História de Uma Vida Mobile

It’s been a long road. Getting from there to here“, já dizia a canção na abertura de Star Trek – Enterprise. É verdade. E como toda boa viagem, o percurso é tão ou mais importante do que o Destino. Foi o que descobri ao escrever este texto, relembrando todos os celulares que já tive.

Não é uma comparação crua sobre quem é melhor ou pior. Não é uma competição. Todos tiveram seu tempo, todos trouxeram alegrias e tristezas, todos valeram como experiência.

Vou me ater a celulares, sem listar PDAs, pagers, agendinhas eletrônicas e equipamentos genéricos. É um apanhado de telefones que me acompanharam em mais anos do que estou disposto a contar. Alguns eu ganhei, a maioria comprei. Cada um tem sua história.

Os aparelhos estão listados em ordem mais ou menos cronológica, alguns com certeza estão trocados e sempre que possível omiti datas, é complicado lembrar o quê fiz ontem à noite (mentira, o mesmo que faço todas as noites), que dirá quando comprei tal celular.

As especificações técnicas estão na Internet, a função deste texto é basicamente relembrar os velhos tempos. Sem saudosismo, sem aquela hipocrisia de “antigamente era melhor”.  Pelo contrário, a evolução desses celulares inteligentemente projetados é evidente. Assustador é pensar que tão pouco tempo se passou.

Portanto, se quiser entrar no Bonde da Memória, clique em continuar lendo e divirta-se…

Nokia 232

Meu primeiro celular. Na época só era possível comprar celulares com uma carta-convite, as linhas no mercado negro custavam milhares de Reais, a fila de espera na TELERJ Celular eram imensas. Uma amiga (oi, Tackla!) do Espírito Santo não acreditava nas dificuldades, segundo ela a TELEST não tinha nenhuma dessas besteiras. Um belo dia durante uma viagem de Reveillon em Vitória fomos a uma loja da operadora local. Era 31/12. 16PM. Entrei, sem fila, pedi o aparelho pelo modelo. A vendedora me estendeu uma listagem de computador, eu podia inclusive escolher o número!  Saí de lá com a caixa e um pedido de desculpas pois a central estava no meio da festa de final de ano, por isso não tinha gente pra ativar NA HORA, mas no máximo no dia seguinte estaria falando. Duvidei, afinal uma estatal funcionar na virada do ano?

Na manhã do dia 1o eu estava ligando de meu celular.

O Nokia 232 basicamente falava. A bateria durava poucas horas e não poderia ser carregada pela metade (foi antes das de Lítio). Eu andava com três baterias na mochila e era comum no final da noite ficar sem carga. Ele era fino para a época, mas anos depois achei uma das baterias, e sozinha era maior que qualquer outro celular que já tive.

A antena retrátil era um charme a mais, embora fosse desnecessária, segurando direito era possível ligar sem esticar a danada.

Gradiente Chroma

Foi um dos celulares que comprei por fetiche. Versão OEM da Nokia, se tornou o primeiro aparelho que cabia no bolso da camisa. Antena interna, uma capa cobrindo o teclado e o chamativo cromado, desespero dos fabricantes de capas de oncinha. Na época todo mundo comprava capinhas, o Chroma foi um dos primeiros aparelhos feito para ser bonito, além de funcional.

Na época o alarde do lançamento foi tão grande que até o Presidente da República ganhou um.

Como não havia conectividade, o trunfo do Chroma era ser bonito e pequeno. Claro, muita gente perdeu o telefone e culpou o tamanho por causa disso, mas não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos.

O Chroma também foi um dos primeiros aparelhos a ter uma bateria razoavelmente decente, boa o bastante para que eu não comprasse várias, ao contrário do 232, que me deixava igual ao Batman, com celular E baterias extras no cinto.

Nokia 8110

Era 1999. Como todo geek que se preza vi Matrix várias vezes, babando pela Trinity (claro) e pelo celular do Neo. Quando ele tirou o  Nokia 7110 no envelope, apertou o botão e a capa abriu sozinha, foi um “uau!” coletivo.

NOTA: A Nokia tem mania de batizar o mesmo aparelho com números diferentes, de acordo com localização geográfica, fuso horário, distância de Meca e outros fatores. Por isso o aparelho que para Australia era 7110 no Brasil era o 8110 (acho).

O aparelho vinha com um rolete, usado no navegador WAP, que é mais ou menos como a Internet se parece pro Stallman. Para os padrões da época era danado de bonito, e todos os nerds achavam o máximo o “telefone do Matrix”, que para frustração desses mesmos nerds não vinha com a capa automática, o mecanismo só existia nos protótipos e no filme.

