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Houve uma época em que todas as animações da Globo tinham coisas girando. A Computação Gráfica estava se tornando viável no mundo televisivo, Hans Donner, aquele austríaco maluco (temos um padrão?) colocava formas geométricas flutuando em todas as aberturas de novelas, vinhetas, chamadinhas e se tivesse acesso a holografia, em cima da mesa do Boni também.

Nos anos 50, quando o cinema 3D se popularizou pela primeira vez, todo maldito filme tinha coisas atiradas na tela dizendo “Ei, isso é 3D, veja, veja”.  Quando Matrix popularizou o bullet time, em 3 anos todo comercial de TV usava a tecnologia. Até o Garoto Bom-Brill deve ter aparecido flutuando no ar com a câmera girando em volta.

Os primeiros filmes coloridos usavam e abusavam de saturação, para mostrar que eram realmente coloridos.

Hoje a computação gráfica é usada de forma parcimoniosa pela Globo, quase não se vê filme com bullet time, a cor é usada com inteligência em filmes como Sin City e Lista de Schindler. Não posso ver uma garotinha de casaco vermelho que sinto um aperto no peito e vontade de gritar: “Ei, esqueceram uma!”. (ok, ok, desculpem, too soon?)

Todas essas tecnologias ampliaram a experiência cinematográfica, apesar dos alarmistas. Quando do cinema mudo houve muita gente decretando a morte do cinema como arte, com a chegada do som. Outros disseram ser uma moda passageira, outros previram a banalização, pois não era a forma “correta” de contar histórias.

A cor e a tela widescreen (criada para combater a televisão) foram alvos das mesmas críticas.

É uma visão tacanha sem-tamanho. Nenhuma tecnologia nova LIMITA a produção. Muito pelo contrário. Se eu posso produzir filmes em locação, aí estou limitado. O advento de cenários 3D não afeta a minha produção em locação, ninguém disse que não posso mais gravar in loco. Não farei se não for barato, ou se a locação não me der a flexibilidade que preciso. Watchmen foi todo feito em estúdio. Inception foi feito em cinco ou seis países. Fica a cargo da produção. Só que vinte anos atrás seria impossível fazer Watchmen, Senhor dos Anéis e vários outros filmes.

Criticar a tecnologia por algo ruim ser feito com ela impede a chance de coisas boas surgirem. Fúria de Titãs foi uma bomba? Com certeza, mas vá ver Avatar num IMax para entender o que é 3D bem-feito, uma verdadeira Disneylândia visual. Outros virão.

Principalmente, as novas tecnologias dão espaço para a criação. Antigamente era impensável gravar um disco com qualidade de estúdio em casa, hoje usa-se ferramentas de qualidade profissional, disponíveis em qualquer PC (ok, Mac). Atendendo ao fantasma de Andy Warhol, o YouTube aumentou a duração máxima dos vídeos para 15 minutos. Hoje qualquer um tem um canal lá, basta ter talento e você consegue uma plateia imensa. Hoje um Felipe Neto tem mais alcance que 90% de todos os canais a cabo do Brasil.

A ferramenta que proporciona isso é a mesma que proporciona o lixo que compõe 90% do YouTube, mas é um preço muito pequeno a pagar pela possibilidade de se expressar com recursos que muito pouco tempo atrás exigiam milhões de dólares em equipamento e profissionais.

Então temos a tecnologia, proporcionando novos mundos, novas possibilidades tanto para os filmes de verdade quanto para os amadores. Que bom. Os criadores podem optar por contar histórias que antes não poderiam ser contadas, isso não limita, só amplia. As boas histórias que demandam efeitos visuais agradecem E as histórias que não demandam tais efeitos também continuam existindo, o que o diga Slumdog Millionaire, que custou parcos US$ 15 milhões.

Até porque eu prefiro um cinema vivendo uma segunda adolescência, deslumbrado com efeitos visuais a um cinema engessado e elitista, incapaz de produzir pérolas como os vídeos abaixo. Um é um curta original de Transformers, feito na Russia. O outro é um trailer fictício de um filme de… Pokemon. Assista:

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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