciar um projeto nos mesmos moldes do anunciado por Rupert Murdoch: Ambos vão isoladamente lançar revistas para o iPad. Não requentando matérias das publicações “de verdade”, mas veículos especialmente pensados para a plataforma, com conteúdo de qualidade e investimento pesado. OUVIU, Grande Jornal Brasileiro que trata Internet como patinho feio, não investe só pra dizer depois “falei que não ia dar certo”?

É uma aposta e tanto. Assumem que o iPad, que mal tem sete meses de vida veio para ficar. Aceitam investir em um projeto onde o consumidor pra sonhar em acessar o conteúdo, para ter o privilégio de pagar pelas revistas começa gastando US$458,00 comprando o iPad mais barato.

O mercado editorial teve a chance com o HTML5 de produzir conteúdo agnóstico, uma revista online funcionaria razoavelmente bem assim, mas pelo visto a agilidade de ter o conteúdo baixado para o dispositivo de leitura falou mais alto.

O Globo no iPad. Layout simples mas honesto.

É uma realidade cruel, o Mercado Editorial ignora solenemente, obra e anda para todos os outros (ok, admito, quais?) tablets do Mercado.  Não é uma webapp, quilômetros atrás da funcionalidade de uma aplicação nativa. Uma revista em HTML5, feitas algumas concessões seria bem interessante.

Aqui o pragmatismo fala mais alto. O HTML5, como qualquer padrão é um menor denominador comum. Nivela um conjunto de recursos mínimos. Significa que qualquer recurso extra das plataformas não será utilizado. Explique para um usuário de iPad que você não pode detectar quando ele gira o tablet e reformatar a página, pois isso não está no padrão.

Estadão no iPad. Pouco inspirado mas igualmente correto.

Também não há garantia de que os navegadores dos outros tablets serão realmente compatíveis com HTML5. Mesmo sendo compatíveis, cada um renderiza recursos de interface da forma que acha melhor. Não haveria consistência se usados elementos de FORM.

Dadas as variações de tamanho e resolução e proporção entre os mais variados tablets, dificilmente um layout ficaria bem em mais de um. Detectar via Javascript qual tablet está sendo usado em teoria é possível, mas pense na gambiarra. Um layout pra cada um? Inviável.

Folha no iPad. Foi mal, tentei mas além de dar erro, sequer GIRA a tela. Chamo de Fail de São Paulo.

Nem a tal Web Semântica e os Microformatos, a 2a Vinda de Cristo para os Designers resolveria isso, o problema não é separar formato de conteúdo, é adequar formato às plataformas.

Não estou dizendo que temos que voltar à Idade das Trevas do Direct X, do <BLINK> e do <MARQUEE> . Padrões são essenciais na Web, onde você pode baixar um navegador mais compatível com os padrões e não há recursos indispensáveis em browsers específicos. Dá para viver sem o reconhecimento de acelerômetro do Firefox, por exemplo.

No caso dos computadores “de verdade”  o menor denominador comum é muito mais aceitável do que no caso dos tablets, vale até a filosofia oposta ao mundo mobile: Na web é inconcebível você sair do navegador e ser obrigado a baixar uma aplicação para acessar um site de uma revista ou jornal.

Por isso tudo vejo que os Bransons e Murdochs da vida realmente sabem ganhar dinheiro. Estão investindo racionalmente, marcando presença onde o dinheiro está.

Ponto pro iPad, azar pro resto. No máximo sairá alguma coisa para o Galaxy Pad, Pro iPad kIller da HP, que teve produção de 5.000 e demanda total de 9.000 unidades? Esqueça. Economicamente inviável.

E não, não interessa todos os tablets sendo Android. Não é questão de sistema operacional, são os recursos específicos de cada tablet e mais a tela. Um layout para uma tela de 7 polegadas 16:9 não funciona em em uma tela de 10 polegadas 4:3.

O futuro não parece muito promissor para a indústria editorial. Acostumados a dominar todas as fases do próprio negócio, agora não são mais o veículo, não controlam o formato e expandir a abrangência significa investimento pesado em customização.

Ruim? Com certeza, mas ainda assim bem melhor do que estar morto, e ao menos isso podem agradecer ao iPad, por ressuscitar o mercado editorial eletrônico.

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