Mesmo assim foi um celular bem legal de ter, até o tamanho começar a incomodar.

Nokia 3320

Foi um dos celulares que mais gostei. Pela primeira vez um aparelho fazia mais do que falar. Com conexão infravermelha, dava para ser conectado  com o PDA. Na época não existia conexão de dados, então a ligação era feita de forma analógica, discando como modem a incríveis 9600 bauds.

Infelizmente não havia muito o que se fazer. Navegadores para Palm eram basicamente inúteis, o único programa de Instant Messenger que funcionava razoavelmente era o ICQ, então a diversão se resumia a alinhar o PDA com o Telefone e ficar escrevendo com a canetinha, contando pra todo mundo que você estava online. OK, não mudou muito do que se faz hoje no Twitter, que o diga o pessoal que tuita da praia, não é, Marcel?

Com tamanho minúsculo, boa autonomia e o modem interno, o 3320 era um telefone que aguentava muita pauleira. Robusto, nunca vi um quebrado. Não fosse AMPS, ainda teria muito 3320 sendo usado por aí.

Nokia nGage

Meu primeiro celular Symbian, foi uma revolução. Pela primeira vez percebi que um telefone podia ser mais do que um dispositivo para falar OU interligar um PDA à Internet. Mesmo com parcos 3,4MB de memória, já vinha com infravermelho, Bluetooth, tela colorida, cartão de memória (que a gente precisava tirar a bateria pra instalar) e um form factory que primeiro me levantou a suspeita de que alguns designers da Nokia usam drogas.

Apesar de pequenas falhas de projeto como o sidetalking, o nGage fracassou como plataforma de games mas foi o primeiro Smartphone para as Massas, vendido a preço de brinquedo.

Curiosamente o que menos fazia com ele era jogar. O aparelho se foi faz tempo, mas até pouco tempo ainda tinha o cartão original com Tomb Raider, o jogo que veio di grátis com ele. Sim, era tão ruim quando você imagina.

Nokia 1110

Um dos problemas do nGage era o tamanho. Era celular de mochila, não funcionava na mão. impossível de levar no bolso da calça sem ouvir a piadinha “isso é um nGage ou está feliz em me ver?”.

Comprei o 1110 para usar como telefone “social”, cabia em qualquer lugar e em caso de confusão não era motivo para processo por propaganda enganosa, como o supracitado nGage.

De brinde ainda vinha com uma lanterninha, mas era só isso que ele fazia. Falava e acendia. Apesar da aparência não era uma versão simplificada do 3320, carecia de toda a conectividade. O 1110 foi um telefone barato, backup e que cumpria muito bem o pouco que prometia.

Sony Ericsson T68

Está entre os Top 3 telefones que já tive. Pequeno até para os padrões de hoje, vinha com Bluetooth, infravermelho, Internet e uma incrivel tela de 101×80. Sério, o sujeito tem que ser muito PNC para criar uma resolução de cento e UM pixels.

Apesar de não ter uma grande variedade de softwares (sim, Java já despontava como decepção no mercado Mobile) o T68 se resolvia bem com o que tinha. Autonomia excelente, peso inexistente e uma beleza para conectar ao PDA.

O T68 assim como os Thinkpads da IBM vinha com um clitóris, agilizando o acesso aos menus. Também era computer-friendly, era possível sincronizar o telefone com o PC, através do Mobile Phone Tools da Motorola. Pela primeira vez editava-se contatos no conforto de um teclado de verdade.

O LED azul para indicar o Bluetooth ligado também era um charme e tanto.

Sony Ericsson T610

Talvez minha maior decepção em termos de celular. Comprei achando que seria uma evolução do T68. Descobri um telefone pouco mais rápido, software virtualmente idêntico e uma câmera que era uma piada de mau gosto. O fabricante repetiu o erro que por incrível que pareça é repetido até hoje: Criam o celular, enfiam uma câmera mas não dão qualquer forma de você TIRAR as fotos dele. Envio por email era inviável, o tempo consumido seria imenso. O conceito de cabo de dados ainda era restrito ao último círculo da Maçonaria e ele não sabia ser amigo por Bluetooth.

Para piorar o meu T610 resolveu animar a vida, com resets aleatórios. Durante meses tentei atualizações de firmware, assistência técnica, nada. Um dia, voltando de uma festa de final de ano, 3AM em Copacabana, bateria no penúltimo pentelhonésimo de erg de energia, tentei ligar para o Taxi. No meio da ligação o telefone reseta. De novo.

