N900 no Brasil, ô pá!

Um dos produtos mais irracionalmente desejados por geeks é a linha N8XX da Nokia. São algo entre um tablet, um pad, um axé, sei lá. São lindinhos, não caem em nenhuma classificação específica exceto que não são celulares. Mesmo assim todo mundo que mexe em um precisa racionalizar muito para não comprar, dado o grau de desejabilidade que geram.

Com o N900, a Nokia aparentemente havia acertado em cheio, transformando um N8XX em um celular e acabando com o último argumento contra uma eventual compra. Vejamos o que tem o bicho:

  • Processador de 600 MHz
  • 256MB de memória DDR, 768 MB de swap e 1 GB virtual
  • 32 GB de Flash
  • Tela de 3,5″ (800×480)
  • Câmera 5 MP Carl Zeiss
  • Bluetooth 2.1, WIFI, AGPS, FM (transmissor/receptor), Infravermelho
  • MiniUSB
  • MicroSD de até 16 GB
  • USB host
  • TV Out
  • Teclado Qwerty
  • Quadriband

Essa é só uma listinha parcial. O N900 vem com o Maemo (e não o obsoleto Symbian) e é o único smartphone do momento que roda Firefox.

Agora essa beleza vem pro Brasil, ao preço full não tão assustador de R$ 1.990,00 e disponível na segunda quinzena de agosto.

Problemas: nas palavras do Henrique, “é um aparelho de transição”. O Maemo ainda é um sistema operacional em sua infância, se você acha o Android coisa de geek, nem queria chegar perto do Maemo sem saber o que está fazendo.

A Nokia também não parece muito saber o que quer da vida, vide o lançamento do N8 com o Symbian^3, e o futuro Symbian^4, baseado em Qt. Onde entra o Maemo na história? Dividindo recursos, claro.

A linha N8XX sempre foi um patinho feio muito querido, a empresa nunca conseguiu situar os aparelhos como produto. O N900 embora tenha vendido bem, virou uma espécie de Opera dos Smartphones. Dá pra ser muito feliz com um mas nenhuma moça bonita vai te dar bola por causa dele.

Agora, o problema principal: confiança. O Brasil sempre foi um mercado respeitado pela Nokia, já houve aparelho lançado aqui antes do mercado norte-americano, então fico muto preocupado quando dou de cara com a informação, no press-release:

“A versão vendida no Brasil virá com o idioma em português de Portugal.”

Como assim, Bial? Voltamos aos anos 80, quando o Brasil era mercado para desova de produtos fracassados? A Palm fez muito isso, o IIIe foi uma vergonha de vendas, cancelado e em seguida vendido no Brasil como novidade.

Desrespeitar o Mercado Brasileiro dessa forma é uma atitude tão arrogante que nem a Apple ousa, iPhone e Macbooks falam o português de Kaká, não de Camões. E não, não me interessa justificativa de que “geeks usam tudo em inglês”. Isso é desculpa de quem está no gueto e não quer sair. Fosse assim Linux não seria traduzido.

Portanto, concluo que a Nokia não quer gastar dinheiro localizando um aparelho que não tem esperança de vender em números significativos e, com isso, mostra também que não vê muito futuro no próprio Maemo, afinal o trabalho de tradução de uma futura versão seria bem menor se a atual já tivesse sido localizada.

Conclusão: o N900 está aí, é um excelente aparelho, dá pra ser feliz com ele. Eu acredito nisso, já a Nokia, não sei.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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