Atirei o carcamano na parede, com toda força. voou celular pra tudo que é lado. recolhi metade da carcaça, o chip e saí procurando um taxi na rua. Demorei a achar mas ter destruido aquela porcaria foi muito gratificante.

Motorola V3

Esse foi o segundo celular que comprei por fetiche. Comprei um dos primeiros disponíveis, paguei uma quantia absurda de dinheiro, mas valeu cada centavo. O V3 era lindo, fino e elegante. O teclado que acendia um charme. Anos depois foi alvo de críticas, em geral de haters que não entendem que nem todo telefone é um smartphone. Nunca foi a proposta, o V3 era um CELULAR, não um PDA.

O meu me acompanhou por muito tempo e junto com o T68 se mostrou um magnífico companheiro para meu Sony Clié.

Problema é que o Brasil não tem conceito de pós-venda, então eu simplesmente não encontrava nem capas nem baterias para ele, e por mais mágica que o V3 fizesse e por melhor que fosse a bateria, 12 horas de ônibus era demais para o bicho funcionar conectado à Internet.

O V3 também foi o primeiro celular que tive cujo conector de força era um miniUSB.

Nokia 6600

O bom e velho Cabeção, provou que um telefone com hidrocefalia podia ser um excelente aparelho.

Foi meu segundo Symbian, com muito mais espaço, 6MB de memória e câmera VGA. Dava para rodar softwares decentes nele. Dava para escrever textos nele (bendito T9). Dava até para ouvir música.

De forma alguma esse sabonete era pequeno, mas apesar de parecer uma pequena orca, compensava com o Symbian e a autonomia, garantida pela BL-5C, uma das melhores baterias da Nokia. Se há prova maior da qualidade do 6600, é o fato de ele ter sido vendido de 2003 a 2007. Em um tempo onde modelos são descartáveis (não é, Motorola?) um celular (sejamos sinceros) feio e grande vender por tanto tempo não é normal.

Tenho até hoje meu 6600, não vendo e não empresto. É um telefone que não faz feio mesmo em 2010.

HTC Touch

Durante muito tempo os celulares Windows Mobile eram tijolos. Aceitável em um PDA, o tamanho era inadmissível para um telefone. O sistema operacional também não ajudava. Ter que usar uma stylus para mexer em um celular tirava toda a agilidade do aparelho.

Com a melhoria no Windows Mobile e a estagnação do Symbian a necessidade de uma integração maior com Office me levou a experimentar (podem me chamar de phone-curious) o Touch, que parecia ser uma revolução. Minúsculo, elegante e quase sem botões.

Câmera de 2Megapixels, capacidade para tocar vídeos E uma interface linda me atraíram.

pena que a tal interface TouchFlo era uma grande marmotagem. Picaretagem da grossa, só funcionava para as telas principais, o uso normal do aparelho era o mesmo conjuntinho de menus e popups que o Windows Mobile havia herdado do desktop. A metáfora era de um pczinho na sua mão. Uma péssima metáfora, diga-se de passagem.

O processador do HTC também era uma bela bosta. 200MHz era piada de mau gosto, para lidar com Windows Mobile MAIS as demandas de um celular. Meu venerável Dell Axim x51v, lançado dois anos antes em 2005 vinha com um processador de 624MHz.

O resultado era uma experiência de uso ruim, lenta e um sistema operacional que complicava as coisas mais simples. Configurar WIFI era uma saga, com diversos passos desconexos, nenhuma ligação lógica entre eles. As configurações tendiam a desaparecer e no final o telefone tinha vontade própria, escolhendo sempre a conexão mais cara disponível para acessar Internet quando você não queria que ele acessasse nada.

Ah sim, era impossível tocar vídeos com o processador dele, também.

Nokia N80

Fiquei com o N80 muito pouco tempo, mas não tive do que reclamar, exceto ter comprado um celular com câmera frontal sem me tocar que até Steve Jobs dizer que videochamada é legal NINGUÉM, NINGUÉM fará uma ligação dessas. Ainda mais com os vampiros canalhas chupa-sangue as operadoras cobrando valor premium pelo serviço.

Com 40MB de armazenamento, o N80 era uma enormidade. A tela de 352 × 416 pixels permitia ver filmes decentemente (o complicado era converter pro divx que os programas questionáveis aceitavam). O áudio era bom como todo Nokia, e o processador de 220MHz ao contrário do HTC Touch não deixava o aparelho se arrastando.

Mesmo assim hoje eu não recomendaria um N80, ele tem tanto potencial não-aproveitado, é tão “quase” para os padrões modernos que representa o início da derrocada do Symbian como sistema operacional mobile. É evidente para quem usa que o hardware estava evoluindo mas o software o limitava.

LG Renoir

O Renoir é um aparelho que foi odiado por geeks que, assim como o V3 não entenderam o target do produto. Digamos que o uso constante do aparelho me deixou frustrado, com raiva e decepcionado, mas nem de longe é um celular ruim. A câmera dele é a melhor que já vi em um telefone, o áudio é excelente e ele cumpre bem tudo que se propõe a ser, um FEATURE phone.

Nós assumimos que tudo é smartphone, mas não é o caso. O Renoir pertence a uma categoria de celulares entre os aparelhos baratinhos e os smart. Ele existe para atender o público que quer por exemplo substituir a câmera digital que ainda não comprou, mas não quer a complexidade ou o preço de um smartphone.

O Renoir peca talvez por tentar parecer um smartphone, mas partindo do princípio que até GPS e Google Maps ele tem, a confusão é perdoável.

O meu foi doado a uma amiga (que não doou nada em volta, mas nada é perfeito) que está adorando, a câmera está sendo usada profissionalmente, é o celular ideal para ela, aquele tipo de gente em extinção que usa celular para falar.

Nokia E71

Se remover a parte multimídia da equação, o E71 é o melhor celular que já tive. Pronto, simples assim.

É mais fino que a Ingrid Bergman, a bateria é um monstro que dura mais do que culpa por pegar prima bêbado, o teclado é maravilhoso e tem até cedilha. Cedilha, meu jesuscristinho, vocês tem idéia de como isso agiliza a digitação?

O E71 vem com o Quickoffice, GPS, câmera razoável e um player de áudio igualmente decente. Aceita (não oficialmente) microSD de até 32GB, substituiu meu iPod como player de áudio. Infelizmente não funcionava com vídeo, engasgava muito e a Nokia não ajudava em nada, os 512 softwares de conversão de arquivos que ela disponibiliza são inúteis. Acho inclusive falta de respeito você passar 40min convertendo um arquivo no software OFICIAL da empresa, selecionando corretamente modelo e tudo, para chegar no telefone e ele cuspir “formato inválido”.

Fora isso, o E71 é maravilhoso. Com o Nokia Maps e a função turn-by-turn (chupem, macfags!) se perder passou a ser atividade opcional em minha vida. Programas como o Gravity transformam o E71 numa ferramenta mobile completa. O navegador web da Nokia, tão vira-lata que não se dignam nem a dar um nome pro bicho, é excelente, “tem até Flash”.

A agilidade do E71 é impressionante, mesmo não sendo touchscreen. Esse aliás é o único problema: Depois de usar Symbian Touch ficamos habituados a clicar na tela, mas aí a culpa é da anta que vos escreve, não do aparelho.

A Nokia lançou o E72, venerável sucessor do E71, mas se você está curto de grana o E71 ainda é o melhor celular não-multimídia da atualidade.

Nokia N97

Talvez minha maior decepção em termos de celular. Ganhei achando que seria uma evolução do E71. Descobri um telefone pouco mais rápido, software virtualmente idêntico e um sistema operacional obsoleto. A Nokia chegou ao cúmulo de soltar comerciais FALSOS, vendendo o N97 com uma interface que ele simplesmente não tinha. Era um Symbian idealizado pelo marketing, quando usávamos o telefone era evidente que alguém pegou as especificações de hardware de um smartphone topo de linha mas esqueceu do pequeno detalhe do sistema operacional.

O N97 tinha algumas soluções bem elegantes, a tela deslizante dele é uma coisa linda e bem-feita, mas não adianta se um telefone lançado em 2009 insiste em tela resistiva. Em alguns momentos dá vontade de apertar o N97 até ele espirrar gosminha amarela, igual uma barata. Como um proctologista de pesadelo, todo toque demanda uma segunda opinião. É impossível encostar o dedo e ser recompensado com um reconhecimento, você tem que fazer “tap-tap”, no mínimo. Deslizar a tela? Naninanão, segure e e PUXE, enquanto a CPU grama tentando desenhar o scroll.

O Symbian não foi feito para um celular multimídia multigiga. Adicionar uma música significa que ele vai reconstruir a biblioteca inteira, o que pode levar mais de uma hora, se você tiver milhares de músicas. Filmes só tocam se forem convertidos para formatos amigáveis, mas depois que se pega a manha, dá para usar. Eu usei o meu como media player depois de ter perdido o iPod Touch, e confesso que funcionava direitinho. Ao menos era possível parar o filme e voltar pro mesmo ponto, coisa que o E71 não permitia.  A coisa chegou a um ponto que o CEO da Nokia pediu desculpas publicamente pelo aparelho.

Motorola Dext

Lançado no Brasil com uma festa excelente, o Dext tem um quê de N97, mas ao contrário. O software é decente mas o hardware deixa a desejar. Se tirar o tal Motoblur, a interface maldita que exige 10GB/s de banda para funcionar minimamente bem, o telefone é decente, SE for visto como um Android low-end.

O problema é que eu não sei se é possível vender um Android low-end, o sistema operacional tem mais e mais recursos, os usuários querem essas funcionalidades e elas demandam CPU. A LG defendeu o uso de sistemas proprietários para seus telefones semi-smart, e eu concordei. O racional é que equipamentos onde não há folga de recursos de hardware demandam uma otimização impossível de ser atingida com sistemas genéricos. Um celular desses acaba provendo uma experiência de uso ruim, se equipado com sistemas operacionais mais pesados. Pense no Vista rodando em PCs velhos, é a mesma coisa. Quem tinha máquinas poderosas (ou pelo menos decentes) não tinha do que reclamar.

Claro, a banana monumental que a Motorola deu aos donos do Dext, lançando um celular de 2009 que NÃO será mais atualizado não ajuda muito na promoção do produto.

iPhone 3GS

A verdade, ilustrada pela lista toda aí atrás é que sou biatch da Nokia, apanhei até não poder mais e como boa mulher de goleiro, voltei pra apanhar mais. Tentei inclusive comprar um Zune HD, seria minha estratégia para multimídia e companheiro para o E71, mas a Microsoft não tem interesse em vender fora dos EUA, teria que depender de favores para comprar um e, pô, business, não quer vender tem quem queira, como a Apple.

Por anos resisti ao iPhone, a falta de aplicativos Office E o teclado virtual me afastaram do equipamento. Infelizmente (para a Nokia) o N97 consumiu minha paciência. Quando vi a proposta do (lindo) N8, baseada em um Symbian capenga, e promessas promessas e mais promessas, desisti. Aceitei que usuaria o iPhone mesmo com o teclado virtual, e em último caso com meu teclado Bluetooth. (que perdi a tampa mas isso é outra história)

O resultado é que o 3GS tem se mostrado um celular excelente. A parte de multimídia é imbatível, A parte de Aplicações, que achei estar limitado geograficamente, ocupa quase 3GB no aparelho e são só apps gratuitas. Devo ter subido mais fotos do iPhone, que tenho tem menos de 2 meses, do que em toda a vida de meus outros celulares. Embora o Gravity seja excelente, o N97 é um inferno lidando com imagens grandes. A galeria de fotos dele leva vários minutos montando os thumbnails. Agilidade zero.

A versatilidade do iPhone tem me surpreendido, há aplicações para tudo, a maioria bem madura. A do WordPress é uma que permite gerenciar vários blogs, da rua, coisa que nunca antes havia sido possível de forma confortável. As de astronomia mesmo gratuitas são maravilhosas.

Na parte da navegação, talvez por ter a experiência com o Symbian não percebi falta do Flash. É a primeira coisa que desabilitamos nos Nokia, só serve para comer CPU e banda, e de qualquer jeito não existe site do concurso “passe o dia com a Luciana Vendramini” rodando somente em Flash.

O iPhone está sendo o telefone que mais uso e o que menos me preocupo. Atualização de aplicações? No Symbian é preciso procurar manualmente, e quando existem uma atualização pode significar OITO confirmações. Imagine isso com a quantidade de tralha que tenho instalada no celular:

No iPhone entro no iTunes e ele me avisa que há atualizações disponíveis. Com um ou dois cliques baixo tudo de uma vez, são instaladas no próximo Sync, fim da história. É possível fazer o mesmo direto do aparelho.

O meu segredo é que penso em Sarah, o resto é fácil. Já o do iPhone é não ficar no caminho. Sua vida não gira em torno do celular e ele não fica no caminho. Eu sei que há tutoriais com 12 simples passos para hackear o Dext e instalar o Android Frodo, ou seja lá o nome da última versão, mas eu quero um telefone que não exija um grau de dedicação equivalente à raposa d’O Pequeno Príncipe.

Por enquanto o iphone atende essa exigência. Continuará assim? Não sei e não me interesse ficar imaginando o futuro. Por enquanto estou satisfeito, como já estive antes, várias vezes. Foi uma viagem e tanto, confesso que não imaginava ter passado por tantos aparelhos, tantas histórias, mas quer saber? VALEU CADA MOMENTO. Não estamos nem começando!

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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